Pausa

Dois metros e vinte por um e quarenta. Essa é a metragem que me foi dado para vislumbrar o mundo. Lá fora.

E sou grata, uma vez que a maioria dos apartamentos modernos têm janelas bem menores. Em confinamento há três semanas, no qual, nem chance de ver, abraçar, beijar e me despedir de minha família tive direito. Tudo foi tão rápido. Notificação na empresa de que a partir do dia seguinte, trabalharíamos em casa, organização do que traria para casa e a vinda, corrida e assustada sem saber ao certo o que aguardar dali para a frente.

Desde então, vivo numa bolha isolada. Optei por manter a rotina de outrora. Acordo as sete horas, levanto, preparo o café, esquento meu pãozinho, tomo meu banho, me arrumo como se fosse sair para trabalhar. Ah, antes de tudo isso, abro a janela e miro o horizonte observando a mudez dos edifícios e ouço o canto dos pássaros. Não sei ainda onde ficam mas ouço-os nitidamente como se estivessem no beiral de minha janela.

Sinto que sou um misto de personagem da obra de Chico Buarque com o filme norte americano O feitiço do tempo.

“Todo dia ela faz tudo sempre igual”…

Esse trecho da canção não me sai da cabeça. Decidi ouvir outras canções. Instrumentais são as que mais tem me feito companhia. Jazz.

Redescobri o prazer de cozinhar minhas próprias refeições. E constatei que, além de me dar prazer, sou boa nisso.

Assisto a séries coreanas na Netflix, outro dia descobri uma série sobre o Freud. O ator é bem bonitão. Agrada minhas retinas. Comecei a assistir também uma série dinamarquesa que se passa numa escola: Rita. Matando saudades da minha escola, da meninada, do barulho, da convivência. Leio muito. Feliz por ter uma estante repleta de livros que ainda não havia lido. Retomei a leitura do livro Se só me restasse uma hora de vida, de Roger-Pol Droit. Filosofia agradável em forma lírica. Como não tenho problemas com a temática, me ajuda a formar opinião e a me fortalecer.

Sou espiritualista e toda noite tenho dado uma pausa em minhas atividades terrenas. Medito. Oro. Vibro por mim e pela humanidade.

Esperança de dias melhores.

Esse texto faz parte da série de blogues que foram convidados para escrever sobre o tema. Convite feito pela Scenarium Plural, na pessoa de Lunna Guedes.

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