Nem tudo perdido

O beija-flor sobrevoa a cidade apinhada de humanos circulando apressados.

Plaina sobre a praça. Feliz, percebe que ainda há vegetação e flores em meio a tanto concreto e sujeira.

Sorve o pólen de um ipê amarelo. Um de seus preferidos! Mais a frente, num outro canteiro quebrado, restos de comida, cigarros e preservativos usados, um pé de azaleia florido dá seu testemunho de vida. Voa alegre diante da descoberta. Que felicidade!

A presença de moradores de rua discutindo por um pedaço de cobertor puído, espanta nosso amiguinho que parte em busca de novos horizontes.

No alto de um edifício que já conheceu dias melhores, pousa e troca confidências com uma rolinha.

Há novidades no ar.

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Marulho

Navegar é preciso

viver não é preciso, dizia Pessoa

O que ele não soube, é o quanto amei navegar em seu mar

Corpo rígido a me levar em ondas intensas

A derramar em meu porto, seu prazer

Levando-me a esquecer a náusea de viver

em terra firme

Desafio 3 – Minhas leituras e leituras dos meus

Meus olhos passeiam por tantas palavras, frases e histórias de outros escritores. Muitos, ao término, chego a ficar sem fôlego. Histórias que nos pegam pelas vísceras e retorcem deixando-nos sem ar. Foi o caso da leitura que fiz do livro Apneia, de Bel Aquino, lançado em 2018. Que livro! Se ainda não leu, não perca tempo e corre para comprar seu exemplar. Numa linguagem crua, as vezes ácida, Bel Aquino se desnuda e mergulha num ralo nos levando por situações e sentimentos que muitas vezes queremos esconder bem fundo pois ninguém aguenta olhar-se no espelho da alma e ver o que contém. Bom demais!!

Não canso de ler meus escritos e sempre que faço nova leitura, descubro novas camadas de interpretação. Você também é assim?

Agora, coisa boa é quando um leitor expressa seu ponto de vista sobre a leitura de um livro nosso. Sensação de que cumprimos com nosso objetivo ao escrever e imprimir nossa alma e os leitores se identificarem conosco. Simbiose perfeita!

"o livro Receituário de uma expectadora, da autora Roseli Pedroso. 
 Trata-se de um delicioso livro de crônicas em que a autora consegue olhar ao mesmo tempo para dentro e para fora de si, expressando o mundo que nos cerca com muito bom humor e algumas matizes de melancolia. Roseli escreve com um ritmo fluido, encarrilhando as palavras uma na outra sem deixar vazios indesejáveis e sem atropelar as ideias. 
 Se alguém me perguntasse eu diria que é impossível escolher apenas uma das crônicas - Todas são de uma qualidade literária incrível. " - @poetisa_darlene

Mulher decidida é assim

Faço mea culpa: sou um ser que procrastina. Não tenho vergonha alguma dessa minha falha humana. Tenho consciência dela presente em meu dia a dia e, se muitas vezes ela me incomodou, hoje me faz companhia.

Atividades chatas, cansativas, encontros desagradáveis, rotinas estressantes me fazem apertar o botão da procrastinação: Click!

Ida aos bancos. Tem coisa mais chata e estressante que isso? É obvio que tem. Muitas, aliás. Contudo, essa é uma das coisas que mais procrastino fazer. Tanto que passei a fazer meus pagamentos e outras ações bancárias através do aplicativo do banco. Oh maravilha das maravilhas. Santa tecnologia. Amo muito tudo isso!

Mas, como alegria de pobre dura pouco, tem situações que exigem nossa presença nesses ambientes chatos. A começar pela travessia das portas giratórias. Odeio! Odeio! Odeio! As malditas sempre me brecam deixando-me exposta como se fosse uma terrorista Al-Qaeda. Todos os olhos se deslocam para mim.

Hoje, acordei e decretei meu dia D-ida ao banco resolver uns perrengues de vez.

Acordei mais cedo, tomei meu café displicentemente assistindo o Bom Dia SP e já iniciando meu dia com indigesta tapioca Coronavírus acompanhado de biscoitinhos de queda de árvores pela cidade e problemas na Linha Diamante. Desjejum bem leve. Coisa pouca.

Decidida a ir bem cedo para me ver livre dessa tarefa tediosa, me dirigi a cozinha para lavar a louça suja, deixar o balcão lustroso, aguar minhas plantinhas no beiral da janela, mirar a cidade repleta de edifícios, observar o que os vizinhos do prédio em frente fazem em seu cotidiano, ver o gordo do apartamento esquerdo que come e assisti TV pelado, sentado na cama… Percebe que estou procrastinando?

-Foca Roseli!

Decidida, saio da cozinha e vou arrumar a cama afinal, detesto cama desarrumada. Estico o lençol, dobro a coberta, entendo a colcha, arrumo os dois travesseiros e as almofadas de forma equilibrada afinal, adoro cenários de Casa Claudia.

-Foca Roseli!

Toda vez que tomo café puro após o desjejum da manhã, é batata: dá vontade de eliminar o 2. Hoje não seria diferente. Não entrarei em detalhes queridos leitores. Contudo, me perdi nas leituras no banheiro. Tenho por hábito, disponibilizar revistas de decoração para os momentos que requer maior tempo por lá. Ajuda.

-Foca Roseli!

Me arrumo e saio. Ao invés de ir direto para a agência que fica na Rua Augusta, desvio meu trajeto e vou para a agência da República. Lá, pergunto para a jovem recepcionista se posso fazer o que tenho de fazer por lá mesmo. É claro que já sabia a resposta. Sorrio através da máscara, agradeço sua gentileza e saio. Decido pegar um ônibus pois já está calor.

Entro, pergunto ao recepcionista sobre o que preciso fazer e ele me passa a senha. Meus cabelos cinzas me colocam como “preferencial”. Quis contestar porém, o jovem já entabulava uma conversa pelo celular.

Milagre dos milagres: passei pela porta sem ser bloqueada assim, de primeira! Uh!Úh!!!! Acho que hoje é meu dia.

Enquanto aguardava, notei que chamavam uma senha e ninguém respondia. Observei várias pessoas procurando o dono da tal senha solicitada e, nada. O próximo número foi chamado. Alguns minutos depois, uma mulher começa a dar escândalo gritando que haviam passado na sua frente.

Meu lado “Saraiva” falou mais alto e não contive um comentário em voz alta que fez várias pessoas caírem na risada. Pessoas que começam a navegar em seus smartphones e se desligam da realidade. Isso me irrita!!!

Em poucos minutos fui chamada e consegui resolver tudo a contento. Saí feliz da vida. Missão cumprida e nem foi assim tão sofrido. Já na calçada, permaneço na indecisão: subo até a avenida Paulista e dou um giro ou termino de descer à pé e retorno para o conforto e segurança de meu lar?

Santa indecisão Batman!

Mantendo o ritmo: vivendo

Saí para caminhar. Não foi uma caminhada qualquer. Havia um objetivo a alcançar. Contudo, recebendo o sol a banhar todo meu corpo frangido pelo isolamento social, expandi. Sorri, pisquei várias vezes, até arrisquei alguns passos de dança. Por alguns minutos, acreditei que a vida havia voltado ao antigo normal. A liberdade de ir e vir, mostrar o rosto sem o incômodo das máscaras, poder falar cuspindo – no máximo achariam falta de educação de minha parte -, poder tocar as pessoas sem se mostrar uma tuberculosa.

A avenida Paulista silenciosa. Poucos carros circulando pelas duas vias. Pessoas tranquilas passeando pelas calçadas, um clown se apresentando no semáforo fechado.

O céu parecia uma pintura com nuvens estáticas. O tempo mantendo um outro ritmo. Talvez seja por estar num outro momento onde não mais sou escrava do relógio. Subo no ônibus que me levará de volta para casa feliz em saber que apesar de tudo, de todos, do vírus e dos bossais, a vida continua bela!

Iniciando uma nova história

Ano de 2021 começou para mim de forma inédita: iniciei ele desempregada ou, como gosto de dizer: disponível para o mercado.

Foram mais de trinta anos trabalhando ininterruptamente. O ano de 2020, com toda a sua bizarrice, serviu de parada obrigatória onde aproveitei o tempo livre para botar na balança tudo o que vivenciei esses anos todos. Reconheço e sou grata por todas as minhas conquistas que não foram presentes do universo mas, preciosidades que lutei e trabalhei muito para conseguir. Analisei também meus fracassos, minhas falhas, minhas perdas. É importante encarar a tudo.

Aos poucos, fui me conscientizando de que – apesar de todo amor e gratidão que nutria pelo ambiente de trabalho e da equipe que se tornou minha segunda família -, era hora de zarpar e partir para singrar outros mares.

Vou confessar: talvez tenha sido a decisão mais difícil que tomei em toda minha vida. Já havia sentido isso antes: não pertencimento. Por mais que me esforçasse, não me sentia mais parte daquele contexto. Talvez porque minha alma já havia partido em busca de novos espaços, conquistas, desafios.

Nunca me casei mas, senti como se estivesse em um casamento de longa data, com filhos criados, casa bonita, carro do ano, férias anuais em interessantes lugares, companheiro parceiro, comprometido com você e leal, que te proporciona conforto, uma gorda mesada mensal e reconhecimento. No entanto, por mais que o meu carinho, reconhecimento e lealdade falasse alto, um desconforto já estava instalado em meu interior.

Deu-se o conflito!

O que fazer? Por que sinto isso? Será passageiro? Sou ingrata? Estarei em crise? Será que todos passam por isso?

Foram tantos questionamentos levantados que quase perdi a razão. A maioria das pessoas não compreenderam minha crise e meu desejo de sair, botar um ponto final em uma história tão bonita.

Talvez a minha veia de escritora tenha falado mais alto e como aprendi, toda história precisa de um começo, um meio e um fim. Minha história estava como costumam dizer “criando barriga” com “excesso de gordura”.

Por mais que gostasse dos personagens, era preciso encerrar para iniciar uma nova história. Coloquei um The End e encerrei a história que comecei a escrever em meados de 1995.

Cronometragem zerada. Comecei o ano vivenciando cada momento, cada segundo do meu dia que agora conta com muitas horas à minha disposição para aproveitá-las como bem quiser. Por enquanto, não desejo procurar nada. Quero me dar de presente, momentos de puro ócio – que como já bem intitulou o filósofo italiano Domenico De Masi -, ócio criativo. Estou aproveitando esses dias do primeiro mês de 2021, lendo bastante, assistindo filmes e séries, desenvolvendo projetos literários para futuras publicações pois desejo me entregar mais e mais a esse outro ofício: escrever.

E por falar em escrever, você que me lê, já encomendou seu exemplar do Equação Infinda? Ah… Não creio que ainda não tem em mãos! Corre que ainda dá tempo.

Aproveitei o dia de hoje, sábado, para dar uma senhora faxina e organizada no apartamento. Essa é outra atividade que muito me agrada pois uno o fato de limpar e jogar fora o que não mais me serve, com minhas emoções analisadas e desnecessárias que também jogo na lata do lixo. Mas sobre isso, falarei novamente em um outro texto.

É muito bom recomeçar!

Renascimento

O ser humano não nasceu para viver sempre igual, estático. Somos movidos a mudanças. Necessitamos delas.

Quem professa a ideia: Sou assim, não mudo! – desculpe minha franqueza mas, é um pobre iludido.

Mudar é renovar, virar páginas, iniciar histórias novas. Quem passa uma existência se negando a isso, perde a chance de momentos agradáveis, pessoas novas a contribuir para seu crescimento, aumentar seu círculo de amizades.

Durante vinte e cinco anos, passei aprendendo, absorvendo, acumulando experiências e vivências. Está certo que nem tudo foram flores contudo, até mesmo as pedras no caminho serviram para me fortalecer e aprender a separar o “joio do trigo”.

A decisão de virar a página, mudar a rotina, encerrar um ciclo, não foi nada fácil. Você parar por um momento, olhar para o espelho interior e assumir suas fraquezas, falhas, medos, não é uma experiência agradável. Porém, você mergulhar em si mesma e reconhecer e aceitar-se exatamente como é, te faz sentir algo indescritível. Somente os dotados de humildade e despidos do orgulho mundano, conseguem essa proeza.

Digo que consegui. Não mantenho uma postura com peito inflado expressando através de minha face amadurecida, “Oh como sou boa!”. Não mesmo.

Mergulhei em minha essência, reconheci meu verdadeiro eu, sentei no chão, chorei o choro – não dos fracassados mas sim, o dos que se reencontram consigo mesmo e retornam à superfície, refeitos, fortalecidos e com o desejo nítido de renascer.

Caminhada nova, estradas a desbravar, companhias diferenciadas que me proporcionarão grande avanço em minha existência.

2020 finda com minha conta zerada. Deixo para trás, colegas de duas décadas, espaço físico que vi passar por reformas. O vazio que sinto por hora, não é morada para a tristeza e depressão. Muito pelo contrário, é página em branco para que eu escreva uma nova história. E acreditem: escreverei!

Vou agora ali, abrir um espumante para brindar a fênix que volta a renascer.

E por falar em escrever novas histórias, você já reservou meu livro Equação infinda? Ainda não?

Mergulho no silêncio

O silêncio é tão bom. No mundo  de hoje tomado por vasta poluição sonora, notar que em alguns raríssimos momentos, a cidade silencia, é prazeroso demais! E claro, te leva a reflexão.

Sou dessas. Prefiro ouvir do que falar. Observar do que atuar. Talvez porque meu mundo interior seja muito rico e perceba que a realidade anda cada dia mais pobre e sem graça. Observo as pessoas. Ah… as pessoas!

Cada dia mais perdidas. Cada dia mais inseguras. Cada dia mais imaturas.

Ninguém deseja amadurecer nessa nossa contemporaneidade. Todos sofrem da síndrome de Peter Pan. Viralizou mais que a COVID 19.

E eu aqui, da minha poltrona, bocejando de tédio em constatar que nada, absolutamente nada, vai mudar.

E falando em bocejo, que vontade de tomar uma taça de vinho. Meu estoque acabou e a preguiça em sair para comprar é infinitamente maior que o desejo de sentir o aroma das uvas fermentadas em minhas mucosas da boca. Dominada por tamanha vontade em não sair de casa, pesquisei adegas que entregam a domicílio. Animada, aos poucos minha indignação se avolumou a ponto de quase atiçar longe meu note. Que absurdo!

As pessoas exploram demais aqueles que desejam comodidade. Fico sem meu vinho. Caso amanhã desperte mais animada para sair, desço e compro uma garrafa aqui mesmo no supermercado da rua. Essa história de Sommelier é muita viadagem. Para mim, o que importa é o vinho agradar meu paladar e ponto. Sem essa de rituais, acompanhado de água para purificar o paladar para uma próxima taça. Aff!

Mas por que vim parar no vinho minha gente? Comecei a falar sobre o silêncio da cidade e…

Esquece. O vizinho do andar de cima voltou a usar a furadeira, o semáforo abriu e ônibus, motos e outros motores envenenados descem a rua e a britadeira que trabalha vinte e quatro horas sem parar arrebentando o calçamento de toda vizinhança voltou com força total. Acabou o horário de descanso dos trabalhadores. Com licença que vou colocar de volta meu protetor auricular.

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O divã não é confortável mas, fundamental

Desde que nascemos, somos colocados em “formas”, através de convenções que moldam a família e a comunidade ao qual pertencemos. É nosso primeiro grilhão.

Ao longo de nossa existência, muitas outras surgirão. Na maioria das vezes, nem percebemos elas a nos prender e impedir que alcemos voos.

O conforto que representam nos cegam diante da verdadeira razão. Tais grilhões utilizam do ilusionismo para nos manter cativos. E assim a vida passa e chegamos num ponto em que sentimos sufocar e nem sabemos o porquê. É onde esse “sufocar” se manifesta no físico através de diversas fobias ou, através de AVCs e infarto.

Pode parecer exagero de minha parte mas tudo tem relação.

Na maioria das vezes, precisamos recorrer à terapia para descobrir o que causa sofrimento e paralisia diante das situações.

Tive uma passagem em minha vida: passei a tropeçar e cair a todo momento. Era constrangedor além de dolorido. Passava por situações incômodas e sentia carregar o planeta nas costas. Em uma semana, cai dez vezes. Pode isso? Foi quando uma conhecida, terapeuta corporal, me procurou e esclareceu que algumas emoções negativas refletem em nossa saúde física. Essa conversa abriu meus olhos para resolver as inquietações que trazia sufocadas em meu inconsciente.

Já frequentei divã e essa experiência me ajudou a reconhecer e resolver algumas questões que incomodavam mas não sabia como resolver. Já de antemão, digo que não é fácil. Algumas vezes quis sumir e nunca mais aparecer no consultório. No entanto, valeu a persistência em encarar meus demônios. Ainda não eliminei todos. Sobrou alguns mais difíceis de abandonar a moradia.

Penso que assim que der, retorne à ele afinal, como seres em constante evolução, nada mais natural que se busque ajuda quando não conseguimos resolver sozinhos. E nunca, nunca é tarde para tentar melhorar. O ser humano não nasceu para sofrer.

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Programação alterada

Tarde de sábado. Sinto como se estivesse estirada em uma grelha de churrasco. A carne a tostar – no caso, sou eu. Esse calor anormal que invadiu a cidade de São Paulo em pleno final de inverno está me prostrando.

Programei minha manhã para dar umas voltas pelas ruas em torno de minha residência. Sair um pouco do casulo que se transformou meu apartamento. Planos: ir até a farmácia de produtos naturais comprar geleia real e conhecer a feira livre, na rua paralela a minha.

Envelhecer é isso! Outras coisas passam a ser prioridades e aguçar nossa curiosidade. Quando que em minha juventude, conhecer novas feiras dos bairros seria programa matutino do sábado?

E a tal da geleia real? De nova pensaria em correr atrás e consumir essa gororoba das abelhas, em jejum pela manhã para fortalecer o sistema imunológico? E esse palavrão então? Na mocidade (hum, isso também é frase dos mais velhos), minha preocupação era tomar coca-cola, posar de fumante e paquerar. Muito!! Era tão bom paquerar! Nem sei mais como se faz. Esqueci.

Esquecimento também faz parte dessa nova fase. Para quem se gabava em ter uma memória de elefante, ultimamente esqueço até mesmo de escovar os cabelos. Depilar então, ficou no passado de mulher que está com tudo em dia. Meu empoderamento hoje é manter a saúde. E olha que a cada dia que passa, essa tarefa é das mais difíceis. Diria, hercúlea!

Agitação, aglomeração, faziam minha alegria na adolescência. Ver gente, estar com gente, encostar em gente! Era tudo de bom! Hoje, quero mais é distanciamento de gente. Reunião, só se for pelo Google meet, Zoom e afins. Encostar em mim, só se for álcool em gel. Bafo no cangote, somente do ventilador me refrescando as ondas de calor da menopausa.

E a essa altura da vida, passei a gostar até mesmo de caldo de pés de galinha. Uma iguaria dos Deuses! Além de saboroso, ajuda nas dores das tais “juntas” que enferrujam com o passar do tempo. Ah…Maldito tempo, que passa numa velocidade….ZÁS!!! Passou e esqueci o que ia complementar. Esquece.

Resumo da ópera ( que antigamente dizia ser programa de veio): envelhecer é simplesmente alterar a programação. Mas quer saber? Bendito seja os que conseguem chegar à terceira idade pois viver, mesmo que de forma limitada, ainda é o melhor programa!