Projeto 6 on 6 – 3×4

Posso definir minha vida através das fotografias 3×4. A começar por minha primeira carteira de trabalho, conquistada em meados da década de 70. Rostinho cheio, frescor dos quinze anos, faminta por engolir o que o universo tinha a me oferecer e degustar. Ansiedade em sair e conhecer o mundo e todos os seus mistérios…

Após alguns anos de muita labuta mas também muita diversão, a finalização da faculdade e a conquista da minha carteira profissional de bibliotecária. Coração bateu mais forte ao tê-la em mãos. Definitivamente me sentia adulta e poderosa!

Foram vinte e cinco anos ininterruptos no qual registrei alguns momentos como a viagem para participar de um congresso internacional de bibliotecas escolares e a seguir, férias explorando as belezas de Portugal. Alegrias, conquistas, perdas, ganhos, relacionamentos, amizades…Muitas amizades.

Os janeiros passaram numa rapidez absurda debaixo de meus pés. Gastou o solado de meus calçados e desbotou meus cabelos. Platinei!

Hoje, após décadas de vivência, muitas experiências e retorno ao mercado de trabalho em outro colégio, reencontrei minha jovialidade através da convivência leve com as crianças e adolescentes. Remexendo baús de fotos na casa de minha mãe na tarde de ontem, eis que me deparo com alguns velhos binóculos.

Olhei e já com meus olhos embaçados pelo tempo, viajei nas lembranças ao ver a imagem mal definida de papai. Ah…bateu uma saudade de suas meninices…

Esse texto faz parte do Projeto Fotográfico 6 on 6 e participam dessa blogagem coletiva:

Lunna Guedes – Mariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

6 on 6 – Arte de rua

Desde minha adolescência que aprecio a arte de rua. Isso, quando o grafite. não tinha o estatus que tem hoje. No passado, considerado arte menor, arte marginal, hoje, esses artistas da rua, transformaram laterais de prédios e muros das metrópolis, em verdadeiro museu a céu aberto.

E essa arte está espalhada por todo o mundo. Exemplo disso, é o belíssimo mural em Nantes, França, feito pelo artista Braga Last One

Contudo, voltando meu olhar para meu quintal, na região central de São Paulo, sou rodeada por verdadeitas obras de arte. Como essa que não canso de apreciar toda vez que subo a rua da Consolação, quase chegando à Avenida Paulista.

Gostaria de ter encontrado uma foto com ângulo melhor. Apreciar ao vivo esse grafite “Viver de luz” da grafiteira Mona Caron, é de ficar de queixo caído diante de tamanha beleza e luminosidade. Simplesmente amo! Natural da Suiça, sua arte está espalhada por diversas cidades do mundo.

Ainda na região da República, temos esse outro belo grafite, feito por um grafiteiro anônimo que se intitula BIP.

Caçador de rosas foi baseado na figura real do menino Dudu Alves, na época, com 10 anos. O garoto dança com Michael Jackson, na Praça da República.

Bem próximo de casa, esse grafite é um dos meus queridinhos. Seja pela delicadeza do traço, seja pela força do tema da campanha mundial “educação não é crime”, lançada em 2014.

Nina, de Apolo Torres, encanta quem passeia pela região da rua da Consolação com a rua Amaral Gurgel.

Esse complexo de grafites estava me agradando tanto enquanto estava se formando. Acompanhei de perto sua evolução. Aquário urbano, do artista Felipe Yung (FLIP) em parceria com o produtor cultural Kleber Pagú. A esquina da rua Major Sertório com Bento Freitas, ganhou cor e vida com essa imensa tela.

Pena que não vingou e hoje, um prédio construído no terreno, praticamente cobriu a beleza desse mural. Coisas de nossa “modernidade”…

Não poderia terminar essa postagem, falando em arte urbana, sem tocar no nome que praticamente elevou a arte do grafite a um patamar de respeito por todo o mundo. Já era fã de Eduardo Kobra, desde a década de 90 e acompanhei sua evolução artística. Difícil foi escolher entre tantas belezas produzidas por ele. Para fechar, optei pela delicadeza das bailarinas do Escadão da rua Alves Guimarães, Pinheiros.

Esse texto faz parte do projeto fotográfico 6 on 6 promovido pela Scenarium Livros Artesanais

Participam também:

Darlene ReginaIsabele BrumLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega Nuñes

Sexta em movimento

Da mesma maneira que preciso limpar a memória de meu pc para ficar mais ágil, minha mente também necessita – de tempos em tempos – ser arejada.

Para isso, a melhor coisa é caminhar. Enquanto caminho, minha mente acompanha as passadas e libero a imaginação. Seja para pensar em novas histórias, personagens, situações ou, refletir sobre questões emocionais e resolução de problemas cotidianos.

Para mim, são duas as formas de caminhar: ligada no automático, focada nas passadas cadenciadas e respiração, amortecendo a mente sem prestar atenção ao entorno ou, a que mais gosto de fazer: caminhar assimilando tudo ao meu redor, observando as pessoas, seu comportamento, apreciando a arquitetura, a natureza cada dia mais esmagada pelo concreto e sujeira.

Esse exercício é sem pressa, parando de vez em quando para recuperar o fôlego devido ao uso da máscara. Aproveitando para passear os olhos captando cenas, pessoas, registrando acontecimentos. O cotidiano é rico em material para escrita.

Um dos prazeres do caminhar, agora não é possível: ouvir música. Aliás, a música para mim é companhia, alimento, massagem na alma. E isso, devido à violência dos assaltos, me impede. Como já fui assaltada, não me arrisco saindo por aí ouvindo música no smartphone. Uma pena!

Hoje pela manhã, fiz uma caminhada de uma hora, ouvindo música, porque percorri as passadas dentro do apartamento. Aqui, em total segurança, comecei caminhando e me alongando, ouvindo a trilha sonora da série sul coreana Hotel del luna. Apesar de gostar da trilha sonora, não deu muito certo porque as canções me fizeram chorar. Baixou uma tristeza, uma angústia, uma saudade… Pensei: definitivamente choro não combina com caminhada e corrida alternadas. Coloquei Prince e a batida de suas canções e o som de sua guitarra, firmaram uma parceria perfeita com a atividade física. Meu estado de espírito mudou de imediato. Caminhei, corri, pulei, dancei e cantei. A tia louca do 102, cagou pro mundo lá fora e expurgou tudo o que lhe fazia mal.

Ao término da atividade física, olhei-me no espelho e o que vi foi: mulher de meia-idade, descabelada, suada, com a respiração ofegante, mas, com o brilho nos olhos restaurados e uma leveza reconquistada.

É minha gente, o ser humano foi talhado para o movimento. Com a endorfina liberada por todo o corpo, meu cérebro agilizou, o corpo despertou, as dores cessaram e um sorriso se instalou no rosto e na alma.

Xô preguiça. Xô tristeza. Bem-vindo alegria de viver! Prontinha para o final de semana. Que venha leve, alegre e cheio de graça.

Beda 7 – Confissão

Não passo um dia sem escrever. Necessito desse exercício, como quem anseia por água, para sobreviver. Contudo, de uma hora para outra, esse alimento fundamental, passou a me causar mal estar.

Como um adicto, sinto compulsão de escrever. Muitas vezes a vontade vem à frente das ideias. Escrevo sem seguir um plano, sem ter sobre o que de fato escrever. Palavras saem e se formam na telinha do computador. Vômitos literários.

Em outros momentos, com história concebida e estudada, vou jogando-as através da movimentação de meus dedos histéricos no teclado.

Às vezes, ao ler, surpreendo-me. Em outras situações, envergonhada, deleto aquela porção de lixo escrito. Retorno ao ponto zero em desespero por escrever algo que valha a pena.

Tem quem goste, tem quem ache tudo um monte de palavras vazias. Tem ainda, aqueles que acham que perco muito tempo nisso e, que estou deixando de viver. Talvez tenham uma certa razão.

Faço aqui o mea culpa ao reconhecer que não domino as regras de concordâncias da língua portuguesa. Sou mais uma curiosa que se aventura por essa estrada desconhecida e difícil.

Há alguns anos, caiu em minhas mãos um livro cujo título chamou minha atenção: Escrevendo com a alma: liberte o escritor que há em você!, de Natalie Goldberg. Gostei tanto que comprei e li com prazer cada capítulo. Da mesma forma, comprei outros, especializados na escrita criativa. Sempre que preciso me reafirmar, tiro-os da estante e abro em qualquer página. Adotei-os como livros de minuto. Tenho certeza que os mais “entendidos” no assunto acharão que eles não passam de autoajuda literária. Não descarto tal papel mas, quer saber? Não estou nem um pouco preocupada. Decididamente não sou uma escritora, artesã da técnica.

Sou escrava consciente da emoção expressa. Isso me basta.

Esse texto faz parte do b.e.d.a — blog every day august.

Participam Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia — Obdulio Nuñes Ortega

Imagem: acervo pessoal

Beda 6 – Freud, explica!

Roo unhas desde pequena. Quando bebê, no interior do berço, antes de descobrir o prazer em roer unhas, retirava tufos de cabelo e… Comia! Minha mãe, desesperada, fez de tudo para que eu perdesse esse péssimo hábito. Até que radicalizou e, mandou passar máquina zero na minha cabeça. Fui precursora da moda dos skinhead. Ainda guardo um pequeno retrato de vestidinho e cabeça raspada. Pareço até uma boneca.

Tenho plena consciência do quanto sou ansiosa, porém, mais jovem, não imaginava sofrer desse mal.

Hoje, me peguei sentada – de frente ao meu computador – em desespero tentando, inutilmente,  roer as unhas. Tentei o mindinho, nada. Fui pro anelar, nem pensar!  Inconformada, busquei de imediato o dedo médio, tendo plena certeza de que obteria sucesso em meu intento. Qual quê!

Segui raivosa para o indicador, sabendo de antemão, que ele não me desapontaria. Fracasso total.

Já em agonia, agarrei o polegar. Analisando as linhas da unha, percebi uma ponta de pele saindo sorrateira de um dos cantos. Meus olhos cresceram diante de tão petitosa iguaria. Adoro essas peles! Mais até do que das unhas. Tentei abocanhar e nada!

Perdi um tempo precioso nessa luta insana, saindo perdedora pois, desde que alinhei os dentes num tratamento ortodôntico, babau hábito de roer unhas. Deve ter sido praga ou promessa de mãe! Vou ali no canto, arrancar os fios de contenção dos dentes.

Quero! Desejo! Necessito roer as unhas! É questão de vida ou morte! Sobreviver aplacando essa ansiedade que domina mente, coração e boca. Freud deve explicar.

Esse texto faz parte do b.e.d.a — blog every day august.

Participam Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia — Obdulio Nuñes Ortega

Flor rara

Tocada pelas lembranças da minha meninice, de repente, me vi frente a frente com uma mulher muito querida e que foi presença constante. Há pessoas que passam por nossas vidas e partem sem deixar vestígios. Outras tantas, são verdadeiros meteóros, que na rapidez da luz, vêm e vão para nunca mais. E, existem aquelas que carimbam em nossas almas, suas presenças para toda a eternidade.

Em meu projeto de crônicas que em breve publico apresento mulheres que fizeram parte de minha vida e deixaram um legado de alegria, amor e muita comida gostosa. Cozinheiras que marcaram presença no âmbito familiar. A flor rara, foi uma das mulheres mais queridas de minha vivência. Sua risada contagiante sempre mexeu comigo. Que saudade boa toma conta de mim, cada vez que recordo passagens ao lado dela.

E você, tem alguma lembrança boa e uma história ligada a um prato para me contar? Quero muito saber!

Esqueci na prateleira

No período em que trabalhei numa biblioteca escolar, ganhei muitos livros que hoje compõe meu acervo pessoal. Alguns, ainda não tive oportunidade de ler ou, esqueci por completo.

Para fazer a postagem de hoje, voltei os olhos para minhas prateleiras e passeei pelos livros que ali se encontram dormentes.

Já li grandes histórias ambientadas durante a guerra e que me marcaram. Autores como Johannes M. Simmel, Henri Coulanges, Markus Zusak são alguns entre tantos, que se aventuraram nessa temática e nos presentearam com belíssimos livros.

Escolhi Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr, da Intrínseca. Vencedor do Pulitzer de ficção e finalista do National Book Award de 2015, a temática me chamou a atenção.

Quando se pensa que não há mais possibilidades de se escrever sobre a Segunda Guerra Mundial, Anthony Doerr prova que sim, se pode escrever.

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Deixei ele a vista para ler em breve. E você? Já leu esse livro?

Esse texto faz parte da Maratona Literária Interative-se de Maio e, estão comigo nessa corrida:

Ale Helga – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega

Que tipo de leitora eu sou?

Hoje iniciamos a maratona literária de maio, promovido pela Lunna Guedes, com o grupo #Interative-se, do Facebook.

E eis que me deparo com um pergunta ao mesmo tempo fácil e difícil de responder: Que tipo de leitora eu sou?

Sou do tipo que lê até bula de remédios do início ao fim. Sou aquela que não pode estar num transporte público e ver alguém com livro nas mãos. Fico em cólicas para saber qual título.

Quando tinha a liberdade de circular por toda parte, estava sempre com livro na mão ou, numa sacola especial para carregar livros.

Leio outdoors, panfletos distribuídos na calçada, leio inclusive, revistas velhas em exposição nas salas de espera, de consultórios médicos.

Na leitura de livros, leio de quase tudo também. Tenho prazer e curiosidade em ler autores de países distantes, conhecer a cultura. Através deles, me enriqueço.

Tenho prazer em mergulhar em nossa literatura brasileira, tão menosprezada pelos próprios brasileiros. Gosto demais de ler as escritoras nacionais. Antigas e atuais. Essas mulheres tiveram sempre tanto a dizer. E disseram. Com categoria, talento, sensibilidade.

A primeira escritora que li e gostei foi Raquel de Queiróz com seu livro O quinze. Depois, li A montanha partida de Odette de Barros Mott. Não parei mais.

Leio romances, contos, crônicas, poesia, biografia, diários…

Que tipo de leitora que sou? Voraz.

Esse texto faz parte da Maratona Literária Interative-se de Maio e, estão comigo nessa corrida:

Ale Helga – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana GouveiaObdulio Ortega

B.E.D.A. – Irmãs da natureza

Ao ler a crônica de Rubem Alves intitulada Em defesa das flores, passei a manhã de hoje com ela reverberando em minha mente. Linda crônica!

Lembrei dos jardins de minha infância em casa de vovó Maria – local onde nasci e cresci -, brinquei, inventei!

Habitat de margaridas, roseiras, marias-sem-vergonha, crisântemos, cravos, onze-horas. Rodeada por essas irmãs da natureza, passava os dias de minha pureza embeveçida por sua beleza ímpar.

Um dia tudo mudou. Ao chegar do trabalho, abrindo o portão, encontrei dois túmulos secos e áridos de cimento bruto.

Silenciosa, fiquei olhando sem entender para a morte violenta da natureza. Decretei luto por minhas irmãs.

A partir daquele dia, saía e entrava em casa desviando o olhar dos túmulos. Difuntos nunca enterrados, denunciando a violência sofrida sem chances de se defenderem.

Passei dias calada até – que não aguentando -, perguntei: Por que isso? Por que acabar com um jardim tão lindo?

A resposta veio seca e direta: Planta dá trabalho. Não temos mais tempo para isso.

Minha porção “adolescente revoltada” nunca se curou; aquela cicatriz permaneceu até a venda da casa que – após nossa saída -, veio abaixo dando lugar a um condomínio.

Segui a vida, desenvolvi alergia à flores retiradas de sua morada. Continuo amante da natureza; adoro roseiras e toda espécie de flor mas, peguei asco de arranjos florais. Não suporto o cheiro das rosas num buquêt.

No ano seguinte ao término da faculdade, meu TCC foi premiado como um dos melhores do ano. Como prêmio, recebi uma estatueta, um botom e um ramalhete lindo de flores. No ônibus, voltando para casa, antes de descer, perguntei ao cobrador se era casado ou namorava. Era casado. Sorri, deixei o ramalhete para ele ofertar à amada; desci aliviada por me desfazer daquele cheiro de morte.

Não suporto velórios. Não por conta do defunto mas, devido ao odor das flores. Elas sim, me lembram da finitude da vida e não, aquela carcaça no caixão.

Mas, se me deparo com um jardim florido, ah… De imediato meus olhos ganham brilho, sorrio de felicidade ao reencontrar minhas irmãzinhas vivas. Na nova morada, mamãe tem um jardim repleto de flores e outras plantas, recebe visitas matinais de beija-flores, sabiás, rolinhas e quem mais de asas aparecer por lá.

Saudades do jardim de mamãe!

Participam dessa blogagem coletiva:

Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega

Imagens: Arquivo pessoal