Pesar

Acordei mais pobre. Conta corrente com vazamento, escoando para pagamentos de inúmeras contas mensais. Isso não me assusta afinal, faz parte do cotidiano.

Preparar meu desjejum hoje, foi ato mecânico assim como me alimentar dele. O prazer em degustá-lo passou distante, diante de notícias tão tristes.

Esse nosso “novo normal” tem sido uma mescla de sentimentos – quase todos – provação diária.

Literalmente, nos encontramos numa temporada do programa No Limite. Só que sem a superprodução global. A vida como ela é, sem retoques, nem edição.

Perdas incalculáveis são acrescentadas às famílias brasileiras. Fome aumentando, famintos idem. E a fome gananciosa desses seres que não nos representam cresce deslavadamente. Sem máscaras no rosto e na alma. Se é que podemos dizer que tais criaturas têm alma. Creio que não.

Economia em descida vertiginosa, empresas demitindo, comércios fechando e festas clandestinas explodindo por toda parte.

Hoje, o que mais cresce entre nós, são covas abertas aguardando os próximos corpos. CPI da Covid, chacina de inocentes, gritos de louvação pela campeã Juliette, gritos na rua de anônimos enlouquecidos pelo crack, desacordos na quebra das batentes das vacinas…

Hoje, decididamente acordei mais pobre. Tiraram nosso riso fácil, mataram o que tínhamos de melhor – o humor!

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