Esqueci na prateleira

No período em que trabalhei numa biblioteca escolar, ganhei muitos livros que hoje compõe meu acervo pessoal. Alguns, ainda não tive oportunidade de ler ou, esqueci por completo.

Para fazer a postagem de hoje, voltei os olhos para minhas prateleiras e passeei pelos livros que ali se encontram dormentes.

Já li grandes histórias ambientadas durante a guerra e que me marcaram. Autores como Johannes M. Simmel, Henri Coulanges, Markus Zusak são alguns entre tantos, que se aventuraram nessa temática e nos presentearam com belíssimos livros.

Escolhi Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr, da Intrínseca. Vencedor do Pulitzer de ficção e finalista do National Book Award de 2015, a temática me chamou a atenção.

Quando se pensa que não há mais possibilidades de se escrever sobre a Segunda Guerra Mundial, Anthony Doerr prova que sim, se pode escrever.

Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Deixei ele a vista para ler em breve. E você? Já leu esse livro?

Esse texto faz parte da Maratona Literária Interative-se de Maio e, estão comigo nessa corrida:

Ale Helga – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega

Que tipo de leitora eu sou?

Hoje iniciamos a maratona literária de maio, promovido pela Lunna Guedes, com o grupo #Interative-se, do Facebook.

E eis que me deparo com um pergunta ao mesmo tempo fácil e difícil de responder: Que tipo de leitora eu sou?

Sou do tipo que lê até bula de remédios do início ao fim. Sou aquela que não pode estar num transporte público e ver alguém com livro nas mãos. Fico em cólicas para saber qual título.

Quando tinha a liberdade de circular por toda parte, estava sempre com livro na mão ou, numa sacola especial para carregar livros.

Leio outdoors, panfletos distribuídos na calçada, leio inclusive, revistas velhas em exposição nas salas de espera, de consultórios médicos.

Na leitura de livros, leio de quase tudo também. Tenho prazer e curiosidade em ler autores de países distantes, conhecer a cultura. Através deles, me enriqueço.

Tenho prazer em mergulhar em nossa literatura brasileira, tão menosprezada pelos próprios brasileiros. Gosto demais de ler as escritoras nacionais. Antigas e atuais. Essas mulheres tiveram sempre tanto a dizer. E disseram. Com categoria, talento, sensibilidade.

A primeira escritora que li e gostei foi Raquel de Queiróz com seu livro O quinze. Depois, li A montanha partida de Odette de Barros Mott. Não parei mais.

Leio romances, contos, crônicas, poesia, biografia, diários…

Que tipo de leitora que sou? Voraz.

Esse texto faz parte da Maratona Literária Interative-se de Maio e, estão comigo nessa corrida:

Ale Helga – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana GouveiaObdulio Ortega

B.E.D.A. – Irmãs da natureza

Ao ler a crônica de Rubem Alves intitulada Em defesa das flores, passei a manhã de hoje com ela reverberando em minha mente. Linda crônica!

Lembrei dos jardins de minha infância em casa de vovó Maria – local onde nasci e cresci -, brinquei, inventei!

Habitat de margaridas, roseiras, marias-sem-vergonha, crisântemos, cravos, onze-horas. Rodeada por essas irmãs da natureza, passava os dias de minha pureza embeveçida por sua beleza ímpar.

Um dia tudo mudou. Ao chegar do trabalho, abrindo o portão, encontrei dois túmulos secos e áridos de cimento bruto.

Silenciosa, fiquei olhando sem entender para a morte violenta da natureza. Decretei luto por minhas irmãs.

A partir daquele dia, saía e entrava em casa desviando o olhar dos túmulos. Difuntos nunca enterrados, denunciando a violência sofrida sem chances de se defenderem.

Passei dias calada até – que não aguentando -, perguntei: Por que isso? Por que acabar com um jardim tão lindo?

A resposta veio seca e direta: Planta dá trabalho. Não temos mais tempo para isso.

Minha porção “adolescente revoltada” nunca se curou; aquela cicatriz permaneceu até a venda da casa que – após nossa saída -, veio abaixo dando lugar a um condomínio.

Segui a vida, desenvolvi alergia à flores retiradas de sua morada. Continuo amante da natureza; adoro roseiras e toda espécie de flor mas, peguei asco de arranjos florais. Não suporto o cheiro das rosas num buquêt.

No ano seguinte ao término da faculdade, meu TCC foi premiado como um dos melhores do ano. Como prêmio, recebi uma estatueta, um botom e um ramalhete lindo de flores. No ônibus, voltando para casa, antes de descer, perguntei ao cobrador se era casado ou namorava. Era casado. Sorri, deixei o ramalhete para ele ofertar à amada; desci aliviada por me desfazer daquele cheiro de morte.

Não suporto velórios. Não por conta do defunto mas, devido ao odor das flores. Elas sim, me lembram da finitude da vida e não, aquela carcaça no caixão.

Mas, se me deparo com um jardim florido, ah… De imediato meus olhos ganham brilho, sorrio de felicidade ao reencontrar minhas irmãzinhas vivas. Na nova morada, mamãe tem um jardim repleto de flores e outras plantas, recebe visitas matinais de beija-flores, sabiás, rolinhas e quem mais de asas aparecer por lá.

Saudades do jardim de mamãe!

Participam dessa blogagem coletiva:

Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega

Imagens: Arquivo pessoal

B.E.D.A. – Clausura

grilhões

impedem meu caminhar

rotina

me sufoca

mesmice laboral

ruína dos sonhos

planos esfacelados

de uma vida leve,

colorida

obrigações,

responsabilidades,

dívidas

transformam

ganhos em perdas

permaneço

nessa prisão

anseio sair

não sei

para onde ir

grito

por mudanças

não saio

do lugar

ralho

contra o sistema

contribuo

com passividade

falsa

sou

como todos

bulímica

mastigo

o dia a dia

não sinto

sabor

vomito

nada supre

a fome da alma

sigo

feito zumbi

nessa trilha

chamada vida

trago

dúvidas

vale a pena

prosseguir?

almejo

liberdade

só não sei

como ela é.

Participam dessa blogagem coletiva:

Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega

B.E.D.A. – Descrença

O doce da rapadura é amargo

Assim como o amor day after

Seco, árido, vazio

Vazio são os diálogos soltos no ciberespaço

Muitos bits, raros momentos de sabedoria

não de bar mas, da vida

Vida rasa, falsa, frágil, empobrecida

Pobre de mim que suporto tanta mediocridade

Na minha idade, não tenho mais paciência

E a ciência? Perdendo tempo em prologar

essa merda de vida…

Báh!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva “Blog Every Day April”. Participam também:

Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega

 

Falta assunto

Eu não quero escrever sobre o que acontece no mundo

Eu não quero escrever sobre o que acontece no Brasil

Eu não quero escrever sobre Coronavírus

Eu não quero escrever sobre pandemia

Eu não quero escrever sobre o B…

Eca, não quero mesmo

Eu não quero falar de BBB

Eu não quero escrever sobre a fome

Eu não quero escrever sobre o desemprego

Eu não quero escrever sobre lockdown

Eu não quero escrever sobre os porra que não respeitam

essa porra de lockdown

Eu não quero escrever sobre os trezentos mil e tarará mortos

Acho que não tenho sobre o que escrever

Gente, hoje não tem texto

Nem tudo perdido

O beija-flor sobrevoa a cidade apinhada de humanos circulando apressados.

Plaina sobre a praça. Feliz, percebe que ainda há vegetação e flores em meio a tanto concreto e sujeira.

Sorve o pólen de um ipê amarelo. Um de seus preferidos! Mais a frente, num outro canteiro quebrado, restos de comida, cigarros e preservativos usados, um pé de azaleia florido dá seu testemunho de vida. Voa alegre diante da descoberta. Que felicidade!

A presença de moradores de rua discutindo por um pedaço de cobertor puído, espanta nosso amiguinho que parte em busca de novos horizontes.

No alto de um edifício que já conheceu dias melhores, pousa e troca confidências com uma rolinha.

Há novidades no ar.

Imagem licenciada: Shutterstock