Muito a criar. Muito a viver

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Final dos festejos da Parada Gay, com muita euforia por momentos de liberdade que prenuncia um mundo mais leve e colorido. Ouço o rádio aqui dentro e, bem mais dentro, em meu interior, o tum!tum! de um coração que pulsa sem parar. Por alguns instantes, bate mais compassado revendo o passado.

Noite fria, fogueira acesa, pessoas sorrindo e se aquecendo ao som de uma viola caipira, assim como um quentão rolando solto por entre os copos de todos os presentes…

O cheiro da terra úmida, toma conta de minhas narinas tão acostumadas ao odor da fumaça dos carros nas avenidas da cidade de São Paulo. Agacho e pego um punhado delas sentindo a aspereza gostosa por entre os dedos. Cria do asfalto, filha da urbanidade, não tenho contato com a natureza a não ser pelos vasos de flores comprados no mercado das flores do Arouche. O perfume me enebria feito os taninos do vinho barato que compro no hipermercado Extra, na esquina de casa…

Sorrio ao ouvir de sua boca carnuda, meu nome pronunciado de forma tão sensual. Sua voz baixa e rouca, anuncia uma noite prazerosa de muitas brincadeiras sexuais a nos entreter na meia idade. Agora somos livres, nos tornamos crianças grandes e sem censura alguma, nos permitimos brincar de tudo…

O avião embica e sobe levando-me a novas experiências. Conhecer lugares é sempre bom. Conhecer pessoas também…

Fogo, fogão, foguinho
Pula dentro, pula fora
Estica a corda
E vai embora…

Como é boa a sensação de liberdade em pular corda com amigas. E cantar, e pular, e suar e  e  e…Ser feliz feito criança de novo!

Não. Não é nada disso que acontece mas todas dariam uma boa história. Vocês não concordam?

Iniciar uma história é uma estrada de várias vias que nos possibilita múltiplas escolhas. A vida real também.

Só que muitas vezes, por medo, deixamos de escolher um final feliz. Ou quem sabe, por achar que não somos merecedores. E atravessamos a vida, apegados no cotidiano miserável, porém conhecido, ao invés de se jogar de cabeça numa aventura que acrescente um matiz mais colorido às nossas medíocres existências…

Com todos esses possíveis recomeços e histórias, festejo mais um ano de vida.

56 velas acessas brilhando e provando que viver é bom demais. Foram começos de histórias que poderiam ter acontecido ou que realmente aconteceram. Um mosaico que compôs minha vida terrena enriquecida de muitos janeiros, muitas fogueiras, muitos brindes, muitos choros e risos. Por hora, em postura de agradecimento, elevo o pensamento e agradeço à Deus pela oportunidade única de nascer, viver, crescer e formar uma legião de amigos queridos e familiares amados. 56 viradas de folhas de calendários que fomentaram esse corpo mignon e transformaram-no em rocha que aguenta muitos trancos.

Que venham mais 56!! Afinal, o que vier daqui para a frente será sempre lucro! E não me venham dizer que é o início da derrocada porque – mesmo derrapando na pista -, sou canceriana, ando de lado e faço passo de dança. E mesmo que toque um tango sofrido , choro e danço. Danço e choro. E também sorrio porque  pode até ser que tenhamos a fama de chorões do zodíaco mas, também carregamos a alma inflamada de amor e tesão pela vida. Tin!Tin!

Imagem licenciada: Sutterstock

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Terapia da alma

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Quem sou eu?

No que me meta-morfoseei?

O que busquei nessa minha trajetória de vida?

O que e quanto conquistei?

E estas conquistas, foram coisas pelas quais

realmente sonhei, desejei?

Ou, simplesmente obedeci e aceitei o que a

sociedade impôs?

Sou feliz? Sou realizada? Estou em paz?

Quero continuar? Quero partir?

Quero calar? Quero falar?

Quero…

…Arrebentar os grilhões que me prendem

à situações cômodas mas prisionais

Cansei dessa máscara de boa moça

Nem vinte anos tenho mais

Chega de baixar a cabeça e dizer “tudo bem”, “Amém”

Não sou boba, muito menos demente,

Não minta!

Jogue na minha cara que não sirvo mais

à essa engrenagem ressequida

Chute minha bunda mas faça com dignidade, com verdade!

Liberte-me dessa rotina para que – mesmo chorando –

o não reconhecimento,

me possibilite trilhar o passo

para me Re-

Inventar.

 

Imagem licenciada: Shutterstock