12 de março – Dia do Bibliotecário

Tudo começou no ano de 1991, quando tive meu primeiro contato e experiência trabalhando em uma biblioteca. Não foi amor a primeira vista mas sim, um sentimento que foi chegando silêncioso e se instalou para nunca mais sair.

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Fiz carreira no ambiente escolar permanecendo em um único colégio, por vinte e cinco anos repletos de momentos de grande aprendizagem, troca e amizades.

Os cabelos foram acinzentando mas o amor pelos livros e por biblioteca e seus mecanismos de trabalho, se fortaleceram no dia a dia.

Serei eternamente grata à instituição que me recebeu com carinho mas sentia crescer em mim, o desejo de abrir as asas e voar para outras paragens. Parti, sentindo que havia deixado algo de bom mas também carregava em meu íntimo, uma vida inteira passada dentro daqueles muros. Até pensei em parar de vez mas, a inquietação por retornar a uma biblioteca pulsou novamente.

Em minha nova morada, a alegria do retorno. O acolhimento foi grande e vislumbro desafios a transpor e muito a contribuir com essa instituição que abriu as portas para mim.

Uma vez bibliotecária, sempre bibliotecária. Parabéns a todos os profissionais que – como eu – acredita e planta diariamente através de suas ações, a semente da informação, formação, cultura e lazer. Não é fácil mas a realização desse trabalho faz todo o diferencial na vida dos que frequentam uma biblioteca.

Imagens: Acervo pessoal

Agradecimentos: Agradeço de coração, ao Colégio Dante Alighieri que por 25 anos, foi minha casa, meu templo, minha biblioteca do coração

Agradeço ao Colégio Boni Consilii, pela chance de continuar com o coração pulsando dentro de uma biblioteca escolar. Tenho certeza de que juntos, faremos história.

6 on 6 – As minas e as manas

Nascer no sexo feminino, transformar-se pouco a pouco numa menina, transitar pela puberdade enfrentando todos os percalços e transformação. Permanecer por longo período num processo contínuo de ser mulher.

Não basta ter nascido com cromossomos XX. Somente isso, não determina o que é ser mulher.

É necessário preparo, experiências externas e internas, enfrentar desafios físico, moral, emocional e espiritual.

Em minha formação, tive a sorte de ter mulheres incríveis que de alguma forma, moldaram a mulher que hoje sou.

Avó, mãe, tias, primas e amigas que através do convívio diário e das muitas reuniões familiares, tatuaram em minhas memórias, conversas, risadas, amparo e muita cumplicidade e sabedoria.

Atravessar décadas acompanhada dessas presenças femininas, me inspiraram a escrita do projeto literário Quinta das Especiarias.

Essa geração, ao qual minha mãe faz parte, foi e ainda é, a liga que fomenta minhas memórias mais alegres e que serão sempre a direção para eu ser uma mulher de fibra, sem jamais me endurecer diante dos desafios da vida.

São tantas representantes femininas a girar ao meu redor acrescentando algo ao meu viver que posso estar sendo injusta com algumas (muitas) que não estarão presentes nessa postagem

São diversas gerações a compor o mosaico que enriquece minha vida. Amigas queridas que chegaram acrescentando tempero especial ao meu dia a dia.

Da mesma forma que todas elas me inspiraram, espero um dia, servir de inspiração para minha sobrinha neta que ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente.

Esse texto faz parte do projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais.

Participam dele:

Isabele BrumLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega Nuñes

Retornando

Aceite: a vida jamais é linear. Está mais para uma imensa montanha russa. E quer saber? Gosto disso. A adrenalina que percorre nossas artérias quando enfrentamos altos e baixos nos faz sentir vivos. Tenho vivido desde 2017, uma maratona de acontecimentos que posso afirmar tragicômico. Perdas de pessoas amadas, estresse profissional, relacionamentos interpessoal difíceis. Sei que não estou sozinha nessas experiências. Sei também que tem pessoas que passam por situaçõrs bem mais dolorosas. Respeito e aceito.

Fora do mercado de trabalho desde dezembro de 2020, voltei-me para a escrita que sempre foi algo que pulsava dentro e eu abafava, não assumia. Foram meses gratificantes e conheci pessoas incríveis através das aulas das oficinas literárias, promovidas por Lunna Guedes.

Entre dois lançamentos pelo selo de livros artesanais Scenarium e idas e vindas à casa de minha mãe, para matar saudades e auxiliar a cuidar da casa e da tia doente, amadureci enquanto ser humano e escritora.

Andei bem sumida das redes sociais e daqui desse espaço que tanto prezo: o blogue. Estado de saúde de tia piorou, veio a falecer em vinte de dezembro. Antes mesmo de atravessar o luto, mamãe caiu doente e foi hospitalizada. Covid. O mundo caiu para mim e minhas irmãs e irmão. Por ter tomado as três doses da vacina e ter tomado também a da gripe, os médicos disseram que ela pegou uma “branda”.

De alta, em casa, ela tomou a resolução de curtir a vida como se deve e eu, virei mais fã dessa mulher que sempre foi um espelho e exemplo para mim.

Para iniciar o ano de 2022 mais feliz, amanhã inicio nova fase de vida profissional num colégio que – desde já – caí de amores. Um desafio a enfrentar e traçar meu nome por lá. Voltar a viver entre livros, para mim, é beber da água santa e me renovar diariamente.

É como disse: a vida não é linear. Sigamos. Convido a todos para trilhar comigo sorrindo e superando esse “bicho-papão” viral que tanto nos afastou. Claro, continuemos com os protocolos e os cuidados necessários. Em breve, nos encontramos presencialmente para um café e um bom batepapo.

Imagens: Acervo pessoal

6 on 6 – Em 2021 eu…

Abri a porta do ano e entrei com os dois pés juntos, crente que o ano não seria fácil. Mesmo assim, inflei meu peito de coragem e otimismo e mentalizei um ano de inúmeras possibilidades.

Comecei por avaliar meu acervo pessoal de livros e separar por temas. Reuni todos os livros referentes a escrita e suas técnicas, para facilitar consulta durante processo e exercícios da oficina literária. Foi um prazer e uma terapia.

Ainda reclusa, comemorei domingo de Páscoa à distância, com família online. Distantes porém juntos. Fiz questão de postar uma mesa bonita para celebrar a renovação.

Meu aniversário não passou em branco. Tive a grata surpresa de receber de meu irmão e cunhada, um mimo gastronômico que tanto amo, made in Sorocaba. Se gostei? Basta ver minha expressão.

Poder reencontrar após um ano, meu amigo/irmão, companheiro de tantas aventuras, foi bom demais. Ah…como tivemos assuntos para colocar em dia. É como digo sempre: quem tem amigos, tem tudo e esse, vale ouro. Te amo Rick!

Dedicar meses na oficina literária, promovida por Lunna Guedes e trabalhar e lançar o fruto materializado nesse belíssimo livro, foi a melhor experiência vivida, nesse ano atípico. Quantas emoções e momentos revividos.

Cheguei ao final de 2021, tendo um saldo de ganhos e momentos de muita realização e alegrias mas, também vivenciei dias de sofrimentos e perdas. Titia Irene, minha segunda mãe, após longo período de doença, descansou. Partiu, deixando muitas saudades. Nem tivemos tempo hábil para atravessar o luto e, de repente, nos deparamos com mamãe, mulher fortaleza, sucumbindo como nunca vimos. Hospitalizada desde 26 de dezembro, somente uma semana depois, soubemos que seu quadro era de covid. Bateu desespero geral em mim e minhas irmãs e irmão. Eu e minha irmã Rose revezamos no acompanhamento hospitalar. Mamãe foi transferida para um hospital referência para ficar isolada e receber tratamento para esse mal. Eu e irmãs, fizemos teste e nos encontramos desde então, em isolamento na casa de minha mãe, procurando manter a paz de espírito, serenidade e observando se surge algum sintoma. Estamos bem. Os boletins diários dos médicos são otimistas e talvez até final de semana, mamãe recebe alta.

Essa foto de nós duas, foi tirada um dia antes de sabermos seu diagnóstico.

Diante de tudo que vivi no ano de 2021, sou pura gratidão por ter passado por ele e estar aqui, para narrar sua travessia. Eu…ainda aposto positivo na vida!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais

Participam:

Darlene Regina – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega

E lá na Mooca…

Ela foi uma incógnita. Seu passado, um mistério que sempre pensei um dia, desvendar. Mulher simples, como a maioria de suas conterrâneas, poderia ter sido irmã gêmea do ator Flávio Migliaccio, tamanha semelhança. Apesar de semi analfabeta, lia bastante. Estava sempre com um livro nas mãos. Detalhe: aos noventa e seis anos, ainda lia sem óculos. 

Foi a primeira feminista que conheci. Em sua juventude, deve ter sido chamada por outros adjetivos. A pouca informação que trago é que saiu de casa muito jovem, em busca de trabalho.

Chegou a São Paulo em meados da década de 30. Fixou moradia na Mooca. Lá, formou sua verdadeira família entre vizinhos e conhecidos do Centro Espírita, que passou a frequentar. Tinha uma maneira peculiar de se expressar trancando o maxilar como se estivesse prendendo a dentadura para não sair do lugar. Talvez fosse isso mesmo. 

Trabalhou em diversas funções: copeira, lavadeira, faxineira… Outras tarefas que nunca soubemos ao certo o quê. Foi amparo de muitas prostitutas. Alcançou segurança financeira ao ser admitida no Senai. De lá só saiu aposentada.

Teve um único filho e enfrentou fome, incompreensão e discriminação de toda uma sociedade. Nunca se soube a identidade do pai. 

Recordo dos domingos em sua casa. Quando tia Irene me chamava para fazer companhia, ficava radiante. Gostava de apreciar — pela janela do ônibus — a paisagem urbana atravessando a cidade, de Osasco à Mooca. Para mim, um outro país!

Virgínia tinha paixão pela cozinha e recebia com prazer, quem quer que aparecesse em sua casa. Lembro-me de seu frango na cerveja. Algumas vezes ela preparava esse prato assado. Outras ocasiões, frito. Nunca soube definir qual ficava melhor!

O almoço acontecia, com trilha sonora de Roberto Carlos ou Agepê, tocando na vitrola. Após o prato principal, uma sobremesa. Caso fosse época, morangos suculentos acompanhado por Chantilly ou mosaico de gelatina. Nessas ocasiões, me sentia mais próxima do céu!

Esse texto faz parte do livro Quinta das especiarias, meu último livro, lançado pela Scenarium Livros Artesanais.

Se gostou desse texto, tem muito mais no livro que você pode adquirir aqui

Será que aprendemos?

Amanheci refletindo sobre nossa finitude. Não podemos prever quando iremos partir mas, acredito que enquanto aqui, podemos e precisamos deixar um legado. Seja ele qual for, que seja verdadeiro, que possa servir de acolhimento para almas que perderam seus caminhos, que possa dar esperanças aos desvalidos e que embeleze o dia daqueles que perderam o brilho do acreditar que – mesmo o planeta estando e sendo hostil – ainda dá tempo de torná-lo melhor. Não precisa de muito. Basta um olhar doce, um afago nos ombros, um sorriso e tudo muda.

Ser e exercer a empatia, é o caminho para vivermos melhor. Obvio que somente isso não basta. O importante é ter consciência de que não existe cartilha pronta do “Bem viver”.

Afinal, quem não gosta de ser bem tratado?

Não é somente por chegarmos a mais um final de ano. Praticar o bem nessas ocasiões ajuda muito alguns desfavorecidos, mas fazer isso o ano inteiro, é para poucos que compreenderam a mensagem.

Imagem licenciada: Shutterstock

Refrescando a memória

Sentada de frente a tela do notebook, saboreio um sorvete recordando as vezes em que recebi uma taça dessa sobremesa caseira, feito por minha tia Irene. Mulher das mil habilidades, fez nossa alegria em criança. Sorvetes, mousses de maracujá, goiaba ou chocolate. Bolos, rocamboles, pudins.

Quase me esquecia: a Maria-mole que ela preparava com aquela camada de coco fresco ralado que derretia na boca. Eu fazia questão de comer bem devagarinho para esticar o prazer o máximo.

Como pode nossa memória ser tão intensa, quase palpável ao trazer à superfície, tais momentos? Dá uma vontade de apertar o botão de retorno e voltar no tempo para reviver tudo de novo. E esticar também o sentimento de felicidade genuína. Felicidade de criança. Sei que minha criança interior, ainda se mantém quietinha aqui dentro de mim. Sempre que a realidade sufoca, grito por ela e de imediato, ela assume o controle até eu me acalmar.

Como agora, quando lamento a difícil realidade de titia, que tanto fez por todos, que tantas sobremesas ofereceu aos sobrinhos e agora, em total paralisia, não pode nem ao menos, saborear meus pratos – muitos deles aprendidos com ela – e adoçar um pouco sua amarga realidade.

Isso me lembra que a vida não tem roteiro pronto e – se Deus escreveu algum – não disponibilizou nas redes sociais para compartilhar conosco.

Com todo respeito mas, há momentos em que acho que o Todo Poderoso não passa de um velho sacana que adora aprontar com esses seres tão imperfeitos, mais conhecido como “Humanos”. Muitas de suas ações não soa lógico para meu raciocínio tão curto.

Ao término de meu sorvete, sinto gosto de sal no chocolate derretido. Olhos ardem e nariz congestiona. Terei me resfriado?

Lembrando que sábado, dia 27/11, a partir das 17h, será o lançamento do livro Quinta das especiarias. O lançamento online será através do instagram da Scenarium.

Para conseguir seu convite, solicite: scenariumplural@gmail.com

Reserve seu exemplar aqui

De que eu me lembro?

Numa vivência de mais de meio século, coleciono centenas de lembranças. Encontram-se dispostas em pastas denominadas: muita relevância, média relevância, nenhuma relevância e lixeira.

Em sua grande maioria, encontram-se recordações ligadas à família. Muitas, de amigos, escola, faculdade. Outras marcantes da vida profissional. Apesar de – em geral ser um ambiente tóxico – com inveja, competitividade e puxadas de tapete, consegui fazer poucos e fiéis amigos. Deles, possuo momentos carinhosos.

Tenho em minhas pastas, lembranças de momentos tensos de nossa vida em sociedade. O Brasil, celeiro de tantas desigualdades e injustiças é também, território que gera muitos talentos e riquezas. Oscilo entre amar e odiar ter nascido nesse solo que ultimamente, arde sob nossos cansados pés. A nação encontra-se fatigada de lutar, trabalhar e jamais sair do lugar: pobreza.

Enquanto uma minoria branca detém a riqueza muito bem protegida em paraísos fiscais, o grosso da população pena em empregos informacionais ou permanecendo invisíveis, em meio ao desemprego. O aumento de brasileiros com morada fixa debaixo de viadutos e em praças públicas é visível e não dá mais para fingir que não existem.

O número cada vez maior de jovem negros e pobres mortos pela polícia é gritante. Então, por alguns instantes paro, penso e de que me lembro?

De casos que se perderam em meio a tantos que se repetem diariamente em várias cidades e estados. Recordo de alguns jovens com os quais convivi bem próximo e que perderam suas vidas por serem negros, pobres, sem escolaridade. Só precisavam de um olhar mais atento e oportunidades para crescerem e passarem a fazer parte de uma estatística menos sombria.

Nasci pobre mas branca. Isso, fez um diferencial em minha trajetória. Obtive melhores chances de estudo e empregos. Muitas portas se abriram devido a minha cor. Tenho plena consciência de que, se fosse negra, talvez não tivesse alcançado o cargo que ocupei antes de me aposentar. Colegas que estudaram comigo na infância e adolescência, hoje vivem em condições precárias. Isso se ainda vivem. Muitos, infelizmente partiram. Viveram sem qualidade de vida, sem perspectivas de crescimento. Muitos aceitam isso como algo normal afinal, sempre foi assim.

E esse “sempre foi assim” é que me mata!

Chegamos a um ponto em que não dá mais para compactuar com esse pensamento. Simplesmente não dá mais para ser assim. Chances de nascer, crescer, estudar, trabalhar tem de ser igual para todos. Somente assim, teremos uma sociedade justa.

O que estamos fazendo para mudar o panorama da população negra que é maioria em nosso país? Desejo um país mais justo, com menos desigualdade, menos discriminação. Não trago respostas para essa situação, apenas muita inquietação em meu íntimo. O dia nacional da consciência negra foi ontem mas, a preocupação e reflexão devem ser constantes, um exercício diário. Então lanço a pergunta: o que podemos fazer de concreto?

Participam dessa blogagem coletiva:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

Imagem licenciada: Shutterstock

Quinta das Especiarias

Por alguns meses, revirei minhas gavetas da memória, em busca de momentos marcantes ao lado de mulheres que foram fundamentais em minha formação. Encontrei tantas lembranças boas que ficou difícil selecionar quais escolheria para fazer parte de um projeto literário.

Menina mirrada, sardenta, de olhos e alma inquietas. Atenta a tudo o que acontecia ao redor. Memória infalível, fui aos poucos, criando catálogos íntimos de situações e emoções que moveriam meu ser.

Sou eternamente grata a essas mulheres com as quais convivi e que me proporcionaram experiências e aprendizados. Foram tantas…

Enquanto escrevo esse texto, me vem a lembrança de uma vizinha que foi marcante em meu aprendizado: dona René.

Mulher de seus quarenta anos, cabelos castanhos claros, sorriso permanente e um olhar atento e ao mesmo tempo, ternos. Refinada sem ser esnobe. Uma verdadeira lady!

Fui babá de seu único filho, Alexandre. Esse, grande parceiro de brincadeiras de meu irmão Ricardo.

Foi com sua paciência e boa vontade em ensinar, que aprendi a fazer o arroz e feijão. Isso, levei para minha vida.

Quando a observava na cozinha, conduzindo o almoço, ficava encantada com suas habilidades. Sempre me orientando, mostrando e me fazendo executar na prática, o correto em cada prato a se preparar. Depois que a família se mudou para Ribeirão Preto, perdemos contato.

Foram lembranças como essa, que separei e transformei em crônicas afeto-gustativas. Junção perfeita para relembrar momentos que ficaram para sempre e eternizaram pessoas queridas que já se mudaram desse plano.

Você que me lê, está convidado a participar do lançamento online de Quinta das Especiarias, trabalho lindo escrito e ilustrado por mim, confeccionado pelo selo Scenarium Livros Artesanais, sob a batuca talentosa de Lunna Guedes.

Para conseguir seu convite: scenariumplural@gmail.com

Para comprar seu exemplar acesse aqui

Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

Espero vocês por lá para juntos, passarmos momentos de alegria.

Segundando

Dias estranhos, esses que vivemos. Hoje, ainda na cama, refletia sobre a realidade que nos cerca. Tantos acontecimentos e, no entanto, sinto-me esvaziada. Alma flácida, feito minha pele madura.

Sábado, um ser humano qualquer que não conheço pessoalmente, entrou em contato comigo para dizer que havia escrito uma frase errada. Não tenho natureza arrogante e, humildemente, fui em busca do tal erro em meu texto e corrigi. Realmente se encontrava errado. Educada que sou, respondi agradecendo.

Erro muito, na vida e nos escritos que teimo em materializar. Pode parecer bobagem para a maioria, o fato de necessitar escrever.

Sou cercada por pessoas que mal lê uma bula de remédio, o que dirá, ler uma postagem de blog ou um livro. Lamento apenas.

Fico de boca aberta pensando em atravessar uma vida inteira sem ler nem escrever. Acho que seria bem pobre minha vivência. Por outro lado, talvez perca muitas oportunidades de realizar outras coisas afinal, ler e escrever, é ato solitário e demanda tempo.

Decido por demorados alongamentos do corpo e da alma. Sentando na cama, balanço a cabeça, olhando-me no espelho, saúdo meu reflexo, desejando um bom dia.

Que seja pleno, em paz, com saúde e contas pagas além de um prato de comida. Se conseguir isso, já me encontro no lucro diante de tanta miséria distribuída por esse Brasil que, pouco a pouco, perde renda, habitação, dignidade e até seus ídolos.

Viver, decididamente não anda nada fácil mas, como já dizia minha avó Maria: e quem disse que era?