Salamandrei

Nunca gostei de retrospectivas. Para mim, o que passou, passou. Mesmo que tenha sido bom, não vale a pena ver de novo. Quem gosta disso é a Globo. Eu não.

Contudo, até como forma de retomar a escrita que anda bem parada, decidi escrever e discorrer sobre o ano de 2017. Nunca fui pessimista. Costumo ser até um pouco otária de tanto exalar otimismo. É minha filosofia de vida. Ninguém precisa concordar. Cada um, cada um. Também não é costume meu chorar fracassos e percalços.

Mas devo confessar que esse ano foi um ano de provação pessoal. Fui posta à prova em diversos setores. Quase fui reprovada nessa matéria. Ainda bem que na vida real, não existe isso caso contrário, repetir o ano de 2017 seria penalização máxima que – com certeza – me faria desistir. Sentir-se na corda bamba atravessando um precipício a querer lhe engolir, não costuma ser uma sensação agradável. Percorri o ano pisando numa linha invisível que a todo momento balançava e me trazia um sentimento de pânico. E a quem recorrer quando – de repente – sua confiança não encontra moradia em ninguém? Nem mesmo naqueles que tanto confiou?

Alguns podem achar que seja loucura minha. E eu digo: pode até ser afinal, quem hoje não tem pelo menos um fio de neurose? Encontro-me na normalidade.

Minha zona de conforto perdeu  a estabilidade que até então mantinha-me segura. Minhas placas tectônicas moveram-se de forma transloucadas fazendo-me cair diversas vezes. Estou cheia de escoriações físicas e também na alma. O corpo, tratei de passar muito cataflan e bolsa de gelo. E na alma? O que devo aplicar para sanar as dores?

Muita respiração pausada. Muito mantra. Muito vinho para amaciar a carne e entorpecer as emoções. Muito hare khrisna, muito tambor batido. Contudo, o que mais tenho necessitado é de amor. A começar por mim mesma a se enternecer pelos cacos espalhados no chão após o vendaval. Mesmo em pedaços, essa sou eu que teimo em seguir adiante. E sigo tentando ser como a salamandra regenerando minhas partes danificadas.

Hoje, quase um ano, acredito que assimilei parte do aprendizado. Quase refeita, consigo andar de cabeça erguida e só fraquejo quando estou só. Até voltei a sorrir. Outro dia, chegando em meu apartamento, notei que meu vaso de violeta floriu. Fui tomada por uma alegria tão grande que lágrimas me fizeram companhia. O bom é que dessa vez foram lágrimas de alegria. E assim, volto a reconhecer a riqueza da vida. Hora sangramos diante de perdas e tristezas. Hora lacrimejamos de felicidade e assim, através das pequenas coisas que nos acontece no dia a dia, celebramos a graça de estarmos vivos.

E eu, que iniciei esse texto mergulhada na melancolia, termino com o coração palpitando ao som de Freddie Mercury : Show must go on!

3 comentários sobre “Salamandrei

  1. Ah, minha cara, que bom que o tempo passa e a gente se encontra, de alguma maneira, em nós. Seja bem vinda de volta as palavras. Eu fico imensamente satisfeita por saber-te aqui, conosco. Agora já posso pensar em café e em escritos? Eu colaborei, fiquei quietinha, sem lhe provocar com idéias… reparou?

    Novamente lhe digo, estou cá, viu?
    bacio

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