Surtada

A situação pela qual passo, não é novidade para ninguém. Quem nessa vida já não passou nervoso com prestação de serviços? Quem já não perdeu a esportiva diante de uma compra e o não recebimento da mercadoria? Quem nessa vida já não sofreu um golpe muito bem dado por espertalhões que, enxergam em você, o pato da vez?

Escrevo essas linhas no sentido de expor minha indignação e frustração que venho acumulando desde o  ano passado. Sofro de um mal: ser correta e honesta em dias atuais onde, ser esperto, ganancioso e mentiroso, é o lema da vez. Quem assim atuar ganha dinheiro e status de “Gente fina” ou “Celebridade”.

Num país onde impera a roubalheira sem fim, corrupção e outras cozitas más, nada mais natural que uma alma pura (quase) e crescida nos valores do bem que seus pais e avós exemplificaram, banque a Pata da vez.

E banquei. E estou Quá!QUá!Quá! até agora sem ver a resolução de meu problema. Desculpem meu desabafo caros leitores. Tampem os ouvidos ainda inocentes das crianças por perto:

Puta que o pariu! Caralho! Que merda! Estou possessa!

Respiração quase normalizada. Inspira!Expira!Inspira!Expira… Já já volto ao meu normal. Tenham um pouco de paciência comigo.

Respiração aprofundada e…Voltei ao normal. No entanto, ainda me encontro indignada com a postura “Foda-se” que a maioria das pessoas utilizam no seu dia a dia e em todas as esferas dessa nossa nação.

A pergunta que não quer se calar: Por que? Por que é tão difícil ser profissional e cumprir prazos nesse nosso Brasilzilzil? Por que?

É a empresa de telefonia que te deixa no vácuo quando VOCÊ precisa dela, é a empresa dos correios que te deixa na mão quando não entrega no prazo a correspondência ou mercadoria que mandou ou comprou e nada de te reembolsar ou dar explicações, é o supermercado que anuncia uma promoção e quando você chega, a mercadoria não se encontra com preço anunciado e, ao reclamar, você é que se passa por idiota e que não compreendeu bem, é o atendente da boutique de luxo no shopping que te mede de cima a baixo quando adentra o templo e escaneia sua conta bancária para ver se sai do lugar para te dar atendimento. Se você tem cara de proletário, esqueça minha filha: você não levará nada se depender da boa(má/nenhuma) vontade da balconista. Logo ela, que deve ganhar bem menos que você mas se encontra montada na grife portanto, se acha.

Tudo isso, no decorrer dos dias, meses, anos, te corrói tanto a alma que, chega uma hora, você simplesmente surta e começa a achar natural terroristas fundamentalistas que amam estourar bombas onde se aglomeram seres humanos. Dá vontade de acabar com tudo!

No dia de hoje, chego a sentir certa simpatia por todos eles. Quase chego a compreendê-los!

É boi morto apodrecendo nas vitrines, é leite adulterado com água oxigenada e outros venenos, é pó de serra enriquecendo nosso tão amado e idolatrado cafezinho, É loja de grife usando mão de obra escravizada para confeccionar seus modelitos, é…

MARCENEIRO levando seu duro e suado dinheirinho e não executando nem instalando sua cozinha tão sonhada há exatos…deixe me ver, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março..

AIMEUDEUSVOUSURTAR DE NOVO!!!!!!!!!!

Chamem a polícia, o PROCON, um advogado e uma camisa de força porque se me deixarem solta vou matar alguém!Aiqueódioódioódio!!

Mulher invisível

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Dizem que, ao envelhecer, encolhemos. Suspeito que tornei-me anciã e, pouco a pouco, torno-me invisível.

Nessa nossa sociedade patologicamente plugada ao seu smartphone, torna-se cada dia mais difícil manter uma convivência como nos “antigamente”. Sempre tive o hábito de cumprimentar a todos nas empresas onde trabalhei. Do porteiro ao diretor. Nunca fiz distinção. Fui educada por meus pais – que nem terminaram o primário, a usar de cortesia e sempre esboçar um sorriso sincero ao cumprimentar as pessoas assim que chego ao recinto.

Hoje em dia, sorrio e falo com o vento, as paredes, as janelas, o assoalho. As plantas me respondem avivando sua tonalidade verde. Algumas flores até se viram para mim, como que sorrindo e agradecendo minha atenção para com elas.

É. Além de tudo devo de estar sofrendo de alguma doença mental. Como diziam os antigos a quem tenho me referido, “mente fraca”. Se penso que as plantas me respondem a um cumprimento, a coisa deve de estar feia pro meu lado.

Cada dia que passa, sinto-me mais e mais deslocada nessa comunidade a que pertenço mas que, ao que parece, devo estar me distanciando. Olho, ninguém me olha. Passam reto. Cumprimento e sorrio, as pessoas continuam com suas feições endurecidas e nem ao menos soltam um suave grunhido como fazem os tímidos. Silêncio absoluto! O que acontece? Cadê aquela animação para formar roda de amigos e conhecidos e passar horas de conversação, risadas, olho no olho e o desejo de se encontrar muito em breve para dar continuidade ao bate papo?

Outro dia, fui visitar família. Confesso que saí de lá ressentida e frustrada. Minha vontade era tanta em conversar e matar saudade no entanto, percebi que a programação da TV estava mais interessante que minha insistência em manter uma conversa animada e contar as novidades. Pouco a pouco, fui murchando. Silenciei e saí à francesa. Fui ao banheiro, lavei o rosto numa inútil intenção de expurgar o gosto ácido da frustração, peguei a bolsa e saí. Elas mal me olharam ao me despedir.

Ninguém mais tem interesse em saber das novidades do outro… A não ser pelas redes sociais que, se postar algo sobre o que anda fazendo, dependendo do que for, ganhará muitos likes e coraçõezinhos e Uaus.

Credo! Isso tudo anda muito chato! Quer saber? Não vejo a hora de completar meu horário aqui no trabalho e dar uma banana bem dada a todos, voltar correndo para meu ninho e me consolar com as séries favoritas da Netflix!

Aqui pra vocês!!

Imagem: Pocho

Ser humano: alimento de difícil digestão

Sou uma profissional da informação. Meu ofício exige estar informada sobre praticamente tudo o que se passa…

Pensando seriamente em sair da área. Ler notícias ultimamente tem sido uma tortura.

Meu emocional, por mais que o trabalhe na terapia, não está aguentando tantos absurdos. São imoralidades sem fim em nosso país e no exterior, que francamente, torna impossível a digestão. Causam náuseas. E quanto a essas náuseas, não há Pantoprazol e afins que resolva.

Retornei do meu almoço. Ainda com alguns minutos de folga, decido ler as notícias do dia. Leio uma matéria sobre os esquemas ilegais nos frigoríficos. Ao término da leitura, uma fermentação esquisita se formou no chackra esplênico. Até acredito que seja o alimento se revirando diante de tantos absurdos lido. Contudo, sei que a fermentação maior foi de indignação.

A humanidade ou grande parcela dela está insana e precisa com urgência ser trancafiada numa cela de cadeia ou hospício. Tais empresas utilizam substâncias cancerígenas para disfarçar carne podre. Decidi: se já estava de namoro com o vegetarianismo, agora diante de tamanho absurdo, vou comer alfafa e vou me alimentar apenas daquilo que plantar pois saberei que não estou colocando veneno naquilo que como e dou aos meus familiares.

Diante de tantos disparates e falcatruas sendo descobertas, permaneço com a pergunta sem resposta: Até quando o homem vai continuar a enganar e ser enganado? Quando a moral dos mesmos se elevará do subsolo imundo e lamacento em que se encontram?

Do meu lado, resta somente vergonha alheia. Envergonho-me pela raça humana que a cada dia demonstra ser a menos evoluída de todos os seres vivos.

Poesia sempre!

O Dia Nacional da Poesia é uma homenagem a data de aniversário do poeta Castro Alves. No entanto, a partir de 2015, foi sancionada a lei 13.131, que mudou a data para o aniversário de Carlos Drummond de Andrade em 31 de outubro. Ou seja, agora o dia nacional da poesia é em 31 de outubro. Mas, para pessoas que como eu, a poesia é celebrada todos os dias do ano, deixo aqui minha pequena homenagem a ela, Poesia, e aos poetas que conseguem lapidar com perfeição todos os sentimentos humanos em rimas, estrofes e versos. O mundo sem poesia seria sem dúvida, mais pobre e sem graça. Abaixo, apesar de não me considerar poeta, arrisquei e escrevi esse pequeno poema:

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Vivas ao Peixinho!

Ano de 1965, dia treze de março. Para a maioria das pessoas que seguiam suas vidas, era um dia como qualquer outro. Sem novidades. Corriqueiro. Na minha família, era um dia especial pois chegava uma pessoa que enriqueceria a vida familiar. Meu irmão!

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Primeiro e único! Crescemos naquela rua comandada por um bando de crianças. Dividindo brinquedos, brincadeiras, aprontamos muito juntos, rimos muito também. Dividimos castigo um de frente ao outro onde revezávamos choro e risadas. Sendo briguenta desde cedo, o defendi da molecada muitas vezes na saída do colégio. eu e meu mano ricardoMexeu com meu irmão, mexeu comigo e dá-lhe bronca porque nunca fui menina de levar desaforo pra casa. Brigamos muito também afinal, quem nunca brigou com seus irmãos? Na adolescência, cheguei a achá-lo um chato! Chato mesmo, daqueles que pegam no seu pé. E eu estava descobrindo o sexo oposto e adorava paquerar. E lá vinha meu mano jogando água na minha fervura, falando mal do gajo visado da vez, ameaçando contar pro papai e pra mamãe. Chato! Houve um ano que ficamos sem nos falarmos. Sem nos olharmos. Foi um ano muito difícil para mim. E hoje, acredito que para ele também afinal, sei que por baixo daquela carcaça dura que criou ao seu redor, ele carrega um coração incrível e repleto de emoções. Na fase adulta nos reaproximamos e ano após ano, nos tornamos mais e mais amigos, companheiros, cúmplices. Apesar de morar em outra cidade e passarmos bons meses sem nos vermos, nossa sintonia emocional nos mantém conectados. E vamos combinar que a tecnologia ajuda muito a encurtar distâncias. O importante, é manter a chama do nosso amor sempre acesa alimentando com orações, mentalizações, troca de mensagens carinhosas e verdadeiras. Sinto-me privilegiada em ter irmãos tão queridos e que, independente das diferenças, respeitamos uns aos outros e procuramos ajudar no que for necessário. Mano Ricardo, acordei pensando em você e no quanto sou feliz em tê-lo ao meu lado. Que possamos percorrer essa caminhada da vida de forma alegre, sincronizados nos sentimentos e vez ou outra, nos abraçarmos fisicamente materializando todo nosso sentimento recíproco. Ter irmão é bom demais! Ter irmãomigo, é viver no paraíso aqui, em plena Terra! Saúde mano!!

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