Tin-Tin para mim!

Pela primeira vez aposento minha fantasia usual das festas juninas e adoto um acessório que – mais que um adereço de moda -, tornou-se item fundamental para sobrevivência. Não que isso represente 100% de garantia. Aliás, vivemos uma era de grandes incertezas…

Trago comigo uma certeza: Sou grata ao Universo pela vida que me foi concedida. Agradeço diariamente a saúde, a família, os amigos, o emprego, o teto que me abriga, o alimento que me sustenta. Agradeço. Sempre.

E mesmo hoje, três meses afastada de meus entes queridos, vivendo sozinha porém, nunca solitária, sentindo falta de um abraço apertado e um beijo estralado, despertei agradecendo por mais um dia de vida.

O passar dos anos e as inúmeras experiências, me fizeram ficar resiliente e – como já dizia minha sábia avó Maria-, saber “sambar conforme a música”. Não é fácil. Aliás, viver nunca foi fácil. Se aprendemos a adquirir sabedoria através da dor e do sofrimento, tornamo-nos fortes, de aço. Tenho tido noites insones. Quase nem preciso usar máscara pois já tatuei uma de zorro ao redor de meus olhos cansados,atravessando noites de preocupação com a humanidade. E nessa humanidade, me incluo.

Contudo, persisto em apostar em dias melhores. Procuro fazer do meu dia, algo alegre, positivo. De gente negativa e baixo astral, lá fora já tem de sobra.

Cinquenta e sete anos vividos. Muitas histórias acumuladas, gavetas abarrotadas de lembranças. Álbum de fotografias de pessoas amadas que se apagaram na vida feito polaroid. Cantaram em outro universo. Talvez paralelo, talvez se extinguiram de vez. Quem sabe?

Quase me esqueço de meu aniversário, tamanho ritmo louco que tenho vivido diante de pandemia e afins. Mas, hoje ao despertar, orei. Fervorosamente, orei. Por mim, por uma querida que aniversariava na mesma data e que – só soube essa semana -, está comemorando seu niver em outro plano.

Gratidão é meu mantra e seguirá por mais cinquenta e sete anos. Se até lá estarei ainda utilizando essa máscara? Quem sabe. Encerro com a música de minha musa Rita Lee:

...”Se Deus quiser
Um dia eu morro bem velha
Na hora H, quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote
De camarote”