Retornando

Aceite: a vida jamais é linear. Está mais para uma imensa montanha russa. E quer saber? Gosto disso. A adrenalina que percorre nossas artérias quando enfrentamos altos e baixos nos faz sentir vivos. Tenho vivido desde 2017, uma maratona de acontecimentos que posso afirmar tragicômico. Perdas de pessoas amadas, estresse profissional, relacionamentos interpessoal difíceis. Sei que não estou sozinha nessas experiências. Sei também que tem pessoas que passam por situaçõrs bem mais dolorosas. Respeito e aceito.

Fora do mercado de trabalho desde dezembro de 2020, voltei-me para a escrita que sempre foi algo que pulsava dentro e eu abafava, não assumia. Foram meses gratificantes e conheci pessoas incríveis através das aulas das oficinas literárias, promovidas por Lunna Guedes.

Entre dois lançamentos pelo selo de livros artesanais Scenarium e idas e vindas à casa de minha mãe, para matar saudades e auxiliar a cuidar da casa e da tia doente, amadureci enquanto ser humano e escritora.

Andei bem sumida das redes sociais e daqui desse espaço que tanto prezo: o blogue. Estado de saúde de tia piorou, veio a falecer em vinte de dezembro. Antes mesmo de atravessar o luto, mamãe caiu doente e foi hospitalizada. Covid. O mundo caiu para mim e minhas irmãs e irmão. Por ter tomado as três doses da vacina e ter tomado também a da gripe, os médicos disseram que ela pegou uma “branda”.

De alta, em casa, ela tomou a resolução de curtir a vida como se deve e eu, virei mais fã dessa mulher que sempre foi um espelho e exemplo para mim.

Para iniciar o ano de 2022 mais feliz, amanhã inicio nova fase de vida profissional num colégio que – desde já – caí de amores. Um desafio a enfrentar e traçar meu nome por lá. Voltar a viver entre livros, para mim, é beber da água santa e me renovar diariamente.

É como disse: a vida não é linear. Sigamos. Convido a todos para trilhar comigo sorrindo e superando esse “bicho-papão” viral que tanto nos afastou. Claro, continuemos com os protocolos e os cuidados necessários. Em breve, nos encontramos presencialmente para um café e um bom batepapo.

Imagens: Acervo pessoal

6 on 6 – Em 2021 eu…

Abri a porta do ano e entrei com os dois pés juntos, crente que o ano não seria fácil. Mesmo assim, inflei meu peito de coragem e otimismo e mentalizei um ano de inúmeras possibilidades.

Comecei por avaliar meu acervo pessoal de livros e separar por temas. Reuni todos os livros referentes a escrita e suas técnicas, para facilitar consulta durante processo e exercícios da oficina literária. Foi um prazer e uma terapia.

Ainda reclusa, comemorei domingo de Páscoa à distância, com família online. Distantes porém juntos. Fiz questão de postar uma mesa bonita para celebrar a renovação.

Meu aniversário não passou em branco. Tive a grata surpresa de receber de meu irmão e cunhada, um mimo gastronômico que tanto amo, made in Sorocaba. Se gostei? Basta ver minha expressão.

Poder reencontrar após um ano, meu amigo/irmão, companheiro de tantas aventuras, foi bom demais. Ah…como tivemos assuntos para colocar em dia. É como digo sempre: quem tem amigos, tem tudo e esse, vale ouro. Te amo Rick!

Dedicar meses na oficina literária, promovida por Lunna Guedes e trabalhar e lançar o fruto materializado nesse belíssimo livro, foi a melhor experiência vivida, nesse ano atípico. Quantas emoções e momentos revividos.

Cheguei ao final de 2021, tendo um saldo de ganhos e momentos de muita realização e alegrias mas, também vivenciei dias de sofrimentos e perdas. Titia Irene, minha segunda mãe, após longo período de doença, descansou. Partiu, deixando muitas saudades. Nem tivemos tempo hábil para atravessar o luto e, de repente, nos deparamos com mamãe, mulher fortaleza, sucumbindo como nunca vimos. Hospitalizada desde 26 de dezembro, somente uma semana depois, soubemos que seu quadro era de covid. Bateu desespero geral em mim e minhas irmãs e irmão. Eu e minha irmã Rose revezamos no acompanhamento hospitalar. Mamãe foi transferida para um hospital referência para ficar isolada e receber tratamento para esse mal. Eu e irmãs, fizemos teste e nos encontramos desde então, em isolamento na casa de minha mãe, procurando manter a paz de espírito, serenidade e observando se surge algum sintoma. Estamos bem. Os boletins diários dos médicos são otimistas e talvez até final de semana, mamãe recebe alta.

Essa foto de nós duas, foi tirada um dia antes de sabermos seu diagnóstico.

Diante de tudo que vivi no ano de 2021, sou pura gratidão por ter passado por ele e estar aqui, para narrar sua travessia. Eu…ainda aposto positivo na vida!

Esse texto faz parte da blogagem coletiva Projeto fotográfico 6 on 6, promovido pela Scenarium Livros Artesanais

Participam:

Darlene Regina – Isabelle Brum – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Nuñes Ortega