6 on 6 – Resquícios

Por onde passamos, deixamos rastros de nossas ações e, em sua maioria, o resultado do que deixamos de fazer. O planeta sofre as consequências dos excessos, do consumo exagerado e da falta de consciência e compromisso da sociedade. No geral, só nos preocupamos com os direitos e jamais refletimos sobre o cumprimento dos deveres. A conta de todo esse descaso tem sido alta, gerando perdas materiais e de vidas. Estou longe da perfeição e talvez jamais alcance tal meta. Tenho pensado muito a respeito e tento mudar alguns hábitos procurando fazer minha parte. Trabalho de formiguinha. Sempre que me deparo com uma imagem como essa abaixo, fico com certa revolta. Móveis e eletroeletrônicos podem ser consertados e reutilizados por outros. Jamais jogo fora dessa forma. Doo para instituições que consertam e vendem. Essa atitude, se adotado por todos, geraria bem menos lixo. Infelizmente, a maioria não pensa assim. A caminhada ainda será longa e talvez, não viva para ver tais mudanças.

Gosto de mexer com jardinagem mesmo não tendo uma formação mais técnica. Meu trato com as plantas é pura intuição acompanhada por algumas leituras informativas. Podar e dar forma ao jardim da casa de minha mãe sempre foi uma atividade prazerosa, acompanhada por silêncio e troca de carinhos com os seres vivos verdes e de outras tonalidades. Observar as plantas agradecendo, ficando mais bonitas e viçosas não tem preço. Pena que nos últimos tempos, quase não tem sobrado tempo ou disposição física para praticar essa troca.

Também sou adepta de uma boa bagunça causada por mudanças e reformas. Para quem não sabe, formei-me em design de interiores e por pouco, me tornei uma arquiteta. O passo a passo da pintura e decoração de meu apartamento foi curtido em cada etapa e todas foram importantes. Cá estou eu pensando numa próxima paleta de cores para tingir as paredes…Ando na pegada dos tons de verde.

Apreciar o fim de mais um dia, se extasiar com a beleza natural permeada pela intervenção humana através do concreto e vidro. Esse, é um dos momentos de maior encantamento para mim. Não canso de admirar o talento desse grande artista que criou tudo tão perfeito. Que nós humanos consigamos manter tudo isso antes que acabe em caos. Mais do que já se encontra…

Remexer baú de fotos é tocar com carinho no passado. Muitas fotos, puídas pela corrosão do tempo resiste bravamente e ei que me deparo com a Lilica pequena ao lado dos irmãos. O poder desses registros são verdadeiras fendas para um momento único de contentamento, alegrias e certa pureza que somente a infância proporciona. Vamos perdendo essa virtude com o passar dos anos mas, sempre que miro e admiro uma foto antiga, recupero minha alma infantil e me fortaleço. Sim, recordar é viver!

Assim como as plantas, também necessitamos de algumas podas para nos tornarmos mais viçosas e bonitas. Cortar minhas madeixas é sempre um ritual que me agrada. Pelo ato em si que representa cuidado e pelas mãos habilidosas e bom papo de minha profissional querida que me acompanha há alguns anos. E o que dizer do carinho expresso em formato de coração? Só mesmo a Juh querida para me fazer registro repleto de significados.

Esse texto faz parte do Projeto fotográfico mensal 6 on 6. Estão comigo nessa postagem coletiva:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nuñes OrtegaSuzana Martins

Imagens: Arquivo pessoal com exceção da primeira que é licenciada: Shutterstock

6 0n 6 – Last six months

Em julho, fui prestigiar um grupo de artistas – incluindo minha irmã Edilene – mais conhecida no meio artístico como Lírio Paper. Uma mostra de trabalhos feito com papéis artísticos. As mais variadas técnicas. Foi uma grata surpresa conhecer o Museu Histórico Paulo Setúbal, os artistas expositores e um pouco da cidade de Tatuí.

Agosto iniciou com a volta às aulas e toda agitação gostosa dos alunos. As atividades seguiram e, entra dia, sai dia, sigo enrolada com minhas inúmeras atividades. Não tem jeito, eu traço minha linha de raciocínio e vou trilhando, semeando e cultivando a paciência para a colheita futura. Nessa entre safra, o prazer em receber livros novos da Scenarium e observar com muito orgulho, a beleza e criatividade dos livros e conferir o talento de cada autor(ra) publicado. É de encher os olhos e bater mais forte o coração

Setembro demarcou território, mantendo o clima mais frio. Nem me incomodei pois a biblioteca transpira calor humano e passar o dia a dia, envolta por esse cenário que une livros diversos a uma arquitetura que transpira história em cada detalhe, me faz sentir que o paraíso é aqui mesmo.

Chegou outubro trazendo muitas comemorações dentro de um único mês: mês internacional da biblioteca escolar, dia da criança, dia de Nossa Senhora Aparecida, dia do Professor, dia Nacional do Livro, dia do Saci, Dia das Bruxas e uma data para mim, muito especial: 31 de outubro Dia D “Drummond”. Difícil escolha das fotos. Havia escolhido a foto da decoração Halloween, que fiz na biblioteca. Confesso que na hora de escrever esse texto, meu coração saltou para a bela ilustração do livro infantil A máquina do poeta, sobre o poeta Drummond, através das mãos talentosas de Nelson Cruz. Simplesmente amo esse livro!

Ao virar a página do mês dez e inaugurar novembro, eis que fico de boca aberta ao me conscientizar que entramos no mês onze! Como assim? Pisquei os olhos e ano de 2022 em ritmo de véspera de encerramento? Entro no mês com os dois pés juntos e não tem como escapar do assunto que está na boca de todos os brasileiros e demais nacionalidades. O mundo basicamente respira e contempla a Copa do Mundo de Futebol e eu tratei de decorar a biblioteca com o tema. Os alunos adoraram!

Chegamos a Dezembro, mês conflitante para mim. Gosto da possibilidade dos reencontros, dos abraços, do carinho mas detesto cada vez mais a ida ao comércio e o estresse causado pelo excesso de pessoas descontroladas, deseducadas que desestimula a compra tranquila de uma lembrança para familiares e amigos mais próximos. Por conta dessa mudança em meu interior, que busca cada vez mais o simples, optei por representar o mês, um belo exemplar da natureza, que capturei no jardim de minha mãe, domingo passado: Neomarica candida ou, seu nome popular, Íris da praia. Não me canso de apreciar sua beleza e delicadeza!

Participam comigo desse projeto:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nuñes OrtegaSuzana Martins

6 on 6 – Meus rituais

Sou uma canceriana dispersa, indisciplinada e bipolar. A cada decisão tomada para adotar no dia a dia, em pouco tempo, sigo caminho totalmente diferente mudando rotas, caminhos e rituais. Mas afinal, o que significa de fato, ritual (is)? Fui atrás para ter a absoluta certeza do que se trata e encontrei:

Rituais são ações relacionadas com o misticismo e a religião que podem ser praticadas individualmente ou não. A palavra ritual deriva do latim Ritualis. São ações relacionadas ao misticismo e à religião, que podem ser praticadas individualmente ou não”.

“A palavra ritual nos lembra dos ritos de passagem realizados em determinadas culturas para comemorar o fechamento de um ciclo. A visão empresarial transforma esse processo, aproveitando os rituais para sinalizar os fechamentos de ciclos e engajar a equipe”.

Cruzando esses dois exemplos do que significa Ritual(is) em nosso cultura, posso dizer que desde pequena, fui movida por alguns deles. Minha formação religiosa iniciou-se em duas religiões: católica e espírita. Por influência de papai e também como forma de castigo e auxílio em minha formação, iniciei o catecismo e passei a frequentar a missa dominical das nove horas. A princípio foi divertido, diferente e ainda ganhava todo final de aula, um bom lanche da tarde, na casa de dona Penha, a catequista que nos orientava na caminhada religiosa.

Depois, por forte influência de mamãe e família, passei a frequentar um centro espírita que atendia espíritos sofredores e brincalhões. Talvez por ser uma “brincalhona” raiz, me identifiquei mais com as tardes movidas a muita risada, choros infinitos e medir forças entre a matéria e o espírito. Sensitiva de nascença, minha intuição vagava por mundos desconhecidos, sentindo, vibrando, influenciando e sendo influenciada. Mas no fundo, por ser ainda criança, com o tempo, perdi o interesse e pedi para mamãe não me levar mais. Passei a realizar até hoje apenas o Evangelho no lar orando, fazendo uma leitura de um capítulo do livro de cabeceira e tomando a água fluída ao término.

Talvez como todo ou quase todo ser humano em (de)formação, o que veio primeiro foi o aprender a orar e isso, levei para a vida. Primeiro, decorando o Pai Nosso, mais tarde, a prece de Caritas e finalmente, na vida adulta, dispensei orações prontas para me desmanchar em sentimentos verdadeiros de preces de pura gratidão. Pedir algo? Somente forças para enfrentar o que tiver de encarar. De resto, sinto-me privilegiada num mundo cada vez mais injusto e desigual.

Se posso chamar meditar, de ritual, tive meus momentos de puro êxtase quando pratiquei semanalmente, a Hata Yoga. O desligar momentaneamente de tudo ao seu redor, manter a mente limpa, livre de pensamentos, comandar e regular a respiração tomando ciência de todo o seu organismo vivo pulsando as artérias, percebendo o quanto se é pequenino em meio a um Universo sem fim. O esvaziar a mente se integrando à natureza e sentindo toda a sua beleza, foi sem dúvida, uma experiência muito boa.

Mas a vida não é feita somente de rituais espirituais/religiosos. Outras formas se expressar tal ação consegui através da leitura diária, seja no ambiente de trabalho que escolhi, seja no conforto de minha casa, cercada por almofadas, na cama ou no sofá, estabelecer metas de leitura é, de certa forma, um ritual.

Com o passar dos anos, ao integrar à minha rotina, o prazer de escrever, isso também se tornou ritualístico. Preparar um chá ou café, sorver o aroma antes de degustar o sabor, ligar o note, mirar a tela em branco e ativar a mente em busca do que se irá escrever. Pesquisar em outros livros, conhecer outros autores e suas formas de escrita, preparar a mesa de trabalho, colocar uma música de fundo como companhia nessa viagem solitária da escrita.

Por fim, entre tantos rituais que desenvolvemos, registro um que há anos ensaio, deixo em destaque, pego, folheio, deixo à mão, coloco em minha lista do ano e… nada. Mas tenho fé de que um dia, desato esse nó e realizo a leitura desse clássico. Não me apresso porque sei que quando estiver pronta, ele cai de vez em minhas mãos. Enquanto isso não acontece, ele permanece aqui, em minha companhia, quieto, respeitando meu ritmo.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Blogvember e Projeto Fotográfico 6 on 6. Participam comigo:

Lunna Guedes –  Mariana Gouveia –  Obdulio Nuñes Ortega – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

Demais imagens: arquivo pessoal

6 on 6 – Miss you

Em alguns momentos sinto um cansaço que não há polivitaminico que resolva. Sofro da síndrome saudosística que costuma atacar os cancerianos. Seres sensíveis demais.

Em determinados momentos, retorno à minha infância, ao lado de irmãos, primas e pai. Minha primeira viagem ao litoral, praia de Itanhaém. Nossas mães se descabelavam para dar conta de tudo se esquecendo de divertirem um pouco. O contato com o mar for marcante e a força que a água exerceu sobre mim foi incrível.

Essa atração se estendeu pelo resto da minha vida adulta. Ao pisar pela primeira vez as areias de Maresias, litoral norte de São Paulo, caí de amores por ela. Voltei outras vezes, uma inclusive, sozinha, passei o Reveillon refletindo, escrevendo, lendo e apreciando os movimentos das ondas do mar. Quanta paz senti!

Conheci Paraty, ainda na época do cursinho pré-vestibular. Me encantei com a arquitetura colonial, suas ruas irregulares com suas pedras centenárias, gastas pelo tempo que emana muita história. Nessa primeira viagem, curti demais dormindo em barracas numa área para acampamento, ao lado de colegas e amigos. Anos depois, seduzida pelo conforto, me hospedei numa bela pousada. Voltei outras vezes, sempre descobrindo tesouros.

Mas a vida não é só flanar descontraidamente por praias paradisíacas. A vida exige força, resistência e eu experimentei exercitar em academias, fiz musculação, aulas funcionais, ginástica localizada. Porém, foi na yoga e no pilates que me encontrei. Que prazer me exercitar nesses aparelhos. Sinto falta e aguardo para breve, retornar a essa rotina.

Amizades eu sempre fiz. Não poderia ser diferente nas minhas idas à shows. Através de meu cantor favorito, Pedro Mariano, conheci pessoas incríveis. No início, foi nossa admiração ao cantor em comum que tínhamos. Aos poucos, a cada show, fortalecemos a amizade e sempre nos reuníamos para celebrar a música, a amizade, a alegria de viver. A vida nos afastou presencialmente mas continuamos a nos comunicar pelo grupo no WhatsApp. Não vejo a hora de reencontrar as amigas e o cantor.

Ele foi uma das presenças mais marcantes, alegres e queridas da minha vida. Foi o filho que não tive, o sobrinho aguardado e desejado, o amigo confidente, a dor mais profunda que senti. Foi um cometa que atravessou meu caminho trazendo luz e sumindo sem deixar rastros. Veio em outubro e partiu no mesmo mês. Hoje, guardo muitas lembranças engraçadas vivenciadas ao seu lado. Recordo o título do romance da escritora Inês Pedrosa: Amado, Fazes-me falta!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto Fotográfico 6 on 6.

Acompanham-me:

Lunna GuedesMariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

6 on 6 – A…gosto!

Logo que o primeiro dia do mês oito se pronunciou, li várias mensagens nas redes sociais manifestando sentimentos contrários e negativos. Pobre e injustiçado mês, expressei em voz alta.

Se analisarmos juntos, ele é positivo até mesmo em sua formação tanto na escrita quanto no que ele nos leva a imaginar. Acompanhe meu raciocínio: Fale-me de seus gostos pessoais. Prontamente elevando meu olhar para o alto numa forma de capturar algo precioso respondo…

A…gosto de despertar no fim de semana, sem pressa de pular da cama para compromissos e, simplesmente me espreguiçar várias vezes, rolar na cama, me dobrar, arcar o corpo, girar o quadril nos dois lados, respirar profundamente e ainda de olhos fechados, acordar cada célula do corpo e mentalizar agradecendo mais um dia de vida. Pode parecer bobagem mas esse ato me dá o suporte necessário para levantar e iniciar as tarefas que terei de executar no resto do dia. Ou somente ficar de bobeira diante da TV ou lendo meus inúmeros e amados livros ou, me postar na janela obervando o movimento na rua. Adoro isso!

A…gosto também de fazer minhas leituras na cama. Parece que a história entra macio e percorre toda corrente sanguínea até chgar ao cérebro e alimentar minha alma. A leitura fica mais saborosa, fixa melhor afinal, a cama não serve apenas para acomodar nosso esqueleto e dormir.

A…gosto tanto quando encontro amigos para aquele bate papo. Seja nas cafeterias da vida, restaurantes ou mesmo na intimidade de casa. Agregar e trocar palavras alegres e carinhos sempre é bom demais!

A…gosto tanto de pegar estrada e viajar, conhecer novos lugares, mergulhar em culturas diferentes. Isso recarrega minhas energias, me faz crescer, adquirir confiança. Depois que viajei a primeira vez sozinha, perdi a vergonha e insegurança mas, viajar na companhia de amigos não tem igual. Principalmente quando se tem afinidades mil. A beleza da viagem duplica e as recordações que trazemos na mala e no coração são infinitas. Quero voltar a viajar!!!!!

A…gosto tanto de ir a shows musicais e assistir peças teatrais. Houve um tempo em que ia quase que toda semana e acabei conhecendo muita gente legal. Fiz amizades que duram até hoje. Confesso que ando bem saudosa desses programas culturais. Sei que a maioria das pessoas já retornou a uma normalidade e seguem a vida participando desses eventos. Nunca mais fui a shows e tenho um cantor em especial, que sempre acompanhei desde que o vi e ouvi numa gravação do programa do Jô Soares, quando ainda era no canal SBT. Pedro Mariano, filho de Cesar Camargo Mariano, grande músico, arranjador, pianista e Elis Regina, que dispensa comentários devido a sua grandeza. De lá para cá, nunca perdi um lançamento de trabalho e show desse cantor que para mim, é uma das vozes masculinas mais belas.

A…gosto tanto quando amigos escritores lançam seus livros e nos reunimos para celebrar. Já fui a tantos lançamentos e agora, essa aridez de reuniões e eventos. Sei que já voltaram e sei também que preciso deixar de ser “cagona”, dar um basta nessa insegurança e me jogar de novo nessa vida maravilhosa de saraus e afins. Os livros são apenas desculpas para me juntar a pessoas incríveis e que tanto amo. Agosto era para ser um mês dessas bagunças deliciosas. Não deu, entendo e até concordo mas o mês atravessa deixando um gosto ácido por conta da falta de abraços, beijos e afagos. Tenho plena consciência de que tudo isso vai passar…Um dia…

Esse texto faz parte das blogagens coletivas 6 on 6 e BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Projeto fotográfico 6 on 6 – Natureza na urbe

A natureza talvez seja a obra mais complexa, bem planejada e executada que Deus fez. Se é que ele realmente existe…

Independente de quem ou o que tenha elaborado essa obra-prima, ela está seriamente ameaçada de extinção mas, como um ser inteligente, busca alterativas de adaptação para seguir vivendo.

Nossa cidade é um exemplo. Caminhando pelas calçadas, sempre observo pequenas plantas que mesmo maltratadas pelo bicho homem, segue mantendo-se firme e se desenvolvendo.

Contemplar uma árvore frutífera (será?), carregada, em meio de uma praça nem sempre brindam nossos olhos cegos, embaçados pelos compromissos diários e pensamentos tomados pelas contas do fim de mês. Mas quando tiramos momentaneamente esse véu e somos toccados pela beleza natural, ahhh… A vida ganha outra paleta de cores. Saímos dos trocentos tons de cinza.

E quando observamos as casas antigas que mesmo entregues ao tempo e falta de manutenção, são tomadas pelo mato e entre as inúmeras plantas que se mesclam, surgem flores encantadoras como essa primavera. É de inundar a alma e os olhos de alegria. Sua cor vibrante grita que sim, elas vivem, apesar de.

Árvores centenárias reagem às construções e disputam silenciosamente, crescendo e tornando-se gigantes fazendo sombra para os caminhantes que fazem uma parada para um descanso e bate-papo, mas retirando a luz dos arranhas-céus modernos. Doce vingança.

Mesmo depois de colaborarmos direta ou indiretamente com o desmatamento, abrimos um sorriso de lado a lado ao passar algumas horas de lazer contemplando a paisagem urbana com pinceladas de verde. Mesmo que a natureza seja moldada, maquiada para servir ao homem urbano, é sempre prazeroso vivenciar momentos de descontração sentindo o cheiro de mato e recebendo doses de vitamina D direto da fonte.

Essa foto de 2006, sem querer registrou parte de uma área verde que hoje faz parte do meu dia a dia. Foi palco de minhas meninices – quando papai nas raras vezes – trouxe a família para passear. Praça da República, mesmo tão castigada pelos moradores de rua, pela prefeitura que nunca está nem aí com olhos para esse pedaço da cidade. Praça que apesar de tudo ou talvez por tudo, mantém uma vegetação vibrante que tem como principal função, oferecer beleza para olhos tão cansados que circulam por ela.

O que dizer desse cogumelo que reina solitário num solo árido, em meio ao mato recém cortado. Sobreviverá? Por quanto tempo? Não importa. O que vale, é que assim como todo ser vivente, terá seu ciclo e de alguma forma mesmo que mínima, contribuirá para o equilíbrio tão ameaçado.

Esse texto faz parte do Projeto 6 on 6. Faz parte dessa blogagem:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega NunesSuzana Martins

Projeto 6 on 6 – 3×4

Posso definir minha vida através das fotografias 3×4. A começar por minha primeira carteira de trabalho, conquistada em meados da década de 70. Rostinho cheio, frescor dos quinze anos, faminta por engolir o que o universo tinha a me oferecer e degustar. Ansiedade em sair e conhecer o mundo e todos os seus mistérios…

Após alguns anos de muita labuta mas também muita diversão, a finalização da faculdade e a conquista da minha carteira profissional de bibliotecária. Coração bateu mais forte ao tê-la em mãos. Definitivamente me sentia adulta e poderosa!

Foram vinte e cinco anos ininterruptos no qual registrei alguns momentos como a viagem para participar de um congresso internacional de bibliotecas escolares e a seguir, férias explorando as belezas de Portugal. Alegrias, conquistas, perdas, ganhos, relacionamentos, amizades…Muitas amizades.

Os janeiros passaram numa rapidez absurda debaixo de meus pés. Gastou o solado de meus calçados e desbotou meus cabelos. Platinei!

Hoje, após décadas de vivência, muitas experiências e retorno ao mercado de trabalho em outro colégio, reencontrei minha jovialidade através da convivência leve com as crianças e adolescentes. Remexendo baús de fotos na casa de minha mãe na tarde de ontem, eis que me deparo com alguns velhos binóculos.

Olhei e já com meus olhos embaçados pelo tempo, viajei nas lembranças ao ver a imagem mal definida de papai. Ah…bateu uma saudade de suas meninices…

Esse texto faz parte do Projeto Fotográfico 6 on 6 e participam dessa blogagem coletiva:

Lunna Guedes – Mariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

6 on 6 – Crepúsculo

Instante que dura tão pouco e que, no entanto, é um dos mais belos que se apresenta às nossas tão cansadas retinas.

Criança, gostava de observar o céu e, mesmo sem entender, sabia que ocorria alguma espécie de magia. Agradava saber que a vida não era somente em preto e branco. O que também carrega certa beleza mas, o conjunto de cores quentes que esse momento tinge o céu, me aquece intimamente. Até hoje gosto da sensação.

Percorrer a praia nesse exato instante, sentindo a maresia que chega em forma de afago, é uma das experiências que mais me agrada. Mirar a paisagem, sentir o calor mesclado com o sopro suave do vento, as narinas absorvendo os cheiros que o mar nos envia. Libertar a mente das preocupações mundanas

Tais instantes despertam minha imaginação. Passo a criar roteiros das vidas anônimas que mes olhos registram, juntamente com o clique de uma foto eternizada.

Compreender a mensagem silenciosa da natureza que reina sem nos impor nada. Apenas segue seu caminho deixando claro, que a luz do dia adormece para nós, para poder iluminar outros seres do outro lado. Isso é a verdadeira democracia: luz, calor, energia para todos. Esse é o ponto exato do equilíbrio. Nós humanos é que precisamos assimilar e aceitar os seus sábios conselhos.

A natureza utiliza a criatividade como ninguém. Sabe criar roteiros inovadores a cada encerramento da luz solar sem jamais nos deixar enfadonhos diante de tamanha beleza. Nunca me canso de apreciar os diversos nuances de cores e movimentos.

Após um descanso à tarde e um banho refrescante, sair para percorrer a orla que ladeia as praias, se integrando por completo à paisagem. Deixando de ser alguém para ser parte de algo maior.

Desconfio que o ser urbano que me habita, anda desesperada para integrar essa paisagem e absorver a luz que esparrama no mar. Posso sentir o cheiro, os sons, o vai e vem das ondas orquestradas por algo maior que nos mantém vivos. Fecho os olhos e me transporto para essa praia, desviando dos diversos turistas e colocando devagar meus pés descalços na areia ainda morna, até chegar a àgua salgada que me brinda com as suas espumas. Batizo novamente meu ser na água benta que, mesmo poluída por nós, recarrega meu ser de uma energia que a cidade envolta em toda sua brutalidade e secura me retira.

Esse texto faz parte do Projeto Fotográfico 6 on 6. Fazem parte dessa blogagem coletiva:

Darlene Regina – Isabelle BrumLunna Guedes –  Mariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

Imagens: Arquivo pessoal

6 on 6 – Arte de rua

Desde minha adolescência que aprecio a arte de rua. Isso, quando o grafite. não tinha o estatus que tem hoje. No passado, considerado arte menor, arte marginal, hoje, esses artistas da rua, transformaram laterais de prédios e muros das metrópolis, em verdadeiro museu a céu aberto.

E essa arte está espalhada por todo o mundo. Exemplo disso, é o belíssimo mural em Nantes, França, feito pelo artista Braga Last One

Contudo, voltando meu olhar para meu quintal, na região central de São Paulo, sou rodeada por verdadeitas obras de arte. Como essa que não canso de apreciar toda vez que subo a rua da Consolação, quase chegando à Avenida Paulista.

Gostaria de ter encontrado uma foto com ângulo melhor. Apreciar ao vivo esse grafite “Viver de luz” da grafiteira Mona Caron, é de ficar de queixo caído diante de tamanha beleza e luminosidade. Simplesmente amo! Natural da Suiça, sua arte está espalhada por diversas cidades do mundo.

Ainda na região da República, temos esse outro belo grafite, feito por um grafiteiro anônimo que se intitula BIP.

Caçador de rosas foi baseado na figura real do menino Dudu Alves, na época, com 10 anos. O garoto dança com Michael Jackson, na Praça da República.

Bem próximo de casa, esse grafite é um dos meus queridinhos. Seja pela delicadeza do traço, seja pela força do tema da campanha mundial “educação não é crime”, lançada em 2014.

Nina, de Apolo Torres, encanta quem passeia pela região da rua da Consolação com a rua Amaral Gurgel.

Esse complexo de grafites estava me agradando tanto enquanto estava se formando. Acompanhei de perto sua evolução. Aquário urbano, do artista Felipe Yung (FLIP) em parceria com o produtor cultural Kleber Pagú. A esquina da rua Major Sertório com Bento Freitas, ganhou cor e vida com essa imensa tela.

Pena que não vingou e hoje, um prédio construído no terreno, praticamente cobriu a beleza desse mural. Coisas de nossa “modernidade”…

Não poderia terminar essa postagem, falando em arte urbana, sem tocar no nome que praticamente elevou a arte do grafite a um patamar de respeito por todo o mundo. Já era fã de Eduardo Kobra, desde a década de 90 e acompanhei sua evolução artística. Difícil foi escolher entre tantas belezas produzidas por ele. Para fechar, optei pela delicadeza das bailarinas do Escadão da rua Alves Guimarães, Pinheiros.

Esse texto faz parte do projeto fotográfico 6 on 6 promovido pela Scenarium Livros Artesanais

Participam também:

Darlene ReginaIsabele BrumLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega Nuñes

6 on 6 – As minas e as manas

Nascer no sexo feminino, transformar-se pouco a pouco numa menina, transitar pela puberdade enfrentando todos os percalços e transformação. Permanecer por longo período num processo contínuo de ser mulher.

Não basta ter nascido com cromossomos XX. Somente isso, não determina o que é ser mulher.

É necessário preparo, experiências externas e internas, enfrentar desafios físico, moral, emocional e espiritual.

Em minha formação, tive a sorte de ter mulheres incríveis que de alguma forma, moldaram a mulher que hoje sou.

Avó, mãe, tias, primas e amigas que através do convívio diário e das muitas reuniões familiares, tatuaram em minhas memórias, conversas, risadas, amparo e muita cumplicidade e sabedoria.

Atravessar décadas acompanhada dessas presenças femininas, me inspiraram a escrita do projeto literário Quinta das Especiarias.

Essa geração, ao qual minha mãe faz parte, foi e ainda é, a liga que fomenta minhas memórias mais alegres e que serão sempre a direção para eu ser uma mulher de fibra, sem jamais me endurecer diante dos desafios da vida.

São tantas representantes femininas a girar ao meu redor acrescentando algo ao meu viver que posso estar sendo injusta com algumas (muitas) que não estarão presentes nessa postagem

São diversas gerações a compor o mosaico que enriquece minha vida. Amigas queridas que chegaram acrescentando tempero especial ao meu dia a dia.

Da mesma forma que todas elas me inspiraram, espero um dia, servir de inspiração para minha sobrinha neta que ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente.

Esse texto faz parte do projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais.

Participam dele:

Isabele BrumLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega Nuñes