Queria ver se chegava por extenso, ao contrário

(Helder)

Diminui diante de tamanha força e beleza. Não tive reação, não consegui expressar palavra.

Paralisei envolta pela brisa perfumada que se formou, assim que volitou em minha direção.

Seu perfume fixou na epiderme cansada de quem já não esperava nada da vida.

Um único encontro. Mais certo dizer um único cruzar de caminhos e, bastou.

Foi o suficiente para mudar a rota de uma existência errônea.

Segui, não olhando para trás. Jamais pensei em voltar e te procurar, tentar contato, te conhecer.

Preferi o colorido da fantasia que te torna perfeito, sem falhas, justo. Um deus!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Blogvember. Participam comigo:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega – Suzana Martins

Imagem gratuita: Pexels

Aprendi com as palavras o que eu não consegui com as asas: voar!

(Suzana Martins – (In) Versus)

A antiga sabedoria popular afirma que ninguém nasce pronto. É fato. Sou exemplo de que isso é a mais pura verdade. Nasci com todos os defeitos que um ser humano pode carregar em sua bagagem temporária. No decorrer da vida, no escoar das décadas, aprimorei quase todos eles. Só não me avisaram que era para limá-los e não acentuá-los. Desculpem-me. Em minha defesa digo que a falha não foi minha, mas sim, de quem me (des)orientou.

Rolando feito pedra solta do penhasco, o atrito me moldou, ganhei formas arredondadas, tornei-me macia como bumbum de bebê. Aprendi aos poucos a falar e, em seguida, as letras que brincavam no ar, me desafiando a decifrá-las. Símbolos desconhecidos que muito me fizeram sofrer por não os compreender. Burra não sou. Marrenta, dediquei uma existência para assimilar e nunca mais esquecer. Aprendi! Vivia pelos cantos dizendo em voz alta que era “alfabetizada”. Tornou-se meu mantra.

A realidade impunha desafios. Resiliente, me jogava de cabeça em cursos e especializações. Muitas leituras técnicas.

Frustrada, não conseguia entender a prisão que me mantinha imobilizada. Depois de muita resistência, fui em busca de apoio profissional. A terapia descortinou um mundo desconhecido até então. O despertar para mim mesma, fazer as pazes com meu interior, meu passado, meus antepassados. Todas essas descobertas desembocaram na técnica da escrita. Fui apresentada à escrita matinal. Esse foi o primeiro passo para a liberdade total. As primeiras escritas saíram rígidas, tímidas, pequenas.

Mais confiante, desfiava meu cotidiano, minhas rotinas, meus sonhos e anseios. Registrava meus medos, agora, sem medo. Fiquei sem vergonha. Facinha, facinha.

As palavras, sábias que são, tiveram a paciência de esperar meu amadurecimento natural. Jamais me forçaram nada. Hoje, somos parceiras e unidas, percorremos histórias, situações, escolhemos roteiro de viagem. Como um par de dançarinos afinados, um espera o outro para dar a passada correta, em sintonia. Se estou com a mente cansada, as palavras aguardam em silêncio. Não me pressionam. Caso eu me depare com ideias para uma boa história, de imediato elas saem da caixa da criatividade pulando como pipoca na panela quente. Soltam risos agudos de criança feliz e vêm ao meu encontro. Brincamos, voamos alto em nossas aspirações literárias e o resultado, cada vez mais satisfatório.

Hoje brinquei bastante, a mente limitada grita que está na hora de parar e descansar. Elas compreendem e, despedindo-se, somem no ar, aguardando o amanhecer, para que desperte renovada e as convide para novas incursões. Hora de apagar a luz e dormir.

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Dedo de prosa com d. Maria

Vó, hoje pensei em você em vários momentos do dia. Começou quando cheguei a casa de mamãe e, ao abraçá-la, te senti em meu abraço. Me perdi por uns segundos. Enquanto preparávamos o almoço, as duas de barriga colada ao calor do fogão, trocamos olhares cumplices iguais aos que trocávamos em seu fogão. Você, mulher madura, eterna criança. Eu, criança sonhadora que aspirava ser como você, ao crescer. No silêncio do cozimento da polenta ou no tiritar das suculentas mandiocas no óleo quente, observava a alquimia acontecendo. Ficava deslumbrada ao observar o apreciado tubérculo, dourando diante dos meus olhos. Abria um sorriso — manifestação genuína de pura alegria — cerrava os olhos me deixando envolver pelo perfume que emanava e envolvia toda a cozinha. Você, não se contendo diante de minha reação, caía no riso balançando a barriga flácida e quentinha, amparada pelo eterno avental florido.

Vó, como gostava de me deixar envolver pelo calor do seu amor. Sua imagem cabocla, seus longos cabelos presos num coque baixo, o brilho de seu olhar sempre atento, sua bondade infinita e até mesmo, seus instantes de raiva em explosão de palavrões, faz uma falta danada. Sua simplicidade nunca foi sinônimo de ignorância, mesmo analfabeta.

Sabe vó, a cada dia que passa, sua filha está mais parecida com você. No físico, na filosofia de vida, na alma. Mamãe é uma versão sua a me acompanhar pela vida adulta. Hoje, somos duas amigas e companheiras de vida. Ultrapassamos e superamos a difícil relação mãe/filha.

Me pergunto se daqui uns anos, serei réplica de vocês duas, dando continuidade a essa tradição de mulheres fortes, construção diária de uma biblioteca de sentimentos, emoções e doação.

Herdei de vocês o amor incondicional, o respeito à natureza, o prazer em preparar alimentos transformando esse momento em ritual alquímico e a alegria em dividir atenção, trocar experiências e alcançar no interior das pessoas, o tesouro que nem elas sabem possuir.

Não deixo herdeiros consanguíneos, mas, sei que espalho a semente que ao desabrochar, manterá a lembrança da tia Roseli, a senhorinha de cabelos brancos, sorriso largo e um abraço caloroso. Acho que vou deixar uma bela história para se contar…

Vó, agora a pouco lembrei do sonho que tive com você, dias depois que partiu. Caminhávamos juntas e ao chegar ao término da estrada, você olhava, sorria e dizia carinhosamente para mim:

Você me acompanha até aqui. Fique bem, saiba que sempre estarei ao seu lado, mesmo que não me veja. Agora volte, sua caminhada mal começou.

Voltei e tenho sua imagem como um símbolo de todas as mulheres que passaram por minha vida . Agradeço por seu exemplo, sabedoria, transparência e força.

Vó, por que será que lembrei tanto de você hoje?

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Ilustração: Minha autoria

Entalhadas nas nervuras do corpo ser — semente — flor

(Nirlei Maria Oliveira, As estações)

Sou povoada por

— palavras

Percorrem a corrente sanguínea, inundam meu

— cérebro

Passeiam pelas retinas,

Se metamorfoseiam em

— saliva

Alimentam minha boca,

Aberta, inundam meu

— exterior

Sou pá, cavouco,

Sou lavra, trabalho, entalho

— Ideias

Nas dobras, se aquecem, aguardam

a hora certa de 

germinar.

 

 

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E mil orações aos céus para a vida apagar de uma vez

(Flávia Côrtes – As Estações)

Tenho por hábito orar. Sempre agradeço. Dificilmente peço por algo, a não ser, força e discernimento para enfrentar os desafios da vida. Houve momentos em que elevei meu pensamento rogando por alguém. Solicitei clemência para aqueles que agonizavam e nada mais se poderia fazer a não ser, orar. Confio no poder das palavras e reverencio quem sabe usar com sabedoria e responsabilidade. A palavra proferida ou escrita pode elevar ou dizimar uma pessoa.

Observo que nos últimos anos, a humanidade retrocedeu em sua evolução, se é que houve uma. A mesquinhez, o egoísmo, o orgulho, a vilania. São primas de primeiro grau e costumam agir em conjunto. Elas sabem que a união faz a força e que unidas, vencem.

Por isso, minhas orações têm sido para apagar de vez a vida delas. Nunca desejei o mal a ninguém, mas, a essa família de perversos e desalmados, que mancham a alma humana, rogo aos céus que se dissolvam no ar.

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As memórias ficam suspensas dentro de mim

(Mariana Gouveia – As estações)

Sentada na penumbra do quarto, se entrega a um choro sem rédeas. Deixa fluir toda dor que por tanto tempo represou. Se fazer de forte para ganhar likes nas redes sociais não foi a melhor escolha para curar suas dores: a física e a emocional. A ira que se apoderou dela ao ser descartada feito um saco de batatas apodrecidas, lhe cegou. Sair insana dirigindo pela rodovia molhada. A chuva torrencial desabou, assim que ele fez as malas e partiu. Foi a coroação da sua dor.

Meses depois do acidente, está aprendendo a conviver com as sequelas que a acompanhará para sempre, segundo os médicos. Por mais que tente não pensar, turbilhões de questionamentos invadem sua mente: Por que não enxerguei seu afastamento? Por que ele deixou chegar a esse ponto? Por que ele foi tão agressivo chamando-me de balofa carentona? Por que foi cruel, se foi exatamente assim, que me conheceu? Por que disse ter vergonha de sair em público ao meu lado? Por que fui tão cega? Por quê, Por quê, por queee…

Mesmo após ter queimado o baú de fotos e todos os presentes que ganhou dele, os momentos que foram felizes ainda se mantém vivos. Fantasmas a lhe atormentar a alma. Gostaria de ter batido a cabeça e perdido a memória. Sofreria bem menos. Agora, as horas escoam lentamente. Nem amigos restaram. Ninguém gosta de tristeza, nem de doença, muito menos de aleijados. E ela, agora, é a somatória de tudo isso.

Uma sonolência a envolve. É a medicação fazendo efeito. Chama o enfermeiro de plantão e pede que a coloque na cama. Após tanta fisioterapia, ainda não adquiriu firmeza para se transferir da cadeira de rodas para a cama sozinha. Agradece o profissionalismo e o carinho discreto do enfermeiro. Sorri de olhos fechados, ao lembrar que pediu para ele ficar atento para quando sair alguma droga nova que alivie a dor física e apague as memórias que ainda insistem em viver de forma líquida dentro dela.

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Nenhuma das chaves que possuía podia decifrar os segredos dos [invisíveis] cadeados

(Flávia Côrtes – As estações)

Nasci com o dom da intuição desenvolvida. Costumo antever alguns episódios antes que aconteçam, previ algumas partidas, conversei com entidades que se apresentaram à mim, conversei num dialeto africano, sem nunca saber uma única palavra. Atravessei caminhos de brasa acesa, viajei para Paris sem gastar um centavo e nem ficar sentada por horas dentro de um avião. Percorri ruas, senti cheiros, ouvi conversas nas mesas dos bistrôs. Em sonhos, encontrei soluções para problemas reais, fui aconselhada por meu anjo guardião inúmeras vezes.

Trago comigo as chaves de tantos cadeados invisíveis e jamais, desde que você partiu, consegui contato. Nem sequer uma palavra em sonho, um sopro em meus ouvidos, uma única brisa a entrar em meu recinto, anunciando que você se encontrava ao meu lado.

Será que tomou ao pé da letra as últimas palavras de seu avó, que em sonho lhe pedia para desatar os nós?

Tentei te ver nas águas que se movem, nas nuvens que se formam e passeiam alegremente pelo céu. Te procurei nos búzios, na borra de café. Consegui ver de um tudo, só não vi você.

Sim, eu sei que preciso te deixar partir de vez mas, onde foi mesmo que guardei seu cadeado para te libertar? Sofro amnésias seletivas. Contra a razão, optei por te manter preso a mim, mesmo que seja nas lembranças.

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A carta foi escrita com os espinhos que ninguém plantou

(Mariana Gouveia – As estações)

Janelas cerradas transforma o ambiente do escritório em uma câmara abafada. Somente a luz fraca de uma luminária sobre o papel de carta decorado, ainda em branco. Mãos nervosas se mexem, limpando um pó inexistente do tampo da mesa. Inquieta, se levanta, ajeita o excesso de tecido que forma a saia de seu vestido. Percorre a sala olhando para todos aqueles volumes de livros que compõe o ambiente mais querido de sua casa. Sua cela de luxo, refúgio das frustrações, das frases não ditas, dos olhares não mais trocados, dos silêncios gritantes.

Volta a sentar, se apruma mantendo a postura ereta . Com delicadeza que lhe é peculiar, pega a caneta tinteiro e tenta iniciar o texto tanto tempo ensaiado. Para no meio do caminho e uma dor fina se espalha por seu peito preso. Arfa por liberdade. Cada célula de seu corpo clama por ela. Não nasceu para ser dama da sociedade, representar o tempo inteiro uma falsa felicidade, imagem e reflexo da hipocrisia que todos vivem. Ela deseja mais que aquilo. A rotina doméstica, a solidão de uma dona de casa não lhe cabe.

Abaixa o olhar e percebe que a caneta vasou tinta por sobre o papel formando uma poça escura. Perfeita abertura representando o desconhecido. Sorri diante da ideia recém-nascida. Abandona a caneta e a sala. Horas depois, retorna. Cabelos soltos, calça comprida de seu marido, camisa solta que realça os seios libertos. Nós pés, um par de botas. Nas mãos, duas maletas pequenas que são temporariamente repousadas no chão enquanto rabisca apressada, no mesmo papel manchado a frase:

Prezados, cansei! Favor não me procurar pois não mais encontrarão quem um dia fui..

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Carta de amor para meus mortos

Olá divinos,

Entrei em minha página do Skoob. Há tanto tempo esquecida, acessei para atualizar minhas leituras. Contabilizando o tanto que já li, parei os olhos e a alma na capa do livro Cartas de amor aos mortos. Em segundos, todos vocês surgiram em minha tela mental. Depois de recuperar a respiração, dominei as emoções e até consegui sorrir dando as boas vindas a vocês, que tanto me fizeram feliz. Não cito nomes pois todos sabem que fizeram parte da minha constelação: familiar, cultural, círculo de amizades.

Espiritualista que sou, sempre que posso foco a figura daquele que desejo conectar e entabulo conversa desejando saber quais as últimas novidades do lado de lá. Nunca recebi respostas… Por que será? Enjoaram de mim? Me acham grudenta? Carente?

Amores, sou tudo isso e muito mais. Hoje estou aqui numa missão séria. Escrevo na intenção de que chegue até vocês minha gratidão e reconhecimento por tudo que plantaram nesse coração miúdo e imaturo mesmo já estando madura. Entre todos vocês, não existe preferencial. Em meu baú dos amores perdidos, vocês são medalhas de ouro que ganhei na dura competição do bem viver e faço questão de exibir no peito para quem quiser e tiver olhos para ver. Já comentei que adoro despertar inveja alheia? Pois é. Ah, certo, tem razão. Isso é muito errado de minha parte mas, vamos combinar: quem não sentiria orgulho em ter aqui, centralizados no dorso, o brilho de vocês?

Ei você aí, com esse bigodão a se mexer. É feio cochichar – tanto aqui no plano terreno – quanto aí. Pode se aprumar e ajeitar suas asinhas. Estão fofocando sobre mim, eu sei. Quer saber? Nem ligo.

Assim como a menina Laurel, do livro citado, vou escrever cartas para cada um, de tempos em tempos. É prazeroso pensar que elas chegarão a cada um e, talvez um dia, receba pelo menos uma cartinha ou cartão natalino desejando uma feliz passagem…De ano, afinal, ainda sou uma criança diante da eternidade e nem penso em passar dessa para… Ah, vocês melhor do que eu, sabem a que me refiro. Uma vez que me garantem que temos a eternidade a nossa disposição, não tenho pressa alguma em mudar de estado. Aqui meus amores, mesmo estando ruim, é bom demais!!!

Antes que me estenda demais nessa missiva, posiciono minha xícara de café, coloco o CD de George Michael (meu lindo/amado/salvesalve), pego da estante o livro Cartas, do meu querido Caio F. Abreu. Saboreando o aroma e a seguir o sabor da cafeína, respiro e aspiro relembrando a aventura gastronômica muito aloprada no restaurante mexicano, ao lado do meu inesquecível “compridão”. Ah menino, tivemos muitas aventuras por essas vias paulistanas. cada canto relembro um episódio em sua companhia. Quantas histórias!

Mudei de ideia, queira me desculpar George, mas agora, bateu uma baita vontade de ouvir Coldplay…

“Amazing Day, Amazing Day, Amazing Day, Oohohohohouhhhh”

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Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega – Suzana Martins

Imagem gratuita: Anna Tarazevich

Um caderno que colecionava relatos de personagens antigos

(Suzana Martins, Estações)

Por minhas mãos já passaram muitos cadernos. Os escolares com anotações das matérias, exercícios, bilhetinhos nunca enviados, rascunhos, desenhos. Muitos desenhos. Os diários que registraram boa parte de minha adolescência com meus sonhos, planos, desabafos, receberam minhas inseguranças, esperanças, confissões.

Esses, se perderam com o tempo ou quem sabe, tenha alimentado uma fogueira no fundo do quintal. Não me recordo.

Depois vieram as agendas que nunca marcavam meus compromissos. Em suas áreas livres, preferia esboçar pequenas histórias, desenhava personagens, alinhavava situações.

Trago alguns cadernos artesanais feitos por minha irmã. Verdadeiras obras de arte, com suas folhas em branco aguardando pacientemente sua vez de serem usados, rabiscados, desenhados. Aprecio vê-los enfileirados ao lado dos livros artesanais que fazem parte de meu acervo.

Estação entra, estação sai e eles seguem sugerindo novos rumos para minha mente e meus dedos nervosos bailar no teclado transformando, criando possíveis vidas a delinear horizontes literários. Ou simplesmente registrar meus escritos matinais há tanto tempo abandonados que servem de terapia, descobertas e fortalecimento da escrita, minha redenção de um mundo cada vez mais insano.

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