Beda 24 – Mergulho na Ásia

Em meio a tanta barbárie humana, a arte salva aqueles que desejam a leveza e a beleza existentes nas pequenas coisas.

Para meu entretenimento, prefiro um bom filme com enredo e personagens comuns às superproduções carregadas em efeitos especiais que tornam a obra, algo belo porém, falso.

Tenho preferência por histórias do cotidiano mostrando personagens banais, comuns, exatamente como somos. Identificação imediata.

Por conta disso, faz tempo que sou amante da arte asiática: filmes japoneses, coreanos, chineses. Deixando de lado o preconceito que no passado tive, descobri pérolas que marcaram.

No passado, filmes dirigidos pelo conceituado diretor japones Akira Kurosawa. Derzu Uzala, Mandadayo, Sonhos.

Da Coréia, tive o prazer de conhecer o belíssimo filme Poesia, do diretor Lee Chong-dong. O tocante Casa vazia, de Kim ki-duk. O dedo na ferida Parasita, de Bong Joon-ho. Todos esses filmes são alguns exemplos da delicadeza aliada ao talento e beleza estética que me encantam.

Da China, Adeus minha concubina, de Chen Kaige, O caminho para casa, de Zhang Yimou e mais recente assisti a série Entre a razão e a emoção.

Hoje, assisti ao filme Sabor da vida, direção de Naomi Kawase. Filme de 2015, aborda vidas despedaçadas que se encontram.

Sinopse: Sentaro dirige um pequeno negócio que serve dorayakis – bolos recheados com pasta doce de feijão vermelho. Uma senhora de idade, Tokue, oferece-se para ajudar na cozinha, e ele relutantemente aceita. Graças à sua receita secreta, o pequeno negócio logo floresce e com o tempo, Sentaro e Tokue abrem seus corações revelando velhas feridas.

Solidão, preconceito, perdas. E claro, tudo isso aliado ao tema que tanto gosto: gastronomia, mostrando o passo a passo do doce japonês dorayaki, feito com pasta de feijão.Temas entrelaçados – feito fratura exposta – numa delicada interpretação de atores com um talento incrível. Destaque para Kirin Kiki e Masatoshi Nagase.

O que mais gosto nessas produções? Falam muito dizendo muito pouco. Tenho conciência de que a maioria das pessoas não gostam desse tipo de filme. Acham monótonos. Eu, da minha parte, acho-os primorosos! Cada tomada, cada gesto, cada frase, foram muito bem estudados. A natureza – representada pela beleza das cerejeiras repletas de for – são símbolos das passagens na vida de cada um.

Ao término do filme, fiquei alguns minutos num silêncio, feliz pela oportunidade de conhecer mais uma obra-prima japonesa.

Bom demais, poder passar alguns momentos envolvida pela boa arte cinematográfica, poupando meu espírito de tanta barbárie espalhada pelo planeta. Se você ainda não viu e deseja assistir a algo bonito e delicado, esse filme se encontra disponível na Prime Vídeo.

Esse texto faz parte do b.e.d.a — blog every day august.

Participam Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia — Obdulio Nuñes Ortega

Imagens: Google

10 comentários sobre “Beda 24 – Mergulho na Ásia

  1. Realmente, o cinema asiático tem surpreendido por seu olhar apurado da alma humana. Eu acompanho desde bem jovem e alguns dos filmes mais recentes são perturbadores por desvendar nosso lado mais dilacerante em termos de precariedade moral.

  2. Boa dica, mas admito que tenho um gosto completamente diferente para filmes. Ao contrário de você gosto daqueles bem fantasiosos, cheios de efeitos e coisas impossíveis, de absurdos e coisas inimagináveis, são esses que me prendem a atenção. Já se essa sua descrição, “histórias do cotidiano mostrando personagens banais, comuns” fosse de um livro, muito provavelmente eu o leria.

  3. Eu gosto de filmes que dão sentido a sétima arte. Os enlatados de hollywood há muito tempo produzem bobagens e causa-me preguiça. Poesia é maravilhoso e o Parasita é indigesto-forte e necessário.
    A França tem aberto as portas para os diretores orientais. Hong Sang-Soo produziu A câmera de Claire que eu amei. Assisti duas vezes no Cine 4 da Augusta. É muito bom. O ritmo das cenas, dos personagens. Maravilhoso.

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