Teatro e literatura se mesclam: ótima pedida!

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Quando iniciei esse blog, minha intenção era apenas postar textos de minha autoria. Seria uma plataforma de exposição de meus escritos de forma bem livre. Acredito que alcancei meu objetivo, uma vez que conquistei leitores que me seguem e aguardam sempre novos textos. É uma responsabilidade escrever de forma consciente, criativa e que sensibilize quem por aqui comparecer. Nesse mês de julho, não publiquei nada por conta de minhas férias no qual decidi fazer outras coisas. Entre essas coisas, a leitura estava em primeiro lugar. Com vários livros escolhidos, haviam outros tantos já iniciados e que por conta de inúmeros compromissos, encontravam-se abandonados aguardando minha volta à eles. E é de um deles que vou falar um pouco por aqui.

Quem me conhece sabe o quanto admiro escritores nacionais. Sempre digo que temos grandes talentos por aqui. Muito mais que esses nomes estrangeiros que poluem as grandes redes de livros com mais do mesmo. Deixo claro que reconheço grandes nomes da literatura universal, no entanto, não é a esses que me refiro. Entendido?

Conheci o autor do livro, quando participei de um lançamento feito pela Scenarium Plural, sob o comando da sempre alegre e competente Lunna Guedes. Isso nos idos de setembro de 2014.

Emerson Braga, contista criativo e talentoso lançou seu livro de contos Amores, desafetos e outros despautérios acerca de Eros. Foi meu primeiro mergulho em sua escrita. Gostei demais da sua forma de comandar o rumo das histórias além da riqueza dos personagens. No entanto, minha surpresa – grata diga-se de passagem, se manifestou ao ler seu primeiro romance publicado em 2016, pela editora Penalux: A morte de um embusteiro viajante. Emerson mostrou um amadurecimento literário e uma segurança que só os grandes têm ao escrever uma obra envolvendo personagens famosos de Shakespeare ao lado de um velho ator em seu último ato. Lázaro Bardo revê sua vida ao lado de Hamlet, Rei Lear, Macbeth, Romeu e outras figuras fantásticas.

Homem destituído de qualquer simpatia devido ao seu alto grau de arrogância, aos poucos, vai retirando suas máscaras e se relevando apenas um ser humano comum, igual a mim, a você e a tantos outros que atravessam nossos caminhos. Emerson nos mostra ser grande conhecedor da obra shakesperiana e do teatro conseguindo percorrer os caminhos de uma peça teatral e seu mundo de forma familiar nos mostrando que sabe do que fala. Retomei a leitura e cheguei ao término num crescente de emoções que me levou a derramar algumas lágrimas ao final da leitura. A boa literatura é isso: nos emociona sem ser piegas. Emerson querido, Parabéns pelo belíssimo romance de estréia. Livro muito bem feito. Linda capa e diagramação do competente Ricardo A. O. Paixão, edição muito bem tratada pelas mãos de França & Gorj texto primoroso da orelha feita pelo escritor André Kondo. Agora, estou no aguardo do próximo romance que já está sendo desenvolvido por ele. Essa informação direta da fonte: o autor!

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Voltei!

Protesto! O mês de julho passou numa velocidade absurda. Mal pisquei e agosto chegou. Apesar do protesto, não reclamo. Passei minhas férias sem nenhuma viagem, descansei bastante, dormi muito, gastei meus olhos nas leituras e filmes e séries que assisti na Netflix. Ah! E dei um tempo nas redes sociais o que significa que também deixei de lado meu blog. Sorry leitores amados. Foi por uma boa causa: minha saúde mental, espiritual, psicológica e física.

Bom demais! Contudo, a realidade me puxa pelos cabelos (que estão caindo) e grita para que eu viva intensamente a realidade. Impossível! Canceriana que se preze vive mais no mundo da Lua do que aqui, com os pés fincados na terra.

Iniciei um curso de contos que não levei adiante. Motivo? Não gostei. Não senti verdade nem dedicação. Resolvi curtir minhas férias e leituras que, com certeza, me inspiraram muito mais do que aquele blábláblá. Explico: não sou uma escritora que arrasa em seus textos. Tenho plena consciência de que tenho muito a aprender. Mas…Quer saber? O caminho das pedras eu já sei portanto, é arregaçar as mangas e escrever, reescrever, escrever novamente e assim,  lapidar meu trabalho. Como também não tenho nenhuma pretensão em ser um prêmio Nobel de literatura, sigo em frente desejando mais é ser feliz. Mesmo escrevendo fora dos parâmetros ditos “literários”. A vida já nos dita tantas regras que me recuso a seguir mais essas. Pelo menos por aqui, desejo mais é que seja um espaço de total liberdade para mim. É isso. Caros leitores, estou de volta e aos poucos, vou postando textos novos. Ou não. Aproveito para avisar que de vez em quando postarei meu parecer sobre os livros que tenho lido. São tantos. São incríveis e por isso mesmo, vou compartilhar com vocês meu parecer. Não me considero nenhuma crítica literária porém, tenho sensibilidade e é através dela que me guio nas leituras e em tudo o que faço. É isso. E que agosto nos traga ventos de renovação.

Lero com Toninho

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Esse texto escrevi em maio de 2015 com o título Devaneios juninos. Deixo minha homenagem a esse Santo que – mesmo não sendo católica – nutro uma simpatia. Como estou atarefada essa semana, republico pois sei que muitas pessoas ainda não leram. Aos que já leram, tenham um pouquinho de paciência que em breve escrevo algo inédito.

 

“Eu pedi a São João, ao querido São João que me desse um matrimônio…”

Todo aniversário ouvia essa música. Fazia parte da trilha sonora das festas que faziam em meu aniversário.

Pequena, até gostava de cantar mas não entendia seu enredo. Simplesmente reproduzia a cantoria.

Adolescente, cantava com todo fervor mentalizando o Santo e pedindo de coração essa graça.

Jovem adulta, ansiava por esse tão cantado matrimônio enxergando o pretendente em todo homem que cruzava meu caminho.

Madura…

Parei de ir às festas juninas, tapo os ouvidos diante dessa canção e das demais. Nunca mais fui a quermesse, nem pisei o solo de uma igreja…

Falando em igreja, lembrei que entrei na igreja de Santo Antonio, em Portugal em 2006. Sim, a casa real do Santo casamenteiro e bati uma “papo com ele”. Falei:

– Seguinte meu Santo, vou te bater a real: tô encalhada sim, a situação tá difícil mas para quem faz milagre, é fichinha. Concorda? Então, ôh meu santinho, vim de tão longe! Conceda-me a graça de conhecer um bom homem e com ele me casar. Só pra desempatar esse jogo que continua no zero a zero. Entende? Pôxa! Sou boa de cozinha, ótima na cama (alguns assim disseram), excelente administradora, bonita, inteligente, carinhosa. Que mais me falta meu Santo? Fale agora ou se cale para todo o sempre!

Esperei um tempo e nada do mardito me responder. Sua imagem ficou lá, olhando para o horizonte, ignorando-me na cara dura. Ora pois!

Fiz minhas preces ajoelhada, acendi velas, fiz o pai nosso, contribui com a igreja (em euros) e voltei feliz da vida para o Brasil com a certeza que o Santo faria a parte dele no acordo estabelecido.

O tempo foi passando e a situação necas de mudar. Ah tá! Vai, Confesso que até conheci alguns homens interessantes. Tudo bem que todos de início são príncipes que como passar do tempo vão transformando-se pouco a pouco em sapos. Alguns sapos até que me cativaram mas, como são escorregadios, escaparam por entre meus dedos.

A raiva foi tomando conta de meu ser até que decidi mudar de endereço. Saí do condomínio pantanoso e regressei para o solo urbano.

Fechei o estabelecimento antes mesmo de sua inauguração oficial. Piso duro nesse solo embrutecido revestido de concreto, piche e pedras. Olho firme o horizonte, feito o Santo que se dizia casamenteiro.

Outro dia em sonho, tive um dedo de prosa com o tal e ele, desconsolado pedia desculpas. Confessou não saber quem foi o sacana que espalhou ser ele, o santo casamenteiro. “Nunca fui nada disso dona. Isso foi intriga da oposição. Aposto que foi Pedro que – ganancioso – deve ter espalhado isso aos quatro cantos para ganhar pontos com o Senhor e obter a responsabilidade e as chaves do Paraíso. Uma vez confidenciou que não tinha muita paciência com a mulherada.

Maldito pescador! Essa ele me deve! Um dia ele me paga. Nem que eu espere a eternidade se findar, acerto as contas com esse senhor das lorotas!”

Despertei com esse pedaço de sonho claro como a luz da manhã. Fiquei penalizada com Toninho. Coitado!

Tendo de aguentar o mulherio todo desesperado atrás de um casamento sem nem saber fazer o tal milagre.

Sua orelha deve arder feito labaredas do inferno de Dante. E não ter ninguém para ajudá-lo a desfazer tal engano.

Sensibilizada, comprei uma imagem dele e montei um altar onde rezo todas as noites. Não para pedir casamento.

Não! Isso não desejo mais. Rezo pela sua paz de espírito. Rogo a Deus e ao menino Jesus clemência para esse pobre e injustiçado Santo.

Um vento não sei de onde refresca o ambiente e faz a imagem cair. Pulo no afã de salvar o santo de se transformar em cacos.

Repousando em meu colo, tenho a nítida impressão que ele sorri para mim.

Reponho-o no altar, faço mais uma oração agradecendo por ter sido rápida evitando sua quebra e levanto-me para sair um pouco. Preciso respirar ares novos. De repente, deu-me uma vontade absurda de pegar um cinema. Faz tempo que não assisto a nenhum filme. Nem sei o que anda passando no circuito da cidade.

Tomo um banho e arrumo-me como há muito não fazia. Ao olhar no espelho, certifico que minha figura está bem interessante.

“Gata, se eu fosse um homem, hoje, com certeza me aproximaria de você. Está irresistível!” – caio na risada ao perceber que falei essa baboseira em voz alta.

Ao quase fechar a porta, já de luz apagada, vejo que esqueci a vela do altar acesa. Sua luz refletindo o rosto de Santo António me dá a nítida impressão de que o santo pisca o olho pra mim. Assopro a vela, olho mais uma vez incrédula para a imagem e saio de casa.

A idade avançada já deve estar fazendo estragos em meus neurônios. Penso enquanto me dirijo ao cinema. Sorrio diante desse pensamento.

Já de ingresso comprado, pipoca e refrigerante nas mãos, sigo para a sala de projeção. Ao entrar no corredor, com a sala já as escuras, tropeço e caio sentada no colo de um senhor.

Que vergonha!

Toda sem graça, peço desculpas.pela minha atrapalhação, levanto com o resto de dignidade que sobrou e vou ao encontro de minha poltrona. Sento-me, respiro fundo já pensando que fora uma péssima ideia ir ao cinema e olho de relance para o senhor que serviu de poltrona para mim.

Nossos olhos se encontram. Tenho certeza que fiquei da cor de cereja madura.

Que vergonha! O homem vai pensar que vim a cata de uma aventura! Vamos prestar atenção no filme. Ah! Está passando propaganda.

Importa-se de sentar ao seu lado? Vejo que está sozinha e como também estou só… Posso?

Hum!Hum!

Poesia sempre!

O Dia Nacional da Poesia é uma homenagem a data de aniversário do poeta Castro Alves. No entanto, a partir de 2015, foi sancionada a lei 13.131, que mudou a data para o aniversário de Carlos Drummond de Andrade em 31 de outubro. Ou seja, agora o dia nacional da poesia é em 31 de outubro. Mas, para pessoas que como eu, a poesia é celebrada todos os dias do ano, deixo aqui minha pequena homenagem a ela, Poesia, e aos poetas que conseguem lapidar com perfeição todos os sentimentos humanos em rimas, estrofes e versos. O mundo sem poesia seria sem dúvida, mais pobre e sem graça. Abaixo, apesar de não me considerar poeta, arrisquei e escrevi esse pequeno poema:

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Determinação

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É hoje. De hoje não passa. Traçei um plano para executar e mudar minha vida. Sei que amanhã agradecerei ter tomado essa decisão. Contarei com apoio e aprovação de todos. Daqui uns anos, olharei meu reflexo no espelho e sentirei orgulho de mim mesma. É isso. Não tem mais volta. Na realidade, não vejo a hora do dia correr. Trago a certeza de que sairei vencedora. Já conto com torcida organizada a planejar seu grito de guerra para me ver chegar à final. Vai ser lindo! Farei parte dos vencedores na vida. Dos sorrisos que moram no Olimpo. Consigo desfrutar a sensação desde já do dever cumprido…

18h26 – Starbucks, Alameda Santos.

– Por favor, dá uma chegada mais pro canto para eu sentar? Obrigada. Ah, não querendo abusar, mas já abusando, posso colocar meu frappuccino nessa mesa? Ah sim, Obrigada.

– Camila, você por aqui?.. Não era hoje que iria começar a frequentar a academia?

– Oi Jú! É…

– Escuta colega, não era você que espalhou para todo mundo no departamento que a partir de hoje seria uma nova pessoa, e que se transformaria numa vegana? Só comeria coisas naturais?

– É…

– Cadê toda aquela determinação e discurso que nos infernizou a semana toda no refeitório só pregando a boa alimentação e bons hábitos? Não é bem isso que estou vendo por aqui…

– Jú, seguinte: vai ficar aí em pé me infernizando e tirando uma onda com a minha cara ou prefere sentar-se aqui e comer junto e colocar as fofocas em dia? Não sei se percebeu mas está atrapalhando.

– Fechado colega! Chega pra lá para eu sentar do seu lado. Ficou sabendo da Bernarda da contabilidade e do Alfredo da Tecnologia?

– Não mas você vai me contar tudinho. Moço, desculpa, pode se achegar um pouquinho mais pro canto. Ah, Jú coloca seu donuts do lado do meu. Isso aqui tá uma delícia!!!

Imagem: Pexels

Máscaras

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Como expressar o que sinto no momento? Não sei. Muitas perguntas sem respostas.

A única certeza que trago comigo é que nada sei.

Sorrio. Lembrei-me do filósofo que – segundo dizem, (não estava lá para saber) – dizia algo parecido. Simpatizo-me com ele. Nunca saberemos e quem afirma, engana-se a si mesmo.

O planeta gira numa velocidade “Sennica” e eu, nesse meu passar lento e miúdo, presencio flashs de acontecimentos e pessoas que percorrem a arena da vida desatinados correndo atrás de nem sei o quê.

Em minha lenta forma de viver, prefiro dar uma parada numa cafeteria e mergulhar numa xícara de café. Sou fiel a esse meu assumido vício. E claro, observar. Muito. Está certo. Assumo perante vocês que sou uma voyeur. Sofro de um prazer mórbido em desviar meus olhos e atenção à vidas alheias. Aprecio captar olhares, expressões, movimentos corporais que estimulam minha criatividade.

Amo a natureza. Flora e fauna trazem belezas indescritíveis. No entanto, nós humanos, trazemos conosco algo que nada na natureza contém. Essa capacidade de se expressar em gestos, ações, gritos, silêncios que nada se compara.

Apesar dos pesares, ainda aposto na natureza humana. Essa pedra embrutecida que carrega em seu interior, um diamante raro, de um brilho ímpar. Muitos, em poucas lapidadas se mostram em vida seu valor.

Outros, mais endurecidos, levam uma eternidade sendo moldado, raspado, amaciado e ao seu término, definha embaçado. Mesmo esses, que ninguém teve a capacidade de ver, trás em si, a beleza e valor encobertos por uma poluição da alma. Quem sabe, alguma mente mais elevada possa reconhecer seu valor.

Digo isso porque sentada na praça, após o almoço, admiro a movimentação, me deixo levar por esses pensamentos livres…

Olha só que graça a babá brincando com um bebê lindo, sorridente, em suas primeiras tentativas de andar…

Do outro lado, levemente encobertos por uma moita, um jovem casal em uniformes escolares, arriscam-se em carinhos mais ousados…

Mais adiante, outro jovem negocia drogas com um traficante. Achando que ninguém os vê…Ou, nem se importam que vejam. Tão comum.

O sol está ameno, convidativo a ficar. Mas, para quem é escravo do tempo, ele urge. Levanto-me de forma preguiçosa, refaço o caminho para a empresa.

Sempre de forma lenta afinal, para que a pressa? Tenho minha pequena dose de eternidade para brincar de ser gente. E brinco!

Hora do regresso: 12h53. Passo a catraca e transformo-me novamente na profissional séria e competente que todos conhecem.

Imagem: Google

Receituário de uma expectadora

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Convido a todos para conhecer meu livro de crônicas que lanço dia 19/11, próxima semana, pelo selo Scenarium Plural que produz numa série limitada, livros artesanais. Essa proposta é bem interessante pois o livro torna-se um objeto de colecionador, podemos assim dizer. É a segunda vez que sou convidada e participo dessa proposta. A primeira vez, participei com meus contos que se transformaram no livro Recortes de vidas, na série Exemplos. Dessa vez, participo com minhas crônicas que tanto gosto de escrever. Estou feliz demais e, quem estiver em São Paulo e puder e quiser me prestigiar, estaremos no seguinte endereço:

convite

Para quem não puder comparecer, mas desejar obter o livro, faça sua reserva pelo e-mail: scenariumplural@globo.com.

Livro: Receituário de uma expectadora

Autora: Roseli Pedroso

Valor para venda via pag seguro R$ 35,00

Dieta Paulistana

paulistanosAndo um pouco cansada do ser humano que teima em continuar patinando no mar de lama de sua própria ignorância. E quando digo ignorância, aponto a pobreza da alma e não da matéria. Sou de origem pobre. Minha infância e adolescência foi muito difícil e só não passamos fome porque sempre contamos com a caridade de almas bondosas. Toda essa minha introdução, é para apontar a postura de algumas pessoas que adoram apontar seus dedos em riste para aqueles que nem conhecem e julgam e condenam baseados em fatos (forjados ou não) bem rasos. Exemplo do que falo, é a atual situação político e econômica do país onde parece que a nação se dividiu. De um lado, os pseudo intelectuais esbravejando pensamentos esquerdistas pra lá de ultrapassados que não combinam com o momento atual. De outro, adoradores da direita que, embasados por uma filosofia emprestada e mal explicada, se posicionam contra os pobres, os desafortunados, os negros, homossexuais e mulheres esquecendo-se que fazem parte também desse grupo. Tenho lido nas redes sociais, muitos comentários maldosos e equivocados de pessoas de fora de São Paulo, expressando seu asco por o PSDB ter vencido e retirado o PT da prefeitura. Piadas infames ofendendo o povo que sua diariamente, trabalhando sem parar arrastando nas costas o crescimento da cidade, do estado, da nação.

Gente, só tenho a dizer que: o buraco é bem mais embaixo. Não abraço nem defendo nenhum partido, até mesmo porque, os políticos não respeitam a filosofia de seus partidos. Fazem o que querem.

Trabalhamos sem parar. Vivemos correndo para todos os lados. Somos considerados estressados, carrancudos, orgulhosos e sabe-se lá mais o que. Carregamos essa caricatura de “paulistanos” como se isso fosse uma mácula. Defendo o que sou, de onde venho e onde moro porque conheço a fundo nossos problemas. Para todos que não vivem aqui, não sabem um terço de nossa realidade e ainda acham graça em nosso perfil de povo, só tenho uma coisa a dizer: Acham que estamos na merda por tomarmos água de esgoto? Acham que detemos o rei na barriga e nos consideramos superiores ao resto do país? Se olharem para o próprio umbigo e suas realidades em cada Estado que vivem, verão que a situação não difere muito de São Paulo. Ou, por outro lado, alguns estão vivendo em situação calamitosa há décadas e reelegem os mesmos coronéis. Mas sempre a grama do vizinho salta aos nossos olhos não é mesmo? Mais fácil olhar e criticar o companheiro do lado do que observar os próprios defeitos e tentar superá-los. Nós paulistanos não temos a beleza natural das praias do Rio de Janeiro e de outras capitais do Nordeste. Temos como cenário, o asfalto, o concreto, o vidro e as chaminés de centenas de fábricas que empregam e dão o alimento às famílias. Fomos moldados para o trabalho seja em escritórios, fábricas, comércio, construção civil. Não temos quase tempo para o lazer, porque temos muito, mas muito mesmo a fazer.

Meu corpo, alquebrado aos cinquenta e três anos, não está tão exausto quanto minha alma que, diariamente, ouve e lê absurdos que só comprovam minha teoria de que nós – e nisso me incluo também pois não sou melhor que ninguém – ainda temos muito, mas muito a aprender. Só que para aprender a grande lição, teremos de comer literalmente muito capim até provarmos que já evoluímos um pouquinho. Brasil, pátria dos que pensam que são, dos que desejam ser, dos que acham-se superior aos demais…

São Paulo, terra da garoa que hoje, ressecada por tantas mãos que vieram de fora e sugaram suas riquezas, ainda assim, continua a abrir seus braços e abrigar todos que desejam encontrar aqui, um futuro melhor. Por favor, antes de pisar nesse solo, deixe de lado seus pensamentos preconceituosos e mal formados e entre desarmado. Aqui, encontrará além de oportunidades, solo fértil para amizades, amores e aconchego. Não julgue pela nossa cara sisuda. É pura preocupação em ofertar o melhor. Esse é nosso jeito.

P.S.: Desculpem o  texto longo mas, diante de tantas agressões gratuitas e desnecessárias afinal, se nós paulistanos tomamos suco de merda e fizemos tal “merda” ao eleger fulano ou sicrano, lembrem-se que é graças a esse poderoso adubo natural que carregamos o país inteiro nas costas. Mais uma vez digo: não sou nem me sinto melhor que ninguém apenas sigo trabalhando e não tenho tempo pra traçar comentários denegrindo sulistas, nordestinos e etc. Sou do povo. Sou paulistana. Sou brasileira. Ponto!

Haja merda pra tantos equívocos!

Imagem: Rafael Neddermeyer

Sornice

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Abro os olhos diariamente e observo. Nos últimos tempos, na medida do possível, mantenho minha boca cerrada. Precaução em tempos de censura mas também, pura preguiça. As pessoas andam nadando com fôlego de atleta olímpico na piscina da mediocridade e eu, preguiçosa que sou, não aprendi a nadar. Só boio.

O cansaço que sinto diante de tamanha realidade rasa causa náusea. Vomito.

Limpo os restos na manga de minha camisa de linho puro sintético comprado na lojinha do Ching Ling. Que mico!

Vomitar e usar essa porcaria made in Taiwan.

Imagem: Pixabay

Acordo doloroso

Uma sensação estranha se desenha aos poucos em meu interior. Minha mente busca – na vã tentativa de negação, pensar em coisas alegres. É lógico que fracasso.

À tarde tento fingir que trabalho, num esforço intenso de parecer concentrada. Descobri que sou excelente atriz! Ninguém percebe ou, por outro lado, todos agem da mesma forma que eu. Fingem na frustrada tentativa de sabotar a realidade.

Olhos caídos, andar pesado, dedos nervosos teclando em busca de notícias positivas.

É não deu. A vida vem e escarra em nossas caras que ela não é a tela do plin-plin. Não utiliza imagem HD, não se mascara muito menos te poupa se você for bom.

Por outro lado, a Morte, essa misteriosa dama que a todos assombra e fascina, também trabalha no mesmo esquema. Uma é o complemento da outra. Trabalham em parceria constante. E se respeitam quando finda o contrato de alguém.

Hoje, muitas pessoas tiveram seu contrato encerrado. Sinto por todos. Mas o término de contrato do Clown mexe com o emocional de todos.

O Clown é um personagem que habita o imaginário das pessoas. Figura constante na infância que se materializa na fase adulta resgatando a criança que um dia fomos.

Figura que trás no rosto, a alegria e a pureza do espírito, assombrada por um olhar melancólico que sabe que a vida não é só beleza.

A Morte resistiu bravamente. Aguentou paciente a espera da realização máxima do Clown para levá-lo consigo. Chegou inclusive a se emocionar – coisa rara de acontecer, com o talento do palhaço no picadeiro da vida.

Mas não teve jeito. Funcionária padrão do Senhor do Universo, ela não pestaneja diante das situações, muito menos das emoções que todo ser humano expressa. Calejada diante do sofrimento, criou uma couraça para se proteger caso contrário, não teria a competência que tem. Já traçou antecipadamente todos os passos para o desfecho do escolhido da vez.

Planejou com Mãe D’água, como seria o grand finale. O local era cenário perfeito para esse enredo. A Senhora das Águas garantiu que seria inesquecível. E foi.

Poucas vezes a Morte sentiu aperto no coronário ao carregar o dileto. Hoje, sentiu que também morria um pouco.