Mulher invisível

fridatherivetersq

Dizem que, ao envelhecer, encolhemos. Suspeito que tornei-me anciã e, pouco a pouco, torno-me invisível.

Nessa nossa sociedade patologicamente plugada ao seu smartphone, torna-se cada dia mais difícil manter uma convivência como nos “antigamente”. Sempre tive o hábito de cumprimentar a todos nas empresas onde trabalhei. Do porteiro ao diretor. Nunca fiz distinção. Fui educada por meus pais – que nem terminaram o primário, a usar de cortesia e sempre esboçar um sorriso sincero ao cumprimentar as pessoas assim que chego ao recinto.

Hoje em dia, sorrio e falo com o vento, as paredes, as janelas, o assoalho. As plantas me respondem avivando sua tonalidade verde. Algumas flores até se viram para mim, como que sorrindo e agradecendo minha atenção para com elas.

É. Além de tudo devo de estar sofrendo de alguma doença mental. Como diziam os antigos a quem tenho me referido, “mente fraca”. Se penso que as plantas me respondem a um cumprimento, a coisa deve de estar feia pro meu lado.

Cada dia que passa, sinto-me mais e mais deslocada nessa comunidade a que pertenço mas que, ao que parece, devo estar me distanciando. Olho, ninguém me olha. Passam reto. Cumprimento e sorrio, as pessoas continuam com suas feições endurecidas e nem ao menos soltam um suave grunhido como fazem os tímidos. Silêncio absoluto! O que acontece? Cadê aquela animação para formar roda de amigos e conhecidos e passar horas de conversação, risadas, olho no olho e o desejo de se encontrar muito em breve para dar continuidade ao bate papo?

Outro dia, fui visitar família. Confesso que saí de lá ressentida e frustrada. Minha vontade era tanta em conversar e matar saudade no entanto, percebi que a programação da TV estava mais interessante que minha insistência em manter uma conversa animada e contar as novidades. Pouco a pouco, fui murchando. Silenciei e saí à francesa. Fui ao banheiro, lavei o rosto numa inútil intenção de expurgar o gosto ácido da frustração, peguei a bolsa e saí. Elas mal me olharam ao me despedir.

Ninguém mais tem interesse em saber das novidades do outro… A não ser pelas redes sociais que, se postar algo sobre o que anda fazendo, dependendo do que for, ganhará muitos likes e coraçõezinhos e Uaus.

Credo! Isso tudo anda muito chato! Quer saber? Não vejo a hora de completar meu horário aqui no trabalho e dar uma banana bem dada a todos, voltar correndo para meu ninho e me consolar com as séries favoritas da Netflix!

Aqui pra vocês!!

Imagem: Pocho

Ser humano: alimento de difícil digestão

Sou uma profissional da informação. Meu ofício exige estar informada sobre praticamente tudo o que se passa…

Pensando seriamente em sair da área. Ler notícias ultimamente tem sido uma tortura.

Meu emocional, por mais que o trabalhe na terapia, não está aguentando tantos absurdos. São imoralidades sem fim em nosso país e no exterior, que francamente, torna impossível a digestão. Causam náuseas. E quanto a essas náuseas, não há Pantoprazol e afins que resolva.

Retornei do meu almoço. Ainda com alguns minutos de folga, decido ler as notícias do dia. Leio uma matéria sobre os esquemas ilegais nos frigoríficos. Ao término da leitura, uma fermentação esquisita se formou no chackra esplênico. Até acredito que seja o alimento se revirando diante de tantos absurdos lido. Contudo, sei que a fermentação maior foi de indignação.

A humanidade ou grande parcela dela está insana e precisa com urgência ser trancafiada numa cela de cadeia ou hospício. Tais empresas utilizam substâncias cancerígenas para disfarçar carne podre. Decidi: se já estava de namoro com o vegetarianismo, agora diante de tamanho absurdo, vou comer alfafa e vou me alimentar apenas daquilo que plantar pois saberei que não estou colocando veneno naquilo que como e dou aos meus familiares.

Diante de tantos disparates e falcatruas sendo descobertas, permaneço com a pergunta sem resposta: Até quando o homem vai continuar a enganar e ser enganado? Quando a moral dos mesmos se elevará do subsolo imundo e lamacento em que se encontram?

Do meu lado, resta somente vergonha alheia. Envergonho-me pela raça humana que a cada dia demonstra ser a menos evoluída de todos os seres vivos.

Poesia sempre!

O Dia Nacional da Poesia é uma homenagem a data de aniversário do poeta Castro Alves. No entanto, a partir de 2015, foi sancionada a lei 13.131, que mudou a data para o aniversário de Carlos Drummond de Andrade em 31 de outubro. Ou seja, agora o dia nacional da poesia é em 31 de outubro. Mas, para pessoas que como eu, a poesia é celebrada todos os dias do ano, deixo aqui minha pequena homenagem a ela, Poesia, e aos poetas que conseguem lapidar com perfeição todos os sentimentos humanos em rimas, estrofes e versos. O mundo sem poesia seria sem dúvida, mais pobre e sem graça. Abaixo, apesar de não me considerar poeta, arrisquei e escrevi esse pequeno poema:

digestorio

Vivas ao Peixinho!

Ano de 1965, dia treze de março. Para a maioria das pessoas que seguiam suas vidas, era um dia como qualquer outro. Sem novidades. Corriqueiro. Na minha família, era um dia especial pois chegava uma pessoa que enriqueceria a vida familiar. Meu irmão!

IMG-20170109-WA0003

Primeiro e único! Crescemos naquela rua comandada por um bando de crianças. Dividindo brinquedos, brincadeiras, aprontamos muito juntos, rimos muito também. Dividimos castigo um de frente ao outro onde revezávamos choro e risadas. Sendo briguenta desde cedo, o defendi da molecada muitas vezes na saída do colégio. eu e meu mano ricardoMexeu com meu irmão, mexeu comigo e dá-lhe bronca porque nunca fui menina de levar desaforo pra casa. Brigamos muito também afinal, quem nunca brigou com seus irmãos? Na adolescência, cheguei a achá-lo um chato! Chato mesmo, daqueles que pegam no seu pé. E eu estava descobrindo o sexo oposto e adorava paquerar. E lá vinha meu mano jogando água na minha fervura, falando mal do gajo visado da vez, ameaçando contar pro papai e pra mamãe. Chato! Houve um ano que ficamos sem nos falarmos. Sem nos olharmos. Foi um ano muito difícil para mim. E hoje, acredito que para ele também afinal, sei que por baixo daquela carcaça dura que criou ao seu redor, ele carrega um coração incrível e repleto de emoções. Na fase adulta nos reaproximamos e ano após ano, nos tornamos mais e mais amigos, companheiros, cúmplices. Apesar de morar em outra cidade e passarmos bons meses sem nos vermos, nossa sintonia emocional nos mantém conectados. E vamos combinar que a tecnologia ajuda muito a encurtar distâncias. O importante, é manter a chama do nosso amor sempre acesa alimentando com orações, mentalizações, troca de mensagens carinhosas e verdadeiras. Sinto-me privilegiada em ter irmãos tão queridos e que, independente das diferenças, respeitamos uns aos outros e procuramos ajudar no que for necessário. Mano Ricardo, acordei pensando em você e no quanto sou feliz em tê-lo ao meu lado. Que possamos percorrer essa caminhada da vida de forma alegre, sincronizados nos sentimentos e vez ou outra, nos abraçarmos fisicamente materializando todo nosso sentimento recíproco. Ter irmão é bom demais! Ter irmãomigo, é viver no paraíso aqui, em plena Terra! Saúde mano!!

20161227_200213

Ser humano: REFORMULAR!

evolucao

Ando com tantos sapos engasgados formando fila indiana que, sinceramente, não sei como ainda não morri sufocada. Tenho cá para mim que a vida é algo fácil de se viver. O que a complica são as pessoas que povoam esse planeta. Vai discordar? Tudo bem, está no seu direito, contudo, por aqui ainda mando eu e se digo que são as pessoas que complicam, são elas e ponto!

O panorama geral de nosso país está uma fossa a céu aberto. Existem aqueles que cagam legal e outros que arrotam que é uma maravilha. Quando penso que já vi e ouvi de tudo, eis que surge do nada, alguém com alguma pérola que me faz repensar tudo o que havia estabelecido como norma de vida. Luto para não me deixar levar por essa nuvem negra que assola todo território nacional: pessimismo alimentado por grossas fatias de ódio, preconceito, discriminação,com algumas pitadas de moral e como sobremesa, taça cheia de hipocrisia. Haja estômago!

Falsidade alastra-se como Barba de Bode. Grosseria se espalha mais que Maria Sem-Vergonha. Em meio a tantas ervas daninhas a contaminar tudo, ficamos à mercê da boa vontade que míngua pouco a pouco.

Somos diariamente bombardeados por notícias ruins e isso faz com que percamos a confiança em todos que nos rodeiam. Já constatei muita gente em quem confiava como verdadeiros amigos ou, colegas que, na primeira oportunidade, cravaram um punhal em minha costa. Sobrevivi porque tenho o couro curtido.

Outro dia, estava tão decepcionada com as pessoas que à noite, tive um lero com Deus onde fiz minha combinação para uma próxima existência: SE houver reencarnação, por favor, por favorzinho, faça-me nascer uma planta qualquer. Nem bicho quero vir. Desejo brotar mansamente no meio do matagal ou num pântano. Desabrochar, se possível, dar alguma flor perfumada que embeleze a natureza, conclua silenciosamente meu ciclo de vida e volte para a terra em forma de adubo. E assim, incessantemente até os finais dos tempos.

Haviam me dito que nascer humano seria o supra sumo da evolução nesse planetinha. Báh! Que mentira mais cabeluda! Estou para conhecer raça mais podre que essa! Escreve aí em seu caderninho de anotação Criador: Ser Humano: REFORMULAR!

P.S.: O que salva, é que ainda restam alguns sobreviventes que tornam essa nossa existência algo prazeroso em meio a tanta coisa ruim. Agradeço a essas almas do bem, a chance de tê-las ao meu redor. Obrigada!

Imagem: Google

Narkissos.. Que isso meo!

narciso

Ao contrário da maioria das mulheres, detesto homem grude. Tudo em excesso cansa, desgosta, dá enjoo. Outro defeito (ou qualidade, aí depende do ponto de vista de cada um) que me irrita, é o cara que se acha o “Sedutor”. São tão previsíveis! E isso me dá uma canseira que nem te conto. Existe também aquele que só tem olhos para seu reflexo. O famoso “Narciso”. Personagem da mitologia grega que – fiquei sabendo da essência de seu nome há pouco. Aliás, muito apropriado. Explico:

Do grego Narkissos, que significa “aquele que foi narcotizado, paralisado”. A planta que leva esse nome tem propriedades reais de um narcótico. Segundo alguns estudiosos, mais potente que a papoula.

Deixando de lado a aula, retorno para minha linha de pensamento sobre os tais Narcisos.

São homens absurdamente lindos, bem cuidados, porém, incapazes de enxergar a mulher à sua frente pois seus olhos só conseguem apreciar e se apaixonar por seus próprios reflexos . E como gostam de um espelho!

Basta passar certo tempo nas academias para se ver dezenas deles. E a mulherada se esmerando em desfilar bundas e peitos empinados diante deles, que jamais verão beleza a não ser no próprio reflexo. Já repararam que esses homens estão sempre solitários? Até que alguns tentam bancar o sedutor com as mulheres mas, no fundo, o que eles gostariam mesmo é de poder transar consigo mesmo. E muitos devem bater punheta direto no silêncio de seus quartos. E devem gozar litros de fluídos afinal, o prazer está sempre na própria companhia…

…”Oi Gata!” – Homens aprendam: isso para uma mulher mais instruída e consciente de si soa quase como uma ofensa. Vá por mim!

…”Oi princesa!” – Essa cantada então, piorou. Já passei da idade de crer em contos de fadas queridão!

E o cara que se acha irresistível mas burro feito…sei lá o quê? Filhão, deixa eu te situar: mulher moderna, estudada , antenada, quer tudo menos um cara que fala errado (não tem nada mais broxante. Ou então aquele que só abre a boca para falar de futebol, carros ou política. Nada contra mas… Só isso? Não basta músculos desenvolvidos se o músculo principal (o cérebro) é menor que uma ervilha.

O pior, é que sempre fui imã para esses tipos. Tudo bem que eu não sou nenhuma santa. Muitas vezes dou corda para que o mesmo se enforque. Adoro acompanhar seus passos previsíveis. Já sei o final e isso torna a situação morna, sem perspectivas de algo que surpreenda. Tá legal, confesso: sou um pouco sacana em agir assim. Dependendo do cara, até dispenso de imediato. Para poupar o tempo dele e o meu. Mas as vezes…Divirto-me a beça. Chego a me sentir uma grande enxadrista manipulando meu opositor já antevendo suas jogadas. E no final, Xeque-mate! Dou um bota fora dos bons.

Mas querem saber de uma coisa? Apesar de todos esses tipos, ainda não perdi fé no sexo oposto. Gosto um tantão deles viu? E como a esperança é a última a sair e cerrar as cortinas, ainda aguardo a chance de conhecer um homem pra valer que me faça pensar que… “Ah, esse vale a pena!”

Imagem: Google

Antes de ontem… Antes de amanhã… Antes de hoje… Antes de mim… Depois!

piao

Outrora, já fiz muitos planos: estudar, trabalhar, viajar, namorar… Casar? Não. Casar nunca. Mas, entrava ano, saía ano, estava lá eu, a traçar planos vindouros. Imaginação trabalhava de forma insana prevendo o que estaria por vir. A expectativa diante do que poderia surgir num futuro causava-me úlceras.

Hoje não é que perdi a capacidade de sonhar, apenas transformei os sonhos e sua posição em minha vida. Também não desiludi ou frustrei. Plantei bem firme meus dois pés no chão. Tratei de deixar os sonhos se transformarem em belas histórias. Em literatura.

Não. Talvez nem isso. Ao contrário da maioria de escritores que conheço, não batalho para firmar meu nome, me fazer conhecida, almejar prêmios. Não tenho interesse em competir com ninguém. Nunca tive espírito de atleta. Confesso aqui e agora pra vocês: ok! Sou preguiçosa! Adepta da filosofia de De Masi, curto um bom ócio sem peso na consciência.
Mas a vida nem sempre colabora com nossos gostos pessoais e então, nos puxa para a realidade e nos faz rodar feito pião maluco girando no centro de uma mesa lisa lustrada por Poliflor.

Fim de ano chegou, passou. Ano novo surgiu com nuances de coisa nova. Mês de janeiro passou numa velocidade da luz e eu, continuei esse mesmo pião maluco rodando abestalhada sem saber onde estacionar. Muitas coisas aconteceram.

Quase não li a não ser um pouco de contos do livro de Neil Gaiman Alerta de Risco e um livro trocado com a amiga Lunna Guedes, do francês Roger-Pol  Droit, Se só me restasse uma hora de vida.

Um pouco de filosofia francesa para me sacudir e tentar colocar em prática essa frase em meu dia a dia. Decidi entrar em fevereiro como se só me restasse ele para fazer algo significativo para a posteridade.

Depois de muito refletir sobre tudo o que li nesse livro, decidi parar por aqui mesmo e não planejar nada.

Deixa o fluxo de vida seguir livremente! Quero envelhecer de forma natural. Sei que minhas juntas já começaram a enrijecer e, previdente, reiniciei minhas aulas de pilates. Contudo, meu maior desejo é manter flexível minha alma. Essa não quero jamais embrutecer.

Que venha fevereiro trazendo o molejo do carnaval e a doce esperança de dias melhores. Mesmo diante de tanta tempestade.

 

Essa postagem faz parte de uma blogagem coletiva promovida por Lunna Guedes

 

Imagem: Sapo

Determinação

woman-coffee-cup-girl

É hoje. De hoje não passa. Traçei um plano para executar e mudar minha vida. Sei que amanhã agradecerei ter tomado essa decisão. Contarei com apoio e aprovação de todos. Daqui uns anos, olharei meu reflexo no espelho e sentirei orgulho de mim mesma. É isso. Não tem mais volta. Na realidade, não vejo a hora do dia correr. Trago a certeza de que sairei vencedora. Já conto com torcida organizada a planejar seu grito de guerra para me ver chegar à final. Vai ser lindo! Farei parte dos vencedores na vida. Dos sorrisos que moram no Olimpo. Consigo desfrutar a sensação desde já do dever cumprido…

18h26 – Starbucks, Alameda Santos.

– Por favor, dá uma chegada mais pro canto para eu sentar? Obrigada. Ah, não querendo abusar, mas já abusando, posso colocar meu frappuccino nessa mesa? Ah sim, Obrigada.

– Camila, você por aqui?.. Não era hoje que iria começar a frequentar a academia?

– Oi Jú! É…

– Escuta colega, não era você que espalhou para todo mundo no departamento que a partir de hoje seria uma nova pessoa, e que se transformaria numa vegana? Só comeria coisas naturais?

– É…

– Cadê toda aquela determinação e discurso que nos infernizou a semana toda no refeitório só pregando a boa alimentação e bons hábitos? Não é bem isso que estou vendo por aqui…

– Jú, seguinte: vai ficar aí em pé me infernizando e tirando uma onda com a minha cara ou prefere sentar-se aqui e comer junto e colocar as fofocas em dia? Não sei se percebeu mas está atrapalhando.

– Fechado colega! Chega pra lá para eu sentar do seu lado. Ficou sabendo da Bernarda da contabilidade e do Alfredo da Tecnologia?

– Não mas você vai me contar tudinho. Moço, desculpa, pode se achegar um pouquinho mais pro canto. Ah, Jú coloca seu donuts do lado do meu. Isso aqui tá uma delícia!!!

Imagem: Pexels

Início não renovado

E o ano de 2017 inicia trazendo em sua bagagem velhos hábitos, velhos costumes, velhos problemas. Percorro a cidade, entro nos vagões do metrô e o que observo é que nada, absolutamente nada mudou.

Seres humanos carregando em si, intolerância, impaciência, má educação. Jovens alienados, crianças mimadas e adultos infantiloides. Nas ruas, uma massa – misto de ressaca de final de ano e má digestão do princípio de um novo ano carregado de más notícias -, fazem da cidade, um panorama desagradável.

Ruas imundas, boeiros entupidos, calçadas quebradas, frota de ônibus precária e insuficiente para locomover levas imensas de transeuntes que circulam diariamente pela cidade. Aumento das tarifas: do IPTU, do IPVA, das absurdas listas escolares que todo ano inflacionam e comprometem a verba dos trabalhadores.

E com tudo isso a nos rodear, ai do trabalhador que cai no abuso de ficar doente! Hoje em dia nem se pode dizer: segue o enterro, pois o caixão está pela hora da morte. Desculpem mas não resisti a essa brincadeira de mal gosto. Nem morrer em paz o cidadão está podendo. Até isso lhe foi tirado.

Violência fazendo parte da rotina de quase todo mundo. Banalizou-se. Acompanhamos os noticiários na TV fazendo nossas refeições e nem nos impressionamos com a matança fora e dentro das prisões. Se assustar pra quê? Morrer faz parte do pacote completo não é mesmo?

E assim, seguimos nessa imensa boiada rumo a não sei o quê, nem pra onde, ruminando tudo sem sentir gosto de nada. Mais um ano. Menos um ano. E por último deixo uma pergunta:

E a poesia da vida onde fica? E as artes? Onde se enquadram nessa loucura que ela se transformou? Ou será que sempre foi assim e nem percebemos?

Ah Roseli, deixa disso. Filosofia foi feito para poucos e mesmo esses poucos, jamais encontraram respostas para essas questões.

É, não tenho respostas para nada e ouvindo Oswaldo Montenegro, concluo com ele que a lógica da criação é totalmente ilógica para nossa limitada compreensão.

Tal qual ele, não entendi a equação da criação e por isso mesmo, sigo vivendo, cantando, dançando e escrevendo porque, se existe outra vida, será na outra que talvez dê tudo certo porque nessa, já percebi que é o tango do crioulo doido. Só nos resta dançar na garrafinha, surtar feito o Beijoqueiro na chegada das maratonas e brindar a cada ano que conseguirmos fechar vivos. Só o fato de chegarmos ilesos já será uma vitória a se comemorar.

Recomeçar

Meu final de ano foi atípico. Acostumada a correria insana e o mergulho no consumo descontrolado, próprios dos finais de ano, dessa vez foi totalmente diferente.

Por conta da doença de meu tio e seu falecimento no início de dezembro, a família achou por bem, manter apenas a reunião familiar sem os festejos comuns e trocas de presentes. A presença de todos era o que buscávamos.

Desliguei-me por completo de noticiários, redes sociais e voltei-me para a convivência familiar.

Devo dizer que foi o melhor Natal em muitos anos! Pelo menos para mim que só ansiava o olho no olho, o abraço apertado e sincero, a conversa descompromissada, as risadas descontraídas.

Só não foi perfeito por receber uma mensagem avisando da morte de George Michael, do qual sempre fui fervorosa fã. Simplesmente fiquei anestesiada. Nem quis ler muito a respeito de como ele morreu. Bateu uma dor fina no peito. Segui adiante não procurando saber mais. Atravessei a semana tranquila, peguei bastante sol que me aqueceu a pele tostada pela luz do ambiente de trabalho. Senti que meu interior também aqueceu. Meu pensamento planava passando por todas as raras notícias que peguei de relance. Todas, infelizmente ruins. Se fosse uma pessoa de índole pessimista, acredito que teria terminado minha existência antes mesmo da virada do Ano Novo. Mas não sou assim. Apesar de tudo, mantenho minha alma serena. Trabalho para não entrar nessa sintonia negativa em que a maioria se atira de cabeça esbravejando nas redes sociais que o ano de 2016 foi uma merda, foi horrível, foi tenebroso.

Perdoem minha posição diante disso tudo. Não consigo pensar nem sentir assim. Tive tanto a agradecer por esse ano. Sou pura gratidão. Mas não se enganem achando que faço aqui um tratado autoajuda. Sou grata no entanto, sou consciente de que tudo o que conquistei nesse ano, não foi obra do acaso. Tudo o que conquistei foi fruto de muitos anos de trabalho externo e interno. Mergulhei fundo na minha essência e malhei o conformismo em matéria de transformação pessoal. Deixei de lado a zona de conforto e me mexi. O resultado foi apenas consequência de meus passos. Provei a mim mesma que é possível alcançar um sonho. Basta sair da postura dormente e trabalhar para realizar. Passo a passo, etapa por etapa. E claro, acreditar naquilo que se deseja almejar.

Calma. Não precisa achar que estou aqui num blábláblá de autoajuda. Longe de mim! Cada um, cada um.

E o ano de 2017 inicia mansamente mas, já apresentando suas cartas sobre como será.

Desejo apenas que você, assim como eu, lute contra esse pessimismo coletivo que assola a grande maioria. Não queira ser “Maria vai com as outras”. Ouse, arrisque-se, mostre seu potencial. Não tenha medo de sair de sua zona de conforto. Lembre-se: ela é conforto somente no nome. Entrar nessa zona é altamente maligno. Causa mal estar e transforma-nos em estátuas de sal. Não tenha medo. Ou, por outro lado, tenha sim mas não permita que ele te paralise diante das situações que se apresente. Que sirva apenas de norteio para seu caminhar e te proteja de ataques. Independente da crença que se tenha, deixo aqui, um lema que norteia meu caminhar que foi dito por Chico Xavier que seu mentor espiritual, Emmanuel, sempre disse e eu acho o máximo da boa vivência:

Confia e segue!

É com essa máxima que termino meu texto e convido a todos para seguir o ano de 2017 lembrando-se dela e transformando esse simples frase num coquetel vitamínico que te impulsione para frente. Feliz e consciente 2017 para toda a humanidade!

P.S: Em tempo, falei acima do George Michael e deixei de finalizar. Hoje, após uma semana de seu desaparecimento entre nós, tomei a iniciativa de ouvir toda a sua discografia. E tive a confirmação daquilo que já sabia: Que cantor maravilhoso ele foi. Não me interessa sua vida pessoal, seus erros e acertos. O que ele deixou para a posteridade através de sua bela voz, pra mim é suficiente. Descanse meu querido.