Sim, eu escrevo diário

Comecei com essa brincadeira séria, por volta dos doze para treze anos. Virou febre entre a meninada assim como aqueles questionários que respondíamos e repassávamos.

Tomei gosto. Escrever sobre meu dia e o que acontecia, passou a ser um exercício que me acalmava, dava prazer. Contudo, sempre escrevendo sorrateiramente para que ninguém descobrisse. Nas páginas do caderno que adotei como diário, despejava minhas nuances mais íntimas que não revelava a mais ninguém.

Até que um dia, tornei-me adulta e a vida repleta de responsabilidades, tirou da minha rotina o prazer da escrita. Décadas mais tarde, retornei ao exercício de escrever. Diário nunca mais. Permaneceu no passado.

No início desse ano, recebi a proposta indecente de boa, de Lunna Guedes, para participar do projeto 4 Estações, em forma de diário.

Foi um prazer voltar a esse formato de escrita. Contudo, não escrevi minha rotina. Dei espaço para que três mulheres confiassem em mim e registrasse suas vidas, mazelas, conquistas e perdas. Fui apenas o fio condutor delas nessa história que, em breve se materializa num livro físico: Equação infinda.

Lançamento: 28/11/2020,

Local: Facebook pela página da Scenarium (ao vivo)

Horário:  17h (horário de Brasília).

Imagem licenciada: Shutterstock

Orexia

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Mastigo de forma mecânica, meu sanduíche de peito de peru defumado e mussarela, acompanhado de sentimentos extensos de medo, salpicado com pitadas de desconfiança, alguns grânulos de autossabotagem e desilusão. Engulo nacos bem mastigados e deixo descer a seco. Sem coca-cola, nem suco, amaciado pela saliva raivosa de saber-se fraca, humana. Nunca imaginei que ser gente fosse tão sofrido. Se houver uma próxima existência, juro, desejo vir  na leveza de um beija-flor.

Imagem: Stocksnap