Ser humano: REFORMULAR!

evolucao

Ando com tantos sapos engasgados formando fila indiana que, sinceramente, não sei como ainda não morri sufocada. Tenho cá para mim que a vida é algo fácil de se viver. O que a complica são as pessoas que povoam esse planeta. Vai discordar? Tudo bem, está no seu direito, contudo, por aqui ainda mando eu e se digo que são as pessoas que complicam, são elas e ponto!

O panorama geral de nosso país está uma fossa a céu aberto. Existem aqueles que cagam legal e outros que arrotam que é uma maravilha. Quando penso que já vi e ouvi de tudo, eis que surge do nada, alguém com alguma pérola que me faz repensar tudo o que havia estabelecido como norma de vida. Luto para não me deixar levar por essa nuvem negra que assola todo território nacional: pessimismo alimentado por grossas fatias de ódio, preconceito, discriminação,com algumas pitadas de moral e como sobremesa, taça cheia de hipocrisia. Haja estômago!

Falsidade alastra-se como Barba de Bode. Grosseria se espalha mais que Maria Sem-Vergonha. Em meio a tantas ervas daninhas a contaminar tudo, ficamos à mercê da boa vontade que míngua pouco a pouco.

Somos diariamente bombardeados por notícias ruins e isso faz com que percamos a confiança em todos que nos rodeiam. Já constatei muita gente em quem confiava como verdadeiros amigos ou, colegas que, na primeira oportunidade, cravaram um punhal em minha costa. Sobrevivi porque tenho o couro curtido.

Outro dia, estava tão decepcionada com as pessoas que à noite, tive um lero com Deus onde fiz minha combinação para uma próxima existência: SE houver reencarnação, por favor, por favorzinho, faça-me nascer uma planta qualquer. Nem bicho quero vir. Desejo brotar mansamente no meio do matagal ou num pântano. Desabrochar, se possível, dar alguma flor perfumada que embeleze a natureza, conclua silenciosamente meu ciclo de vida e volte para a terra em forma de adubo. E assim, incessantemente até os finais dos tempos.

Haviam me dito que nascer humano seria o supra sumo da evolução nesse planetinha. Báh! Que mentira mais cabeluda! Estou para conhecer raça mais podre que essa! Escreve aí em seu caderninho de anotação Criador: Ser Humano: REFORMULAR!

P.S.: O que salva, é que ainda restam alguns sobreviventes que tornam essa nossa existência algo prazeroso em meio a tanta coisa ruim. Agradeço a essas almas do bem, a chance de tê-las ao meu redor. Obrigada!

Imagem: Google

Narkissos.. Que isso meo!

narciso

Ao contrário da maioria das mulheres, detesto homem grude. Tudo em excesso cansa, desgosta, dá enjoo. Outro defeito (ou qualidade, aí depende do ponto de vista de cada um) que me irrita, é o cara que se acha o “Sedutor”. São tão previsíveis! E isso me dá uma canseira que nem te conto. Existe também aquele que só tem olhos para seu reflexo. O famoso “Narciso”. Personagem da mitologia grega que – fiquei sabendo da essência de seu nome há pouco. Aliás, muito apropriado. Explico:

Do grego Narkissos, que significa “aquele que foi narcotizado, paralisado”. A planta que leva esse nome tem propriedades reais de um narcótico. Segundo alguns estudiosos, mais potente que a papoula.

Deixando de lado a aula, retorno para minha linha de pensamento sobre os tais Narcisos.

São homens absurdamente lindos, bem cuidados, porém, incapazes de enxergar a mulher à sua frente pois seus olhos só conseguem apreciar e se apaixonar por seus próprios reflexos . E como gostam de um espelho!

Basta passar certo tempo nas academias para se ver dezenas deles. E a mulherada se esmerando em desfilar bundas e peitos empinados diante deles, que jamais verão beleza a não ser no próprio reflexo. Já repararam que esses homens estão sempre solitários? Até que alguns tentam bancar o sedutor com as mulheres mas, no fundo, o que eles gostariam mesmo é de poder transar consigo mesmo. E muitos devem bater punheta direto no silêncio de seus quartos. E devem gozar litros de fluídos afinal, o prazer está sempre na própria companhia…

…”Oi Gata!” – Homens aprendam: isso para uma mulher mais instruída e consciente de si soa quase como uma ofensa. Vá por mim!

…”Oi princesa!” – Essa cantada então, piorou. Já passei da idade de crer em contos de fadas queridão!

E o cara que se acha irresistível mas burro feito…sei lá o quê? Filhão, deixa eu te situar: mulher moderna, estudada , antenada, quer tudo menos um cara que fala errado (não tem nada mais broxante. Ou então aquele que só abre a boca para falar de futebol, carros ou política. Nada contra mas… Só isso? Não basta músculos desenvolvidos se o músculo principal (o cérebro) é menor que uma ervilha.

O pior, é que sempre fui imã para esses tipos. Tudo bem que eu não sou nenhuma santa. Muitas vezes dou corda para que o mesmo se enforque. Adoro acompanhar seus passos previsíveis. Já sei o final e isso torna a situação morna, sem perspectivas de algo que surpreenda. Tá legal, confesso: sou um pouco sacana em agir assim. Dependendo do cara, até dispenso de imediato. Para poupar o tempo dele e o meu. Mas as vezes…Divirto-me a beça. Chego a me sentir uma grande enxadrista manipulando meu opositor já antevendo suas jogadas. E no final, Xeque-mate! Dou um bota fora dos bons.

Mas querem saber de uma coisa? Apesar de todos esses tipos, ainda não perdi fé no sexo oposto. Gosto um tantão deles viu? E como a esperança é a última a sair e cerrar as cortinas, ainda aguardo a chance de conhecer um homem pra valer que me faça pensar que… “Ah, esse vale a pena!”

Imagem: Google

Antes de ontem… Antes de amanhã… Antes de hoje… Antes de mim… Depois!

piao

Outrora, já fiz muitos planos: estudar, trabalhar, viajar, namorar… Casar? Não. Casar nunca. Mas, entrava ano, saía ano, estava lá eu, a traçar planos vindouros. Imaginação trabalhava de forma insana prevendo o que estaria por vir. A expectativa diante do que poderia surgir num futuro causava-me úlceras.

Hoje não é que perdi a capacidade de sonhar, apenas transformei os sonhos e sua posição em minha vida. Também não desiludi ou frustrei. Plantei bem firme meus dois pés no chão. Tratei de deixar os sonhos se transformarem em belas histórias. Em literatura.

Não. Talvez nem isso. Ao contrário da maioria de escritores que conheço, não batalho para firmar meu nome, me fazer conhecida, almejar prêmios. Não tenho interesse em competir com ninguém. Nunca tive espírito de atleta. Confesso aqui e agora pra vocês: ok! Sou preguiçosa! Adepta da filosofia de De Masi, curto um bom ócio sem peso na consciência.
Mas a vida nem sempre colabora com nossos gostos pessoais e então, nos puxa para a realidade e nos faz rodar feito pião maluco girando no centro de uma mesa lisa lustrada por Poliflor.

Fim de ano chegou, passou. Ano novo surgiu com nuances de coisa nova. Mês de janeiro passou numa velocidade da luz e eu, continuei esse mesmo pião maluco rodando abestalhada sem saber onde estacionar. Muitas coisas aconteceram.

Quase não li a não ser um pouco de contos do livro de Neil Gaiman Alerta de Risco e um livro trocado com a amiga Lunna Guedes, do francês Roger-Pol  Droit, Se só me restasse uma hora de vida.

Um pouco de filosofia francesa para me sacudir e tentar colocar em prática essa frase em meu dia a dia. Decidi entrar em fevereiro como se só me restasse ele para fazer algo significativo para a posteridade.

Depois de muito refletir sobre tudo o que li nesse livro, decidi parar por aqui mesmo e não planejar nada.

Deixa o fluxo de vida seguir livremente! Quero envelhecer de forma natural. Sei que minhas juntas já começaram a enrijecer e, previdente, reiniciei minhas aulas de pilates. Contudo, meu maior desejo é manter flexível minha alma. Essa não quero jamais embrutecer.

Que venha fevereiro trazendo o molejo do carnaval e a doce esperança de dias melhores. Mesmo diante de tanta tempestade.

 

Essa postagem faz parte de uma blogagem coletiva promovida por Lunna Guedes

 

Imagem: Sapo

Determinação

woman-coffee-cup-girl

É hoje. De hoje não passa. Traçei um plano para executar e mudar minha vida. Sei que amanhã agradecerei ter tomado essa decisão. Contarei com apoio e aprovação de todos. Daqui uns anos, olharei meu reflexo no espelho e sentirei orgulho de mim mesma. É isso. Não tem mais volta. Na realidade, não vejo a hora do dia correr. Trago a certeza de que sairei vencedora. Já conto com torcida organizada a planejar seu grito de guerra para me ver chegar à final. Vai ser lindo! Farei parte dos vencedores na vida. Dos sorrisos que moram no Olimpo. Consigo desfrutar a sensação desde já do dever cumprido…

18h26 – Starbucks, Alameda Santos.

– Por favor, dá uma chegada mais pro canto para eu sentar? Obrigada. Ah, não querendo abusar, mas já abusando, posso colocar meu frappuccino nessa mesa? Ah sim, Obrigada.

– Camila, você por aqui?.. Não era hoje que iria começar a frequentar a academia?

– Oi Jú! É…

– Escuta colega, não era você que espalhou para todo mundo no departamento que a partir de hoje seria uma nova pessoa, e que se transformaria numa vegana? Só comeria coisas naturais?

– É…

– Cadê toda aquela determinação e discurso que nos infernizou a semana toda no refeitório só pregando a boa alimentação e bons hábitos? Não é bem isso que estou vendo por aqui…

– Jú, seguinte: vai ficar aí em pé me infernizando e tirando uma onda com a minha cara ou prefere sentar-se aqui e comer junto e colocar as fofocas em dia? Não sei se percebeu mas está atrapalhando.

– Fechado colega! Chega pra lá para eu sentar do seu lado. Ficou sabendo da Bernarda da contabilidade e do Alfredo da Tecnologia?

– Não mas você vai me contar tudinho. Moço, desculpa, pode se achegar um pouquinho mais pro canto. Ah, Jú coloca seu donuts do lado do meu. Isso aqui tá uma delícia!!!

Imagem: Pexels

Início não renovado

E o ano de 2017 inicia trazendo em sua bagagem velhos hábitos, velhos costumes, velhos problemas. Percorro a cidade, entro nos vagões do metrô e o que observo é que nada, absolutamente nada mudou.

Seres humanos carregando em si, intolerância, impaciência, má educação. Jovens alienados, crianças mimadas e adultos infantiloides. Nas ruas, uma massa – misto de ressaca de final de ano e má digestão do princípio de um novo ano carregado de más notícias -, fazem da cidade, um panorama desagradável.

Ruas imundas, boeiros entupidos, calçadas quebradas, frota de ônibus precária e insuficiente para locomover levas imensas de transeuntes que circulam diariamente pela cidade. Aumento das tarifas: do IPTU, do IPVA, das absurdas listas escolares que todo ano inflacionam e comprometem a verba dos trabalhadores.

E com tudo isso a nos rodear, ai do trabalhador que cai no abuso de ficar doente! Hoje em dia nem se pode dizer: segue o enterro, pois o caixão está pela hora da morte. Desculpem mas não resisti a essa brincadeira de mal gosto. Nem morrer em paz o cidadão está podendo. Até isso lhe foi tirado.

Violência fazendo parte da rotina de quase todo mundo. Banalizou-se. Acompanhamos os noticiários na TV fazendo nossas refeições e nem nos impressionamos com a matança fora e dentro das prisões. Se assustar pra quê? Morrer faz parte do pacote completo não é mesmo?

E assim, seguimos nessa imensa boiada rumo a não sei o quê, nem pra onde, ruminando tudo sem sentir gosto de nada. Mais um ano. Menos um ano. E por último deixo uma pergunta:

E a poesia da vida onde fica? E as artes? Onde se enquadram nessa loucura que ela se transformou? Ou será que sempre foi assim e nem percebemos?

Ah Roseli, deixa disso. Filosofia foi feito para poucos e mesmo esses poucos, jamais encontraram respostas para essas questões.

É, não tenho respostas para nada e ouvindo Oswaldo Montenegro, concluo com ele que a lógica da criação é totalmente ilógica para nossa limitada compreensão.

Tal qual ele, não entendi a equação da criação e por isso mesmo, sigo vivendo, cantando, dançando e escrevendo porque, se existe outra vida, será na outra que talvez dê tudo certo porque nessa, já percebi que é o tango do crioulo doido. Só nos resta dançar na garrafinha, surtar feito o Beijoqueiro na chegada das maratonas e brindar a cada ano que conseguirmos fechar vivos. Só o fato de chegarmos ilesos já será uma vitória a se comemorar.

Recomeçar

Meu final de ano foi atípico. Acostumada a correria insana e o mergulho no consumo descontrolado, próprios dos finais de ano, dessa vez foi totalmente diferente.

Por conta da doença de meu tio e seu falecimento no início de dezembro, a família achou por bem, manter apenas a reunião familiar sem os festejos comuns e trocas de presentes. A presença de todos era o que buscávamos.

Desliguei-me por completo de noticiários, redes sociais e voltei-me para a convivência familiar.

Devo dizer que foi o melhor Natal em muitos anos! Pelo menos para mim que só ansiava o olho no olho, o abraço apertado e sincero, a conversa descompromissada, as risadas descontraídas.

Só não foi perfeito por receber uma mensagem avisando da morte de George Michael, do qual sempre fui fervorosa fã. Simplesmente fiquei anestesiada. Nem quis ler muito a respeito de como ele morreu. Bateu uma dor fina no peito. Segui adiante não procurando saber mais. Atravessei a semana tranquila, peguei bastante sol que me aqueceu a pele tostada pela luz do ambiente de trabalho. Senti que meu interior também aqueceu. Meu pensamento planava passando por todas as raras notícias que peguei de relance. Todas, infelizmente ruins. Se fosse uma pessoa de índole pessimista, acredito que teria terminado minha existência antes mesmo da virada do Ano Novo. Mas não sou assim. Apesar de tudo, mantenho minha alma serena. Trabalho para não entrar nessa sintonia negativa em que a maioria se atira de cabeça esbravejando nas redes sociais que o ano de 2016 foi uma merda, foi horrível, foi tenebroso.

Perdoem minha posição diante disso tudo. Não consigo pensar nem sentir assim. Tive tanto a agradecer por esse ano. Sou pura gratidão. Mas não se enganem achando que faço aqui um tratado autoajuda. Sou grata no entanto, sou consciente de que tudo o que conquistei nesse ano, não foi obra do acaso. Tudo o que conquistei foi fruto de muitos anos de trabalho externo e interno. Mergulhei fundo na minha essência e malhei o conformismo em matéria de transformação pessoal. Deixei de lado a zona de conforto e me mexi. O resultado foi apenas consequência de meus passos. Provei a mim mesma que é possível alcançar um sonho. Basta sair da postura dormente e trabalhar para realizar. Passo a passo, etapa por etapa. E claro, acreditar naquilo que se deseja almejar.

Calma. Não precisa achar que estou aqui num blábláblá de autoajuda. Longe de mim! Cada um, cada um.

E o ano de 2017 inicia mansamente mas, já apresentando suas cartas sobre como será.

Desejo apenas que você, assim como eu, lute contra esse pessimismo coletivo que assola a grande maioria. Não queira ser “Maria vai com as outras”. Ouse, arrisque-se, mostre seu potencial. Não tenha medo de sair de sua zona de conforto. Lembre-se: ela é conforto somente no nome. Entrar nessa zona é altamente maligno. Causa mal estar e transforma-nos em estátuas de sal. Não tenha medo. Ou, por outro lado, tenha sim mas não permita que ele te paralise diante das situações que se apresente. Que sirva apenas de norteio para seu caminhar e te proteja de ataques. Independente da crença que se tenha, deixo aqui, um lema que norteia meu caminhar que foi dito por Chico Xavier que seu mentor espiritual, Emmanuel, sempre disse e eu acho o máximo da boa vivência:

Confia e segue!

É com essa máxima que termino meu texto e convido a todos para seguir o ano de 2017 lembrando-se dela e transformando esse simples frase num coquetel vitamínico que te impulsione para frente. Feliz e consciente 2017 para toda a humanidade!

P.S: Em tempo, falei acima do George Michael e deixei de finalizar. Hoje, após uma semana de seu desaparecimento entre nós, tomei a iniciativa de ouvir toda a sua discografia. E tive a confirmação daquilo que já sabia: Que cantor maravilhoso ele foi. Não me interessa sua vida pessoal, seus erros e acertos. O que ele deixou para a posteridade através de sua bela voz, pra mim é suficiente. Descanse meu querido.

Desejo de Natal: uma fábula diferente (ou não)

christmas-images-1443690

Estou aqui, parada de frente a tela do computador há tempos, querendo escrever uma mensagem de Natal. Simplesmente não consigo!

O famoso e conhecido espírito natalino não baixou em mim esse ano. Aliás, o processo já vem ocorrendo há alguns anos mas agora, se materializou de vez.

Calma. Já explico. Espere, não vá tirando conclusões precipitadas. Hei! Não deixei de ser cristã não! Pode parar de me julgar sua falsa! O que? Não disfarça não que eu vi você fazendo sinal da cruz e falando em voz baixa que eu devo arder no fogo do inferno!

Vai me deixar explicar ou não? Voltem a se sentar que eu explico. Isso…Silêncio que a titia vai falar: Assim como nosso mano maior..

Oh dona Maricota, você aí de blusinha quadrada e estampadinha de rosa, para de cochichar com a sua comadre do lado. Eu estou falando. Então, ando tão decepcionada com a humanidade quanto Jesus, esse mesmo menino que nasceu na manjedoura e que comemoramos seu nascimento no dia 25 de dezembro. Lembrou agora o porque da comemoração? Ou ainda acha que é só por conta de ganhar presentes e encher a pança de guloseimas?

E digo mais: outro dia, num papo reto via skype angelical, ele me confidenciou a sua decepção com a gente e confessou que se soubesse que sua vida, dedicação e morte daria nisso, ele teria se arrumado com Madalena, enchido o planeta de filhos bonitos como ele, feito churrasco todo domingo na lage e comandaria a marcenaria do seu pai após esse se aposentar. Ah! E teria entrado numa briga boa com seus irmãos pela herança deixada pelo velho José.

Me disse mais: Já foi convocado pelo Senhor do Universo para retornar ao planeta e tentar trazer a humanidade para o caminho certo. Mandou uma figa para seu Senhor e jurou por tudo que é mais sagrado que não retorna jamais! Que mande outro otário! Eu heim? Sofrer a toa e nem ser reconhecido nas redes sociais!

Pensei muito sobre seu desabafo e concordo. Eu, em seu lugar, faria o mesmo. Apesar de ser uma otimista por natureza, não boto minha mão no fogo por essa humanidade desprovida de amor ao próximo.

Mas aí falei para ele: Mano, mas então, como fica o caso das pessoas de bem misturadas a essas criaturas tão sem lei, sem caráter que inundam e entristecem o planeta? É justo? Tantos inocentes morrerem porque existe um tabuleiro dividindo o planeta…Tanta violência…Tantas crianças orfãs…

Ah querida, agora pegou pesado comigo não? Sabe que meu ponto fraco são as criancinhas…

Mas não adianta. Nem por elas eu retorno! Pra mim basta.

Certo. Entendi. Nem pretendo te jogar nessa furada de novo. Mas então, vamos pensar em algo que possamos fazer para reverter esse quadro tão negro que atravessamos…

Eh…Que baita lorota essa aí tá falando. Aff!

Quem disse isso? Hã? Manifeste-se. Ah, é você? Seu Aureliano, paciência e ouvidos de ouvinte são bem vindos por aqui, ok? Não estou agradando? Olha lá que porta linda te espera. Raspe! Silêncio que eu vou terminar. Paciência. Lembram?

Após um silêncio profundo tanto na platéia que me ouvia quanto no recinto em que confabulava com J.C., ele levantou seus lindos porém cansados olhos e sentenciou:

-Roseli, não existe um outro caminho para a humanidade a não ser aquele que já mostrei. Somente através do amor, somente através de mim é que todos, sem exceção, encontrarão a tão almejada paz. E reforço que não será através desse amor doentio e dessa fé cega que se chegará a isso. Fé cega foi justamente a minha perdição. Não por mérito meu mas, da cegueira de toda a humanidade em que estive inserido na época. E vejo que nada mudou desde então a não ser a tecnologia que se usa hoje.

Passe a seguinte mensagem de Natal para seus leitores e demais pessoas:

Esqueçam essa correria abestalhada pelo consumo descontrolado. Ele é bom mas tem de saber usar. Controlem suas bocas para não pecarem na gula. Isso é pecado mortal Lembram? Busquem se aconchegar em seus lares olhando-se nos olhos, abraçando-se, acarinhando seus entes queridos. Mas não fiquem somente no seio familiar. Estendam esse sentimento para seus vizinhos, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos. Aprendam a amar de verdade. esqueçam o sentimento plastificado divulgado pela Plin-Plin e amem-se pra valer. Façam desse Natal, um divisor de águas e fará do ano de 2017 toda a diferença.

Roseli, passa essa minha mensagem exatamente assim. Ah, e antes que eu me vá, pode jurar de pé junto que euzinho não retorno aqui nem por Deus! Ai, meu Deus, perdoa-me disse seu nome em vão! Fuiiiiii!

Então galera do bem, é através dessa fábula diferentona que desejo um Feliz e Verdadeiro Natal a todos que por aqui passam. E aproveito e peço um favor a todos: colaborem com Mano Véio. Vamos fazer nossa parte porque…Esqueçam! Ele não volta nunca mais para botar ordem nessa zueira que fizemos! Vamos começar a organizar essa bagunça desde já.

Oh…dona Maricota, comece você a fincar ordem ao seu redor. Fazfavor! Jogue seu lixinho no lixo! Entendeu? Eu vi daqui você comendo doce e jogando embalagem debaixo de sua cadeira.

Ai Cristo como é difícil viu! Ah tá! Entendi. É para eu parar de reclamar também né. Ok! Não precisa me dar paulistinha na orelha. Olha a violência hein? Fuiiii também!

 

 

 

FELIZ NATAL PESSOAL!!!

Imagem: Barry Meyer

Cantiga de ninar para menino M.

1882-crianca-adormecida

Vá. Não tenha medo menino M. Abra seus olhos internos e enxergue a beleza do outro lado. Observe a multidão que te aguarda, ansiosos por seu retorno. Desapegue-se das preocupações de uma vida inteira com os outros. Sua vida passou e ficará impressa na história familiar. Acredite, foi escrita com tinta de ouro e servirá de modelo para as gerações seguintes.

Não chore. Para que esse bico e esse olhar de pesar? Entendo… Despedidas são sempre dolorosas. Mas não estamos dando um adeus. Não! No máximo… Um até breve.

Ei! Pára com isso menino M. Qual o motivo para essa cabeça baixa, olhar melindrado? Até me fez lembrar quando, pela primeira vez na escola, assustou-se por estar longe de sua mãe.

Lembra que depois pegou-se de paixão infantil pela professorinha que tanta atenção lhe ofertou? Recorda que tornou-se seu braço direito na pequena sala de aula? Durou tão pouco não é mesmo? Gostaria de ter-se formado doutor mas, a dureza da realidade familiar exigiu que regressasse para o campo. Coração apertado, aceitou seu destino e seguiu os passos de seu pai.

A vida prosseguiu. Enfrentou tempos difíceis. Provou ser uma pessoa do bem. Assimilou os valores passado por seus pais. Transformou-se num guru. Admirado por muitos, temido por outros.

Confesso que por uns tempos, preocupei-me com você.Sua atitude beirava a arrogância e isso não representava sua essência de menino.

Que bom que se reencontrou! Precisou ocorrer um comprometimento neuro cognitivo para assumir o posto, a criança leve e sorridente que outrora foi.

À partir daí  reaproximei-me de você. Agora falávamos de igual para igual.Lembra de nossas conversas? Fluíam que nem víamos a hora passar.

Preciso te dizer uma coisa: Não precisa mais chorar de saudade de sua mãezinha. Repare à sua frente. Ela acena para você esboçando seu doce sorriso. Traz os olhos marejados de felicidade em recebê-lo novamente em seus braços. Vá. Não relute.

Siga sem pestanejar. É a porta da redenção que se abre para você. Ficar só te trará sofrimento. Você não pertence mais a esse lado. Nesse grande tabuleiro chamado vida, você ousou e movimentou-se com maestria. Foi um vencedor. Mesmo que para muitos, você seja um fracassado. Não dê ouvidos. Sua elevação os incomoda.

Menino M., deixa de enrolação e vá. Ultrapasse essa linha tênue que o separa da real felicidade. Até eu consigo ver daqui a alegria que impera do outro lado dessa margem. Bandeirolas brancas enfeitam a cidade. A banda de música toca sem parar anunciando sua chegada. Observe quantos olhos curiosos em te ver chegar. Lá, é dia de celebração e você é o motivo de tanta festividade.

Não! Pare de se preocupar conosco! Não ficaremos em desamparo. Aprendemos com suas lições a sermos maiores. Já sabemos caminhar sozinhos. E, apesar da provável separação, só em sabermos que estará feliz e liberto de tudo isso, nossos corações já se enchem de alegria. Vá na frente e prepare o terreno para quando chegar nossa vez. Ah! Antes que me esqueça, tenha a certeza de que jamais o esqueceremos. Jamais.

Menino M., morra em paz. Renasça em paz ao lado dos seus que o esperam. Mande notícias nossas e diga a eles, que mantemos suas memórias intactas que são constantemente revividas nas reuniões familiares.

Isso. Seja um bom menino. Durma o sono da eternidade e sonhe os seus mais belos sonhos. Os anjos velam por você. Um som angelical soa ao longe embalando a todos.

Foi-se. Até breve menino M. Até breve…

Imagem: Criança adormecida (Leon Perrault – 1882)

Máscaras

mascaras

Como expressar o que sinto no momento? Não sei. Muitas perguntas sem respostas.

A única certeza que trago comigo é que nada sei.

Sorrio. Lembrei-me do filósofo que – segundo dizem, (não estava lá para saber) – dizia algo parecido. Simpatizo-me com ele. Nunca saberemos e quem afirma, engana-se a si mesmo.

O planeta gira numa velocidade “Sennica” e eu, nesse meu passar lento e miúdo, presencio flashs de acontecimentos e pessoas que percorrem a arena da vida desatinados correndo atrás de nem sei o quê.

Em minha lenta forma de viver, prefiro dar uma parada numa cafeteria e mergulhar numa xícara de café. Sou fiel a esse meu assumido vício. E claro, observar. Muito. Está certo. Assumo perante vocês que sou uma voyeur. Sofro de um prazer mórbido em desviar meus olhos e atenção à vidas alheias. Aprecio captar olhares, expressões, movimentos corporais que estimulam minha criatividade.

Amo a natureza. Flora e fauna trazem belezas indescritíveis. No entanto, nós humanos, trazemos conosco algo que nada na natureza contém. Essa capacidade de se expressar em gestos, ações, gritos, silêncios que nada se compara.

Apesar dos pesares, ainda aposto na natureza humana. Essa pedra embrutecida que carrega em seu interior, um diamante raro, de um brilho ímpar. Muitos, em poucas lapidadas se mostram em vida seu valor.

Outros, mais endurecidos, levam uma eternidade sendo moldado, raspado, amaciado e ao seu término, definha embaçado. Mesmo esses, que ninguém teve a capacidade de ver, trás em si, a beleza e valor encobertos por uma poluição da alma. Quem sabe, alguma mente mais elevada possa reconhecer seu valor.

Digo isso porque sentada na praça, após o almoço, admiro a movimentação, me deixo levar por esses pensamentos livres…

Olha só que graça a babá brincando com um bebê lindo, sorridente, em suas primeiras tentativas de andar…

Do outro lado, levemente encobertos por uma moita, um jovem casal em uniformes escolares, arriscam-se em carinhos mais ousados…

Mais adiante, outro jovem negocia drogas com um traficante. Achando que ninguém os vê…Ou, nem se importam que vejam. Tão comum.

O sol está ameno, convidativo a ficar. Mas, para quem é escravo do tempo, ele urge. Levanto-me de forma preguiçosa, refaço o caminho para a empresa.

Sempre de forma lenta afinal, para que a pressa? Tenho minha pequena dose de eternidade para brincar de ser gente. E brinco!

Hora do regresso: 12h53. Passo a catraca e transformo-me novamente na profissional séria e competente que todos conhecem.

Imagem: Google

Sobrei? Acho que não!

mulheres-chinesas

Semana passada, chegando a empresa onde trabalho, passei pelo refeitório para tomar um chocolate e comer um pãozinho integral. Reforço para minha manhã. Enquanto me alimentava, passei a prestar atenção à TV ligada. Estava sintonizada no programa da Ana Maria Braga. Geralmente nem presto atenção no entanto, a temática me prendeu e fiquei atenta ao que se discutia pois as conversas paralelas estavam num volume alto. A matéria discutida se passava na China e abordava a questão das mulheres que ficam solteiras por lá conhecidas como “sheng nu”, em outras palavras, “Mulheres que sobraram”. Ser mulher na China já é barra. Ser mulher e ficar solteira então, barra ao cubo.

Esse termo mexeu comigo, com meus brios de mulher, de ser humano. Afinal, aos cinquenta e três anos nunca casei e se morasse na China, com certeza seria um empecilho e motivo de vergonha alheia. Graças a Deus nasci em solo brasileiro. E mesmo com todos as falhas que nossa sociedade possui, com todas as dificuldades que enfrentamos por aqui, considero-me privilegiada.

Nasci numa família pobre. Passei muitas necessidades contudo, jamais passei fome. Só não tive mordomias, nem roupa de grife, muito menos brinquedos caros. Me esforcei, estudei. Trabalho desde os quatorze anos e me fiz na vida. Conquistei tudo o que sonhei até agora. Se ainda não tenho um carro – sonho de consumo da maioria – é porque nunca me interessei em dirigir.

Retomando a China e suas posturas ofensivas a mulher, em especial a mulher que aos vinte e sete anos, solteira, já é considerada uma “sobra”, fiquei mastigando meu pãozinho integral e ruminando pensamentos sobre a questão. Lembrei do livro que li há alguns anos, da jornalista Xinran “As boas mulheres da China” e do quanto fiquei tocada em conhecer a dura e, na maioria das vezes, triste realidade das mulheres chinesas.

Que felicidade ter nascido numa família onde meus pais deram mais importância aos estudos do que em nos preparar para o casamento. Nada contra. Fico feliz em ver mulheres encontrando seus parceiros de vida e constituindo família. Sempre senti em meu íntimo que jamais casaria. Jamais teria filhos. Apaixonei-me várias vezes, namorei bem poucas. Nunca senti que seria com “aquele”. Nunca acalentei o sonho de vestir um traje branco e adentrar uma igreja para sacramentar os ritos de um casamento.

Enquanto amigas e primas se preocupavam em ampliar seus baús de enxoval para núpcias, eu me preocupava em estudar, sonhava em entrar para a faculdade, planejava viajar. Enfim, sempre fui julgada como a “estranha” por ter pensamentos assim. Já ao término da matéria, acabando também meu pãozinho e meu chocolate quente, tive um insight bem legal sobre a questão:

Tenho mais é que me orgulhar de ser uma mulher “sheng nu”. Não sobrei no mercado.

Sou mulher sobra porque carrego no peito muito amor para dar aos outros. Amor para distribuir aos familiares, aos amigos, aos desconhecidos. E conheço muitas outras mulheres solteiras que também são assim como eu. Temos disponibilidade de se doar a quem deseja ou necessita. E isso meu caro leitor que me aguentou até agora, não é tarefa para qualquer um não. Tem de ser Mulher em letras garrafais.

Saí do refeitório sentindo-me melhor. Mas isso não me tira a preocupação constante de que em muitos lugares do planeta, mulheres são desrespeitadas diariamente e consideradas sobras nas famílias que são obrigadas a carregar esse fardo que não deu “certo”.

P.S.: O minidocumentário a respeito da condição das mulheres na China foi uma campanha criada pela marca de produtos de beleza SK-II. É um documentário muito tocante que vale a pena assistir. Está valendo por fazer as pessoas pararem e pensarem sobre essa questão ainda tão presente nos dias de hoje.

O endereço é esse: Marriage Market Takeover (Please turn on subtitle)

Imagem: Google