Diário de bordo: sem maiores acontecimentos

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Hoje foi um sábado abençoado. Do jeitinho que gosto. Céu azul de brigadeiro, sol ameno, muito iluminado. Dia de sair às ruas para compras, encontrar amigos, degustar guloseimas. E esse mês em especial é de muitas e deliciosas guloseimas. Junho, mês de festas juninas que – infelizmente nas grandes cidades perderam força. Contudo, ainda que de forma reduzida, surgem aqui e ali algumas amostras do que foi um dia essas festividades.

É o mês onde celebro meu nascimento. Há quem odeie aniversários. Eu amo afinal, viver é uma eterna festa. Mesmo que haja brigas, perdas, obstáculos, viver é sempre motivo de alegrias. E eu, mesmo que melancolicamente (sou canceriana lembra?), alegro-me com as pequenas coisas que a vida me oferta. Quer coisa mais prazerosa que ao acordar, ouvir o canto de diversos pássaros em sua janela? E o que me diz de abrir a mesma janela à noite e se deparar com a belezura da majestosa Lua? Ou então, ser pega de surpresa enquanto anda pela calçada preocupada com contas a pagar, por acordes afinados de um músico de rua. Aqui na região da Paulista tem a escolher. E eu me rendo!

Próximo ao meu aniversário costumo entrar no que chamam de “Inferno astral”. Acredito que Papai do Céu esse ano resolveu olhar com mais atenção e carinho para essa sua cria. Ando num momento muito feliz apesar das dificuldades que passo. Sem problemas afinal – assim como a maioria dos brasileiros, o que não falta são problemas financeiros e esses, conheço de longa data. Aliás, já fui concebida num período de maré baixa, bem rala. Talvez por isso mesmo, tiro de letra e sinto que sou excelente economista. Ou devo dizer equilibrista? Uma vez que consigo equilibrar com maestria as finanças mensais, penso que não sou ruim não! Nesse um ano vivendo sozinha, aprendi que posso perfeitamente atravessar trinta dias corridos sem um puto no bolso. E quer saber? Ando de boa! Sinto-me privilegiada afinal, tenho um espaço que aos poucos está ficando com minha identidade, tenho profissão e emprego, guarda roupa sortido (tá legal, tudo roupa antiga mas como é de boa qualidade, estão tinindo), calçados de couro, geladeira cheia e sortida de alimentos de qualidade. Levo muito a sério cuidar de minha saúde. No momento é meu único bem. Mas também, não radicalizo. Como o que me dá vontade. Sigo a linha “Mulheres francesas não engordam”. Como sem culpa. Deve dar certo pois sempre fui magra.

Não. Não possuo automóvel porque nunca me interessei em aprender a dirigir. Sempre preferi sentar na janelinha para apreciar a paisagem e sonhar. É caro leitor, nascer canceriana dá nisso. Sempre com a cabeça no mundo da Lua! Decididamente, não daria certo dirigir. Seria irresponsabilidade. Gosto de caminhar, atravessar ruas, alamedas, avenidas. Gosto de observar rostos, posturas, comportamentos. Esse é meu material de trabalho. Andar também é um ato de meditação. Enquanto caminho penso, reflito, oro. Aproveito esses momentos para vibrar pela humanidade. A situação no planeta azul anda bem preta não é mesmo? Faço minha parte mesmo que ela pareça ser insignificante. Junto minhas doações energéticas às demais doadas por aqueles que também desprendem um pouco de si ao próximo. Essa é minha religiosidade. Não necessito de templos.

No entanto, atravessei meio século e nunca tive alguém para chamar de meu amor. Algumas pessoas ( muitas) estranham. Acham que devo ter algum transtorno por não haver casado nem tido filhos. Creio que na realização da criação, Deus determinou assim: uns têm, outros não. O universo necessita desse equilíbrio. Aceito sem maiores encanações. Vivo de boa aceitando o que ela me oferece. Sei que ela é generosa com quem a respeita e eu a respeito muito. E sou grata sempre. Ah! Antes que pense, não. Não sou a chata do pedaço que vive a pregar ensinamentos. Em minha concepção, cada um que busque seu próprio método de aprendizagem. Faço o que acredito ser o melhor para mim. Respeito o livre arbítrio do próximo. Se não concordo apenas lamento e sigo em frente.

Enfim, sentei aqui e iniciei esse texto sem nem saber o que pretendia escrever. Apenas deixei fluir pensamentos e sentimentos de um dia que para mim foi perfeito. O que? Se aconteceu algo especial? Não. Absolutamente nada de especial. Meu dia foi até bem comum no entanto, a graça está justamente nisso. Em reconhecer que é no cotidiano que se encontra a felicidade tão procurada e aclamada por todos. Eu encontrei!

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13 comentários sobre “Diário de bordo: sem maiores acontecimentos

  1. Olá Roseli! Tudo bem?!
    Resolvi fazer uma pequena homenagem aos queridos blogueiros de quem tenho grande alegria em acompanhar. Alguns mais antigos e outros mais recentes, por isso, fiz uma rápida menção sobre você em meu Blog, Patriamarga (https://patriamarga.wordpress.com/2017/06/04/os-melhores-blogs-de-maio/) e espero que goste!
    Parabéns pelos seus textos e por esta figura querida que você tem transmitido para mim!
    Um grande abraço e muito obrigado!
    M.

  2. E foram lindos pensamentos e sentimentos.
    Eu tb celebro a vida este mês, mas sou de gêmeos.
    Muito da beleza da vida está na simplicidade. Ouvir o som dos pássaros, ainda na cama, faz tão bem a alma.
    Que surjam muitos dias assim em nossas vidas.

  3. Gosto imenso dos textos que são meditações e que passam pelos dias, por nós e que simplesmente se desenham a medida que o lápis avança sobre o papel, como se não houvesse compromisso com nada a não ser com nos mesmos. Ah, faz tempo que não brinco disso. Preciso ser menos personagem e mais eu mesma. Kkkkkk

    Que esse meio século seja doce e francês, viu?

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