Queria ver se chegava por extenso, ao contrário

(Helder)

Diminui diante de tamanha força e beleza. Não tive reação, não consegui expressar palavra.

Paralisei envolta pela brisa perfumada que se formou, assim que volitou em minha direção.

Seu perfume fixou na epiderme cansada de quem já não esperava nada da vida.

Um único encontro. Mais certo dizer um único cruzar de caminhos e, bastou.

Foi o suficiente para mudar a rota de uma existência errônea.

Segui, não olhando para trás. Jamais pensei em voltar e te procurar, tentar contato, te conhecer.

Preferi o colorido da fantasia que te torna perfeito, sem falhas, justo. Um deus!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Blogvember. Participam comigo:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega – Suzana Martins

Imagem gratuita: Pexels

6 on 6 – Miss you

Em alguns momentos sinto um cansaço que não há polivitaminico que resolva. Sofro da síndrome saudosística que costuma atacar os cancerianos. Seres sensíveis demais.

Em determinados momentos, retorno à minha infância, ao lado de irmãos, primas e pai. Minha primeira viagem ao litoral, praia de Itanhaém. Nossas mães se descabelavam para dar conta de tudo se esquecendo de divertirem um pouco. O contato com o mar for marcante e a força que a água exerceu sobre mim foi incrível.

Essa atração se estendeu pelo resto da minha vida adulta. Ao pisar pela primeira vez as areias de Maresias, litoral norte de São Paulo, caí de amores por ela. Voltei outras vezes, uma inclusive, sozinha, passei o Reveillon refletindo, escrevendo, lendo e apreciando os movimentos das ondas do mar. Quanta paz senti!

Conheci Paraty, ainda na época do cursinho pré-vestibular. Me encantei com a arquitetura colonial, suas ruas irregulares com suas pedras centenárias, gastas pelo tempo que emana muita história. Nessa primeira viagem, curti demais dormindo em barracas numa área para acampamento, ao lado de colegas e amigos. Anos depois, seduzida pelo conforto, me hospedei numa bela pousada. Voltei outras vezes, sempre descobrindo tesouros.

Mas a vida não é só flanar descontraidamente por praias paradisíacas. A vida exige força, resistência e eu experimentei exercitar em academias, fiz musculação, aulas funcionais, ginástica localizada. Porém, foi na yoga e no pilates que me encontrei. Que prazer me exercitar nesses aparelhos. Sinto falta e aguardo para breve, retornar a essa rotina.

Amizades eu sempre fiz. Não poderia ser diferente nas minhas idas à shows. Através de meu cantor favorito, Pedro Mariano, conheci pessoas incríveis. No início, foi nossa admiração ao cantor em comum que tínhamos. Aos poucos, a cada show, fortalecemos a amizade e sempre nos reuníamos para celebrar a música, a amizade, a alegria de viver. A vida nos afastou presencialmente mas continuamos a nos comunicar pelo grupo no WhatsApp. Não vejo a hora de reencontrar as amigas e o cantor.

Ele foi uma das presenças mais marcantes, alegres e queridas da minha vida. Foi o filho que não tive, o sobrinho aguardado e desejado, o amigo confidente, a dor mais profunda que senti. Foi um cometa que atravessou meu caminho trazendo luz e sumindo sem deixar rastros. Veio em outubro e partiu no mesmo mês. Hoje, guardo muitas lembranças engraçadas vivenciadas ao seu lado. Recordo o título do romance da escritora Inês Pedrosa: Amado, Fazes-me falta!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto Fotográfico 6 on 6.

Acompanham-me:

Lunna GuedesMariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Estou sozinha no quarto, entre dois mundos

A semana atravessou minha realidade numa velocidade luz. Fui atropelada por cometas e quase não me mantenho ereta, em pé. A sexta-feira despertou trazendo-me à realidade, adoecida. Corpo dolorido, olhos ardendo, alma enfraquecida. Foi difícil cumprir com as tarefas. A responsabilidade gritou alto e cumpri, chegando ao término do dia, com tudo realizado. Sensação boa mas retornei para casa achando que permaneceria acamada, tal a indisposição que se apoderara de mim.

Qual não foi a surpresa, ao despertar no sábado e abrir as janelas da alma e do apartamento e me deparar com um dia ensolarado, convidando a sair da toca. Saí e retornei logo. Não queria me arriscar. Boba que sou, deixei o dia esparramar seu calor e curti ele de longe, preferindo ficar quieta no mundo abstrato dos livros e das séries coreanas que tanto amo.

Folheei mais uma vez seu livro e logo de cara, a frase inicial me sequestrou e me perdi não sei por quanto tempo dentro das palavras:

“Àqueles que lêem para salvar a realidade”

Essa frase calou fundo e tem sido meu mantra dos últimos cinco anos. A leitura tornou-se mais que prazer, uma tábua de salvação de uma realidade distorcida, injusta, feia, suja.

Entre tantas leituras, houve romances incríveis, contos fantásticos, distopias e…Poesia. Teve também, a leitura técnica — necessária no trabalho — e, através dela, conheci inúmeros livros infantis que massagearam minha alma. Quanta beleza ainda existe nesse mundo destruído pelo próprio homem!

Quero expressar aqui, cara poeta, que seus escritos são de uma beleza ímpar. Até eu, que nunca fui de muita poesia, mergulhei fundo em suas páginas (In) versos e li, reli, retornei a eles, os versos e a cada leitura, sentia que adentrava um mundo de possibilidades e belezas que a palavra simples não dá a verdadeira dimensão de seu valor.

Hoje, ao contrário de ontem, outonou e mesmo tendo saído desse mundo que ainda não sei o nome, almoçado com família, voltei rápido – para a sós -, acompanhada apenas da trilha sonora de Shania Twain, escrever-te. É a primeira carta e espero não ser a última.

“Perdeu-se no tom suave

daquela melodia que

cantarolava saudade.”

Como esse verso me representa!

Este texto faz parte das Missivas de Primavera. Estão comigo:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Deixa o coração se apaixonar pelas paisagens

Querida Mariana,

Acompanho suas postagens ricamente ilustrada. Suas fotos da natureza que habita seu quintal, transporta-me para outro mundo. Você tem o dom e a varinha mágica para fazer isso acontecer.

Mansamente embarco ao seu lado, nos mundos que docemente desbrava e me apresenta. Através da foto de uma joaninha, viajo para minha infância.

Outras vezes, olhando para uma flor, sigo viagem para uma floresta ricamente florida, e observo o desenrolar do cotidiano dos personagens que ali, você delicadamente desenha e gera vida em abundância. Por ser uma pessoa urbana, cria do asfalto, do pixe e da fumaça que sai dos transportes, não tive o privilégio de crescer cercada de tanta natureza bruta. Graças a você, pude ter esse contato que é fundamental para a essência humana. Apreciar e respeitar a natureza. Ampliar nossa visão interior para alcançar a beleza de tudo que pulsa vida em nosso planeta.

A cada dia mais consciente da importância e necessidade de se preservar o verde, porque somos parte dessa cadeia alimentar que se desequilibra, graças a nossa irresponsabilidade e falta de informação.

Nesse exato momento em que termino a escrita dessa missiva, sou envolvida pelo aroma do café que está passando. Sonho com o dia em que nos encontraremos para um café acompanhado de bolo, pão de queijo e o requinte e simplicidade de sua conversa, seu doce olhar e riso fácil.

Espero que essa missiva te encontre bem de saúde e que possa te levar energias de carinho para você ter uma semana de muitas alegrias. Com carinho dessa canceriana que muito te admira.

Este texto faz parte das Missivas de Primavera. Estão comigo:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagens licenciada: Shutterstock

Experimenta a suave melancolia de uma manhã feliz

Hoje acordei envolta numa preguiça marota. Abri a janela e se apresentou uma pintura em tons de cinza. A cidade parecia adormecida. Nem carros pelas ruas, nem pessoas circulando pelas calçadas ainda úmidas da chuva noturna. Lembrei que nunca havia escrito uma carta à você. Passei um café, sentei e ao ligar meu note, fui surpreendida pelo seu não funcionamento. Isso me tirou do sério. Tomei posse de meus livros que por hora leio.

Mastigando um suculento pão de queijo, folheio o livro Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe. Ainda não havia me aventurado nas linhas desse alemão. Não posso ainda dizer que estou gostando mas está sendo uma curiosa aventura literária. Você já leu? Fiquei curiosa.

Outubro se aproximando e uma ansiedade se enraiza em meu coração. O que nos reserva o futuro ditado pelas eleições? Melhor nem pensar.

Prefiro me agarrar a nossa escrita e as nossas leituras. A magia é terapêutica e por hora é o que me resta enquanto não se resolve o resto. Fiquei feliz em saber que tem trabalhado bastante. Eu também. Chego em casa esgotada mas satisfeita com minha atuação no que faço de melhor: trabalhar com os livros e com as crianças e adolescentes. Me rejuvenesce.

Apesar do frio, me preparo para sair e enfrentar a suave melancolia dessa manhã feliz. Já experimentou? Manhãs cinzentas e frias são carregadas dessa sensação e, ao contrário do que se imagina, trás boas novas. Fico por aqui amigo Obdulio, desejando um excelente domingo.

Abraço

Esse texto faz parte das Missivas de setembro

Participam comigo:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

BEDA –

Ter amigo de verdade e não seguidores de uma rede social, está se tornando artigo raro. Fazer amigos e manter essa amizade por anos, virou comportamento jurássico. A impressão que tenho é que a humanidade perdeu essa qualidade tão peculiar nos “animais racionais”.

Eu posso dizer com toda segurança que tenho amigos de verdade. Daqueles que mesmo na distância, são fiéis companheiros e estão sempre com disposição de ajudar caso precise. E quando digo ajudar, não significa auxílio monetário mas sim, ofertar o ombro para nos ouvir, aconselhar, chorar junto se preciso for. Mas também se unir e dar muitas risadas espontâneas por qualquer bobagem que se diga. E há momentos em que se é necessário falar bobagens, contar piadas, afinal, são tempero importante para dosar e equilibrar nossas vidas. Viver não pode se fiar apenas em trabalhar e pagar contas. Não mesmo!

Podem acreditar, minha vida é colorida por todos os tons do arco-íris porque a luz e a variedade do matiz da paleta é infinita.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

BEDA – Retalhos

Em 2009, recebi como cortesia da editora, um livro de HQ e a divulgadora falou maravilhas dessa obra ressaltando que inclusive, havia recebido muitos prêmios. Vencedor de três prêmios Harvey (melhor artista, melhor graphic novel original e melhor cartunista), dois prêmios Eisner (melhor graphic novel e melhor escritor/artista), e em 2005, do prêmuo da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos.

Pensei: É… não é pouca coisa! Registrei o livro e coloquei a disposição. Passado algum tempo, ganhei um exemplar e meu sobrinho que nunca lia, pediu emprestado. Comentou comigo que gostou muito mas que deixou-o inquieto. Temática pesada. Vindo dele até estranhei afinal, sempre foi porra louca. Nunca mais vi esse livro de volta a minha estante.

Agora, trabalhando em outra biblioteca, encontro novamente com ele e, precisando catalogar, decidi ler antes. O que seria uma leitura puramente técnica, tornou-se leitura prazerosa, porém, preciso concordar com meu sobrinho pois a tematica é tensa, aborda questões que geram muitas polêmicas.

Relato autobiográfico, aborda a educação religiosa numa família de Wisconsin em meio a muita neve. A formação (ou devo dizer deformação?) religiosa do jovem artista, seus conflitos, a descoberta do amor e as inúmeras encucações sobre o prazer físico que constantemente o atormenta por conta do que sempre ouviu dos pregadores de sua igreja.

Narrado com muita sensibilidade, Retalhos mexeu comigo e me fez refletir sobre as questões abordadas. Daqui para a frente, será um de meus queridinhos e sempre estarei sugerindo sua leitura. Além da história em si, o traçado do autor me agradou: expressivo, ágil, interage com o leitor o tempo inteiro. Mereceu todos os prêmios. E você, já leu?

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

BEDA – Ih, hoje não deu!

Segundona com a carga de sono atrasada por conta de um maldito pernilongo que sugou meu sangue e minha paciência. Chego do trabalho esfomeada. Passei no Hirota Food e comprei uma comidinha japonesa que tanto adoro para saciar o estômago que se sentia contrariado com meu descaso. Onde já se viu esquecer dele? Cadê o lanchinho da tarde dona Roseli?

Ai meus santos, e ainda tem a oficina de escrita logo mais e tem texto para ler…

Comi, desabei no sofá, apagão geral. Acordei desorientada e com baba escorrendo. Na TV, noticiário corre solto denunciando assédio do juiz. Eta mundão que não muda nunca. Lavei o rosto, passei um café forte e estou aqui para me desculpar e dizer que hoje, não tem texto. Sorry!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

BEDA – Vazio

Difícil falar, escrever algo sobre você no dia de hoje portanto, registro aqui:

Pai, saudades!

Deixei em agosto de 2020, um texto que diz tudo o que gostaria de dizer e hoje não sai Visita dominical

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

BEDA – Estreia

Quando surgi nesse mundão de Deus logo de cara percebi que tinha entrado numa fria. Pior do que entrar na fila do transplante. Pisquei algumas vezes, chorei acreditando que sentiriam dó daquele pequeno ser indefeso, até urinei e defequei para enfatizar minha fragilidade.

Não adiantou o teatrinho. A parteira experiente deu um tapa bem dado, marcando minha cara roxa feito casula do papa. Assustada diante de tamanha violência calei-me! Engoli o choro e orgulhosa, desde pequenina jurei: nunca mais farão isso comigo. Nunca mais me verão derramar lágrimas. Serei dura feito aço, maleável como bambu, escorregadia tal qual quiabo, maquiavélica feito…feito…

Mulher! Sim, serei uma mulher como poucas nesse mundo. Seduzirei, mostrarei meus inúmeros dotes, apresentarei ao mundo meu talento e criatividade. Farei beijarem meus pés diante de tamanha beleza, encanto e altruísmo…

…Não foi bem assim que as coisas sucederam, mas isso caro leitor, serão outras histórias!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock