BEDA – Amanhã vai ser outro dia

Se dirigir, não beba. Caso beba, não se atreva a dirigir até mesmo a simples escrita de uma postagem. Sou daquelas que dá conselhos mas não segue. Por que fui beber uma taça de vinho, cansada do jeito que estava quando cheguei em casa? Deveria ter usado o tal do “Bom senso” e seguido direto para um banho frio que além de refrescar até o perispírito, desperta as células do corpo inteiro inclusive, do cérebro. Mas não, decidi entrar debaixo da água bem quentinha. Daquelas que baixam a pressão a quase zero, relaxaaaa…..

Banho tomado, derme azeitonada cheirando a pessego com hidratante Cuide-se bem. Faça isso por você, Comer um rango delicioso feito pelas próprias mãozinhas e finalizar com uma taça de vinho suave…que te derruba deixando-a em total apagão por duas horas.

Acorda abestada, confusa, não sabendo se é noite ou dia, sem ânimo para levantar sequer o polegar. Ali acorda, ali permanece. Apenas o som do tic-tac que só pode ser do vizinho do 101 porque você não tem relógio em casa. Isso hipinotiza!!!!

A bexiga se manifesta mas onde encontrar forças para levantar do sofá? A cada virada de dia, a cada pulo no calendário, você se conscientiza do poder da gravidade. Bunda se alarga pesando cada vez mais. Compete com a cabeça que por hora pesa tonelada. E aparentemente, está bem vazia. Um vácuo só, afinal,onde se encontram as brilhantes ideias para a escrita do dia que, por hora tornou-se noite? E falando em noite, lembrei que amanhã acordo às cinco horas. Quer saber? Hoje também não tem texto e vou encerrando porque vou me ajeitar aqui mesmo no sofá que já está quentinho e…Boa noite! Bons sonhos e se der, amanhã escrevo.

…Amanhã juro que não bebo um gole…só de água. Falando nisso, preciso muito me hidratar porque essa seca que estamos vivendo está me matando..tando…tan…dooozzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

BEDA – Ih, hoje não deu!

Segundona com a carga de sono atrasada por conta de um maldito pernilongo que sugou meu sangue e minha paciência. Chego do trabalho esfomeada. Passei no Hirota Food e comprei uma comidinha japonesa que tanto adoro para saciar o estômago que se sentia contrariado com meu descaso. Onde já se viu esquecer dele? Cadê o lanchinho da tarde dona Roseli?

Ai meus santos, e ainda tem a oficina de escrita logo mais e tem texto para ler…

Comi, desabei no sofá, apagão geral. Acordei desorientada e com baba escorrendo. Na TV, noticiário corre solto denunciando assédio do juiz. Eta mundão que não muda nunca. Lavei o rosto, passei um café forte e estou aqui para me desculpar e dizer que hoje, não tem texto. Sorry!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

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Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

BEDA – Estreia

Quando surgi nesse mundão de Deus logo de cara percebi que tinha entrado numa fria. Pior do que entrar na fila do transplante. Pisquei algumas vezes, chorei acreditando que sentiriam dó daquele pequeno ser indefeso, até urinei e defequei para enfatizar minha fragilidade.

Não adiantou o teatrinho. A parteira experiente deu um tapa bem dado, marcando minha cara roxa feito casula do papa. Assustada diante de tamanha violência calei-me! Engoli o choro e orgulhosa, desde pequenina jurei: nunca mais farão isso comigo. Nunca mais me verão derramar lágrimas. Serei dura feito aço, maleável como bambu, escorregadia tal qual quiabo, maquiavélica feito…feito…

Mulher! Sim, serei uma mulher como poucas nesse mundo. Seduzirei, mostrarei meus inúmeros dotes, apresentarei ao mundo meu talento e criatividade. Farei beijarem meus pés diante de tamanha beleza, encanto e altruísmo…

…Não foi bem assim que as coisas sucederam, mas isso caro leitor, serão outras histórias!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

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Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

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BEDA – Quando falta o verbo

Talvez o cansaço físico aliado ao cansaço da vida medíocre que a humanidade toca, me fez despertar e pensar no que escreveria na postagem de hoje. Domingo era pra ser um dia leve, acariciado pela brisa da simplicidade, do amor e convívio familiar.

Basicamente vivenciei tudo isso na íntegra. De certa forma, cumpri com meu papel de cidadã de bem. Mas não fui a igreja, nem ao culto, nem ao centro, muito menos ao templo. Permaneci encolhida em minha insignificância mundana agindo como sempre. Estou bem, acredite. Tenho plena consciência de que os problemas que me rondam feito nuvem carregadas prestes a desaguar numa tempestade, não são meus. Sigo meu caminhar.

Contudo algo me incomodava e não conseguia precisar o quê. Então, esse livro maravilhoso de um escritor que tanto admiro, me veio à lembrança e procurei-o na estante. Encontrei e me perguntei: por onde anda querido escritor? Sinto falta de seus contos. Então, homenageio ele por aqui, com um conto que dá nome ao seu livro. Pequeno grande livro. Uma potência que ao se ler, mexe com nossas entranhas.

Deitado ali por um tempo que ninguém mais podia precisar, sentidos e sentimentos ausentes, esses já não mais o incomodavam, a vaidade e o orgulho tinham lhe abandonado, não se importava com o fato de alguns literalmente caminharem por cima dele, pois havia outros mais abusados que repousavam sobre seu corpo. Seu desapego era crescente, já não ligava mais para a boa aparência, despia-se de seu formato original para agora repousar no infinito nada, seu último verbo foi chegar, conjugado na primeira pessoa do singular, assim como vários outros já tinham feito, estes que em um tempo anterior poderiam formar a terceira do plural e agora, inconscientemente, são seus companheiros: somou-se a eles em um inseparável nós, chegou ao ponto final.

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BEDA – Expectativa diante da espera

Não tem jeito, toda vez que efetuo compra de livros para receber pelo correio, sou dominada pela ansiedade. Volto a ser a Roseli criança aguardando com coração aos pulos, um presente.

E ao chegar, o ritual de desembrulhar e retirar um por um, admirando a obra em mãos. Coração breca por segundos assim como a respiração, suspensa no ar.

Manusear, sentir o papel, sua gramatura, observar a costura, as ilustrações, os detalhes de cada obra que se torna única.

Assim tem sido minha experiência com os livros artesanais. A cada lançamento, uma grata surpresa com a delicadeza, ousadia e beleza dos projetos lançados pela Scenarium Livros Artesanais.

A seguir, começa outra onda de ansiedade. Por qual começar? Estarei sendo injusta com os demais autores que ficarão para depois? Ao mesmo tempo, irão competir com os demais livros que ganhei, que comprei na Bienal, com os livros que preciso ler da biblioteca em que trabalho para depois classificar e catalogar.

E assim, sigo essa rotina que para muitos, pode parecer terrível, quase um castigo ler tantos livros mas para mim, ratinha de biblioteca, é sempre um prazer que se repete e repete e repete e nunca me desgasta. Muito pelo contrário, acrescenta saber e prazer sempre. Para quem ainda não se aventurou pelas páginas de um livro artesanal, deixo aqui meu convite: permita-se conhecer, ouse comprar e ler um. Garanto que não sairá da leitura com entrou.

Livros artesanais: Scenarium

Caixa decorada: Atelie & Cia

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BEDA – Viver entre livros

É um luxo, morando num país assolado pela miséria. Sou grata demais por ter sido apresentada a esse universo da escrita que me transformou por completo. Fui julgada por ler demais, estudar demais. E olha que nem era assim uma estudante devotada. Posso até afirmar que fui leviana em minha adolescência. Poderia ter saído do antigo ginásio e depois do segundo grau com notas melhores. Bastava ter me dedicado um pouco mais.

Contudo, a ânsia em descobrir o mundo real e não o imaginário tomava conta de meu ser . Por isso me jogava na vida querendo tomar goles enormes dela. Engasguei muito, solucei igualmente mas saí com uma sensação de viver imensa.

Somente após os trinta anos esse comichão adolescente se assentou e descobri o prazer da leitura e o gosto em trabalhar com livros.

Nunca mais parei. Ou melhor, até saí mas não consegui ficar longe por muito tempo. Retornando a boa filha à casa, reencontrei e reconectei minhas antenas com tudo de bom que eles proporcionam. Uma dos pontos positivos, foi voltar ao prazer de conhecer pessoas e transmitir conhecimento além de receber também muito aprendizado. Afinal, somos mestres e alunos ao mesmo tempo e para aprender, basta manter olhos, ouvidos e a alma escancarada para beber da fonte do saber.

Na realidade, nem sei ao certo porque esse tema e texto surgiu. Talvez, seja por ter passado um dia tão alegre e presenciado os olhos de uma criança brilhar ao receber além de minha atenção, o carinho e a disposição para transmitir lições de vida que vão muito além do simples “sugerir uma leitura” dentro de uma biblioteca escolar.

Sou toda gratidão por conviver num ambiente sagrado entre os milhares de mestres universais que temporariamente se escondem nas páginas de um livro cerrado em estantes. A frieza está somente no aço de que são feitas porque os corações que por aqui passam, ah… esses, fervem de sentimentos e emoções.

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BEDA – Feminino retalhado

Estrear na vida nascendo mulher, nunca foi fácil, não importa a geografia. Em todo território, a mulher sofre as mais variadas formas de violência. Seja ela de forma silenciosa, sutil, quase imperceptiva aos olhos menos atentos. Seja de forma irônica expresso através de piadinhas infames que à primeira vista parece inocente. Ou da maneira mais vil, estampado nos olhos roxos e demais hematomas espalhados por todo corpo ferindo a carne mas, principalmente, a alma, a dignidade. Culminando com o término de uma existência que poderia ter sido mais leve, repleta de alegrias e conquistas, principalmente, de amor.

Não deveria de me espantar a cada noticiário de um novo feminicídio. Ao mesmo tempo, reafirmo a mim mesma que não devemos transformar tal violência em lugar comum, ação banal que amanhã, já caiu no esquecimento. Minha indignação causa acidez estomacal, toda vez que observo as meninas na faixa de 7 a pré-adolescência, no colégio onde trabalho. Vejo-as tão puras ainda, tão poupadas e logo me vem a mente, a possibilidade alta de que um dia cada uma delas sairá ferida em maior ou menor grau.

Hoje, encontro-me por demais sensível à essa questão por isso, esse desabafo. Não sei se algum dia chegarei a ver um fim nessa conduta masculina que tantas vítimas têm feito. Houve milhares no passado, acontece diariamente em tempos atuais e sei que acontecerá muitos no futuro. E todo esse painel aliado as demais violências cotidianas que sofremos, reforça ainda mais a crença que tenho que somente a Educação e o desejo verdadeiro de toda a sociedade pode mudar esse quadro tão triste.

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi Darlene ReginaLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega NuñesSuzana Martins

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BEDA – Blog Every Day Agosto 2022

A rotina anda louca, intensa, sugando as energias e quase me esqueço dessa blogagem que tanto gosto tenho em participar.

Para quem ainda não conhece, BEDA significa Blog Every Day, ou seja, escrever um texto diário sem interrupção durante os meses de abril e agosto. É sempre um desafio abrir uma brecha em nossas agendas abarrotadas e deixar a escrita e as ideias fluirem livremente.

Tem sempre uma galera boa e criativa que participa dessa blogagem. Hoje, apesar do horário avançado, deixo essa pequena nota para que o dia primeiro não passe batido.

A partir de amanhã até o último dia do mês, sempre um texto fresquinho a animar essa telinha. Vou aproveitar para falar um pouco sobre minhas leituras que voltaram a ficar mais constante e variada. Tenho lido muita coisa boa! E você? Já participou do BEDA? Não? Ah… Vem que ainda dá tempo!

Fazem parte dessa blogagem:

Claudia LeonardiDarlene ReginaLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega NuñesSuzana Martins

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A trégua em meio a uma realidade indigesta

Despertei nessa manhã de sábado quente e seco, com desejos de sentar e escrever. Munida das emoções ainda frescas do término da leitura do segundo livro do escritor uruguaio, Mario Benedetti. O primeiro livro lido foi Primavera num espelho partido. Impactante, passei dias sob sua influência, com os personagens vivos passando em minha tela mental. Essa semana, terminei o livro A trégua e, assim como o livro anterior, passei alguns dias na companhia dos personagens que ganharam vida e me fizeram companhia.

Ontem, jantei com um amigo e durante nossa conversa, fiquei sabendo da demolição da casa do escritor Caio F. Abreu, em Porto Alegre. Meu jantar se revirou no estômago que se estreitou de raiva.

Hoje, antes de iniciar esse escrito, leio a crônica de Tiago Maria, um dos cronistas da revista literária RUBEM, entitulado Caio de pé . Novamente minhas entranhas se contraíram. Raiva, decepção, tristeza em ver a ignorância tomar conta de nossa sociedade. O desejo e ação em apagar a cultura e nossos representantes ganham forma, nome e tamanho. Num próximo texto, falarei mais sobre essa questão. Preciso digerir melhor. Manter todos esses sentimentos cozendo em banho-maria para expressar.

Respiro fundo, miro o horizonte de prédios que me rodeia lá fora e retomo minhas impressões sobre a leitura do livro de Benedetti. Escrito em forma de diário, o escritor nos apresenta Martín Santomé, um homem a beira dos 50 anos, funcionário público, prestes a conquistar sua tão esperada aposentadoria, pai de três filhos distantes, viúvo, que arrasta uma existência morna e melancólica.

Ao abrir o livro para iniciar a leitura, de cara, deparei com uma frase que marca e desestrutura:

Se eu algum dia me suicidar, será num domingo, é o dia mais desalentador, o mais sem graça, quem me dera ficar na cama até tarde, pelo menos até as nove ou as dez, mas às seis e meia acordo sozinho e já não consigo pregar o olho, às vezes penso o que farei quando toda a minha vida for domingo.

Só pela leitura dessa frase de efeito, parei e permaneci alguns segundos no vácuo afinal, também sou aposentada e compreendo o conjunto de emoções que o personagem carrega consigo.

No entanto, apesar de tudo ou talvez justamente por tudo, o romance A Trégua é uma história de amor, um amor maduro que brota do cotidiano através da personagem Laura Avellaneda, uma jovem funcionária que aos poucos, ganha força e tinge a paleta cinzenta que é a vida de Martín Santomé.

Mantendo sempre como pano de fundo, quase como uma terceira protagonista, a metrópole de Montevidéu, acompanhamos o personagem nas cafeterias, dobramos juntos as esquinas, sentimos os sabores e conhecemos um pouco do povo e seus pequenos ou grandes dramas.

A belíssima encadernação que a TAG fez dessa obra, acompanhada do prefácio e textos explicativos e mais o marcador, é um presente à parte que torna a leitura prazerosa.

Para quem ainda não leu, fica aqui a sugestão. Para quem já leu, que tal reler? Sempre ganhamos algo mais numa releitura.

12 de março – Dia do Bibliotecário

Tudo começou no ano de 1991, quando tive meu primeiro contato e experiência trabalhando em uma biblioteca. Não foi amor a primeira vista mas sim, um sentimento que foi chegando silêncioso e se instalou para nunca mais sair.

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Fiz carreira no ambiente escolar permanecendo em um único colégio, por vinte e cinco anos repletos de momentos de grande aprendizagem, troca e amizades.

Os cabelos foram acinzentando mas o amor pelos livros e por biblioteca e seus mecanismos de trabalho, se fortaleceram no dia a dia.

Serei eternamente grata à instituição que me recebeu com carinho mas sentia crescer em mim, o desejo de abrir as asas e voar para outras paragens. Parti, sentindo que havia deixado algo de bom mas também carregava em meu íntimo, uma vida inteira passada dentro daqueles muros. Até pensei em parar de vez mas, a inquietação por retornar a uma biblioteca pulsou novamente.

Em minha nova morada, a alegria do retorno. O acolhimento foi grande e vislumbro desafios a transpor e muito a contribuir com essa instituição que abriu as portas para mim.

Uma vez bibliotecária, sempre bibliotecária. Parabéns a todos os profissionais que – como eu – acredita e planta diariamente através de suas ações, a semente da informação, formação, cultura e lazer. Não é fácil mas a realização desse trabalho faz todo o diferencial na vida dos que frequentam uma biblioteca.

Imagens: Acervo pessoal

Agradecimentos: Agradeço de coração, ao Colégio Dante Alighieri que por 25 anos, foi minha casa, meu templo, minha biblioteca do coração

Agradeço ao Colégio Boni Consilii, pela chance de continuar com o coração pulsando dentro de uma biblioteca escolar. Tenho certeza de que juntos, faremos história.