Nem tudo perdido

O beija-flor sobrevoa a cidade apinhada de humanos circulando apressados.

Plaina sobre a praça. Feliz, percebe que ainda há vegetação e flores em meio a tanto concreto e sujeira.

Sorve o pólen de um ipê amarelo. Um de seus preferidos! Mais a frente, num outro canteiro quebrado, restos de comida, cigarros e preservativos usados, um pé de azaleia florido dá seu testemunho de vida. Voa alegre diante da descoberta. Que felicidade!

A presença de moradores de rua discutindo por um pedaço de cobertor puído, espanta nosso amiguinho que parte em busca de novos horizontes.

No alto de um edifício que já conheceu dias melhores, pousa e troca confidências com uma rolinha.

Há novidades no ar.

Imagem licenciada: Shutterstock

Marulho

Navegar é preciso

viver não é preciso, dizia Pessoa

O que ele não soube, é o quanto amei navegar em seu mar

Corpo rígido a me levar em ondas intensas

A derramar em meu porto, seu prazer

Levando-me a esquecer a náusea de viver

em terra firme

Desafio 4 – Escrita, leitura e sensações

Olhando para os livros artesanais, dispostos em minha prateleira, difícil foi escolher um entre tantos, sem cometer uma injustiça com os demais. Após muito analisar, optei por um dos mais recentes lançamentos. Sua capa me transmite paz. Sua cor lilás, me transmite essa sensação. Seu título também me conquistou. Poético!

Mas não se engane! Não se trata de literatura açucarada, muito menos poemas “batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”. Não mesmo. Sua autora, dona de uma escrita por vezes lírica, noutras ácida, nos convida para uma conversa mansa em sua varanda.

Inicia nos convidando para adentrar e conhecer sua loucura. Loucura essa, que você de imediato se reconhece nela, daí a identificação total com sua proposta e assim, você mergulha sem calcular os estragos que possam advir dessa leitura. Você simplesmente lê, vivencia, ri em alguns momentos e se comove em muitos outros. No final, despede-se na mesma varanda, lembrando que o tempo passou e você nem percebeu. Sente os gatos roçando suas canelas num carinho peludo que somente eles sabem fazer. Ronronam comunicando que sempre que quiser, pode bater palmas que sua dona atenderá com prazer e te levará novamente a uma experiência única através de sua linha de pensamentos e sentimentos tão humanos e verdadeiros.

Antes de virar a esquina para seu mundo, volta-se para um último aceno e registra nas retinas da alma, a varanda que te abrigou do tempo.

Aden Leonardo escreve lindamente seu diário das 4 Estações iniciado em abril e terminando em agosto. Varanda para abrigar o tempo é – sem dúvida -, um livro para ler, reler, abrir aleatoriamente e mergulhar novamente num texto rápido, profundo, atemporal. Sua autora é detentora de uma delicadeza e ao mesmo tempo, uma mestre em cortar “záz”, linhas de pensamentos que vibram no espaço remetendo o leitor a profundas reflexões sobre o que é viver. Recomendo sua leitura!

"Virei uma coleção muito antiga de
carrinho Matchbox. Se organizar bem,
pareço ferro velho de adulto. Daqueles
autorizados pela polícia e com alvará de
funcionamento...Guardando resto de
acidentes e infrações. Dos meninos."

Passei os olhos em meu livro lançado em novembro e folheei. Gosto muito de passear os olhos por suas páginas. Sentimento de mãe apreciando a cria. Mesmo que esse não seja perfeito, bonito como das outras mães. É nosso. Fruto de dedicação e criação. Amo imensamente. As personagens, cada uma com sua personalidade, suas histórias de vida. Imprimi e fixei-as para todo o sempre.

Quando decidi publicar por um selo de livros artesanais, o que me conquistou foi justamente a beleza estética, a costura japonesa. Cada ponto dado e o arremate feito, vem carregado de amor por quem o produz. A escolha do papel, todos de ótima qualidade, a diagramação, escolha da fonte. Cada passo de sua confecção nos remete a sensações que um livro comercial nem sempre alcança. Nada contra eles – os comerciais – mas publicar um livro nesse formato artesanal, torna nosso trabalho com a escrita uma obra de arte para ser lida e apreciada.

Para adquirir o exemplar de qualquer um desses livros, clique aqui

Desafio 3 – Minhas leituras e leituras dos meus

Meus olhos passeiam por tantas palavras, frases e histórias de outros escritores. Muitos, ao término, chego a ficar sem fôlego. Histórias que nos pegam pelas vísceras e retorcem deixando-nos sem ar. Foi o caso da leitura que fiz do livro Apneia, de Bel Aquino, lançado em 2018. Que livro! Se ainda não leu, não perca tempo e corre para comprar seu exemplar. Numa linguagem crua, as vezes ácida, Bel Aquino se desnuda e mergulha num ralo nos levando por situações e sentimentos que muitas vezes queremos esconder bem fundo pois ninguém aguenta olhar-se no espelho da alma e ver o que contém. Bom demais!!

Não canso de ler meus escritos e sempre que faço nova leitura, descubro novas camadas de interpretação. Você também é assim?

Agora, coisa boa é quando um leitor expressa seu ponto de vista sobre a leitura de um livro nosso. Sensação de que cumprimos com nosso objetivo ao escrever e imprimir nossa alma e os leitores se identificarem conosco. Simbiose perfeita!

"o livro Receituário de uma expectadora, da autora Roseli Pedroso. 
 Trata-se de um delicioso livro de crônicas em que a autora consegue olhar ao mesmo tempo para dentro e para fora de si, expressando o mundo que nos cerca com muito bom humor e algumas matizes de melancolia. Roseli escreve com um ritmo fluido, encarrilhando as palavras uma na outra sem deixar vazios indesejáveis e sem atropelar as ideias. 
 Se alguém me perguntasse eu diria que é impossível escolher apenas uma das crônicas - Todas são de uma qualidade literária incrível. " - @poetisa_darlene

Desafio de Fevereiro – Decifre a equação

Mês de fevereiro iniciando com a aceitação de um desafio lançado por nossa editora Lunna Guedes, da Scenarium Livros Artesanais.

Posso discorrer sobre o cenário externo, descrevendo paisagens naturais ou urbanas ou, mergulhar fundo nas crateras internas das emoções, sentimentos que todos carregam durante suas vidas. Garanto que se mostram paisagens únicas onde fazemos surgir cavernas, labirintos, mares profundos onde muitas vezes, não temos coragem de entrar e permanecer. Criamos cenários áridos, estáticos, sem uma brisa para acalentar tamanha falta de algo que torne nossa existência menos amarga. As personagens dessa obra são exemplos desses cenários íntimos, por vezes, perturbadores. Contudo, suas histórias não contam apenas situações tingidas por melancolia e tristezas afinal, a vida não é somente isso. Somos uma somatória de movimentos onde a cada instante, estamos numa casa. Ora dominamos, ora somos dominados e por fim, a vida nos dá um xeque-mate.

Esses trechos fazem parte do meu livro Equação Infinda, livro artesanal lançado pela Scenarium Livros Artesanais

 

Imagem: Pinterest

Imagem: Pinterest

Imagem: Pinterest

 

Mulher decidida é assim

Faço mea culpa: sou um ser que procrastina. Não tenho vergonha alguma dessa minha falha humana. Tenho consciência dela presente em meu dia a dia e, se muitas vezes ela me incomodou, hoje me faz companhia.

Atividades chatas, cansativas, encontros desagradáveis, rotinas estressantes me fazem apertar o botão da procrastinação: Click!

Ida aos bancos. Tem coisa mais chata e estressante que isso? É obvio que tem. Muitas, aliás. Contudo, essa é uma das coisas que mais procrastino fazer. Tanto que passei a fazer meus pagamentos e outras ações bancárias através do aplicativo do banco. Oh maravilha das maravilhas. Santa tecnologia. Amo muito tudo isso!

Mas, como alegria de pobre dura pouco, tem situações que exigem nossa presença nesses ambientes chatos. A começar pela travessia das portas giratórias. Odeio! Odeio! Odeio! As malditas sempre me brecam deixando-me exposta como se fosse uma terrorista Al-Qaeda. Todos os olhos se deslocam para mim.

Hoje, acordei e decretei meu dia D-ida ao banco resolver uns perrengues de vez.

Acordei mais cedo, tomei meu café displicentemente assistindo o Bom Dia SP e já iniciando meu dia com indigesta tapioca Coronavírus acompanhado de biscoitinhos de queda de árvores pela cidade e problemas na Linha Diamante. Desjejum bem leve. Coisa pouca.

Decidida a ir bem cedo para me ver livre dessa tarefa tediosa, me dirigi a cozinha para lavar a louça suja, deixar o balcão lustroso, aguar minhas plantinhas no beiral da janela, mirar a cidade repleta de edifícios, observar o que os vizinhos do prédio em frente fazem em seu cotidiano, ver o gordo do apartamento esquerdo que come e assisti TV pelado, sentado na cama… Percebe que estou procrastinando?

-Foca Roseli!

Decidida, saio da cozinha e vou arrumar a cama afinal, detesto cama desarrumada. Estico o lençol, dobro a coberta, entendo a colcha, arrumo os dois travesseiros e as almofadas de forma equilibrada afinal, adoro cenários de Casa Claudia.

-Foca Roseli!

Toda vez que tomo café puro após o desjejum da manhã, é batata: dá vontade de eliminar o 2. Hoje não seria diferente. Não entrarei em detalhes queridos leitores. Contudo, me perdi nas leituras no banheiro. Tenho por hábito, disponibilizar revistas de decoração para os momentos que requer maior tempo por lá. Ajuda.

-Foca Roseli!

Me arrumo e saio. Ao invés de ir direto para a agência que fica na Rua Augusta, desvio meu trajeto e vou para a agência da República. Lá, pergunto para a jovem recepcionista se posso fazer o que tenho de fazer por lá mesmo. É claro que já sabia a resposta. Sorrio através da máscara, agradeço sua gentileza e saio. Decido pegar um ônibus pois já está calor.

Entro, pergunto ao recepcionista sobre o que preciso fazer e ele me passa a senha. Meus cabelos cinzas me colocam como “preferencial”. Quis contestar porém, o jovem já entabulava uma conversa pelo celular.

Milagre dos milagres: passei pela porta sem ser bloqueada assim, de primeira! Uh!Úh!!!! Acho que hoje é meu dia.

Enquanto aguardava, notei que chamavam uma senha e ninguém respondia. Observei várias pessoas procurando o dono da tal senha solicitada e, nada. O próximo número foi chamado. Alguns minutos depois, uma mulher começa a dar escândalo gritando que haviam passado na sua frente.

Meu lado “Saraiva” falou mais alto e não contive um comentário em voz alta que fez várias pessoas caírem na risada. Pessoas que começam a navegar em seus smartphones e se desligam da realidade. Isso me irrita!!!

Em poucos minutos fui chamada e consegui resolver tudo a contento. Saí feliz da vida. Missão cumprida e nem foi assim tão sofrido. Já na calçada, permaneço na indecisão: subo até a avenida Paulista e dou um giro ou termino de descer à pé e retorno para o conforto e segurança de meu lar?

Santa indecisão Batman!

Mantendo o ritmo: vivendo

Saí para caminhar. Não foi uma caminhada qualquer. Havia um objetivo a alcançar. Contudo, recebendo o sol a banhar todo meu corpo frangido pelo isolamento social, expandi. Sorri, pisquei várias vezes, até arrisquei alguns passos de dança. Por alguns minutos, acreditei que a vida havia voltado ao antigo normal. A liberdade de ir e vir, mostrar o rosto sem o incômodo das máscaras, poder falar cuspindo – no máximo achariam falta de educação de minha parte -, poder tocar as pessoas sem se mostrar uma tuberculosa.

A avenida Paulista silenciosa. Poucos carros circulando pelas duas vias. Pessoas tranquilas passeando pelas calçadas, um clown se apresentando no semáforo fechado.

O céu parecia uma pintura com nuvens estáticas. O tempo mantendo um outro ritmo. Talvez seja por estar num outro momento onde não mais sou escrava do relógio. Subo no ônibus que me levará de volta para casa feliz em saber que apesar de tudo, de todos, do vírus e dos bossais, a vida continua bela!

Iniciando uma nova história

Ano de 2021 começou para mim de forma inédita: iniciei ele desempregada ou, como gosto de dizer: disponível para o mercado.

Foram mais de trinta anos trabalhando ininterruptamente. O ano de 2020, com toda a sua bizarrice, serviu de parada obrigatória onde aproveitei o tempo livre para botar na balança tudo o que vivenciei esses anos todos. Reconheço e sou grata por todas as minhas conquistas que não foram presentes do universo mas, preciosidades que lutei e trabalhei muito para conseguir. Analisei também meus fracassos, minhas falhas, minhas perdas. É importante encarar a tudo.

Aos poucos, fui me conscientizando de que – apesar de todo amor e gratidão que nutria pelo ambiente de trabalho e da equipe que se tornou minha segunda família -, era hora de zarpar e partir para singrar outros mares.

Vou confessar: talvez tenha sido a decisão mais difícil que tomei em toda minha vida. Já havia sentido isso antes: não pertencimento. Por mais que me esforçasse, não me sentia mais parte daquele contexto. Talvez porque minha alma já havia partido em busca de novos espaços, conquistas, desafios.

Nunca me casei mas, senti como se estivesse em um casamento de longa data, com filhos criados, casa bonita, carro do ano, férias anuais em interessantes lugares, companheiro parceiro, comprometido com você e leal, que te proporciona conforto, uma gorda mesada mensal e reconhecimento. No entanto, por mais que o meu carinho, reconhecimento e lealdade falasse alto, um desconforto já estava instalado em meu interior.

Deu-se o conflito!

O que fazer? Por que sinto isso? Será passageiro? Sou ingrata? Estarei em crise? Será que todos passam por isso?

Foram tantos questionamentos levantados que quase perdi a razão. A maioria das pessoas não compreenderam minha crise e meu desejo de sair, botar um ponto final em uma história tão bonita.

Talvez a minha veia de escritora tenha falado mais alto e como aprendi, toda história precisa de um começo, um meio e um fim. Minha história estava como costumam dizer “criando barriga” com “excesso de gordura”.

Por mais que gostasse dos personagens, era preciso encerrar para iniciar uma nova história. Coloquei um The End e encerrei a história que comecei a escrever em meados de 1995.

Cronometragem zerada. Comecei o ano vivenciando cada momento, cada segundo do meu dia que agora conta com muitas horas à minha disposição para aproveitá-las como bem quiser. Por enquanto, não desejo procurar nada. Quero me dar de presente, momentos de puro ócio – que como já bem intitulou o filósofo italiano Domenico De Masi -, ócio criativo. Estou aproveitando esses dias do primeiro mês de 2021, lendo bastante, assistindo filmes e séries, desenvolvendo projetos literários para futuras publicações pois desejo me entregar mais e mais a esse outro ofício: escrever.

E por falar em escrever, você que me lê, já encomendou seu exemplar do Equação Infinda? Ah… Não creio que ainda não tem em mãos! Corre que ainda dá tempo.

Aproveitei o dia de hoje, sábado, para dar uma senhora faxina e organizada no apartamento. Essa é outra atividade que muito me agrada pois uno o fato de limpar e jogar fora o que não mais me serve, com minhas emoções analisadas e desnecessárias que também jogo na lata do lixo. Mas sobre isso, falarei novamente em um outro texto.

É muito bom recomeçar!

Muito prazê, Carminha!

Elas ainda permanecem comigo. Foram meses de convivência diária. Hoje, ganharam vida própria e pouco a pouco, entrando em outros lares e convivendo com outras pessoas. Sinto-me orgulhosa em tê-las gerado.

Apresento Carminha: filha de imigrantes italianos, viveu no bairro da Mooca em São Paulo, até conhecer e se casar com Gustavo. A convivência com seus pais e vizinhos de origem italiana, gerou uma forma peculiar de se expressar que muitas vezes parece errado aos nossos ouvidos contudo, foi comum entre a mistura da população italiana e brasileira. O que conhecemos hoje como um dialeto Mooquês.

09 de agosto de 1932


CASEI!

Tudo aconteceu tão rápido que mesmo deitada ao lado de Gustavo, que dorme profundamente e até ronca de forma suave, ainda parece um sonho.

Papà exigiu tomada de atitude para que sua figlia não ficasse mal falada.

Estava num misto de ansiedade, felicidade e medo.

Medo do que seria essa tal “Lua de Mel” que as mulher casada falavam e davam risadas entre si.

A cerimônia e festa foi bem bonita ma noi due nem aproveitamo como os convidado. São tantas as etiqueta e convenção que devemo segui que fomo os que meno se divertiram.

Ao chegá ao hotel, Gustavo estava sério e calado. Pensei: Coitado, deve está cansado que nem eu.

Não via a hora de entra, tira a roupa, chutá longe os salto alto que estavam mutilano meus pobre pé, tomar um banho quentinho e desabá na cama para dormir.

Gustavo quis tomar banho primeiro porque disse que mulher demora demais no banho.

Concordei afinal, ia aproveitá para abri as mala e já organizá as roupa no armário.

De banho tomado e de camisola, baixo em mim uma vergonha absurda. Nunca havia dormido ao lado de um homem!

Gustavo estava elegante em seu pijama e roupão. Estava próximo a janela fumano e com um copo de whisky na mão.

Observano minha timidez , aproximo de mim e disse para eu tomá um gole do destilado. Relaxaria um pouco.

Falei que não bebia mas ele repetiu a frase, agora com um tom autoritário. Não tive como negá.

Minha única condição foi que tudo fosse feito na escuridão do quarto. Uma intimidade nesse nível para mim era muito esquisito. Talvez com o tempo eu acostume mas, como primeira experiência, foi muito traumático. Ele precisa sê mais paciente e delicado comigo.

Enquanto ele fazia tudo aquilo, de olhos fechado, lembrava o passo a passo do guia para mulher casada que mamma me deu. Temo de satisfazê o marido, sê delicada, prestativa e acima de tudo, calada.

Vida de casada para mulher não é nada fácil. Bem diferente dos conto de fada.

Esse texto faz parte do livro Equação infinda que faz parte do Projeto 4 Estações, lançado pela Scenarium Livros artesanais

Imagem: Lunna Guedes (Pelo menos enquanto eu não tenho meu livros em mãos. Ah, essa pandemia!)

Nunca fui exata

Sempre fui péssima aluna nas matérias exatas. Nunca foram meu forte. Então porque fui me envolver com uma equação, pior: Equação infinda?

Quais motivos me levaram a isso? Se quiser saber a resposta, compareça ao lançamento do meu livro. Não estarei sozinha. Estarei ao lado de Aden Leonardo, Lunna Guedes e Mariana Gouveia

Lançamento: 28/11/2020,

Local: Facebook pela página da Scenarium (ao vivo)

Horário:  17h (horário de Brasília).