6 on 6 – Em 2021 eu…

Abri a porta do ano e entrei com os dois pés juntos, crente que o ano não seria fácil. Mesmo assim, inflei meu peito de coragem e otimismo e mentalizei um ano de inúmeras possibilidades.

Comecei por avaliar meu acervo pessoal de livros e separar por temas. Reuni todos os livros referentes a escrita e suas técnicas, para facilitar consulta durante processo e exercícios da oficina literária. Foi um prazer e uma terapia.

Ainda reclusa, comemorei domingo de Páscoa à distância, com família online. Distantes porém juntos. Fiz questão de postar uma mesa bonita para celebrar a renovação.

Meu aniversário não passou em branco. Tive a grata surpresa de receber de meu irmão e cunhada, um mimo gastronômico que tanto amo, made in Sorocaba. Se gostei? Basta ver minha expressão.

Poder reencontrar após um ano, meu amigo/irmão, companheiro de tantas aventuras, foi bom demais. Ah…como tivemos assuntos para colocar em dia. É como digo sempre: quem tem amigos, tem tudo e esse, vale ouro. Te amo Rick!

Dedicar meses na oficina literária, promovida por Lunna Guedes e trabalhar e lançar o fruto materializado nesse belíssimo livro, foi a melhor experiência vivida, nesse ano atípico. Quantas emoções e momentos revividos.

Cheguei ao final de 2021, tendo um saldo de ganhos e momentos de muita realização e alegrias mas, também vivenciei dias de sofrimentos e perdas. Titia Irene, minha segunda mãe, após longo período de doença, descansou. Partiu, deixando muitas saudades. Nem tivemos tempo hábil para atravessar o luto e, de repente, nos deparamos com mamãe, mulher fortaleza, sucumbindo como nunca vimos. Hospitalizada desde 26 de dezembro, somente uma semana depois, soubemos que seu quadro era de covid. Bateu desespero geral em mim e minhas irmãs e irmão. Eu e minha irmã Rose revezamos no acompanhamento hospitalar. Mamãe foi transferida para um hospital referência para ficar isolada e receber tratamento para esse mal. Eu e irmãs, fizemos teste e nos encontramos desde então, em isolamento na casa de minha mãe, procurando manter a paz de espírito, serenidade e observando se surge algum sintoma. Estamos bem. Os boletins diários dos médicos são otimistas e talvez até final de semana, mamãe recebe alta.

Essa foto de nós duas, foi tirada um dia antes de sabermos seu diagnóstico.

Diante de tudo que vivi no ano de 2021, sou pura gratidão por ter passado por ele e estar aqui, para narrar sua travessia. Eu…ainda aposto positivo na vida!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais

Participam:

Darlene Regina – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega

E lá na Mooca…

Ela foi uma incógnita. Seu passado, um mistério que sempre pensei um dia, desvendar. Mulher simples, como a maioria de suas conterrâneas, poderia ter sido irmã gêmea do ator Flávio Migliaccio, tamanha semelhança. Apesar de semi analfabeta, lia bastante. Estava sempre com um livro nas mãos. Detalhe: aos noventa e seis anos, ainda lia sem óculos. 

Foi a primeira feminista que conheci. Em sua juventude, deve ter sido chamada por outros adjetivos. A pouca informação que trago é que saiu de casa muito jovem, em busca de trabalho.

Chegou a São Paulo em meados da década de 30. Fixou moradia na Mooca. Lá, formou sua verdadeira família entre vizinhos e conhecidos do Centro Espírita, que passou a frequentar. Tinha uma maneira peculiar de se expressar trancando o maxilar como se estivesse prendendo a dentadura para não sair do lugar. Talvez fosse isso mesmo. 

Trabalhou em diversas funções: copeira, lavadeira, faxineira… Outras tarefas que nunca soubemos ao certo o quê. Foi amparo de muitas prostitutas. Alcançou segurança financeira ao ser admitida no Senai. De lá só saiu aposentada.

Teve um único filho e enfrentou fome, incompreensão e discriminação de toda uma sociedade. Nunca se soube a identidade do pai. 

Recordo dos domingos em sua casa. Quando tia Irene me chamava para fazer companhia, ficava radiante. Gostava de apreciar — pela janela do ônibus — a paisagem urbana atravessando a cidade, de Osasco à Mooca. Para mim, um outro país!

Virgínia tinha paixão pela cozinha e recebia com prazer, quem quer que aparecesse em sua casa. Lembro-me de seu frango na cerveja. Algumas vezes ela preparava esse prato assado. Outras ocasiões, frito. Nunca soube definir qual ficava melhor!

O almoço acontecia, com trilha sonora de Roberto Carlos ou Agepê, tocando na vitrola. Após o prato principal, uma sobremesa. Caso fosse época, morangos suculentos acompanhado por Chantilly ou mosaico de gelatina. Nessas ocasiões, me sentia mais próxima do céu!

Esse texto faz parte do livro Quinta das especiarias, meu último livro, lançado pela Scenarium Livros Artesanais.

Se gostou desse texto, tem muito mais no livro que você pode adquirir aqui

Será que aprendemos?

Amanheci refletindo sobre nossa finitude. Não podemos prever quando iremos partir mas, acredito que enquanto aqui, podemos e precisamos deixar um legado. Seja ele qual for, que seja verdadeiro, que possa servir de acolhimento para almas que perderam seus caminhos, que possa dar esperanças aos desvalidos e que embeleze o dia daqueles que perderam o brilho do acreditar que – mesmo o planeta estando e sendo hostil – ainda dá tempo de torná-lo melhor. Não precisa de muito. Basta um olhar doce, um afago nos ombros, um sorriso e tudo muda.

Ser e exercer a empatia, é o caminho para vivermos melhor. Obvio que somente isso não basta. O importante é ter consciência de que não existe cartilha pronta do “Bem viver”.

Afinal, quem não gosta de ser bem tratado?

Não é somente por chegarmos a mais um final de ano. Praticar o bem nessas ocasiões ajuda muito alguns desfavorecidos, mas fazer isso o ano inteiro, é para poucos que compreenderam a mensagem.

Imagem licenciada: Shutterstock

Refrescando a memória

Sentada de frente a tela do notebook, saboreio um sorvete recordando as vezes em que recebi uma taça dessa sobremesa caseira, feito por minha tia Irene. Mulher das mil habilidades, fez nossa alegria em criança. Sorvetes, mousses de maracujá, goiaba ou chocolate. Bolos, rocamboles, pudins.

Quase me esquecia: a Maria-mole que ela preparava com aquela camada de coco fresco ralado que derretia na boca. Eu fazia questão de comer bem devagarinho para esticar o prazer o máximo.

Como pode nossa memória ser tão intensa, quase palpável ao trazer à superfície, tais momentos? Dá uma vontade de apertar o botão de retorno e voltar no tempo para reviver tudo de novo. E esticar também o sentimento de felicidade genuína. Felicidade de criança. Sei que minha criança interior, ainda se mantém quietinha aqui dentro de mim. Sempre que a realidade sufoca, grito por ela e de imediato, ela assume o controle até eu me acalmar.

Como agora, quando lamento a difícil realidade de titia, que tanto fez por todos, que tantas sobremesas ofereceu aos sobrinhos e agora, em total paralisia, não pode nem ao menos, saborear meus pratos – muitos deles aprendidos com ela – e adoçar um pouco sua amarga realidade.

Isso me lembra que a vida não tem roteiro pronto e – se Deus escreveu algum – não disponibilizou nas redes sociais para compartilhar conosco.

Com todo respeito mas, há momentos em que acho que o Todo Poderoso não passa de um velho sacana que adora aprontar com esses seres tão imperfeitos, mais conhecido como “Humanos”. Muitas de suas ações não soa lógico para meu raciocínio tão curto.

Ao término de meu sorvete, sinto gosto de sal no chocolate derretido. Olhos ardem e nariz congestiona. Terei me resfriado?

Lembrando que sábado, dia 27/11, a partir das 17h, será o lançamento do livro Quinta das especiarias. O lançamento online será através do instagram da Scenarium.

Para conseguir seu convite, solicite: scenariumplural@gmail.com

Reserve seu exemplar aqui

De que eu me lembro?

Numa vivência de mais de meio século, coleciono centenas de lembranças. Encontram-se dispostas em pastas denominadas: muita relevância, média relevância, nenhuma relevância e lixeira.

Em sua grande maioria, encontram-se recordações ligadas à família. Muitas, de amigos, escola, faculdade. Outras marcantes da vida profissional. Apesar de – em geral ser um ambiente tóxico – com inveja, competitividade e puxadas de tapete, consegui fazer poucos e fiéis amigos. Deles, possuo momentos carinhosos.

Tenho em minhas pastas, lembranças de momentos tensos de nossa vida em sociedade. O Brasil, celeiro de tantas desigualdades e injustiças é também, território que gera muitos talentos e riquezas. Oscilo entre amar e odiar ter nascido nesse solo que ultimamente, arde sob nossos cansados pés. A nação encontra-se fatigada de lutar, trabalhar e jamais sair do lugar: pobreza.

Enquanto uma minoria branca detém a riqueza muito bem protegida em paraísos fiscais, o grosso da população pena em empregos informacionais ou permanecendo invisíveis, em meio ao desemprego. O aumento de brasileiros com morada fixa debaixo de viadutos e em praças públicas é visível e não dá mais para fingir que não existem.

O número cada vez maior de jovem negros e pobres mortos pela polícia é gritante. Então, por alguns instantes paro, penso e de que me lembro?

De casos que se perderam em meio a tantos que se repetem diariamente em várias cidades e estados. Recordo de alguns jovens com os quais convivi bem próximo e que perderam suas vidas por serem negros, pobres, sem escolaridade. Só precisavam de um olhar mais atento e oportunidades para crescerem e passarem a fazer parte de uma estatística menos sombria.

Nasci pobre mas branca. Isso, fez um diferencial em minha trajetória. Obtive melhores chances de estudo e empregos. Muitas portas se abriram devido a minha cor. Tenho plena consciência de que, se fosse negra, talvez não tivesse alcançado o cargo que ocupei antes de me aposentar. Colegas que estudaram comigo na infância e adolescência, hoje vivem em condições precárias. Isso se ainda vivem. Muitos, infelizmente partiram. Viveram sem qualidade de vida, sem perspectivas de crescimento. Muitos aceitam isso como algo normal afinal, sempre foi assim.

E esse “sempre foi assim” é que me mata!

Chegamos a um ponto em que não dá mais para compactuar com esse pensamento. Simplesmente não dá mais para ser assim. Chances de nascer, crescer, estudar, trabalhar tem de ser igual para todos. Somente assim, teremos uma sociedade justa.

O que estamos fazendo para mudar o panorama da população negra que é maioria em nosso país? Desejo um país mais justo, com menos desigualdade, menos discriminação. Não trago respostas para essa situação, apenas muita inquietação em meu íntimo. O dia nacional da consciência negra foi ontem mas, a preocupação e reflexão devem ser constantes, um exercício diário. Então lanço a pergunta: o que podemos fazer de concreto?

Participam dessa blogagem coletiva:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

Imagem licenciada: Shutterstock

Quinta das Especiarias

Por alguns meses, revirei minhas gavetas da memória, em busca de momentos marcantes ao lado de mulheres que foram fundamentais em minha formação. Encontrei tantas lembranças boas que ficou difícil selecionar quais escolheria para fazer parte de um projeto literário.

Menina mirrada, sardenta, de olhos e alma inquietas. Atenta a tudo o que acontecia ao redor. Memória infalível, fui aos poucos, criando catálogos íntimos de situações e emoções que moveriam meu ser.

Sou eternamente grata a essas mulheres com as quais convivi e que me proporcionaram experiências e aprendizados. Foram tantas…

Enquanto escrevo esse texto, me vem a lembrança de uma vizinha que foi marcante em meu aprendizado: dona René.

Mulher de seus quarenta anos, cabelos castanhos claros, sorriso permanente e um olhar atento e ao mesmo tempo, ternos. Refinada sem ser esnobe. Uma verdadeira lady!

Fui babá de seu único filho, Alexandre. Esse, grande parceiro de brincadeiras de meu irmão Ricardo.

Foi com sua paciência e boa vontade em ensinar, que aprendi a fazer o arroz e feijão. Isso, levei para minha vida.

Quando a observava na cozinha, conduzindo o almoço, ficava encantada com suas habilidades. Sempre me orientando, mostrando e me fazendo executar na prática, o correto em cada prato a se preparar. Depois que a família se mudou para Ribeirão Preto, perdemos contato.

Foram lembranças como essa, que separei e transformei em crônicas afeto-gustativas. Junção perfeita para relembrar momentos que ficaram para sempre e eternizaram pessoas queridas que já se mudaram desse plano.

Você que me lê, está convidado a participar do lançamento online de Quinta das Especiarias, trabalho lindo escrito e ilustrado por mim, confeccionado pelo selo Scenarium Livros Artesanais, sob a batuca talentosa de Lunna Guedes.

Para conseguir seu convite: scenariumplural@gmail.com

Para comprar seu exemplar acesse aqui

Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

Espero vocês por lá para juntos, passarmos momentos de alegria.

Segundando

Dias estranhos, esses que vivemos. Hoje, ainda na cama, refletia sobre a realidade que nos cerca. Tantos acontecimentos e, no entanto, sinto-me esvaziada. Alma flácida, feito minha pele madura.

Sábado, um ser humano qualquer que não conheço pessoalmente, entrou em contato comigo para dizer que havia escrito uma frase errada. Não tenho natureza arrogante e, humildemente, fui em busca do tal erro em meu texto e corrigi. Realmente se encontrava errado. Educada que sou, respondi agradecendo.

Erro muito, na vida e nos escritos que teimo em materializar. Pode parecer bobagem para a maioria, o fato de necessitar escrever.

Sou cercada por pessoas que mal lê uma bula de remédio, o que dirá, ler uma postagem de blog ou um livro. Lamento apenas.

Fico de boca aberta pensando em atravessar uma vida inteira sem ler nem escrever. Acho que seria bem pobre minha vivência. Por outro lado, talvez perca muitas oportunidades de realizar outras coisas afinal, ler e escrever, é ato solitário e demanda tempo.

Decido por demorados alongamentos do corpo e da alma. Sentando na cama, balanço a cabeça, olhando-me no espelho, saúdo meu reflexo, desejando um bom dia.

Que seja pleno, em paz, com saúde e contas pagas além de um prato de comida. Se conseguir isso, já me encontro no lucro diante de tanta miséria distribuída por esse Brasil que, pouco a pouco, perde renda, habitação, dignidade e até seus ídolos.

Viver, decididamente não anda nada fácil mas, como já dizia minha avó Maria: e quem disse que era?

Reacender minha ancestralidade

Dedico esse texto a todos os meus antepassados que, hoje, habitam a espiritualidade e se transformaram em energia cósmica

Retornar às origens, renova as energias, traz de volta nossos antepassados queridos através das lembranças e, fortalece os laços afetivos entre os que participam do ritual.

Recordo com carinho, os momentos em que a família se reunia — em torno do pilão de madeira de meus avós — no quintal. A união de todos para o feitio da paçoca de amendoim, se transformava em festa. Dos mais velhos às crianças, todos aguardavam sua vez de socar o amendoim, a farinha de mandioca e o açúcar, contribuindo para garantir sua porção.

Uma fila animada se formava para que, cada um tivesse sua vez de socar com prazer, observando a transformação.

Risadas, piadas e lembranças, se misturavam dando liga ao doce. Esses eram os ingredientes que faziam de um simples e antigo alimento, uma iguaria abençoada pelos deuses.

Ainda criança, recordo a expectativa que aquecia e fazia disparar meu coração. Na fila, aguardando minha vez, pulava sem parar, rindo feito hiena.

Nem me preocupava em levar bronca. Nesses momentos, os adultos também viravam crianças e se comportavam da mesma forma.

Enquanto socavam, uma cantoria surgia e — fixou em minhas retinas da memória — o brilho de felicidade nos olhos da vó Maria. Sem dúvida, a maior das crianças ali presente.

Naqueles encontros, a união familiar emanava uma energia que trazia ao presente, a ancestralidade indígena e africana que todos nós trazemos em nosso DNA. Cantar, bater os pés no solo de terra batida e as mãos, em sintonia com as vozes, despertavam todos que adormeciam em outras esferas.

A festa seguia iluminando a todos. Paçoca pronta, cada um pegava uma colher para prová-la, ainda dentro do pilão. Sem cadeiras para todos, os mais novos sentavam-se no chão. Por alguns minutos, um silêncio imperava enquanto sentíamos o doce envolver nosso sistema digestório.

O pilão ainda existe. Foi restaurado, após anos de abandono no porão. Se transformou num item de decoração, na casa de um dos tios.

Minha ancestralidade anda esmurrando a porta do coração. Deseja sair e se manifestar. Vontade absurda de bater os atabaques, soltar a voz e chamar de volta, todos que adormecem.

Essa crônica faz parte do livro Quinta das Especiarias. Meu mais recente livro de crônicas que será lançado em 27/11/21.

Lançamento pelo selo Scenarium Livros Artesanais, está numa linda edição com textos e ilustrações de minha autoria.

Já se encontra na pré-venda por R$35,00:

Dia Nacional do Livro

O espaço da biblioteca foi para mim, extensão de minha casa. Aliás, devo dizer que passei mais tempo nela do que em casa. Tive o privilégio de viver cercada por livros. Muitos livros. Não contente em passar o dia cercada por eles, ao final do expediente, sempre dava uma passada pelas livrarias próximas: Livraria Cultura, Livraria Martins Fontes, Fnac (infelizmente não existe mais por aqui), e outras pequenas. Para ficar por dentro do que havia de novidades na área e, pelo puro e simples prazer em permanecer nesses espaços.

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Há quem me achasse louca. Quantas vezes não ouvi que deveria buscar outras formas de diversão e ocupação. Quer saber? Esses espaços sempre me preencheram : cultura, informação e lazer. Juntos, num único espaço. Nunca me arrependi.

Hoje, afastada de uma biblioteca, permaneço cercada por meu acervo pessoal, que ainda tem muitos livros a serem lidos e outros que pretendo reler.

Outubro é um mês fecundo em comemorações relativas ao livro: mês internacional da biblioteca escolar, Dia Nacional do Livro e Dia da poesia, no final do mês, em homenagem à Drummond.

Hoje, aproveito para homenagear a data, mas, principalmente, chamar a atenção dos leitores para se permitir ler e conhecer os autores nacionais que vivem no esquecimento. O Brasil é um celeiro ininterrupto de escritores talentosos, que vivem à margem, nas livrarias e bibliotecas.

Escritores que se tornaram clássicos como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade. Outros mais contemporâneos como Carlos Heitor Cony, Ignácio de Loyola Brandão, João Ubaldo Ribeiro, Josué Montello e tantos outros, que é impossível caber aqui, nessa postagem.

Existem os que lutam diariamente escrevendo e publicando e, mesmo assim, permanecem no anonimato. Existem os escritores feito eu, que publicaram poucas obras de forma artesanal e, que escrevem em seus blogs.

Em tempos pandêmicos, aumentou o número de escritores. Todos, sentindo necessidade em expressar sentimentos diversos dentro de seus metros quadrados. Tenho lido muita coisa boa!

Deixo aqui minha mensagem estendida a todos e, em especial, à minha editora e escritora, além de amiga, que tanto nos incentiva a escrita. Obrigada Lunna Guedes, por apostar na gente. Agradeço a amizade dos demais escritores do selo Scenarium Livros Artesanais. Iniciamos na escrita, nas oficinas e, hoje, formamos uma equipe de amigos que se apoiam, se fortalecem e dividem as alegrias da publicação.

Um Viva ao Dia Nacional do Livro. Sigamos na contramão daqueles que teimam em dizer que não somos um país de leitores. Lemos e escrevemos sim! Basta ter olhos para ver. Tin-Tin!

Imagens: acervo pessoal

Compasso de espera

Revendo textos meus antigos, observo o quanto evolui na escrita. Alguns, sinto um misto de vergonha e alegria por ter ousado, escrito e publicado. Trago vários iniciados e inacabados, que se encontram em rascunho. Servem de exercício, modelo, teste para algum tema. Muitos, retorno, retrabalho, reescrevo, moldo, atualizo e publico aqui no blog. Outros tantos, vão permanecer no limbo, guardados de mim mesma.

Agora mesmo, enquanto dedilho esse texto sobre a escrita, ouço uma música instrumental que preenche minha alma, observo pela janela, o tempo nublado, sinto aroma do café com um leve perfume do chocolate que acrescentei no pó e sinto um bem-estar se agigantando dentro de mim, como há um tempo não sentia.

Até mesmo o fato de minha conta bancária estar negativada, o calhamaço de contas vencidas sobre a bancada de trabalho, o desemprego e a vontade absurda de cair no mundo sem planejamento, diminui minha alegria por estar viva e saudável.

Vá entender, o ser humano é assim mesmo. Uma gangorra de emoções. Um vai e vem de sensações que alimenta, faz sofrer e gargalhar.

Olho para minhas estantes, repletas de livros. Muitos, aguardando pacientemente, sua vez de ser acariciado, explorado. Outros, já lidos, esperam minha vontade em selecioná-los e encaminhar para doação. Gosto de vê-los circular por mãos e olhos desconhecidos. Essa é a beleza dp processo. Livro bom não é o que decora estantes, mas sim, os que sofrem manuseios ansiosos pela descoberta de seu conteúdo. Preciso e quero mergulhar nas minhas leituras.

Imagens: acervo pessoal