I give up!

Minha avó materna, dona Maria, apesar de analfabeta sempre foi de uma sabedoria infinita. Dona de um espírito brincalhão, eterna menina, de vez em quando saía com umas tiradas filosóficas de fazer Nietzsche ou Marx ficarem de queixo caído pensando na profundidade de seu pensamento.

Uma de suas pérolas cai como luva para esses tempos tão nebulosos que passamos em Terra Brazilis: Não generalize.

Atravessamos uma turbulência econômica, política e moral como talvez nunca tenhamos passado. Pelo menos que me lembre. Ler as trocas de farpas nas redes sociais é de sentar e chorar. A raiva – pra não dizer ódio, está transformando algo que antes era prazeroso, num ringue de rinha da pior espécie. Confesso que tenho deixado de lado para não acirrar uma úlcera.

Hoje, li um desabafo de uma colega de profissão que é concursada, que me tocou profundamente. De forma delicada porém firme, ela se posicionou diante das pedradas recebidas por pessoas que andam espalhando que servidores públicos são vagabundos.

Eu a conheço. De vagabunda ela não tem absolutamente nada. Casada, mãe de família, escritora, mulher culta e sabedora de seu papel na sociedade. Luta por seus direitos e demais pessoas além de uma luta diária por ser portadora de deficiência física numa cidade, num país onde nunca se olha por esses “especiais”.

Sendo também mulher, trabalhadora desde os treze anos de idade, formada num curso superior com muita dificuldade, defensora dos direitos humanos, sinto-me também ofendida e entristecida em ver o quanto as pessoas se atiram às ofensas a quem nem conhece de forma tão vulgar.

A sociedade está se fragmentando em pseudo-grupos que se olham com animosidade e atiram-se uns aos outros destilando ódio. Uma total insanidade uma vez que, todos estamos no mesmo barco que se afunda. Mas vá tentar fazer entender! Como já disse Taiguara tão bem na letra da música Universo no teu corpo:

Eu desisto! Não existe essa manhã que eu perseguia/Um lugar que me dê trégua ou me sorria/E uma gente que não viva só pra si…

Décadas passaram desde que ele, alma sensível, escreveu essa bela canção. Nunca esteve tão atual!

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10 comentários sobre “I give up!

  1. Roseli, adoro a forma como você coloca os pingos nos is.
    Vivemos em tempos sombrios, um momento em que aquela mentalidade dos primeiros brasileiro ( os invasores) imitava a “nobreza” a todo custo, sem perceber que eram bobos da corte, fantoches que alimentavam o escárnio da escória do poder.
    Ser servidor público é uma das funções de maior responsabilidade e importância para um país porque este trabalhador não serve ao enriquecimento de uma empresa e sim à qualidade do lugar onde moramos. Pena que aqui onde nascemos só a velha nobreza invasora e usurpadora é vangloriada, nós o povo ainda achamos lindo o modelo de pessoas “poderosas e que consomem luxos”. Mas tudo que é sólido se desmancha no ar e tudo passa.
    Vou continuar com a esperança que um dia a racionalidade prevalecerá. Beijo grandão.

    • Cláudia, tenho sempre dois prazeres: o escrever e o ler comentários de meus leitores. Você interage bastante e isso é bom demais. Grata pela audiência, rs. Concordo com você. Nossa sociedade precisa amadurecer e se conscientizar de seu real papel. Nada contra o luxo mas tudo em excesso é prejudicial. Ainda mais quando apenas uma parcela usufrui enquanto a maioria pena para sobreviver. Também tenho esperanças . Beijos

  2. Um dos motivos pelos quais me ‘afastei’ do facebook (em especial) é o tal do dedo sempre em riste das pessoas. É impressionante. E todo mundo se sente a vontade para dizer qualquer besteira e não aceita que ninguém vá na contramão. Me causa imensa preguiça. Um é de direita e é coxinha. O outro é de esquerda e é de mortadela. E ambos não são capazes de perceber que esse é o melhor cenário possível para meia dúzia de figuras. Não adiante irem as ruas, se não estão indo pelo motivo certo. rs

    Enfim, eu já fui chamada por vários apelidos, sorri e fui ler meus ‘anarquistas’ na sombra. Adoro eles… vez ou outra, tomo café com os amigos, que adoram rir e escrever. E como escrevem, bacio

  3. Luna e Roseli, vou aí tomar um café com vocês, porque já me chamaram de tudo quanto é nome em todos os lugares por eu não ter o tal lado que temos que escolher. Porra! Eu sou do lado da anti caretice, do lado de quem se ferra enquanto os ratos dos poderes se lambuzam com a grana da saúde, da educação e da segurança pública (que nem falo nada). Enfim, enquanto isso não tenho mais facebook e nem celular. Só queria mesmo é sentar e dar muita risada. Beijos.

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