6 on 6 – Miss you

Em alguns momentos sinto um cansaço que não há polivitaminico que resolva. Sofro da síndrome saudosística que costuma atacar os cancerianos. Seres sensíveis demais.

Em determinados momentos, retorno à minha infância, ao lado de irmãos, primas e pai. Minha primeira viagem ao litoral, praia de Itanhaém. Nossas mães se descabelavam para dar conta de tudo se esquecendo de divertirem um pouco. O contato com o mar for marcante e a força que a água exerceu sobre mim foi incrível.

Essa atração se estendeu pelo resto da minha vida adulta. Ao pisar pela primeira vez as areias de Maresias, litoral norte de São Paulo, caí de amores por ela. Voltei outras vezes, uma inclusive, sozinha, passei o Reveillon refletindo, escrevendo, lendo e apreciando os movimentos das ondas do mar. Quanta paz senti!

Conheci Paraty, ainda na época do cursinho pré-vestibular. Me encantei com a arquitetura colonial, suas ruas irregulares com suas pedras centenárias, gastas pelo tempo que emana muita história. Nessa primeira viagem, curti demais dormindo em barracas numa área para acampamento, ao lado de colegas e amigos. Anos depois, seduzida pelo conforto, me hospedei numa bela pousada. Voltei outras vezes, sempre descobrindo tesouros.

Mas a vida não é só flanar descontraidamente por praias paradisíacas. A vida exige força, resistência e eu experimentei exercitar em academias, fiz musculação, aulas funcionais, ginástica localizada. Porém, foi na yoga e no pilates que me encontrei. Que prazer me exercitar nesses aparelhos. Sinto falta e aguardo para breve, retornar a essa rotina.

Amizades eu sempre fiz. Não poderia ser diferente nas minhas idas à shows. Através de meu cantor favorito, Pedro Mariano, conheci pessoas incríveis. No início, foi nossa admiração ao cantor em comum que tínhamos. Aos poucos, a cada show, fortalecemos a amizade e sempre nos reuníamos para celebrar a música, a amizade, a alegria de viver. A vida nos afastou presencialmente mas continuamos a nos comunicar pelo grupo no WhatsApp. Não vejo a hora de reencontrar as amigas e o cantor.

Ele foi uma das presenças mais marcantes, alegres e queridas da minha vida. Foi o filho que não tive, o sobrinho aguardado e desejado, o amigo confidente, a dor mais profunda que senti. Foi um cometa que atravessou meu caminho trazendo luz e sumindo sem deixar rastros. Veio em outubro e partiu no mesmo mês. Hoje, guardo muitas lembranças engraçadas vivenciadas ao seu lado. Recordo o título do romance da escritora Inês Pedrosa: Amado, Fazes-me falta!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto Fotográfico 6 on 6.

Acompanham-me:

Lunna GuedesMariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

6 comentários sobre “6 on 6 – Miss you

  1. Ah Roseli, que lindo!

    Fiquei aqui a imaginar seu reveillon com as ondas e as letras. Deve ter sido realmente uma delícia. Com certeza as suas palavras desenhadas no papel tinha a cor do mar.

    Eu tbm sofro da síndrome saudosística, rs…

  2. eu te entendo, minha querida… isso de ser canceriana é uma saudade só.
    Fiquei emocionada aqui.
    abraço carinhoso

  3. A minha mãe era de Câncer e com ela aprendi o significado da palavra saudade. Era movida à lembranças e vivia a recordar situações com os pais, irmãos e outros parentes. Seu poder narrativo me fez durante muito tempo acreditar que vivi tempos em que nem tinha nascido… Belo texto, Roseli!

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