Beda 28 – Saga da heroína na terceira idade

As dores me têm. Praticamente já fazem parte de mim. Às vezes, nem noto sua presença. Mas ontem, ao abrir os olhos, eu era toda dor.

Atravessei o dia, encolhida. No físico e na alma. Qualquer movimento desencadeava um carrilhão da danada.

Pensei: Danou-se, envelheci de vez!

Pelo meio do dia, não me dando por vencida, decidi fazer uma caminhada de uma hora. Caminhar sempre me fez bem. Nesse exercício contínuo, libero as toxinas e liberto minha mente, que voa para longe chegando primeiro que minhas passadas..

Após quarenta minutos, me encontrava em João Pessoa, percorrendo a orla da praia de Cabo Branco. Dia ensolarado, céu azul, sem nuvens e aquela brisa que chegava do mar, jogando seu salgado e morno bafo em mim.

Estava na praia de Tambaú, quase em frente ao famoso hotel do mesmo nome, quando fui tragada para a minha realidade, por uma fisgada.

Meu pescoço sofreu um efeito gatilho, no lado esquerdo, fazendo-me soltar um grito sufocado. Parei por alguns segundos, massageando a lateral do pescoço e ombro. Retornei à caminhada rodando feito pião ao redor da mesa da sala. Consigo fazer essa caminhada quase que diária, nos poucos metros quadrados obtidos por um financiamento a perder de vista. Falando em vista, andam bem embaçadas. Será catarata? Credo, vida de idosa é preencher os pensamentos com dores e doenças. Ninguém merece!

Com esforço e mancando um pouco, retorno ao meu passeio mental, descortinando o resto da praia. Posso sentir os sons, cheiros, ouço vozes de crianças brincando na areia próxima e risadas de jovens, reunidos num quiosque.

Faço meia volta e refaço o mesmo caminho, pensando em dar uma parada no Café em Cena ou parar mais a frente, no Mimo Doce Café e provar o pastel de carne seca açucarado. Tais lembranças me fazem salivar.

Terminei o dia, mais travada que nunca. Restaram as lembranças de dias ensolarados e chuvas ligeiras. Adormeci, vencida pelo cansaço de tantas dores.

Despertei ouvindo o barulho da chuva na janela. Sentei na cama, esquecendo que deitei na noite anterior com dor. Aproveitei o corpo melhor e, após o desjejum (bonito esse termo né?), roupa de ginástica, tênis e, descendo ao chão, me abri por completo mandando para longe, tudo o que me impede de ser feliz. Elasticidade de uma ginasta jovem. Bom demais sentir-se assim. Nada como um dia após o outro. Que bom que não são todos os dias iguais!

Pausa no alongamento para servir-me de uma xícara de café que acabei de passar. Mais tarde, chá de erva de canela-de-velho. Comprei por indicação de amiga.

Recordei sorrindo, minhas tias que usam uma pomada no corpo que tem esse mesmo nome. Sempre achei graça e olha só: entrei pro time!

Saboreio mais uma xícara do meu pretinho favorito, recordando minhas caminhadas na orla. Ainda volto lá!

Esse texto faz parte do b.e.d.a — blog every day august.

Participam Adriana Aneli — Claudia Leonardi — Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia — Obdulio Nuñes Ortega

Imagem: acervo pessoal

8 comentários sobre “Beda 28 – Saga da heroína na terceira idade

  1. Achei tudo bom, menos as dores, obviamente! Encerramento com um “imagem: acervo pessoal”, comprovando de que a vida pode ser alongada com bom humor e elasticidade de espírito.

  2. Ah, Roseli… toma uma xícara de chá 3 vezes ao dia. É um tratamento, e a melhora significativa vem em dez dias… claro, que cada um reage diferente. Com meu marido eu dou um mês seguido e pulo 15 dias, para recomeçar de novo. Espero que faça efeito para você. Abraço

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