Muié decidida é o bicho!

Se tem uma pessoa decidida e firme em suas convicções, esse alguém sou eu. Ontem, antes de desmaiar pela segunda vez de sono, tomei a resolução de hoje despertar, sentar e colocar meus escritos e leituras em dia. Gosto quando assim procedo. Sou exemplo a seguir…Ao contrário.

Despertador berrou em meus ouvidos dormentes às cinco horas da manhã. Quase enfartei de susto e ódio. Como ousa me acordar de madrugada em pleno feriado? Não tem amor por mim, ser inanimado e frio? Só não atirei o celular longe porque sei o quanto custa comprar um novinho. Vida não está fácil para quem é salário.

Silenciei, virei pro lado com um sorriso pensando “Hoje é feriado”…Despertei quase dez horas, zonza de fome. Corpo preguiçoso pedia mais cama mas, resoluta que sou, ergui a carcaça e fui para a cozinha. Por que fui inventar de fazer mingau de aveia? Perante o estômago revoltado por estar vazio a tanto tempo, pareceu levar horas até ficar no ponto. Preparei um bowl de mingau no capricho picando banana e acrescentando canela em pó. Humm, parecia delicioso.

Fui para a sala, liguei TV e me coloquei sentada no sofá em posição de lótus. Na mesinha em frente, descansei meu desjejum e me distraí com as besteiras televisivas. Resultado: comi mingau frio, bláth!

Almocei tarde pois me perdi aqui, em meus parcos metros quadrados. O que estava fazendo? Sei lá. Decidi assar uma batata doce mas, que decepção ao cortar e ver que estava estragada. Buáá!!

Mudança de planos, decidi preparar um pouco de arroz, uma salada e iniciei a tarefa. No meio do cozimento do arroz, num impulso, decidi misturar tudo e sujar apenas uma panela. Vida prática benhê!

Até que o falso risoto ficou gostoso. Comi com prazer. Após deixar a cozinha em ordem, decidi passar um cafezinho e iniciar minhas leituras. Ah doce momento das leituras! Com esse frio que hoje impera na terra da garoa, fui pra baixo das mantas, me acomodei nas inúmeras almofadas, saboreei duas xícaras de café e mergulhei na leitura de Goethe… Desencarnei.

Dormi o resto da tarde. Nem ouvi o rufar dos coturnos desfilando no sete de setembro. Socorro!

Só de raiva por perder meu feriado, fui pra cozinha e assei uns pãezinhos de queijo. Em vez do café, uma farta xícara de chá. Paciência, eu bem que tentei mas…

BEDA – Amanhã vai ser outro dia

Se dirigir, não beba. Caso beba, não se atreva a dirigir até mesmo a simples escrita de uma postagem. Sou daquelas que dá conselhos mas não segue. Por que fui beber uma taça de vinho, cansada do jeito que estava quando cheguei em casa? Deveria ter usado o tal do “Bom senso” e seguido direto para um banho frio que além de refrescar até o perispírito, desperta as células do corpo inteiro inclusive, do cérebro. Mas não, decidi entrar debaixo da água bem quentinha. Daquelas que baixam a pressão a quase zero, relaxaaaa…..

Banho tomado, derme azeitonada cheirando a pessego com hidratante Cuide-se bem. Faça isso por você, Comer um rango delicioso feito pelas próprias mãozinhas e finalizar com uma taça de vinho suave…que te derruba deixando-a em total apagão por duas horas.

Acorda abestada, confusa, não sabendo se é noite ou dia, sem ânimo para levantar sequer o polegar. Ali acorda, ali permanece. Apenas o som do tic-tac que só pode ser do vizinho do 101 porque você não tem relógio em casa. Isso hipinotiza!!!!

A bexiga se manifesta mas onde encontrar forças para levantar do sofá? A cada virada de dia, a cada pulo no calendário, você se conscientiza do poder da gravidade. Bunda se alarga pesando cada vez mais. Compete com a cabeça que por hora pesa tonelada. E aparentemente, está bem vazia. Um vácuo só, afinal,onde se encontram as brilhantes ideias para a escrita do dia que, por hora tornou-se noite? E falando em noite, lembrei que amanhã acordo às cinco horas. Quer saber? Hoje também não tem texto e vou encerrando porque vou me ajeitar aqui mesmo no sofá que já está quentinho e…Boa noite! Bons sonhos e se der, amanhã escrevo.

…Amanhã juro que não bebo um gole…só de água. Falando nisso, preciso muito me hidratar porque essa seca que estamos vivendo está me matando..tando…tan…dooozzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

BEDA – Ih, hoje não deu!

Segundona com a carga de sono atrasada por conta de um maldito pernilongo que sugou meu sangue e minha paciência. Chego do trabalho esfomeada. Passei no Hirota Food e comprei uma comidinha japonesa que tanto adoro para saciar o estômago que se sentia contrariado com meu descaso. Onde já se viu esquecer dele? Cadê o lanchinho da tarde dona Roseli?

Ai meus santos, e ainda tem a oficina de escrita logo mais e tem texto para ler…

Comi, desabei no sofá, apagão geral. Acordei desorientada e com baba escorrendo. Na TV, noticiário corre solto denunciando assédio do juiz. Eta mundão que não muda nunca. Lavei o rosto, passei um café forte e estou aqui para me desculpar e dizer que hoje, não tem texto. Sorry!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

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Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

BEDA – Estreia

Quando surgi nesse mundão de Deus logo de cara percebi que tinha entrado numa fria. Pior do que entrar na fila do transplante. Pisquei algumas vezes, chorei acreditando que sentiriam dó daquele pequeno ser indefeso, até urinei e defequei para enfatizar minha fragilidade.

Não adiantou o teatrinho. A parteira experiente deu um tapa bem dado, marcando minha cara roxa feito casula do papa. Assustada diante de tamanha violência calei-me! Engoli o choro e orgulhosa, desde pequenina jurei: nunca mais farão isso comigo. Nunca mais me verão derramar lágrimas. Serei dura feito aço, maleável como bambu, escorregadia tal qual quiabo, maquiavélica feito…feito…

Mulher! Sim, serei uma mulher como poucas nesse mundo. Seduzirei, mostrarei meus inúmeros dotes, apresentarei ao mundo meu talento e criatividade. Farei beijarem meus pés diante de tamanha beleza, encanto e altruísmo…

…Não foi bem assim que as coisas sucederam, mas isso caro leitor, serão outras histórias!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

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BEDA – Acertando o tempero

Em junho, após longo período afastados devido a pandemia, minha família decidiu se reunir para comemorar aniversários de junho e se confraternizar. O elo familiar sempre foi forte e esse afastamento foi doloroso. Principalmente para minha mãe e seus irmãos.

Foram dois dias maravilhosos onde tios, primos e seus filhos, se reuniram numa alegria intensa. Como já havia combinado com algumas primas, levei exemplares do meu livro Quinta das Especiarias afinal, ele é um registro de passagens de nossa infância ao lado das tias queridas e da vó Maria.

Retornei para casa com coração explodindo de felicidade por rever a todos e vendido os livros que ainda tinha comigo.

Porém, mais que isso, foi a alegria em receber depois, os comentários positivos de cada um que leu. Para nós escritores, receber esse feedback é fundamental pois mostra que acertamos o tom de nossa escrita. Ando em estado de graça por ter mergulhado em minhas memórias e trazido a tona a Quinta das Especiarias. Acertei nos temperos!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

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BEDA – Feminino retalhado

Estrear na vida nascendo mulher, nunca foi fácil, não importa a geografia. Em todo território, a mulher sofre as mais variadas formas de violência. Seja ela de forma silenciosa, sutil, quase imperceptiva aos olhos menos atentos. Seja de forma irônica expresso através de piadinhas infames que à primeira vista parece inocente. Ou da maneira mais vil, estampado nos olhos roxos e demais hematomas espalhados por todo corpo ferindo a carne mas, principalmente, a alma, a dignidade. Culminando com o término de uma existência que poderia ter sido mais leve, repleta de alegrias e conquistas, principalmente, de amor.

Não deveria de me espantar a cada noticiário de um novo feminicídio. Ao mesmo tempo, reafirmo a mim mesma que não devemos transformar tal violência em lugar comum, ação banal que amanhã, já caiu no esquecimento. Minha indignação causa acidez estomacal, toda vez que observo as meninas na faixa de 7 a pré-adolescência, no colégio onde trabalho. Vejo-as tão puras ainda, tão poupadas e logo me vem a mente, a possibilidade alta de que um dia cada uma delas sairá ferida em maior ou menor grau.

Hoje, encontro-me por demais sensível à essa questão por isso, esse desabafo. Não sei se algum dia chegarei a ver um fim nessa conduta masculina que tantas vítimas têm feito. Houve milhares no passado, acontece diariamente em tempos atuais e sei que acontecerá muitos no futuro. E todo esse painel aliado as demais violências cotidianas que sofremos, reforça ainda mais a crença que tenho que somente a Educação e o desejo verdadeiro de toda a sociedade pode mudar esse quadro tão triste.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi Darlene ReginaLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega NuñesSuzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

Ah, os domingos…

Estou prestes a fechar o ano de 2021 com a sentimento de dever cumprido e muitos escritos publicados. Além do livro de memórias Quinta das especiarias lançado há pouco, participei de alguns projetos que fazem parte do Scenarium 8 – clube de assinatura, da Scenarium Livros Artesanais.

O último a sair e fechar o ano com chave de ouro é Estrada para os domingos. Ao lado de excelentes escritores, companheiros constantes nos projetos literários.

Dá uma espiada nesse tira gosto:

Mais um coletivo que vale a pena adquirir e ler com o prazer de folhear um livro personalizado, confeccionado em papel de qualidade. Se desejar esse e conhecer os demais títulos da assinatura, clique aqui

Imagens: Lunna Guedes

Ritual

Xícara devidamente posta, cookies de especiarias, descansam num pote de vidro.Toalha alisada, aroma cafeinado envolvendo o ambiente ao som de Sarah Vaughan. Cortinas cerradas, impedem a bruta realidade de entrar e estragar a energia trabalhada: paz.

No aparador, uma vela de jasmim acesa, complementa e perfuma a cenografia montada. Na solidão do apartamento, a mulher se veste sem pressa, mirando o espelho. Sorri ao ver o reflexo que a agrada.

Pega os apetrechos e segue para a sala. Liga seu All in one branco, acessa a aula pelo Youtube, desdobra o tapete de yoga, posiciona em lótus, fecha os olhos e agora – com trilha sonora de Kitaro – inicia a meditação diária.

Dentro de uma hora, “ele” estará online para mais uma relação virtual. Suspira profundamente esboçando tímido sorriso.

Imagem licenciada: Shutterstock

6 on 6 – Ho Ho Ho

Vasculhando fotos de reuniões antigas, ficou difícil selecionar as que fariam parte dessa postagem. São tantos momentos que marcaram e se transformaram em doces lembranças natalinas. Parece que, ao escolher, as que ficaram de fora, não tiveram importância. Mas, ao contrário, todas foram registros de momentos muito especiais.

Momento registrado do Natal de 2007, ano em que minha família se mudou para a casa nova. Foi um misto de emoções. Sair da casa onde nasci e me criei. Lar que me forjou, paredes que presenciaram risos e lágrimas de uma menina sensível. No olhar, a expectativa do que viria a partir dali.

A biblioteca onde trabalhei por vinte e cinco anos, possibilitou muitas fotos nos finais de ano, onde a equipe se reunia para celebrar mais um ano a se encerrar e também para a troca de presentes do amigo secreto. Houve de tudo: momentos de espontânea alegria, situações desagradáveis afinal, o ser humano é complexo e nem sempre as coisas saem como planejamos. Mas, apesar dos pesares, as festas de finais de ano sempre me alegraram. Acima, eu no ano de 2014, fazendo pose.

Passear na Avenida Paulista no mês de dezembro e sentir a energia HoHoHo, do bom velhinho, sempre foi programa para mim. Na foto acima, eu posando ao lado do painel de fim de ano em frente ao Center 3. Isso, no ano de 2015. Tarde deliciosa!

Essa foto foi o registro de um passeio delicioso, ao lado de meu irmão e cunhada, no Natal Iluminado no Céu Sagrado, em Sorocaba, em 2016. Inesquecível!

Do mesmo ano, o click do almoço natalino em família. Alegria e certa melancolia em ver titia Irene, em nossa companhia, ainda gozando de saúde.

Tenho um olhar e um sentimento especial para essa foto. Primeiro, porque essa árvore de livros, foi feita por mim. Realizei um sonho de fazê-la na biblioteca. Foi um sucesso! Foi minha última foto natalina retirada lá afinal, em dezembro de 2020, já não fazia mais parte da equipe da biblioteca e devido a pandemia, não houve comemoração.

A vida passa, as pessoas surgem e partem, deixando um vazio que são preenchidos pelas inúmeras vezes em que olhamos e voltamos a viver esses momentos que se eternizaram numa fotografia.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva 6 on 6 – Scenarium Livros Artesanais

Fazem parte dessa blogagem:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdúlio Nuñes Ortega

Fotos: acervo pessoal

Será que aprendemos?

Amanheci refletindo sobre nossa finitude. Não podemos prever quando iremos partir mas, acredito que enquanto aqui, podemos e precisamos deixar um legado. Seja ele qual for, que seja verdadeiro, que possa servir de acolhimento para almas que perderam seus caminhos, que possa dar esperanças aos desvalidos e que embeleze o dia daqueles que perderam o brilho do acreditar que – mesmo o planeta estando e sendo hostil – ainda dá tempo de torná-lo melhor. Não precisa de muito. Basta um olhar doce, um afago nos ombros, um sorriso e tudo muda.

Ser e exercer a empatia, é o caminho para vivermos melhor. Obvio que somente isso não basta. O importante é ter consciência de que não existe cartilha pronta do “Bem viver”.

Afinal, quem não gosta de ser bem tratado?

Não é somente por chegarmos a mais um final de ano. Praticar o bem nessas ocasiões ajuda muito alguns desfavorecidos, mas fazer isso o ano inteiro, é para poucos que compreenderam a mensagem.

Imagem licenciada: Shutterstock