Refrescando a memória

Sentada de frente a tela do notebook, saboreio um sorvete recordando as vezes em que recebi uma taça dessa sobremesa caseira, feito por minha tia Irene. Mulher das mil habilidades, fez nossa alegria em criança. Sorvetes, mousses de maracujá, goiaba ou chocolate. Bolos, rocamboles, pudins.

Quase me esquecia: a Maria-mole que ela preparava com aquela camada de coco fresco ralado que derretia na boca. Eu fazia questão de comer bem devagarinho para esticar o prazer o máximo.

Como pode nossa memória ser tão intensa, quase palpável ao trazer à superfície, tais momentos? Dá uma vontade de apertar o botão de retorno e voltar no tempo para reviver tudo de novo. E esticar também o sentimento de felicidade genuína. Felicidade de criança. Sei que minha criança interior, ainda se mantém quietinha aqui dentro de mim. Sempre que a realidade sufoca, grito por ela e de imediato, ela assume o controle até eu me acalmar.

Como agora, quando lamento a difícil realidade de titia, que tanto fez por todos, que tantas sobremesas ofereceu aos sobrinhos e agora, em total paralisia, não pode nem ao menos, saborear meus pratos – muitos deles aprendidos com ela – e adoçar um pouco sua amarga realidade.

Isso me lembra que a vida não tem roteiro pronto e – se Deus escreveu algum – não disponibilizou nas redes sociais para compartilhar conosco.

Com todo respeito mas, há momentos em que acho que o Todo Poderoso não passa de um velho sacana que adora aprontar com esses seres tão imperfeitos, mais conhecido como “Humanos”. Muitas de suas ações não soa lógico para meu raciocínio tão curto.

Ao término de meu sorvete, sinto gosto de sal no chocolate derretido. Olhos ardem e nariz congestiona. Terei me resfriado?

Lembrando que sábado, dia 27/11, a partir das 17h, será o lançamento do livro Quinta das especiarias. O lançamento online será através do instagram da Scenarium.

Para conseguir seu convite, solicite: scenariumplural@gmail.com

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O dia está chegando e a água para o café, esquentando

Passando só para lembrar que sábado, dia 27/11, a partir das 17h, será o lançamento do livro Quinta das especiarias. O lançamento online será através do instagram da Scenarium.

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De que eu me lembro?

Numa vivência de mais de meio século, coleciono centenas de lembranças. Encontram-se dispostas em pastas denominadas: muita relevância, média relevância, nenhuma relevância e lixeira.

Em sua grande maioria, encontram-se recordações ligadas à família. Muitas, de amigos, escola, faculdade. Outras marcantes da vida profissional. Apesar de – em geral ser um ambiente tóxico – com inveja, competitividade e puxadas de tapete, consegui fazer poucos e fiéis amigos. Deles, possuo momentos carinhosos.

Tenho em minhas pastas, lembranças de momentos tensos de nossa vida em sociedade. O Brasil, celeiro de tantas desigualdades e injustiças é também, território que gera muitos talentos e riquezas. Oscilo entre amar e odiar ter nascido nesse solo que ultimamente, arde sob nossos cansados pés. A nação encontra-se fatigada de lutar, trabalhar e jamais sair do lugar: pobreza.

Enquanto uma minoria branca detém a riqueza muito bem protegida em paraísos fiscais, o grosso da população pena em empregos informacionais ou permanecendo invisíveis, em meio ao desemprego. O aumento de brasileiros com morada fixa debaixo de viadutos e em praças públicas é visível e não dá mais para fingir que não existem.

O número cada vez maior de jovem negros e pobres mortos pela polícia é gritante. Então, por alguns instantes paro, penso e de que me lembro?

De casos que se perderam em meio a tantos que se repetem diariamente em várias cidades e estados. Recordo de alguns jovens com os quais convivi bem próximo e que perderam suas vidas por serem negros, pobres, sem escolaridade. Só precisavam de um olhar mais atento e oportunidades para crescerem e passarem a fazer parte de uma estatística menos sombria.

Nasci pobre mas branca. Isso, fez um diferencial em minha trajetória. Obtive melhores chances de estudo e empregos. Muitas portas se abriram devido a minha cor. Tenho plena consciência de que, se fosse negra, talvez não tivesse alcançado o cargo que ocupei antes de me aposentar. Colegas que estudaram comigo na infância e adolescência, hoje vivem em condições precárias. Isso se ainda vivem. Muitos, infelizmente partiram. Viveram sem qualidade de vida, sem perspectivas de crescimento. Muitos aceitam isso como algo normal afinal, sempre foi assim.

E esse “sempre foi assim” é que me mata!

Chegamos a um ponto em que não dá mais para compactuar com esse pensamento. Simplesmente não dá mais para ser assim. Chances de nascer, crescer, estudar, trabalhar tem de ser igual para todos. Somente assim, teremos uma sociedade justa.

O que estamos fazendo para mudar o panorama da população negra que é maioria em nosso país? Desejo um país mais justo, com menos desigualdade, menos discriminação. Não trago respostas para essa situação, apenas muita inquietação em meu íntimo. O dia nacional da consciência negra foi ontem mas, a preocupação e reflexão devem ser constantes, um exercício diário. Então lanço a pergunta: o que podemos fazer de concreto?

Participam dessa blogagem coletiva:

Lunna GuedesMariana GouveiaObdulio Nuñes Ortega

Imagem licenciada: Shutterstock

Quinta das especiarias – O doce da infância

Atualmente, as famílias sem tempo nem paciência, quando resolvem dar uma festa, contratam empresas especializadas que planejam passo a passo, todo o cardápio.

Quando criança, a expectativa de uma reunião familiar, casamento ou aniversário, mobilizava a todos. A cozinha se transformava em linha de produção e, desde a véspera, a movimentação era grande. A alegria em participar dessa engrenagem, acontecia na mesma proporção.

Hoje, relembrando, muitos pratos típicos que faziam nossa alegria, caíram no esquecimento sendo substituídos por outros, de aspecto perfeito, gostosos mas, industrializados. Trago lembranças de alguns sabores que talvez, sejam mais saborosos por conter o ingrediente: saudade.

Protagonista ao lado dos bolos, as balas de coco faziam a alegria de todas as festas de aniversário e casamento, sempre ostentando sua vestimenta característica: papel crepom franjado Dava gosto admirar as bandejas dispostas na mesa com as franjas caindo, formando uma saia. Mais gostoso ainda, era surrupiar uma delas, sair correndo e se lambuzar, sentindo a bala se desmanchando na boca. Quando criança, ficava de olhos vidrados, observando a destreza com que a tia manuseava a massa. A substância incolor colocada na bancada de granito, após amornar, recebia puxadas numa atividade braçal incrível. A massa aos poucos, ganhava a coloração branca perolada que me fazia salivar.

(Trechos de Puxadas adocicadas, texto do livro Quinta das Especiarias)

Você está convidado a participar do lançamento online de Quinta das Especiarias, pelo selo Scenarium Livros Artesanais, sob a batuca talentosa de Lunna Guedes.

Para conseguir seu convite, solicite: scenariumplural@gmail.com

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Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

Quinta das especiarias – Made in Bahia

O que move minha escrita? Fiz essa pergunta muitas vezes. Acredito não ter uma resposta definitiva, talvez, a emoção seja o gatilho para eu sentar de frente a tela de meu note, sentir e pensar numa estrutura daquilo que desejo expressar.

Está certo que nem sempre sigo o roteiro. Sou indisciplinada, pelo menos no que se refere à escrita.

Ao iniciar a oficina de crônicas, promovido por Lunna Guedes, decidi narrar situações que incluem a culinária e o mundo rico de uma cozinha. Amante de livros e filmes que abordam a temática, optei por dar minha contribuição. Foi um mergulho em momentos vividos ao lado de mulheres incríveis. Retornei revigorada de cada narrativa e lembranças.

Ela chegou de longe trazendo no peito, o calor de sua terra natal. Trouxe na bagagem, uma vontade imensa em aprender. E assim o fez. De criança, ajudou seu pai no bar da família. Mocinha, aprendeu o ofício de cortar cabelos e todas as técnicas de embelezamento feminino. Montou seu salão e, por muitos anos, trabalhou intensamente conquistando uma clientela fiel. Não parou por aí. Com sua curiosidade nata, aprendeu a costurar, a manusear uma máquina de fazer roupas em tricô. Se transformou numa artesã talentosa. Contudo, na cozinha ela impera até hoje. Aprendeu a fazer pratos de sua amada Bahia, nos apresentou a farofa de feijão de corda e outros pratos típicos. A família paulistana — que a recebeu de braços abertos — se rendeu às suas mãos talentosas.

(Trechos de Made in Bahia, texto do livro Quinta das Especiarias)

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Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

Quinta das especiarias – “Filhos postiços”

Ao escrever meus textos de memórias, não poderia deixar de contar sobre minha relação com meus “filhos postiços” que ganhei em minha caminhada de vida pessoal e profissional.

Conviver com crianças e jovens foi um grande aprendizado. A troca de experiências é positiva para ambos os lados envolvidos. Aproveitei e alimentei minha juventude, independente do corpo físico seguir o processo de envelhecimento. Mantenho o espírito jovem e aberto às novidades.

Foram muitos jovens que deixaram sua marca e lembranças ao partirem para a vida ou fora dela. Entre eles, meus sobrinhos amados. Através do convívio com eles, conheci um amor nunca sentido. Esse amor incondicional alimenta, fortalece nosso sistema imunológico, alegra e registra momentos que carregamos como nossos verdadeiros tesouros.

Sempre soube que não me casaria nem teria filhos. Isso não me causou tristeza, afinal, havia tantas coisas a conquistar, conhecer e viver. Escolher a profissão de bibliotecária e trabalhar em escola, também foi opção. Conviver com crianças e adolescentes sempre me renovou. Assim, por vias tortas, tive muitos “filhos postiços”.

(Trechos de Filigrana de amor, texto do livro Quinta das Especiarias)

Você está convidado a participar do lançamento online de Quinta das Especiarias, confeccionado pelo selo Scenarium Livros Artesanais, sob a batuca talentosa de Lunna Guedes.

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Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

A Mooca presente em minhas memórias

Estive em processo de escrita que gerou o nascimento de um novo livro. O tema sempre esteve presente em alguns textos que postei num antigo blog: culinária do dia a dia, sem frescuras de chefes de cozinha atuais. O alimento feito em fogões simples, por mãos experientes, moldadas pela vida. Vó, mãe, tias e agregadas que alimentaram minha infância através de suas comidas e de suas histórias.

Resgatar essas mulheres foi tarefa prazerosa e ao mesmo tempo difícil. Sempre farei injustiça com algumas delas que não estarão presentes nas crônicas. Relembrar passagens ao lado de cada uma, reviver tais momentos, voltar a sentir o gosto e aroma de seus pratos, sentir o calor de seus abraços afetuosos, isso tudo, não tem preço que pague.

O desenvolvimento do projeto se deu numa oficina de escrita promovida por Lunna Guedes. A cada aula, um texto era apresentado, discutido por todos e a seguir, trabalho solitário de reescrever, escrever, revisar até chegar ao ponto de dizer: Agora sim, está pronto. Contudo, nunca está e se eu ler novamente cada um deles, com certeza mexerei. Faz parte do processo.

Ela foi uma incógnita. Seu passado, um mistério que sempre pensei um dia, descortinar…

Foi a primeira feminista que conheci. Em sua juventude, deve ter sido chamado por outros adjetivos. A pouca informação que trago é que saiu de casa muito jovem, em busca de trabalho…

Foi amparo de muitas prostitutas… Virginia tinha paixão pela cozinha e recebia com prazer quem quer que aparecesse em sua casa…

(Trechos de E lá na Mooca, texto do livro Quinta das Especiarias)

Você leitor, com certeza se identificará com situações vividas na infância pois muitas experiências são comuns a todas as famílias. O livro é um mergulho numa infância rica em vivências lúdicas ao lado de mulheres fortes, guerreiras, movidas por muito amor e simplicidade.

Afinal, quem não carrega em seu íntimo, recordações afetivas de avós, tias, primas, família? Emoção genuína é garantia plena ao ler cada texto. Acompanha ilustrações de minha própria autoria. Ofício que resgatei e que se encontrava adormecido devido as responsabilidades da vida adulta.

Você está convidado a participar do lançamento online de Quinta das Especiarias, confeccionado pelo selo Scenarium Livros Artesanais, sob a batuca talentosa de Lunna Guedes.

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Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

Quinta das Especiarias

Por alguns meses, revirei minhas gavetas da memória, em busca de momentos marcantes ao lado de mulheres que foram fundamentais em minha formação. Encontrei tantas lembranças boas que ficou difícil selecionar quais escolheria para fazer parte de um projeto literário.

Menina mirrada, sardenta, de olhos e alma inquietas. Atenta a tudo o que acontecia ao redor. Memória infalível, fui aos poucos, criando catálogos íntimos de situações e emoções que moveriam meu ser.

Sou eternamente grata a essas mulheres com as quais convivi e que me proporcionaram experiências e aprendizados. Foram tantas…

Enquanto escrevo esse texto, me vem a lembrança de uma vizinha que foi marcante em meu aprendizado: dona René.

Mulher de seus quarenta anos, cabelos castanhos claros, sorriso permanente e um olhar atento e ao mesmo tempo, ternos. Refinada sem ser esnobe. Uma verdadeira lady!

Fui babá de seu único filho, Alexandre. Esse, grande parceiro de brincadeiras de meu irmão Ricardo.

Foi com sua paciência e boa vontade em ensinar, que aprendi a fazer o arroz e feijão. Isso, levei para minha vida.

Quando a observava na cozinha, conduzindo o almoço, ficava encantada com suas habilidades. Sempre me orientando, mostrando e me fazendo executar na prática, o correto em cada prato a se preparar. Depois que a família se mudou para Ribeirão Preto, perdemos contato.

Foram lembranças como essa, que separei e transformei em crônicas afeto-gustativas. Junção perfeita para relembrar momentos que ficaram para sempre e eternizaram pessoas queridas que já se mudaram desse plano.

Você que me lê, está convidado a participar do lançamento online de Quinta das Especiarias, trabalho lindo escrito e ilustrado por mim, confeccionado pelo selo Scenarium Livros Artesanais, sob a batuca talentosa de Lunna Guedes.

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Dia: 27/11/2021

Horário: 17h

Espero vocês por lá para juntos, passarmos momentos de alegria.

Segundando

Dias estranhos, esses que vivemos. Hoje, ainda na cama, refletia sobre a realidade que nos cerca. Tantos acontecimentos e, no entanto, sinto-me esvaziada. Alma flácida, feito minha pele madura.

Sábado, um ser humano qualquer que não conheço pessoalmente, entrou em contato comigo para dizer que havia escrito uma frase errada. Não tenho natureza arrogante e, humildemente, fui em busca do tal erro em meu texto e corrigi. Realmente se encontrava errado. Educada que sou, respondi agradecendo.

Erro muito, na vida e nos escritos que teimo em materializar. Pode parecer bobagem para a maioria, o fato de necessitar escrever.

Sou cercada por pessoas que mal lê uma bula de remédio, o que dirá, ler uma postagem de blog ou um livro. Lamento apenas.

Fico de boca aberta pensando em atravessar uma vida inteira sem ler nem escrever. Acho que seria bem pobre minha vivência. Por outro lado, talvez perca muitas oportunidades de realizar outras coisas afinal, ler e escrever, é ato solitário e demanda tempo.

Decido por demorados alongamentos do corpo e da alma. Sentando na cama, balanço a cabeça, olhando-me no espelho, saúdo meu reflexo, desejando um bom dia.

Que seja pleno, em paz, com saúde e contas pagas além de um prato de comida. Se conseguir isso, já me encontro no lucro diante de tanta miséria distribuída por esse Brasil que, pouco a pouco, perde renda, habitação, dignidade e até seus ídolos.

Viver, decididamente não anda nada fácil mas, como já dizia minha avó Maria: e quem disse que era?

Reacender minha ancestralidade

Dedico esse texto a todos os meus antepassados que, hoje, habitam a espiritualidade e se transformaram em energia cósmica

Retornar às origens, renova as energias, traz de volta nossos antepassados queridos através das lembranças e, fortalece os laços afetivos entre os que participam do ritual.

Recordo com carinho, os momentos em que a família se reunia — em torno do pilão de madeira de meus avós — no quintal. A união de todos para o feitio da paçoca de amendoim, se transformava em festa. Dos mais velhos às crianças, todos aguardavam sua vez de socar o amendoim, a farinha de mandioca e o açúcar, contribuindo para garantir sua porção.

Uma fila animada se formava para que, cada um tivesse sua vez de socar com prazer, observando a transformação.

Risadas, piadas e lembranças, se misturavam dando liga ao doce. Esses eram os ingredientes que faziam de um simples e antigo alimento, uma iguaria abençoada pelos deuses.

Ainda criança, recordo a expectativa que aquecia e fazia disparar meu coração. Na fila, aguardando minha vez, pulava sem parar, rindo feito hiena.

Nem me preocupava em levar bronca. Nesses momentos, os adultos também viravam crianças e se comportavam da mesma forma.

Enquanto socavam, uma cantoria surgia e — fixou em minhas retinas da memória — o brilho de felicidade nos olhos da vó Maria. Sem dúvida, a maior das crianças ali presente.

Naqueles encontros, a união familiar emanava uma energia que trazia ao presente, a ancestralidade indígena e africana que todos nós trazemos em nosso DNA. Cantar, bater os pés no solo de terra batida e as mãos, em sintonia com as vozes, despertavam todos que adormeciam em outras esferas.

A festa seguia iluminando a todos. Paçoca pronta, cada um pegava uma colher para prová-la, ainda dentro do pilão. Sem cadeiras para todos, os mais novos sentavam-se no chão. Por alguns minutos, um silêncio imperava enquanto sentíamos o doce envolver nosso sistema digestório.

O pilão ainda existe. Foi restaurado, após anos de abandono no porão. Se transformou num item de decoração, na casa de um dos tios.

Minha ancestralidade anda esmurrando a porta do coração. Deseja sair e se manifestar. Vontade absurda de bater os atabaques, soltar a voz e chamar de volta, todos que adormecem.

Essa crônica faz parte do livro Quinta das Especiarias. Meu mais recente livro de crônicas que será lançado em 27/11/21.

Lançamento pelo selo Scenarium Livros Artesanais, está numa linda edição com textos e ilustrações de minha autoria.

Já se encontra na pré-venda por R$35,00: