Passeio pela minha estante (4)

E seguimos para o quarto desafio da maratona literária Minha estante de livros, promovida por Lunna Guedes. O desafio de hoje é a escolha de um livro ambientado em minha cidade-país. Logo de cara, surgiu um livro que li há alguns anos quando a temática “Vampiro” não fazia sucesso entre a massa leitora.

Lançado de forma independente em 2000, Os Sete, de André Vianco, conquistou uma multidão de fãs e se tornou um best-seller, vendendo mais de 100 mil exemplares. O sucesso foi tão grande que consagrou o autor como um dos mais importantes na literatura de fantasia nacional. É neste romance que Vianco atualiza o mito dos vampiros e o encaixa na realidade brasileira, apresentando ao leitor seres poderosos, cada um com uma característica única, porém, todos monstruosamente perversos.

Na trama ambientada em terras brasileiras, uma caravela portuguesa naufragada com mais de 500 anos é descoberta no litoral do país. Dentro dela, uma estranha caixa de prata lacrada esconde um segredo. Apesar do aviso grafado, com a recomendação de não abri-la, a equipe de mergulhadores que a descobriu decide seguir em frente, e encontra sete cadáveres. Esses corpos misteriosos são levados para estudos e tudo parece estar sob controle até o despertar do primeiro deles. O romance mistura diversos elementos já conhecidos na escrita de Vianco: terror, suspense, fantasia, sobrenatural, romance e o tema pelo qual o autor é reconhecido: VAMPIROS.

Já conhecia a escrita de André Vianco através de título O senhor da chuva, uma saga entre anjos e demônios. Gostei demais! Mas, voltando ao Sete, o livro tem uma narrativa envolvente, personagens bem construídos e as cenas se passam em vários locais aqui no Brasil inclusive, minha cidade e a cidade do próprio André Vianco: Osasco. Sem dar spoilers mas, as cenas de perseguição em plena rua Dona Primitiva Vianco (reconhecem o sobrenome?), muito conhecida na cidade e bem movimentada com muito comércio são incríveis. Uma das melhores cenas da história. Como nasci e morei até pouco tempo lá, ler o livro e percorrer ruas tão familiares foi um deleite. A partir daí, li os demais livros que lançou: O sétimo, a continuação do Sete, narra a história do sétimo vampiro. O último a ser despertado e o mais temido. Até entre os próprios vampiros. Eh lêlê, aventura pra lá de boa.

Hoje, André Vianco tem uma legião de fãs espalhados por todo o país e onde vai, arrasta quarteirão. Essa é minha dica de leitura. Se nunca leu nada dele, essa é a hora de começar. Garanto que você vai ter momentos de muita aventura e fantasia. Bora lá?

Abaixo, outras capas do livro:

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Mais uma volta pelo minha estante (3)

O desafio de hoje é contar minha idade através dos livros de minha estante. Confesso que quebrei a cabeça nesse desafio. Nem é por conta de abrir a real sobre meus anos de vida. Não mesmo. Quem me conhece sabe que não tenho problemas com idade. Poderia facilitar reunindo o total de livros de minha estante que dá o exato número.

É claro que tive de dificultar né? Fui inventar de fazer umas contas malucas (na realidade, simples soma de adição e subtração), esquecendo que tomei pau em matemática na escola. Números nunca foram meu forte.

Passei o dia de ontem quebrando cabeça fazendo contas: sobe 11, desce 7 acrescenta 15….Ai minhas santas sinapses calculistas. Ilumina essa mente travada para contas!

Após muita cafeína acompanhada de Ferrero Rocher, cheguei a conta redondinha e, prezados leitores, apresento-vos meus livros selecionados. Espero que gostem, procurem por eles e leiam com o mesmo prazer que os li.

O primeiro livro que escolhi foi o romance Alice: uma voz nas pedras, de Lunna Guedes. Livro belíssimo mas que confesso à vocês, tive dificuldades para ler. Não pela qualidade da escrita – que aliás -, é excelente. Contudo, a temática mexeu demais comigo: violência contra a mulher. Não preciso dizer mais nada né? Como mulher, já presenciei muitas formas de violência. As explícitas e as sutis, mascaradas, aplicadas através de um sorriso falso. Convivemos diariamente com várias Alices, muitas delas, em nossa própria família e grupo de amigos. Lunna, ainda vou sentar com calma e escrever uma resenha sobre esse livro. Aguarde. Inicio por esse livro contabilizando o número dele, 17 para dar largada ao número exato que compõe minha idade. Vão anotando.

O livro escolhido logo a seguir para compor minha louca somatória foi esse juvenil que pelo título já diz o porquê da minha escolha: Sixteen, de Luíza Araújo. A encantadora história fala sobre o lema dos dezesseis jovens deuses que, vivendo uma paixão proibida, fogem do destino que seus pais lhes reservaram e embarcam em uma jornada repleta de aventuras e descobertas.

O livro seguinte a ser escolhido e colocado nessa conta estranha, foi o livro de crônicas Receituário de uma expectadora, de Roseli Pedroso (euzinha!). Sou amante da janelinha quando viajo e na vida, também não é diferente. Sou expectadora da vida que pulsa ao meu redor e estou sempre coletando situações e personagens para fincarem morada em minhas crônicas. Se não leu ainda, está esperando o quê para adquirir um exemplar? Vocês observaram o número 25 na capa? Então, soma aí.

O último livro escolhido para fechar essa conta foi o livro Se só me restasse uma hora de vida, do escritor, filósofo e jornalista francês Roger-Pol Droit. Foi num encontro numa cafeteria com Lunna Guedes que fizemos troca de livros e esse, veio junto de outros que troquei com ela. O autor, propõe nesse livro um exercício radical, decisivo, que vale todas as lições de filosofia e sabedoria: E se você tivesse apenas uma hora de vida, o que faria? Qual seria sua escolha? Adorei e indico porque, apesar da temática que muitos fogem, é escrito de uma forma elegante que nos leva a definir o que realmente é essencial em nossas vidas.

E então? Fez a soma e subtração? Encontrou um resultado? Fala nos comentários a que conclusão chegou.

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Passeio por minha estante (2)

O universo de uma biblioteca representou para mim uma porta aberta para a fantasia. Através dela, tive oportunidade de atravessar séculos, cidades, países e ter contato com inúmeras culturas.

Curiosa, nunca me ative a um único estilo literário. Alguns, como a poesia, demorei mais tempo a conhecer porém, quando me aproximei, caí de paixão por vários poetas (Drummond, Pessoa sempre!). Aqui, tenho poetas contemporâneos que gosto demais: Dulce Miller, Ana Clara de Vitto, Nic Cardel, Alê Safra, Mariana Teixeira, Jorge Ricardo Dias, Ninil Gonçalves, Adriana Aneli, Virgínia Finzetto, Marcelo Moro, Maria Florêncio, Claudinei Vieira, Akira Yamasaki, Ingrid Caldas.

Minha estante é diversificada. Tenho a coleção quase completa da Scenarium Plural. Digo quase, porque alguns livros deixei na casa de minha mãe.

Autores contemporâneos e ainda não tão conhecidos da grande massa leitora e que são maravilhosos: Plínio Camillo, Fernando Rocha, Setúbal, Márcia Barbieri, Eugein Weiss, Nanete Neves, Daniel Lopes, Ricardo Coiro, Rê Schermann.

E outros, já ganhadores de prêmios com Andrea Del Fuego, Milton Hatoum, Lya Luft, Patrícia Mello, Marcelo Maluf.

Apaixonada por contos, tenho em minha companhia Julio Cortázar, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Maria Teresa Fornaciari, Ricardo Ramos, entre tantos outros.

Tenho na estante não somente ficção mas, livros que orientam a escrita e falam dela: Técnicas para escrever ficção, Oficina de escritores, Manual da boa escrita, Escrevendo com a alma, A arte de fazer artes, Cinema: roteiro, A coisa mais próxima da vida, Como funciona a ficção, Sobre a escrita, A arte do romance, 1001 dúvidas de português, Minidicionário contemporâneo da língua portuguesa.

Ah, antes de terminar, não posso deixar de citar os autores juvenis que também aprecio: Carlos Davissara, Brian Selznick, Sarra Manning, Luíza Araújo, Thalita Rebouças. Sempre mantenho um espaço na estante para futuras aquisições porque uma estante de livros deve sempre viver em franca expansão.

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Passeio por minha estante (1)

A leitura está em minha vida há tanto tempo que mal consigo determinar quando realmente passou a ter importância. No entanto, os livros só passaram a fazer parte de minha rotina, quando comecei a trabalhar em uma biblioteca escolar. Isso, em meados da década de noventa. O contato com tantos livros e com sua diversidade de assuntos, despertou de vez o amor a esse objeto. O pegar, sentir, folhear, admirar suas ilustrações quando presentes, tudo passou a ter um significado especial. Lá em casa, minha irmã mais velha tornou-se assinante do hoje extinto, Círculo do Livro. Dessa forma, através dela, eu e meus irmãos fazíamos pedidos de títulos de nosso interesse. Em pouco tempo, meu pai fez uma estante que pegava uma parede e ia até o teto. Lá, tornou-se nosso cantinho da leitura. Tínhamos de tudo: de Agatha Christie, Leon Denis, Clarice Lispector, Raquel de Queirós, Ken Follett, Trevanian, Vinícius de Moraes e tantos outros.

Quando há quatro anos, decidi morar sozinha, tive de fazer uma seleção do que me acompanharia pois o espaço era pequeno. Alguns títulos mantenho intacto em minha estante, contudo, muitos títulos passei adiante através de doações e deixados em espaços públicos através do projeto Bookcrossing Blogueiro, da página do blog Luz de Luma .

Hoje, topei um desafio feito pela Lunna Guedes, da Scenarium Plural, para participar falando de minha estante de livros. Para iniciar o desafio, selecionei três títulos com iniciais de meu nome. Dois deles, são de autores queridos que tive a honra e privilégio de conhecer pessoalmente.

Remédio forte é o título do livro de contos de Gláuber Soares, publicado em 2014 pela Terracota. Seus contos relatam a vida de pessoas comuns que, numa linguagem concisa, nos emociona, nos faz rir e viver experiências comuns com o qual nos identificamos de imediato.

Volta – se houver motivo para voltar, de Ana Costa. Livro autobiográfico no qual a autora expõe sua vida antes e depois do acidente vascular cerebral que sofreu em novembro de 2014. Suas dificuldades com a doença, demissão, separação, doutorado interrompido poderia tê-la afundado. No entanto, com determinação, coragem e humor, deu a volta por cima e se reinventou. Livro delicioso de se ler.

Primavera num espelho partido, de Mario Benedetti. Nunca tinha livro livros desse autor uruguaio. Foi uma bela surpresa vinda pelas mãos de minha cunhada que me emprestou seu livro para eu ler. Livro arrebatador, conta a trajetória de uma família separada pela prisão. Romance é narrado por diversas vozes incluindo o próprio Benedetti, que vivenciou a violência da ditadura e passou parte de sua vida exilado.

Durante a semana postarei aqui outros textos onde a minha estante será a protagonista. Conto com sua visita e seu olhar. E você, como é sua estante?

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Passando para dizer que não sumi, só estou por aí

Desde julho do ano passado sem escrever absolutamente nada. Que horror minha gente!

Meu afastamento do blog que tanto amo, se deu devido a muitos acontecimentos em minha vida profissional. O que a princípio se apresentou como algo ruim, mostrou-se o melhor para mim, que andava bem acomodada e desmotivada. Muitos desafios se apresentaram e confesso que fiquei bem temerosa. Contudo, através do incentivo de pessoas que realmente me querem bem, pouco a pouco fui superando um a um e até voltei a estudar. Por isso deixei de lado meus escritos por aqui. Mas estava muito saudosa desse espaço onde posso me esparramar em pensamentos, emoções e histórias. Muitas histórias!

Estou num período salutar para as leituras. Lendo vários ao mesmo tempo, alimenta meu espírito sempre ávido por novas emoções. As pilhas de livros aumentam a cada dia em minha estante. Às vezes chego a ficar agoniada diante de tantas histórias a serem exploradas e, 24 horas já estão valendo 14. O que o Senhor do Tempo anda fazendo com nossas horas que escoam feito grãos de areia por nossos dedos? Protesto!

Livros

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Vivo entre livros de forma mais intensa desde 1991.No entanto, os livros sempre exerceram certo fascínio em mim.

Quando pequena, observava de longe os livros de capa de couro de um tio que lia muito e também os livros de latim e francês de outro tio. Achava isso de ter muitos livros o máximo!

Porém, a situação financeira da família tornava esse sonho um tanto quanto impossível. Quando papai começou a trabalhar numa empresa de mudanças, passou a trazer para casa livros largados de famílias que se mudavam e fez a festa da família toda. Muitos gibis, HQs do Fantasma, Aventuras de Tom Sawyer, Mary Poppins, Viagem ao Centro da Terra. Esses livros nos acompanharam por muitos anos até se desintegrarem.

Ao começar a trabalhar numa biblioteca por pura necessidade, não imaginava que se transformaria em meu lar. Passo mais tempo dentro dela acompanhada por mais de quarenta mil livros do que ao lado da família que só vejo por algumas horas aos domingos. Ouço suposições de que o livro vai acabar desde que entrei para a faculdade. As livrarias estão aí para desmentir pois nunca se produziu tantos livros como atualmente. Após duas décadas trabalhando em bibliotecas, presenciei a vinda dos e-books, conheci muitos textos incríveis e seus autores através de blogs e também passei a escrever neles. E os livros seguem firmes e cada vez mais bonitos e criativos. É claro que com a facilidade em se publicar, também surgiram muitos livros ruins mas, até nisso ele é democrático. Existe público para tudo, inclusive, para literatura considerada ruim.

E hoje, Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, passei mais um dia cercada por Nietzsche, Drummond, Dante Alighieri, Rick Rordan e tantos outros que fazem desse espaço, um pedaço do paraíso onde você se instrui, se diverte e descansa a mente e o corpo desse frenesi que é viver.

Leitura escondidinha

A leitura faz parte de meu cotidiano há muito tempo e posso dizer que já li praticamente de tudo: de revista de banca de jornal Sabrina, passando por romances mediúnicos, namorando romances best seller como os de Sidney Sheldon e Danielle Steell a livros de filosofia, psicologia, biografias.

Ah claro, li alguns romances eróticos também. Nunca tive problemas em ler em público, contudo, três livros confesso que li na surdida. Bem escondidinho.

O primeiro, foi um clássico de nossa ficção científica do autor que hoje – apesar de esquecido no limbo -, é altamente cultuado pelos amantes do gênero Ficção Científica: André Carneiro.

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O livro Amorquia, eu encontrei por acaso numa liquidação na livraria Nobel da rua Maria Antonia. Fazia faculdade e era caminho. Sempre estava por lá garimpando boas promoções. Algo nesse livro chamou minha atenção e não hesitei. Comprei.

Não conhecia o autor e muito menos a história do livro logo, foi um mergulho noturno no lago negro. Considerada uma utopia-anarco-erótica (palavras de meu mestre Nelson Oliveira), nos apresenta uma sociedade hedonista onde as crianças têm aulas de prática sexual desde cedo e a religião reforça o tempo todo o sentido sagrado do prazer carnal.
A morte e o trabalho foram abolidos assim como o amor, o casamento e a fidelidade. Confesso que página a página lida e virada, um incômodo fez moradia dentro de mim. Não sou puritana, mas a maneira como o sexo é tratado na história me causou mal-estar e passei a ler cada vez mais escondido com medo que despertasse a curiosidade nas pessoas ao meu redor. Apesar de tudo, cheguei ao final do livro e tenho de dizer, fiquei muito satisfeita. Tanto que indiquei sua leitura a várias pessoas e emprestei inúmeras vezes até que simplesmente sumiu. Quero comprar um novo exemplar e fazer uma nova leitura. Atenção esse livro você encontra somente em sebos.

Anos mais tarde, fazendo um curso de criação literária, numa discussão sobre literatura erótica, observei que não havia lido nada. Decidi ler alguns títulos sugeridos pelo professor.

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O livro escolhido foi A história do olho, de Georges Bataille. Não se enganem ao se deparar com um livro de apenas 144 páginas. A história mexe, incomoda, te faz perder o rumo muitas vezes, te dá tesão em outras. O livro me fez refletir sobre os personagens e sua condição humana em busca de se afirmação – seja no sexo e sua descoberta, na vida, na sociedade que tanto nos cobra determinada postura, mas nos afronta e nos oferece outras. Vivemos no fio da navalha entre o politicamente correto e o que nos proporciona prazer.

Ah, mas não parei aí. Recentemente, li uma obra escrita por uma querida escritora com o qual tenho amizade que muito bagunçou minha vida de leitora: o livro?

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A puta, de Marcia Barbieri. Só pelo título já dá o que pensar, mas a escrita mordaz e afiada feito uma lâmina de aço de Márcia, nos incita a seguir com a leitura. Numa linguagem visceral, ela retorce nossas vísceras e nos faz parar e pensar ou simplesmente parar e ficar no vácuo de suas palavras. É, desde que a conheci no curso de criação literária, uma voz que ecoa e que faz diferença nesse mar de mesmice literária atual. E claro, com esse texto, com esse título e capa, confesso que ficava incomodada (mais uma vez essa palavra) em ler em público. Daí, ler escondidinha no escurinho de meu quarto.

Enfim, os três livros de maneira muito diversa, mas abordando o tema sexo, vida, amor, morte, mexeu absurdamente comigo e isso faz deles, três grandes livros afinal, literatura para mim é isso. Tem de mexer e remexer nossas entranhas caso contrário, em nada contribui. E você já leu algum deles? Me conta!

Este post faz parte da postagem coletiva e participam deste projeto os escritores: Lunna Guedes –  Ale Helga – Fernanda Akemi  –Gustavo Barberá – Roseli Pedroso – Obdúlio Nunes – Fernanda Akemi –  Maria Vitória

Exercitando

Vozes abafadas lá fora. Cá dentro, mentes focadas no estudo e em seus smartphones. Sons de páginas viradas. De livros, cadernos e revistas. Meus dedos desgastados de tanto manipular livros, encontram-se ressequidos e enrugados. Mas continuam a virar página a página do livro de Murakami. Romancista como vocação. Sua leitura me leva a um balanço tímido se devo aventurar-me num território tão árido. Devo ser leviana ou totalmente sem noção para me meter nesse meio. Sei de antemão que não serei bem recebida. Muitas críticas hão de cair sobre meus carcomidos ombros de balzaquiana. Caso tivesse bom senso, passaria longe. Recordo da leitura que fiz do livro de Stephen King sobre sua escrita. Lembro também de outros livros lidos: Para ser escritor, de Charles Kiefer, A arte de fazer artes, de Gloria Pondé, Truques da escrita, Howard S. Baker, Escrevendo com a alma, Natalie Goldberg – esse último, tenho grande estima por ele – lido  mais de uma vez. Se aprendi algo? Não sei dizer. Talvez sim. Talvez não. A única certeza que trago – agora de forma consciente – , é que não desejo copiar ninguém. Tenho imensa admiração pela escrita de centenas de escritores no entanto, não quero ser cópia de nenhum deles. Vivo em busca de um estilo próprio. Não almejo estar lado a lado dos grandes. Sou humilde ou talvez relaxada, destituída de um plano de vida literário. Na realidade, sinto-me até mal em pensar-me escritora. Dá a impressão de que estou profanando um espaço sagrado ao qual não faço parte. Sei lá. Paranoia? Quem pode dizer. Falta de comprometimento? Talvez. Preguiça? Com certeza. Insegurança? Todas confessas. Enfim, deixa eu encerrar minhas divagações diante dos alunos estudando aqui na biblioteca. Meus olhos cansados ardem após uma noite não dormida e meu corpo pede descanso. Mais um dia se encerra. Mais uma data no calendário roda e meu desejo de retomar a escrita parece aos poucos adquirir força após um período de inércia. Amanhã tentarei novamente.

Receituário de uma expectadora

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Convido a todos para conhecer meu livro de crônicas que lanço dia 19/11, próxima semana, pelo selo Scenarium Plural que produz numa série limitada, livros artesanais. Essa proposta é bem interessante pois o livro torna-se um objeto de colecionador, podemos assim dizer. É a segunda vez que sou convidada e participo dessa proposta. A primeira vez, participei com meus contos que se transformaram no livro Recortes de vidas, na série Exemplos. Dessa vez, participo com minhas crônicas que tanto gosto de escrever. Estou feliz demais e, quem estiver em São Paulo e puder e quiser me prestigiar, estaremos no seguinte endereço:

convite

Para quem não puder comparecer, mas desejar obter o livro, faça sua reserva pelo e-mail: scenariumplural@globo.com.

Livro: Receituário de uma expectadora

Autora: Roseli Pedroso

Valor para venda via pag seguro R$ 35,00

Apresentação

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Detenho poderes que nenhum ser humano imagina existir

Manipulo energias que nenhum físico descobriu

Traço caminhos que nenhum engenheiro ousou construir

Crio mundos, gero vidas,

Determino seu fim.

Posso estar em muitos locais ao mesmo tempo

Sem jamais me perder de mim mesma

Sou essência

Matéria bruta da natureza

Em meu mundo, sou conhecida como

A rainha do castelo de livros

Criei mais uma história que,

com certeza te prenderá

Te farei meu escravo, de mim não se apartará

Até saber o significado dos segredos que detenho

Deseja arriscar? A caminhada é longa mas,

o aprendizado, é para sempre.

Adentre os aposentos de meu castelo e…

Aventure-se!

 

Imagem: Pexels