BEDA – Você viu ele passar?

Agosto chega ao fim, contrariando a lenda de que é o mês mais longo do calendário. Sou obrigada a discordar. O meu agosto passou numa velocidade luz me atropelando, deixando-me zonza até agora. Perdi vários compromissos pois minha mente não acompanhou essa velocidade. Talvez o problema esteja comigo e não com ele.

Trago como argumento de defesa, o estudo feito por cientistas que concordam sobre a aceleração do tempo, reduzindo nossos já parcas vinte e quatro horas. Acordo mais cedo, durmo mais tarde e não tenho dado conta do que preciso realizar. Tenho vivido numa ansiedade infinda e isso gera mal estar, cansaço físico e mental. Tenho consicência de que a idade também colabora afinal, a energia que temos aos vinte anos não é a mesmo aos cinquenta, quase beirando os sessenta. Por mais que tenha me cuidado, sei que o ritmo não será mais o mesmo.

Quando o sociólogo italiano, Domenico De Masi surgiu em 2000 com seu Ócio criativo, fiquei entusiasmada com o conceito: equilibrar os três elementos trabalho, estudo e jogo (ou lazer). Na teoria isso é a perfeição, o ideal para se viver bem. Pena que a realidade joga em nossas caras que não estamos inclusos e preparados. A realidade da maioria é sufocante e apoiada apenas no trabalho, com o agravante de ser mal remunerado. Muitos adoecem, comprometendo ainda mais o parco salário.

Hoje a tarde, lembrei de um clássico lido há uns vinte anos. Momo e o senhor do tempo, de Michael Ende tem como temática o roubo do precioso tempo nas vidas dos moradores daquele local. A situação da fantasia me faz refletir que, infelizmente, retrata o que vivenciamos na atualidade. Somos encurralados pelos “Homens cinzentos” que roubam nosso tempo, nosso prazer em viver e nossa paz de espírito. Anseio pela vinda de Momo, a garotinha que tinha o dom de ouvir as pessoas e através dessa qualidade, perdida entre os demais, resgatou a alegria e o poder de cada um controlar o uso de seu tempo.

Penso que acabei me perdendo em divagações e desperdiçei o pouco de meu tempo tentando escrever minha última postagem do mês que, por falta de tempo, infelizmente deixei de postar diariamente. E meu cérebro teima em cantarolar a canção de Caetano:

Tempo, tempo, tempo, teempooo…

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

Participam comigo:

Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Por pura falta de tempo, essa postagem não terá uma imagem.

BEDA – Alquimia

Os vapores sobem

No espargir dos aromas

Manuseia o tomilho

Que trata como um filho

Cantarola  enquanto refoga

Canções que improvisa

A bordo de permanente sorriso

Dois fios de azeite

Sobre dentes de alho esmagado

Acompanhados por

Dentes-de-leão

O refogado hipnotiza e seduz

Tragam o açafrão, a flor de sal

O estragão!

A salsaparrilha

O pulsar do coração

No panelão de ferro

Arte e alquimia

Degustadora poesia

Em silêncio

Condimentos

São sentimentos

(Jorge Ricardo Dias)

Esse texto faz parte da blogagem coletiva BEDA Blog Every Day August

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Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Nuñes – Suzana Martins

Imagem licenciada: Shutterstock

BEDA – Futuro embaçado

Ando pensativa sobre os rumos da vida do brasileiro. Preocupada afinal, faço parte desse grupo de risco. Caminhando mecanicamente, cumprindo meus compromissos, de olho nas jogadas estratégicas de nossos políticos que teimam em brincar com o futuro da nação. Viver em Terra Brasilis tem sido permanecer ad eternum em danação.

Assisto os candidatos, sofro enjôos múltiplos a cada discurso vazio que cospem em nossas caras através do Plin-Plin.

Não alimento ilusões, nunca acreditei em “salvadores da pátria”. Tenho plena consciência de que ninguém ali é santo, perfeito, munido de boas intenções. A única certeza é em “QUEM” não votarei.

Quanto ao resto…

E a cada dia que passa, tropeço mais e mais em corpos desvalidos, sujos, desmaiados nas calçadas. A maioria, jovens judiados pela miséria. Desencantados! Meu coração se aperta diante de gerações perdidas que hoje, poderiam estar numa condição de vida aceitável, digna.

Nunca senti o peso da responsabilidade em votar tão presente, arqueando minhas costas pelo medo de mais uma vez, errar feio e comprometer de vez, o futuro dessa juventude que ainda não teve vez. Será que terá? Que futuro? Teremos um?

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BEDA – Partidas

Hoje, logo pela manhã a caminho do trabalho, recebi a notícia. Me senti estranha diante da mensagem. Li várias vezes, guardei o celular para sair do metrô e encontro-me anestesiada até agora, com um vazio imenso. Uma página querida de meu passado virou colocando fim não ao capítulo mas a uma história inteira. Minha homenagem a você, mulher incrível, batalhadora, amorosa, linda que foi inspiração para mim.

Semelhança. Certa vez, um primo mais velho comentou que eu era parecida com uma de nossas tias do lado paterno. Achei que tinha dito a coisa mais absurda do mundo.

O tempo fluiu. Cresci. Num final de semana na casa de minha mãe, pegamos o baú de álbuns de fotografia. É como entrar num túnel do tempo. Entre tantas fotos preto e branco, encontrei uma de tia Ruth, nova e com os cabelos escuros. Foi um choque. Ali, era meu rosto impresso numa roupagem dos anos 50. Não é que Chiquinho tinha razão?

Irmã mais velha de papai, tia Ruth puxou o gênio bom do vô Dito. Vaidosa sem jamais ter sido fútil. Dona de uma elegância natural. Cabelo oxigenado impecável, na altura dos ombros, maquiagem suave. Acessórios obrigatórios: brincos e anéis que enfeitavam suas mãos com unhas esmaltadas. Assim a conheci desde que me entendo por gente. Achava-a muito bonita.

Nunca conheci seu marido. Um italiano rico, de Lucca, uma cidade à beira do rio Secchio, região de Toscana. Esse casamento foi cercado de muito mistério.

Os adultos nunca conversavam tais assuntos perto das crianças. Tiveram uma filha, Dóris que foi cercada de muito zelo por ela e avós. Mimo mesmo. Até demais. No afã de protege-la, esqueceram de prepará-la para a vida.

Anos mais tarde veio à tona, sua dolorosa realidade de uma relação abusiva e violenta. Morando na Itália, abortou seu segundo filho por conta dos pontapés que recebeu no ventre, de “tuo marito”. A família italiana – inconformada – ajudou-a a fugir para o Brasil.

No navio, jogou no oceano, seus sonhos de um casamento feliz. Nunca mais quis saber de se relacionar com ninguém.

Seu semblante suave, sua voz firme com sotaque carregado nos erres. Seu sorriso fácil. Recordo das vezes em que fui à sua casa, e era recebida com bolos deliciosos e, nas tardes frias, seu bolinho de chuva com raspas de limão ou laranja acompanhados de café forte, chá preto e leite. Hum, que lembranças boas!

Resiliente, viu partir todos os demais sonhos de sua mocidade, incluindo, a vontade de dirigir.

Madura, tirou carta de habilitação, comprou um carro popular, dirigiu feliz. Por pressão de sua mãe, mulher rigorosa e dominadora que não suportava a felicidade alheia, acabou cedendo e vendeu o carro. Passou o resto de sua existência andando a pé.

Após a venda da casa — para divisão da herança entre os irmãos — ela, seu irmão mais novo e sua filha Dóris, tornaram-se nômades. Por alguns anos, perdemos contato sem saber seus destinos.

Anos mais tarde, minha prima apareceu na casa de minha mãe. Suja, esfarrapada, esquelética. Portadora de notícias tristes. Tio faleceu e sua mãe, por conta da diabetes, perdeu a visão e encontrava-se senil. Viveram na rua esses anos todos.

Dá um aperto do peito, saber que parte de nossa história familiar, desmorona sem que saibamos, deixando sabor de fel no lugar dos momentos alegres e festivos que um dia desfrutamos juntos. Trago uma única certeza: a semelhança entre nós ficou apenas no físico e no espírito apaziguador.

Ao contrário dela, aprendi a fazer valer minha vontade. Minha felicidade e realização em primeiro lugar. E isso, jamais será um ato egoísta, mas sim, de amor próprio.

Essa crônica se encontra no livro Quinta das especiarias, lançado em 2021 pela Scenarium Livros Artesanais

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BEDA – Topázio azul

A palavra surgiu em minha mente feito neon reluzente. Indaguei a mim mesma o porquê e não obtive resposta. Passei o dia a todo momento com ela surgindo em meus pensamentos. Decidi ler a respeito e me surpreendi.

Segundo a mitologia grega, essa pedra reúne os deuses do céu e da terra, previne o portador contra falsos amigos, bruxarias e mau-olhado. Seus efeitos terapêuticos auxiliam em casos de inflamação no pescoço, nariz e garganta. Melhora dores de cabeça. Protege as vias respiratórias e o pâncreas. Atua em nossa psique despertando nossas capacidades musicais e é considerada pedra da sorte para artistas em geral. Indicado para esclarecimentos de ideias confusas, inspiração, clareza, limpeza, calma, sono, sensação de valor próprio.  Aumenta a capacidade telepática, a felicidade e o bom humor.

Tais informações me deixaram pensativa. Passei a manhã refletindo sobre esse “despertar” interior que minha psique desencadeou. Sempre fui espiritualizada. Desde pequena possuo uma intuição afiada que me livrou de muitas enrascadas. Um sexto sentido que soa quando algo me preocupa ou me coloca em risco. Se for contar cada situação que já vivi, os mais céticos poderão achar que é papo de pescador. Por isso mesmo, guardo para mim essas experiências. Pode ser que as transforme em histórias fantásticas e reúna num livro podendo se transformar num sucesso. Não tinha pensado ainda nisso… Olha só meu geniozinho interior se fazendo presente novamente!

Enfim, paro por aqui caso contrário, poderão pensar que não tenho todos os parafusos bem fixados. Quer saber? Acho que não tenho mesmo. Isso é maravilhoso afinal, escritor que se preze não deve ser normal, coerente, sereno. É necessário essa avalanche emocional para que tenhamos matéria para nossos escritos. No entanto, acho que vou agora mesmo à procura de uma pedra topázio azul e transformá-la num pingente que permanecerá em meu pescoço enfeitando e me protegendo. Ao mesmo tempo, espero que me dê um pouco de equilíbrio nesse tão tumultuado mundo em que vivemos. Afinal, as energias andam bem estranhas por toda parte e compete a nós, encontrar o equilíbrio para que não nos deixemos levar para o fundo do poço. Tudo é válido para encarar esse bicho papão mais conhecido pela alcunha de realidade.

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BEDA – Brasa

Coração descompassado, olhos escapam mais uma vez para o relógio. Amaldiçoo os ponteiros que nunca chegam ao horário marcado. Anseio. Verifico se está tudo como planejado: mesa posta para dois, vinho na temperatura certa, assado pronto no forno, a salada com o molho especial, sua sobremesa preferida.

Retorno ao quarto. Observo de perto se a maquiagem está correta. Movo a boca vermelha sexy e mando um beijo para o reflexo no espelho. Analiso se o vestido valoriza minhas curvas. A cor escolhida me cai bem. Perfeito!

Ergo uma das pernas e pouso-a na beira da cama alisando para ver se a costura da meia está no lugar. Tenho belas pernas! Você se excita quando a giro no ar. Antevejo seus olhos brilhando de tesão, pronto para me pegar pelos cabelos do jeito que só você sabe fazer. Aliso a colcha de cetim. Sorrio pois sei que breve iremos desfazer.

Já ia me esquecendo! O perfume que você tanto gosta. Corro até o armário, pego o pequeno invólucro em formato de diamante, borrifo atrás das orelhas, entre os seios, atrás dos joelhos.

Coloco para tocar nosso CD, respiro fundo, sento no sofá. Chet Baker inunda o apartamento com seu solo de trompete. Logo mais a campainha tocará como sempre: dois toques rápidos. Transbordo de excitação.

Você é minha droga contra tudo o que esse mundo me causa de dor. Ao seu lado consigo esquecer a rotina desgastante, cotidiano sem graça. Sua presença amortece a dura realidade. No dia a dia, tenho de ser implacável, sem demonstrar emoção nem fraquezas. Ser delegada não é fácil. Só você para despir a vestimenta da mulher assexuada e deixar à mostra, a fêmea plena que sou. Em seus braços, torno-me moldável. Sigo seus instintos e transformo-me no que desejar. Saio renovada! Desvio mais uma vez meus olhos impacientes para os ponteiros do relógio. Você é sempre pontual. Um arrepio por todo corpo anuncia que sobe os andares que nos separa. Não vejo a hora de passar a noite inteira no seu corpo. O melhor asfalto para eu percorrer milhas de prazer. A campainha toca duas vezes. Levanto ajeitando o vestido, respiro fundo e abro.

A porta. A primeira coisa a visualizar são seus olhos felinos que percorrem meu corpo. Numa piscada de aprovação, me agarra ali mesmo empurra a porta com um dos pés e apoia meu corpo na parede fria — que em pouco tempo — irá esquentar.

– Amor, o jantar. Está tudo pronto…

Shuuuuh! O assado pode esperar. Quero primeiro saciar essa fome. Mais tarde saboreamos o assado. Agora, quero degustar você!

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BEDA –

Ter amigo de verdade e não seguidores de uma rede social, está se tornando artigo raro. Fazer amigos e manter essa amizade por anos, virou comportamento jurássico. A impressão que tenho é que a humanidade perdeu essa qualidade tão peculiar nos “animais racionais”.

Eu posso dizer com toda segurança que tenho amigos de verdade. Daqueles que mesmo na distância, são fiéis companheiros e estão sempre com disposição de ajudar caso precise. E quando digo ajudar, não significa auxílio monetário mas sim, ofertar o ombro para nos ouvir, aconselhar, chorar junto se preciso for. Mas também se unir e dar muitas risadas espontâneas por qualquer bobagem que se diga. E há momentos em que se é necessário falar bobagens, contar piadas, afinal, são tempero importante para dosar e equilibrar nossas vidas. Viver não pode se fiar apenas em trabalhar e pagar contas. Não mesmo!

Podem acreditar, minha vida é colorida por todos os tons do arco-íris porque a luz e a variedade do matiz da paleta é infinita.

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BEDA – Bolas comidas

Em julho, durante as férias letivas no colégio, aproveitei para fazer um tour por todas as dependências. Espaços amplos, bonitos, totalmente voltados para receber as crianças e jovens para a aprendizagem.

No entanto, o que mais prendeu minha atenção foi a visita ao parquinho, onde as crianças brincam. Entre tantos brinquedos, deparei com um pé de jaboticaba abarrotado da fruta. A visão dessa árvore me reportou à infância.

Não posso afirmar mas creio que tinha uns cinco ou seis anos. Viajei com meus avós e um casal de tios para Botucatu. No meio do caminho, paramos para apreciar e, lógico, comer jaboticaba. Anos mais tarde, após esse episódio, soube do significado do nome, de origem indígena iapoti’kaba, “frutas em botão”.

Aos olhos infantis, havia encontrado o paraíso. Eram tantas árvores carregadas da doce fruta negra, que tive uma crise de riso. Observando meus avós colhendo as bolinhas escuras, armazenando numa sacola que minha vó sempre carregava consigo, pulava ao redor deles numa demonstração de puro deleite.

Permanecemos por um tempo debaixo da árvore. Os adultos, numa conversa animada e eu, degustando as bolinhas de gude comestíveis.

Seguimos viagem, apreciando a paisagem pela janela, fui sequestrada por uma malemolência, resultado do excesso de bolas comidas. Quase adormecida sorri, com a certeza de que a felicidade existia e tinha nome: Jaboticaba.

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BEDA – Retalhos

Em 2009, recebi como cortesia da editora, um livro de HQ e a divulgadora falou maravilhas dessa obra ressaltando que inclusive, havia recebido muitos prêmios. Vencedor de três prêmios Harvey (melhor artista, melhor graphic novel original e melhor cartunista), dois prêmios Eisner (melhor graphic novel e melhor escritor/artista), e em 2005, do prêmuo da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos.

Pensei: É… não é pouca coisa! Registrei o livro e coloquei a disposição. Passado algum tempo, ganhei um exemplar e meu sobrinho que nunca lia, pediu emprestado. Comentou comigo que gostou muito mas que deixou-o inquieto. Temática pesada. Vindo dele até estranhei afinal, sempre foi porra louca. Nunca mais vi esse livro de volta a minha estante.

Agora, trabalhando em outra biblioteca, encontro novamente com ele e, precisando catalogar, decidi ler antes. O que seria uma leitura puramente técnica, tornou-se leitura prazerosa, porém, preciso concordar com meu sobrinho pois a tematica é tensa, aborda questões que geram muitas polêmicas.

Relato autobiográfico, aborda a educação religiosa numa família de Wisconsin em meio a muita neve. A formação (ou devo dizer deformação?) religiosa do jovem artista, seus conflitos, a descoberta do amor e as inúmeras encucações sobre o prazer físico que constantemente o atormenta por conta do que sempre ouviu dos pregadores de sua igreja.

Narrado com muita sensibilidade, Retalhos mexeu comigo e me fez refletir sobre as questões abordadas. Daqui para a frente, será um de meus queridinhos e sempre estarei sugerindo sua leitura. Além da história em si, o traçado do autor me agradou: expressivo, ágil, interage com o leitor o tempo inteiro. Mereceu todos os prêmios. E você, já leu?

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BEDA – Amanhã vai ser outro dia

Se dirigir, não beba. Caso beba, não se atreva a dirigir até mesmo a simples escrita de uma postagem. Sou daquelas que dá conselhos mas não segue. Por que fui beber uma taça de vinho, cansada do jeito que estava quando cheguei em casa? Deveria ter usado o tal do “Bom senso” e seguido direto para um banho frio que além de refrescar até o perispírito, desperta as células do corpo inteiro inclusive, do cérebro. Mas não, decidi entrar debaixo da água bem quentinha. Daquelas que baixam a pressão a quase zero, relaxaaaa…..

Banho tomado, derme azeitonada cheirando a pessego com hidratante Cuide-se bem. Faça isso por você, Comer um rango delicioso feito pelas próprias mãozinhas e finalizar com uma taça de vinho suave…que te derruba deixando-a em total apagão por duas horas.

Acorda abestada, confusa, não sabendo se é noite ou dia, sem ânimo para levantar sequer o polegar. Ali acorda, ali permanece. Apenas o som do tic-tac que só pode ser do vizinho do 101 porque você não tem relógio em casa. Isso hipinotiza!!!!

A bexiga se manifesta mas onde encontrar forças para levantar do sofá? A cada virada de dia, a cada pulo no calendário, você se conscientiza do poder da gravidade. Bunda se alarga pesando cada vez mais. Compete com a cabeça que por hora pesa tonelada. E aparentemente, está bem vazia. Um vácuo só, afinal,onde se encontram as brilhantes ideias para a escrita do dia que, por hora tornou-se noite? E falando em noite, lembrei que amanhã acordo às cinco horas. Quer saber? Hoje também não tem texto e vou encerrando porque vou me ajeitar aqui mesmo no sofá que já está quentinho e…Boa noite! Bons sonhos e se der, amanhã escrevo.

…Amanhã juro que não bebo um gole…só de água. Falando nisso, preciso muito me hidratar porque essa seca que estamos vivendo está me matando..tando…tan…dooozzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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