6 on 6 – As minas e as manas

Nascer no sexo feminino, transformar-se pouco a pouco numa menina, transitar pela puberdade enfrentando todos os percalços e transformação. Permanecer por longo período num processo contínuo de ser mulher.

Não basta ter nascido com cromossomos XX. Somente isso, não determina o que é ser mulher.

É necessário preparo, experiências externas e internas, enfrentar desafios físico, moral, emocional e espiritual.

Em minha formação, tive a sorte de ter mulheres incríveis que de alguma forma, moldaram a mulher que hoje sou.

Avó, mãe, tias, primas e amigas que através do convívio diário e das muitas reuniões familiares, tatuaram em minhas memórias, conversas, risadas, amparo e muita cumplicidade e sabedoria.

Atravessar décadas acompanhada dessas presenças femininas, me inspiraram a escrita do projeto literário Quinta das Especiarias.

Essa geração, ao qual minha mãe faz parte, foi e ainda é, a liga que fomenta minhas memórias mais alegres e que serão sempre a direção para eu ser uma mulher de fibra, sem jamais me endurecer diante dos desafios da vida.

São tantas representantes femininas a girar ao meu redor acrescentando algo ao meu viver que posso estar sendo injusta com algumas (muitas) que não estarão presentes nessa postagem

São diversas gerações a compor o mosaico que enriquece minha vida. Amigas queridas que chegaram acrescentando tempero especial ao meu dia a dia.

Da mesma forma que todas elas me inspiraram, espero um dia, servir de inspiração para minha sobrinha neta que ainda não tive oportunidade de conhecer pessoalmente.

Esse texto faz parte do projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais.

Participam dele:

Isabele BrumLunna GuedesMariana GouveiaObdulio Ortega Nuñes

6 on 6 – Mas é Carnaval!

Trago boas lembranças do Carnaval em minha infância e pré-adolescência. Confesso: fui foliona, daquelas que não perdia as matinês do finado Clube Cobraseixos, que ficava de frente à minha casa. Tardes na bagunça boa, participando das correntes humanas que percorriam o salão ou, pegando confetes e serpentinas do chão e jogando em quem passasse por perto. Fiz muitas amizades por lá.

Na minha juventude, criou-se um hiato onde me afastei dos salões devido a violência e falta de respeito que passou a ser comum. Sempre acompanhei os desfiles das escolas de samba pela TV. Verdadeiros shows.

Em 2018, ao lado de meu amigo – parceiro de inúmeras viagens – conheci Salvador e lá, passei alguns momentos bem agradáveis no museu Casa do Carnaval. Com curadoria de Gringo Cardia, a casa oferece uma viagem sensorial e visual que encanta aos visitantes. Se for a Salvador, não deixe de conhecer esse museu, mesmo que não seja folião, vale a pena conhecer.

Essa foto acima, é o registro de minha última ida a um salão para brincar o Carnaval. Foi em 2020 e pulei como se não houvesse amanhã. Literalmente, suei a camiseta, saí com confetes grudados pelo corpo. De certa forma, foi uma despedida. Logo em seguida, foi decretado quarentena que se estendeu para o resto do ano e mudou a vida de todos, devido a pandemia do Coronavírus.

Em 2022, retorno à folia. Dessa vez, devidamente vacinada, troquei a máscara, maquiei os olhos, coloquei uns balangandãs e declaro a quem possa interessar que meu cordão de um, será dentro do apê. Não dá pra facilitar não!

…Na mesma máscara negra

Que esconde teu rosto

Eu quero matar a saudade…


Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto fotográfico 6 on 6 promovido pela Scenarium Livros Artesanais.

Participam:

Darlene Regina – Isabelle Brum – Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nunes Ortega

Imagens: Acervo pessoal

6 on 6 – Em 2021 eu…

Abri a porta do ano e entrei com os dois pés juntos, crente que o ano não seria fácil. Mesmo assim, inflei meu peito de coragem e otimismo e mentalizei um ano de inúmeras possibilidades.

Comecei por avaliar meu acervo pessoal de livros e separar por temas. Reuni todos os livros referentes a escrita e suas técnicas, para facilitar consulta durante processo e exercícios da oficina literária. Foi um prazer e uma terapia.

Ainda reclusa, comemorei domingo de Páscoa à distância, com família online. Distantes porém juntos. Fiz questão de postar uma mesa bonita para celebrar a renovação.

Meu aniversário não passou em branco. Tive a grata surpresa de receber de meu irmão e cunhada, um mimo gastronômico que tanto amo, made in Sorocaba. Se gostei? Basta ver minha expressão.

Poder reencontrar após um ano, meu amigo/irmão, companheiro de tantas aventuras, foi bom demais. Ah…como tivemos assuntos para colocar em dia. É como digo sempre: quem tem amigos, tem tudo e esse, vale ouro. Te amo Rick!

Dedicar meses na oficina literária, promovida por Lunna Guedes e trabalhar e lançar o fruto materializado nesse belíssimo livro, foi a melhor experiência vivida, nesse ano atípico. Quantas emoções e momentos revividos.

Cheguei ao final de 2021, tendo um saldo de ganhos e momentos de muita realização e alegrias mas, também vivenciei dias de sofrimentos e perdas. Titia Irene, minha segunda mãe, após longo período de doença, descansou. Partiu, deixando muitas saudades. Nem tivemos tempo hábil para atravessar o luto e, de repente, nos deparamos com mamãe, mulher fortaleza, sucumbindo como nunca vimos. Hospitalizada desde 26 de dezembro, somente uma semana depois, soubemos que seu quadro era de covid. Bateu desespero geral em mim e minhas irmãs e irmão. Eu e minha irmã Rose revezamos no acompanhamento hospitalar. Mamãe foi transferida para um hospital referência para ficar isolada e receber tratamento para esse mal. Eu e irmãs, fizemos teste e nos encontramos desde então, em isolamento na casa de minha mãe, procurando manter a paz de espírito, serenidade e observando se surge algum sintoma. Estamos bem. Os boletins diários dos médicos são otimistas e talvez até final de semana, mamãe recebe alta.

Essa foto de nós duas, foi tirada um dia antes de sabermos seu diagnóstico.

Diante de tudo que vivi no ano de 2021, sou pura gratidão por ter passado por ele e estar aqui, para narrar sua travessia. Eu…ainda aposto positivo na vida!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais

Participam:

Darlene Regina – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega

6 on 6 – Vistas

Já tive meus momentos de sair com uma câmera fotográfica em mãos, e fotografar tudo o que meus olhos captavam. Com o passar dos dias, meses, anos, deixei a máquina perdida na gaveta e o smartphone ganhou espaço em minhas mãos e olhos para registrar momentos, pessoas e situações interessantes. O medo de assalto fez eu perder esse hábito. Que pena…Deixei de registrar muitas coisas legais mas, ainda tenho muitas fotos arquivadas. São registros de meu olhar, do que compreendo e transformo em algo real ou irreal.

Em minhas viagens (que saudades!), o que mais gosto é a primeira impressão causada ao olhar da janela ou varanda do quarto de hotel, o que se descortina às minhas cansadas mas ainda curiosas retinas. Observar a paisagem a ser desbravada e conhecida. Sentir o ar, os cheiros, o novo. Depois, sair para caminhar a pé e conhecer de perto a cidade que me acolhe.

Olhar para essa imensidão de água, reverenciar a natureza e tudo o que ela nos oferta, sentir o cheiro salgado que vem dele e se embriagar de tamanha beleza. Nas águas da ilha de Itaparica, encharquei a alma e reconheci minha pequenez.

Num passeio solitário, em Paraty, a caminho da praia de Jabaquara, encontrei essa pedra curiosa e não resisti, registrei e ri muito. No meio do caminho tinha uma pedra… Pedra? E desde quando pedra tem rosto?

Esse clique foi de uma estadia na cidade do Rio de Janeiro, visita ao Museu da República. Frase que ainda permanece atual…Infelizmente.

Em minha urbanidade, sempre gostei de apreciar a arquitetura e suas linhas. Numa visita à Biblioteca Parque Villa-Lobos, passei minutos em silêncio, absorvendo sua beleza e o que tem a oferecer: leitura, lazer, conhecimento. Quero voltar lá!

Quinta-feira passada, acompanhei minha irmã até a Santa Casa de Misericórdia e, enquanto ela fazia um exame, saí para dar uma volta nos jardins e registrei essa beleza em meio aos conjuntos de tijolos em estilo gótico.

Sempre encontro a paz em meio a isso tudo!

Esse texto faz parte do Projeto Scenarium 6 on 6

Participam: Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

Imagens: acervo pessoal