Início não renovado

E o ano de 2017 inicia trazendo em sua bagagem velhos hábitos, velhos costumes, velhos problemas. Percorro a cidade, entro nos vagões do metrô e o que observo é que nada, absolutamente nada mudou.

Seres humanos carregando em si, intolerância, impaciência, má educação. Jovens alienados, crianças mimadas e adultos infantiloides. Nas ruas, uma massa – misto de ressaca de final de ano e má digestão do princípio de um novo ano carregado de más notícias -, fazem da cidade, um panorama desagradável.

Ruas imundas, boeiros entupidos, calçadas quebradas, frota de ônibus precária e insuficiente para locomover levas imensas de transeuntes que circulam diariamente pela cidade. Aumento das tarifas: do IPTU, do IPVA, das absurdas listas escolares que todo ano inflacionam e comprometem a verba dos trabalhadores.

E com tudo isso a nos rodear, ai do trabalhador que cai no abuso de ficar doente! Hoje em dia nem se pode dizer: segue o enterro, pois o caixão está pela hora da morte. Desculpem mas não resisti a essa brincadeira de mal gosto. Nem morrer em paz o cidadão está podendo. Até isso lhe foi tirado.

Violência fazendo parte da rotina de quase todo mundo. Banalizou-se. Acompanhamos os noticiários na TV fazendo nossas refeições e nem nos impressionamos com a matança fora e dentro das prisões. Se assustar pra quê? Morrer faz parte do pacote completo não é mesmo?

E assim, seguimos nessa imensa boiada rumo a não sei o quê, nem pra onde, ruminando tudo sem sentir gosto de nada. Mais um ano. Menos um ano. E por último deixo uma pergunta:

E a poesia da vida onde fica? E as artes? Onde se enquadram nessa loucura que ela se transformou? Ou será que sempre foi assim e nem percebemos?

Ah Roseli, deixa disso. Filosofia foi feito para poucos e mesmo esses poucos, jamais encontraram respostas para essas questões.

É, não tenho respostas para nada e ouvindo Oswaldo Montenegro, concluo com ele que a lógica da criação é totalmente ilógica para nossa limitada compreensão.

Tal qual ele, não entendi a equação da criação e por isso mesmo, sigo vivendo, cantando, dançando e escrevendo porque, se existe outra vida, será na outra que talvez dê tudo certo porque nessa, já percebi que é o tango do crioulo doido. Só nos resta dançar na garrafinha, surtar feito o Beijoqueiro na chegada das maratonas e brindar a cada ano que conseguirmos fechar vivos. Só o fato de chegarmos ilesos já será uma vitória a se comemorar.

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8 comentários sobre “Início não renovado

  1. Infelizmente, a vida é assim… As renovações seremos nós que temos que fazer, Roseli. Internamente e que a poesia nos salve. Beijo

  2. Já começamos brindando o acordar, nossa vitória diária. Mas sempre digo, há pessoas correndo por fora e dando voz aos poetas da vida, para escreverem uma nova realidade. É época de semear! Beijos

  3. A poesia está em cada pessoa diferenciada em sua sensibilidade e determinação de não desistir de espalhar sorrisos, delicadeza e carinho em cada gesto, em cada dia, em cada olhar… Sigamos!!

  4. Roseli,
    lendo suas adoráveis palavras recebo uma pontada de esperança que se aloja no profundo da minha alma.
    É alentador conhecer pessoas que não camuflaram a sua sensibilidade.
    Sigo contigo e com Oswaldo, não entendendo a equação da criação, mas nem por isso acostumada com os absurdos que me cercam!
    Parabéns pelo blog, acabou de ganhar uma fã!

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