Vivi para vê-la brilhar

Em 1976, meus olhos foram capturados pela delicadeza e genialidade daquela pequena ginasta romena. Nadia Comaneci, cravou em mim, o desejo de ser uma ginasta. Na escola, eu e duas colegas de sala, passamos a simular piruetas, espacates, pontes e todas as poses que fazem parte da ginástica ritmica e artística.

Meu corpo sempre foi muito maleável e – em pouco tempo – já dominava muitas posições com facilidade. Sonhei e tentei entrar para uma escola de ginástica olímpica que havia no bairro. Infelizmente, não era para ser.

Não frustrei. Passei a admirar as ginastas e me realizar através delas.

Hoje, parei tudo para assistir a apresentação de Rebeca Andrade.

Essa menina subiu ao patamar da romena e vingou à mim e todas as demais meninas ginastas brasileiras. Meninas talentosas, que a pobreza impediu de prosseguir a caminhada de dedicação ao esporte, que tem seu preço elevado.

Rebeca representa as mulheres, as meninas pobres, as adversidades, o brasileiro. Foi na contramão de todos os obstáculos que surgiram em seu caminho. Superou um a um e, ao término, apresentou vivacidade, graça e um sorriso que ganhou o mundo.

Não me tornei uma ginasta do esporte mas sim, da vida. Pulando barras, desviando de obstáculos, tornando-me maleável e moldável para sobreviver. Considero-me uma vencedora. Minhas medalhas, guardo com carinho e orgulho no armário invisível das emoções e lembranças. Alguns, materiais, ainda mantenho na casa de minha mãe.

Atleta beirando a terceira idade, trago algumas cicatrizes do percurso. As articulações não são mais as mesmas. As dores são companhias constantes, que não me impedem de contorcer e torcer alegre e orgulhosa, pelas consquistas das novas gerações.

Apesar do frio que castiga meus dedos enrigecidos, consegui sentar para escrever esse texto desabafo homenagem, para uma de nossas representantes nas olimpíadas de Tóquio: Obrigada Rebeca, por devolver o sorriso ao povo brasileiro!

2 comentários sobre “Vivi para vê-la brilhar

  1. Foi muito lindo! Acompanhei emocionada e também acompanhei Nadia Comanecci, embora nunca tivesse o corpo tão maleável, mas vibro com cada conquista. Belo texto!

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