Voltar

porta macica

Voltar àquela casa…

De frente ao portão. O mesmo portão de uma vida inteira. Sólido, retorcido em curvas e linhas. Tal qual nossas vidas. Pintado num azul envelhecido feito casco de velhos navios. Apesar da idade avançada, não continha nenhum ponto de ferrugem. “Coisa boa, de primeira” – diria seu velho avô Pierre, nascido na região Sudoeste da França. Berço da agricultura e do bom vinho.

…Vô Pierre…Quantas lembranças passaram pela mente de Marjorie.

Passando o pesado portão, percorreu o corredor que dava acesso a um novo lance de escadas. Cinco degraus. Quando pequena, gostava de pular um a um sentindo-se vitoriosa quando superando o medo, saltava os cinco de uma vez, aterrizando feito ave no solo de lajotas hidráulicas.

Lembrou de uma queda e do corte profundo no queixo. Mais que a dor física, ela sentiu o peso do olhar de sua mãe, sempre severa em não admitir desobediência. Seu pai, ao contrário. Homem com alma de criança, cairia na gargalhada vendo-a se esborrachar. Sempre gostou de coisa mal feita. Essa era a famosa frase de dona Dulce, mãe de seu pai. Outra mulher aristocrática que não admitia intimidades nem falta de etiquetas.

…Vó Dulce, uma chata e mal amada isso sim! Nunca gostei dela.

Do alto da escada, pôde vislumbrar a porta maciça de jacarandá sempre lustrosa. Visualizou o corredor ao lado que percorria toda a extensão da casa e desembocava na enorme cozinha. Um dos seus lugares favoritos da casa. Aspirou o aroma do forte café que sua avó materna Elisa sempre passava no coador de pano preso a um suporte de ferro fundido. Seu perfume se espalhava por toda casa!

Sentiu ímpeto de correr pelo corredor e cair direto na cozinha, como fazia de pequena. Conteve-se e, respirando fundo para controlar suas emoções, entrou pela porta da sala.

Nada havia mudado! À sua direita, o enorme sofá carmim. No centro, a mesa com sua base talhada cheirando a óleo de peroba repousando no tapete Aubusson. As cadeiras de espaldar alto lhe trouxe lembranças da infância quando tentava com dificuldades, escalar essas maravilhas. Os retratos pintados a óleo de seus avós ainda jovens lhe causou frisson no peito.

Percorreu o corredor que levava aos quartos. O primeiro, de sua tia Aneli. Decoração espartana. Árido feito seu coração. Frio como sua alma. Nem entrou. Recuou e prosseguiu entrando no próximo. O de seus avós. Pôde sentir o perfume do talco de rosas que sua vó usava. Viu sobre a cômoda antiga, a escova de ossos que penteava suas longas madeixas. Gostava de apreciar esse ritual. Viu os enormes grampos de cabelo, pousados ao lado da escova. Percebeu do lado oposto à cômoda, um mancebo de madeira que trazia no alto, o chapéu de feltro de seu avô Pierre. Cinza chumbo.Uma de suas inúmeras camisas xadrez de flanela, encontrava-se displicentemente jogada aos pés da cama. Caminhou pelo quarto fazendo ruídos ao mudar seus passos miúdos na velha tábua do assoalho gasto pelo tempo. Parou. Ouviu vozes abafadas. Abaixou-se no chão e grudou os ouvidos tentando reconhecer as vozes que falavam sem parar. Lembrou-se de que embaixo dos quartos, ficavam os porões da casa. Doces recordações se elevaram no ar, feito fumaça produzida no fogão à lenha. Decidiu parar de explorar as dependências principais da casa . Saindo pelo corredor, desceu ao subsolo onde ficavam os tais porões. Resquícios de suas fantasias de menina. Local mágico, com personagens criados por ela naqueles anos difíceis de sua infância.

Ao ultrapassar a soleira da porta do primeiro porão – o maior dos três, sentiu-se arremessada a Storybrook. Respirou magia por toda parte. Cheiro de coisas eternamente guardadas por gerações. Potes, garrafas, brinquedos, bolas coloridas. Estranhamente repousavam nas prateleiras sem fim como que, esperando o momento de serem úteis na vida de alguém. Remexendo com certo zelo nas caixas, encontrou uma antiga pasta onde guardava seus desenhos. Quanta emoção ao abrir e vê-los intactos. Na adolescência, fora uma desenhista espetacular. Depois, com as cobranças da vida adulta, deixou de lado essa atividade que tanto prazer lhe proporcionava. Abrindo um sorriso “Monalisa”, pensou: Preciso voltar a fazer alguns rabiscos. Acho que não perdi a mão.

Por segundos pensou em levar consigo a pasta. No entanto, sua consciência acusou que deveria deixar lá afinal, ali, era seu lugar. Com certo pesar, repôs na prateleira e seguiu para o segundo porão.

Lá, encontrou diversas ferramentas do seu avô. Algo chamou sua atenção. O velho e querido pilão onde, nas tardes mornas de sua infância, vó Elisa convocava a todos para participar da festa que era moer amendoim até virar paçoca. Formava-se fila de crianças e adultos para a deliciosa farra de socar o amendoim e o açúcar enquanto sua avó puxava a cantoria batendo palmas e arrastando os velhos chinelos. Seus olhos, do brilho intenso da alegria, recebeu um descortinar sombrio ao desviar-se para o objeto ao lado pendurado na parede. O reio de cavalo trançado que servira um dia para surrá-la por uma traquinagem de criança. Nunca se esqueceu da dor que sentiu. Dor física e moral pois sabia em seu íntimo que o que fez, não era para tamanho castigo. Sentiu-se uma escrava castigada no tronco da senzala.

Tantas vivências naquela casa, tantos acontecimentos que foram responsáveis pelo que era agora. Voltar àquele universo, era quase como voltar os ponteiros do relógio do tempo e retroceder à infância.

..Oi, tudo bem? Já faz um tempo que observamos a senhora parada, olhando para o prédio. Por acaso está interessada em entrar e conhecer nosso belo e arrojado condomínio? Não se acanhe, será um prazer mostrar as dependências.

Retorno à realidade, Marjorie sorri.

-Obrigada. Não preciso entrar. Conheço cada pedacinho desse terreno e tudo o que existe debaixo desse emaranhado de concreto e vidro. Não se preocupe comigo, já estou de saída. Só parei aqui para resgatar algo valioso que um dia deixei aqui.

-Valioso? O que? Esqueceu alguma joia no condomínio?

-Joia? É. Posso chamá-la assim também. Agora que reencontrei minha essência de criança, posso seguir com minha vida longe daqui. Desculpa o incômodo.

O segurança do condomínio não entendendo nada acompanhou a figura delicada da jovem senhora que sumiu na esquina da rua. Coçando a cabeça e realinhando seu boné, voltou à sua guarita pensando em voz alta:

-É cada doido que aparece por aqui que vou te contar. Dona mais esquisita!

Imagem: Pinterest

Visão desfocada

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Do nada, o olho pisca ininterruptamente. Ora seca, ora lacrimeja. Em outros momentos, arde como se uma bomba de gás pimenta tivesse estourado à minha frente. E coçar então? Pior de tudo, é quando tudo isso acontece num momento em que não posso demostrar desconforto. Seja numa reunião importante ou num encontro amoroso. Afinal, nas duas situações queremos e precisamos mostrar nosso melhor. Provar que é competente naquilo que faz. Então, esse olho maldito, me entrega estragando toda mise-en-scéne.

Desde pequena sofro desse mal. Pior quando o estado do olho chega a criar remelas. Isso afasta as pessoas de mim. Ficam com medo que seja contagioso. Não é. Contudo, até provar vai um bom tempo de conversa e desgaste. Prefiro ficar de olhos baixos ou com óculos de sol. Pena que sempre esqueço de andar com eles na bolsa. E o que dizer da claridade do dia quando estou com eles irritados?

Sinto-me a própria vampira Miriam Blaylock. Com muita fome de viver mas impossibilitada pela visão embaçada. Clamo pela escuridão. Nessas horas, a vontade de se encolher até ficar do tamanho de um átomo é grande. Perder-se por entre a poeira do universo e passar desapercebida. Fica só na ilusão. A cada encontro nos corredores da empresa, uma pessoa pergunta: Nossa, como está seu olho! É conjuntivite? Credo isso pega!

Só suspiro, sorrio amarelo e sigo meu caminhar ignorando os comentários desnecessários que as pessoas insistem em fazer.

A paciência foi algo que desenvolvi ao longo dos anos para poder viver por aqui. Como um discípulo de um mestre Kung Fu, através de muita humildade, fui moldando minha personalidade rebelde para sobreviver. Aprendi que somente quem se torna maleável feito aço quente, pode se moldar às situações e intempéries do tempo. Assim me fiz. Assim me tornei. E a paciência me dá condições de aguardar o momento de ficar novamente com os olhos curados e enxergar o mundo como ele é. Sem embaço, nem pontos escuros.

Desconfio que essa anomalia seja mais da minha alma que se nega a ver a feiura da vida. De perceber que ela não é como nos contos de fadas que tudo se resolve num piscar de olhos. Em dizer fórmulas mágicas e tudo retornar ao normal com os “Foram felizes para sempre”. A constatação de que felizes e sempre são invenções e não condizem com a realidade, talvez tenham me agredido a alma a tal ponto de, para sobreviver, de tempos em tempos, meu organismo se ataca para se defender. Freud deve explicar.

Imagem: Google

Fim de contrato

Um tropeço, um baque.

Como a vida é efêmera. Como é rápida e, mais rápida ainda se esvai deixando apenas rastros de incompreensão e…Saudades.

Como uma vida que mal começou, pode terminar sem aviso prévio, sem mensagens de despedida, sem um até breve num e-mail ou no WhatsApp?

Sendo ela uma senhora regida por regras que sempre existiram, por que insistimos em nos espantar diante de suas atitudes?

Qual o motivo de sofrermos e desistirmos dela se, desde nosso nascimento, já sabemos a que viemos?

E não adianta choro, nem promessas, muito menos barganha. O fim é inexorável para tudo. Para todos.

 

Surtada

A situação pela qual passo, não é novidade para ninguém. Quem nessa vida já não passou nervoso com prestação de serviços? Quem já não perdeu a esportiva diante de uma compra e o não recebimento da mercadoria? Quem nessa vida já não sofreu um golpe muito bem dado por espertalhões que, enxergam em você, o pato da vez?

Escrevo essas linhas no sentido de expor minha indignação e frustração que venho acumulando desde o  ano passado. Sofro de um mal: ser correta e honesta em dias atuais onde, ser esperto, ganancioso e mentiroso, é o lema da vez. Quem assim atuar ganha dinheiro e status de “Gente fina” ou “Celebridade”.

Num país onde impera a roubalheira sem fim, corrupção e outras cozitas más, nada mais natural que uma alma pura (quase) e crescida nos valores do bem que seus pais e avós exemplificaram, banque a Pata da vez.

E banquei. E estou Quá!QUá!Quá! até agora sem ver a resolução de meu problema. Desculpem meu desabafo caros leitores. Tampem os ouvidos ainda inocentes das crianças por perto:

Puta que o pariu! Caralho! Que merda! Estou possessa!

Respiração quase normalizada. Inspira!Expira!Inspira!Expira… Já já volto ao meu normal. Tenham um pouco de paciência comigo.

Respiração aprofundada e…Voltei ao normal. No entanto, ainda me encontro indignada com a postura “Foda-se” que a maioria das pessoas utilizam no seu dia a dia e em todas as esferas dessa nossa nação.

A pergunta que não quer se calar: Por que? Por que é tão difícil ser profissional e cumprir prazos nesse nosso Brasilzilzil? Por que?

É a empresa de telefonia que te deixa no vácuo quando VOCÊ precisa dela, é a empresa dos correios que te deixa na mão quando não entrega no prazo a correspondência ou mercadoria que mandou ou comprou e nada de te reembolsar ou dar explicações, é o supermercado que anuncia uma promoção e quando você chega, a mercadoria não se encontra com preço anunciado e, ao reclamar, você é que se passa por idiota e que não compreendeu bem, é o atendente da boutique de luxo no shopping que te mede de cima a baixo quando adentra o templo e escaneia sua conta bancária para ver se sai do lugar para te dar atendimento. Se você tem cara de proletário, esqueça minha filha: você não levará nada se depender da boa(má/nenhuma) vontade da balconista. Logo ela, que deve ganhar bem menos que você mas se encontra montada na grife portanto, se acha.

Tudo isso, no decorrer dos dias, meses, anos, te corrói tanto a alma que, chega uma hora, você simplesmente surta e começa a achar natural terroristas fundamentalistas que amam estourar bombas onde se aglomeram seres humanos. Dá vontade de acabar com tudo!

No dia de hoje, chego a sentir certa simpatia por todos eles. Quase chego a compreendê-los!

É boi morto apodrecendo nas vitrines, é leite adulterado com água oxigenada e outros venenos, é pó de serra enriquecendo nosso tão amado e idolatrado cafezinho, É loja de grife usando mão de obra escravizada para confeccionar seus modelitos, é…

MARCENEIRO levando seu duro e suado dinheirinho e não executando nem instalando sua cozinha tão sonhada há exatos…deixe me ver, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março..

AIMEUDEUSVOUSURTAR DE NOVO!!!!!!!!!!

Chamem a polícia, o PROCON, um advogado e uma camisa de força porque se me deixarem solta vou matar alguém!Aiqueódioódioódio!!

Mulher invisível

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Dizem que, ao envelhecer, encolhemos. Suspeito que tornei-me anciã e, pouco a pouco, torno-me invisível.

Nessa nossa sociedade patologicamente plugada ao seu smartphone, torna-se cada dia mais difícil manter uma convivência como nos “antigamente”. Sempre tive o hábito de cumprimentar a todos nas empresas onde trabalhei. Do porteiro ao diretor. Nunca fiz distinção. Fui educada por meus pais – que nem terminaram o primário, a usar de cortesia e sempre esboçar um sorriso sincero ao cumprimentar as pessoas assim que chego ao recinto.

Hoje em dia, sorrio e falo com o vento, as paredes, as janelas, o assoalho. As plantas me respondem avivando sua tonalidade verde. Algumas flores até se viram para mim, como que sorrindo e agradecendo minha atenção para com elas.

É. Além de tudo devo de estar sofrendo de alguma doença mental. Como diziam os antigos a quem tenho me referido, “mente fraca”. Se penso que as plantas me respondem a um cumprimento, a coisa deve de estar feia pro meu lado.

Cada dia que passa, sinto-me mais e mais deslocada nessa comunidade a que pertenço mas que, ao que parece, devo estar me distanciando. Olho, ninguém me olha. Passam reto. Cumprimento e sorrio, as pessoas continuam com suas feições endurecidas e nem ao menos soltam um suave grunhido como fazem os tímidos. Silêncio absoluto! O que acontece? Cadê aquela animação para formar roda de amigos e conhecidos e passar horas de conversação, risadas, olho no olho e o desejo de se encontrar muito em breve para dar continuidade ao bate papo?

Outro dia, fui visitar família. Confesso que saí de lá ressentida e frustrada. Minha vontade era tanta em conversar e matar saudade no entanto, percebi que a programação da TV estava mais interessante que minha insistência em manter uma conversa animada e contar as novidades. Pouco a pouco, fui murchando. Silenciei e saí à francesa. Fui ao banheiro, lavei o rosto numa inútil intenção de expurgar o gosto ácido da frustração, peguei a bolsa e saí. Elas mal me olharam ao me despedir.

Ninguém mais tem interesse em saber das novidades do outro… A não ser pelas redes sociais que, se postar algo sobre o que anda fazendo, dependendo do que for, ganhará muitos likes e coraçõezinhos e Uaus.

Credo! Isso tudo anda muito chato! Quer saber? Não vejo a hora de completar meu horário aqui no trabalho e dar uma banana bem dada a todos, voltar correndo para meu ninho e me consolar com as séries favoritas da Netflix!

Aqui pra vocês!!

Imagem: Pocho

Ser humano: alimento de difícil digestão

Sou uma profissional da informação. Meu ofício exige estar informada sobre praticamente tudo o que se passa…

Pensando seriamente em sair da área. Ler notícias ultimamente tem sido uma tortura.

Meu emocional, por mais que o trabalhe na terapia, não está aguentando tantos absurdos. São imoralidades sem fim em nosso país e no exterior, que francamente, torna impossível a digestão. Causam náuseas. E quanto a essas náuseas, não há Pantoprazol e afins que resolva.

Retornei do meu almoço. Ainda com alguns minutos de folga, decido ler as notícias do dia. Leio uma matéria sobre os esquemas ilegais nos frigoríficos. Ao término da leitura, uma fermentação esquisita se formou no chackra esplênico. Até acredito que seja o alimento se revirando diante de tantos absurdos lido. Contudo, sei que a fermentação maior foi de indignação.

A humanidade ou grande parcela dela está insana e precisa com urgência ser trancafiada numa cela de cadeia ou hospício. Tais empresas utilizam substâncias cancerígenas para disfarçar carne podre. Decidi: se já estava de namoro com o vegetarianismo, agora diante de tamanho absurdo, vou comer alfafa e vou me alimentar apenas daquilo que plantar pois saberei que não estou colocando veneno naquilo que como e dou aos meus familiares.

Diante de tantos disparates e falcatruas sendo descobertas, permaneço com a pergunta sem resposta: Até quando o homem vai continuar a enganar e ser enganado? Quando a moral dos mesmos se elevará do subsolo imundo e lamacento em que se encontram?

Do meu lado, resta somente vergonha alheia. Envergonho-me pela raça humana que a cada dia demonstra ser a menos evoluída de todos os seres vivos.

Poesia sempre!

O Dia Nacional da Poesia é uma homenagem a data de aniversário do poeta Castro Alves. No entanto, a partir de 2015, foi sancionada a lei 13.131, que mudou a data para o aniversário de Carlos Drummond de Andrade em 31 de outubro. Ou seja, agora o dia nacional da poesia é em 31 de outubro. Mas, para pessoas que como eu, a poesia é celebrada todos os dias do ano, deixo aqui minha pequena homenagem a ela, Poesia, e aos poetas que conseguem lapidar com perfeição todos os sentimentos humanos em rimas, estrofes e versos. O mundo sem poesia seria sem dúvida, mais pobre e sem graça. Abaixo, apesar de não me considerar poeta, arrisquei e escrevi esse pequeno poema:

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Vivas ao Peixinho!

Ano de 1965, dia treze de março. Para a maioria das pessoas que seguiam suas vidas, era um dia como qualquer outro. Sem novidades. Corriqueiro. Na minha família, era um dia especial pois chegava uma pessoa que enriqueceria a vida familiar. Meu irmão!

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Primeiro e único! Crescemos naquela rua comandada por um bando de crianças. Dividindo brinquedos, brincadeiras, aprontamos muito juntos, rimos muito também. Dividimos castigo um de frente ao outro onde revezávamos choro e risadas. Sendo briguenta desde cedo, o defendi da molecada muitas vezes na saída do colégio. eu e meu mano ricardoMexeu com meu irmão, mexeu comigo e dá-lhe bronca porque nunca fui menina de levar desaforo pra casa. Brigamos muito também afinal, quem nunca brigou com seus irmãos? Na adolescência, cheguei a achá-lo um chato! Chato mesmo, daqueles que pegam no seu pé. E eu estava descobrindo o sexo oposto e adorava paquerar. E lá vinha meu mano jogando água na minha fervura, falando mal do gajo visado da vez, ameaçando contar pro papai e pra mamãe. Chato! Houve um ano que ficamos sem nos falarmos. Sem nos olharmos. Foi um ano muito difícil para mim. E hoje, acredito que para ele também afinal, sei que por baixo daquela carcaça dura que criou ao seu redor, ele carrega um coração incrível e repleto de emoções. Na fase adulta nos reaproximamos e ano após ano, nos tornamos mais e mais amigos, companheiros, cúmplices. Apesar de morar em outra cidade e passarmos bons meses sem nos vermos, nossa sintonia emocional nos mantém conectados. E vamos combinar que a tecnologia ajuda muito a encurtar distâncias. O importante, é manter a chama do nosso amor sempre acesa alimentando com orações, mentalizações, troca de mensagens carinhosas e verdadeiras. Sinto-me privilegiada em ter irmãos tão queridos e que, independente das diferenças, respeitamos uns aos outros e procuramos ajudar no que for necessário. Mano Ricardo, acordei pensando em você e no quanto sou feliz em tê-lo ao meu lado. Que possamos percorrer essa caminhada da vida de forma alegre, sincronizados nos sentimentos e vez ou outra, nos abraçarmos fisicamente materializando todo nosso sentimento recíproco. Ter irmão é bom demais! Ter irmãomigo, é viver no paraíso aqui, em plena Terra! Saúde mano!!

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Ser humano: REFORMULAR!

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Ando com tantos sapos engasgados formando fila indiana que, sinceramente, não sei como ainda não morri sufocada. Tenho cá para mim que a vida é algo fácil de se viver. O que a complica são as pessoas que povoam esse planeta. Vai discordar? Tudo bem, está no seu direito, contudo, por aqui ainda mando eu e se digo que são as pessoas que complicam, são elas e ponto!

O panorama geral de nosso país está uma fossa a céu aberto. Existem aqueles que cagam legal e outros que arrotam que é uma maravilha. Quando penso que já vi e ouvi de tudo, eis que surge do nada, alguém com alguma pérola que me faz repensar tudo o que havia estabelecido como norma de vida. Luto para não me deixar levar por essa nuvem negra que assola todo território nacional: pessimismo alimentado por grossas fatias de ódio, preconceito, discriminação,com algumas pitadas de moral e como sobremesa, taça cheia de hipocrisia. Haja estômago!

Falsidade alastra-se como Barba de Bode. Grosseria se espalha mais que Maria Sem-Vergonha. Em meio a tantas ervas daninhas a contaminar tudo, ficamos à mercê da boa vontade que míngua pouco a pouco.

Somos diariamente bombardeados por notícias ruins e isso faz com que percamos a confiança em todos que nos rodeiam. Já constatei muita gente em quem confiava como verdadeiros amigos ou, colegas que, na primeira oportunidade, cravaram um punhal em minha costa. Sobrevivi porque tenho o couro curtido.

Outro dia, estava tão decepcionada com as pessoas que à noite, tive um lero com Deus onde fiz minha combinação para uma próxima existência: SE houver reencarnação, por favor, por favorzinho, faça-me nascer uma planta qualquer. Nem bicho quero vir. Desejo brotar mansamente no meio do matagal ou num pântano. Desabrochar, se possível, dar alguma flor perfumada que embeleze a natureza, conclua silenciosamente meu ciclo de vida e volte para a terra em forma de adubo. E assim, incessantemente até os finais dos tempos.

Haviam me dito que nascer humano seria o supra sumo da evolução nesse planetinha. Báh! Que mentira mais cabeluda! Estou para conhecer raça mais podre que essa! Escreve aí em seu caderninho de anotação Criador: Ser Humano: REFORMULAR!

P.S.: O que salva, é que ainda restam alguns sobreviventes que tornam essa nossa existência algo prazeroso em meio a tanta coisa ruim. Agradeço a essas almas do bem, a chance de tê-las ao meu redor. Obrigada!

Imagem: Google

Narkissos.. Que isso meo!

narciso

Ao contrário da maioria das mulheres, detesto homem grude. Tudo em excesso cansa, desgosta, dá enjoo. Outro defeito (ou qualidade, aí depende do ponto de vista de cada um) que me irrita, é o cara que se acha o “Sedutor”. São tão previsíveis! E isso me dá uma canseira que nem te conto. Existe também aquele que só tem olhos para seu reflexo. O famoso “Narciso”. Personagem da mitologia grega que – fiquei sabendo da essência de seu nome há pouco. Aliás, muito apropriado. Explico:

Do grego Narkissos, que significa “aquele que foi narcotizado, paralisado”. A planta que leva esse nome tem propriedades reais de um narcótico. Segundo alguns estudiosos, mais potente que a papoula.

Deixando de lado a aula, retorno para minha linha de pensamento sobre os tais Narcisos.

São homens absurdamente lindos, bem cuidados, porém, incapazes de enxergar a mulher à sua frente pois seus olhos só conseguem apreciar e se apaixonar por seus próprios reflexos . E como gostam de um espelho!

Basta passar certo tempo nas academias para se ver dezenas deles. E a mulherada se esmerando em desfilar bundas e peitos empinados diante deles, que jamais verão beleza a não ser no próprio reflexo. Já repararam que esses homens estão sempre solitários? Até que alguns tentam bancar o sedutor com as mulheres mas, no fundo, o que eles gostariam mesmo é de poder transar consigo mesmo. E muitos devem bater punheta direto no silêncio de seus quartos. E devem gozar litros de fluídos afinal, o prazer está sempre na própria companhia…

…”Oi Gata!” – Homens aprendam: isso para uma mulher mais instruída e consciente de si soa quase como uma ofensa. Vá por mim!

…”Oi princesa!” – Essa cantada então, piorou. Já passei da idade de crer em contos de fadas queridão!

E o cara que se acha irresistível mas burro feito…sei lá o quê? Filhão, deixa eu te situar: mulher moderna, estudada , antenada, quer tudo menos um cara que fala errado (não tem nada mais broxante. Ou então aquele que só abre a boca para falar de futebol, carros ou política. Nada contra mas… Só isso? Não basta músculos desenvolvidos se o músculo principal (o cérebro) é menor que uma ervilha.

O pior, é que sempre fui imã para esses tipos. Tudo bem que eu não sou nenhuma santa. Muitas vezes dou corda para que o mesmo se enforque. Adoro acompanhar seus passos previsíveis. Já sei o final e isso torna a situação morna, sem perspectivas de algo que surpreenda. Tá legal, confesso: sou um pouco sacana em agir assim. Dependendo do cara, até dispenso de imediato. Para poupar o tempo dele e o meu. Mas as vezes…Divirto-me a beça. Chego a me sentir uma grande enxadrista manipulando meu opositor já antevendo suas jogadas. E no final, Xeque-mate! Dou um bota fora dos bons.

Mas querem saber de uma coisa? Apesar de todos esses tipos, ainda não perdi fé no sexo oposto. Gosto um tantão deles viu? E como a esperança é a última a sair e cerrar as cortinas, ainda aguardo a chance de conhecer um homem pra valer que me faça pensar que… “Ah, esse vale a pena!”

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