Pela madrugada

Mês de julho de 2020. Durmo (quando consigo), acordo, faço minhas refeições, trabalho. Entre uma tarefa e outra, minhas necessidades fisiológicas afinal, faz parte da vida.

Uma solidão barulhenta toma conta do meu espaço físico e do meu emocional. Uma das vozes que gritam insanas é: Quero voltar para minha vida normal!

Em contrapartida, outra berra: Sua louca. Você odiava aquela vida. Essa está muito melhor. Sossega e se conforma.

Uma outra voz, mais tímida sussurra: Sinto saudades de meus amigos. Quero muito voltar a me encontrar com todos eles…

Saudades? – comenta uma voz que surge do nada, sarcástica -, Mentira. Você está muito bem sozinha sem ter de aguentar as aporrinhações de terceiros que sempre te usaram como pinico pra despejar suas sujeiras.

A voz do desejo reclama: Sinto falta de uma companhia que me envolva e sacie minhas vontades carnais.

Uma outra berra irritada: Cala a boca e resgate seus brinquedinhos do armário. Use e abuse. São mais eficazes e não te deixam sozinhas na cama depois do gozo.

A voz séria da profissional, reclama: Calem a boca suas inúteis. Não vê que estou trabalhando? Tenho muitos relatórios a entregar. Me poupe de suas lamúrias.

Hum! Sua ridícula. Querendo provar competência a quem? Nós todas te conhecemos muito bem e sabemos que está louca pra cair fora dessa. Além do mais, se liga. Hoje é sábado. Não é dia de trabalhar. Vá curtir a vida enquanto o vírus não te pega!

E todas caem na risada tumultuando ainda mais minha madrugada insone.

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