Pausa para um cafezinho

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A humanidade é incrível. A humanidade é maldosa. A humanidade é engraçada. E eu me insiro nela, mosaico que sou de virtudes e defeitos.

Apesar de procurar a elevação espiritual através da moldagem de meus defeitos, não posso ouvir um buchicho que logo estendo minhas antenas. E quer lugar melhor para ouvir fofocas sobre o que rola por debaixo dos panos (às vezes por cima mesmo e muitas vezes, sem pano algum) do que o horário do cafezinho? Local propício para conversas amenas para se livrar do estresse do dia a dia e se inteirar dos acontecimentos da (na) empresa.

Chega um, pega seu café, aproxima-se outro colega que logo se senta segurando sua xícara fumegante e assim, entre um gole e outro, entre um comentário sobre o tempo e um apontamento sobre a atual política do país, o papo rola até que chega um(a) outro(a) colega mais bem informado trazendo notícias fresquinhas anunciadas pela rádio Peão que está sempre vigilante.

É incrível observar a transformação que todos sofrem quando se ouve:

-Já estão sabendo do mais recente babado?

É o suficiente para despertar nosso animalzinho da maledicência e coisas mal feitas. Impressionante ver os olhos de todos quase saltarem e brilharem de forma atípica quando um colega chega com as “fresquinhas”. Vozes se alteram, taquicardia se alastra, boca resseca e pede mais uma xícara de café. Até mesmo porque, se deseja saber mais e mais detalhes picantes sobre o assunto. E daí, para alguém lembrar de um episódio mais engraçado do passado é um pulo e assim, os minutos do cafezinho se estendem por minutos infindos. Até que o chefe ou o motivo da fofoca apareça pondo fim a um dos momentos mais descontraídos na empresa. E um acesso de tosse e pigarro coletivo toma conta do recinto fazendo todos saírem rapidamente voltando cada um pro seu cercadinho afinal, é preciso trabalhar!

E todos retornam aos seus afazeres com a certeza de que no próximo café, haverá mais novidades.

Imagem: Acervo da autora