Determinação

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É hoje. De hoje não passa. Traçei um plano para executar e mudar minha vida. Sei que amanhã agradecerei ter tomado essa decisão. Contarei com apoio e aprovação de todos. Daqui uns anos, olharei meu reflexo no espelho e sentirei orgulho de mim mesma. É isso. Não tem mais volta. Na realidade, não vejo a hora do dia correr. Trago a certeza de que sairei vencedora. Já conto com torcida organizada a planejar seu grito de guerra para me ver chegar à final. Vai ser lindo! Farei parte dos vencedores na vida. Dos sorrisos que moram no Olimpo. Consigo desfrutar a sensação desde já do dever cumprido…

18h26 – Starbucks, Alameda Santos.

– Por favor, dá uma chegada mais pro canto para eu sentar? Obrigada. Ah, não querendo abusar, mas já abusando, posso colocar meu frappuccino nessa mesa? Ah sim, Obrigada.

– Camila, você por aqui?.. Não era hoje que iria começar a frequentar a academia?

– Oi Jú! É…

– Escuta colega, não era você que espalhou para todo mundo no departamento que a partir de hoje seria uma nova pessoa, e que se transformaria numa vegana? Só comeria coisas naturais?

– É…

– Cadê toda aquela determinação e discurso que nos infernizou a semana toda no refeitório só pregando a boa alimentação e bons hábitos? Não é bem isso que estou vendo por aqui…

– Jú, seguinte: vai ficar aí em pé me infernizando e tirando uma onda com a minha cara ou prefere sentar-se aqui e comer junto e colocar as fofocas em dia? Não sei se percebeu mas está atrapalhando.

– Fechado colega! Chega pra lá para eu sentar do seu lado. Ficou sabendo da Bernarda da contabilidade e do Alfredo da Tecnologia?

– Não mas você vai me contar tudinho. Moço, desculpa, pode se achegar um pouquinho mais pro canto. Ah, Jú coloca seu donuts do lado do meu. Isso aqui tá uma delícia!!!

Imagem: Pexels

Início não renovado

E o ano de 2017 inicia trazendo em sua bagagem velhos hábitos, velhos costumes, velhos problemas. Percorro a cidade, entro nos vagões do metrô e o que observo é que nada, absolutamente nada mudou.

Seres humanos carregando em si, intolerância, impaciência, má educação. Jovens alienados, crianças mimadas e adultos infantiloides. Nas ruas, uma massa – misto de ressaca de final de ano e má digestão do princípio de um novo ano carregado de más notícias -, fazem da cidade, um panorama desagradável.

Ruas imundas, boeiros entupidos, calçadas quebradas, frota de ônibus precária e insuficiente para locomover levas imensas de transeuntes que circulam diariamente pela cidade. Aumento das tarifas: do IPTU, do IPVA, das absurdas listas escolares que todo ano inflacionam e comprometem a verba dos trabalhadores.

E com tudo isso a nos rodear, ai do trabalhador que cai no abuso de ficar doente! Hoje em dia nem se pode dizer: segue o enterro, pois o caixão está pela hora da morte. Desculpem mas não resisti a essa brincadeira de mal gosto. Nem morrer em paz o cidadão está podendo. Até isso lhe foi tirado.

Violência fazendo parte da rotina de quase todo mundo. Banalizou-se. Acompanhamos os noticiários na TV fazendo nossas refeições e nem nos impressionamos com a matança fora e dentro das prisões. Se assustar pra quê? Morrer faz parte do pacote completo não é mesmo?

E assim, seguimos nessa imensa boiada rumo a não sei o quê, nem pra onde, ruminando tudo sem sentir gosto de nada. Mais um ano. Menos um ano. E por último deixo uma pergunta:

E a poesia da vida onde fica? E as artes? Onde se enquadram nessa loucura que ela se transformou? Ou será que sempre foi assim e nem percebemos?

Ah Roseli, deixa disso. Filosofia foi feito para poucos e mesmo esses poucos, jamais encontraram respostas para essas questões.

É, não tenho respostas para nada e ouvindo Oswaldo Montenegro, concluo com ele que a lógica da criação é totalmente ilógica para nossa limitada compreensão.

Tal qual ele, não entendi a equação da criação e por isso mesmo, sigo vivendo, cantando, dançando e escrevendo porque, se existe outra vida, será na outra que talvez dê tudo certo porque nessa, já percebi que é o tango do crioulo doido. Só nos resta dançar na garrafinha, surtar feito o Beijoqueiro na chegada das maratonas e brindar a cada ano que conseguirmos fechar vivos. Só o fato de chegarmos ilesos já será uma vitória a se comemorar.

Recomeçar

Meu final de ano foi atípico. Acostumada a correria insana e o mergulho no consumo descontrolado, próprios dos finais de ano, dessa vez foi totalmente diferente.

Por conta da doença de meu tio e seu falecimento no início de dezembro, a família achou por bem, manter apenas a reunião familiar sem os festejos comuns e trocas de presentes. A presença de todos era o que buscávamos.

Desliguei-me por completo de noticiários, redes sociais e voltei-me para a convivência familiar.

Devo dizer que foi o melhor Natal em muitos anos! Pelo menos para mim que só ansiava o olho no olho, o abraço apertado e sincero, a conversa descompromissada, as risadas descontraídas.

Só não foi perfeito por receber uma mensagem avisando da morte de George Michael, do qual sempre fui fervorosa fã. Simplesmente fiquei anestesiada. Nem quis ler muito a respeito de como ele morreu. Bateu uma dor fina no peito. Segui adiante não procurando saber mais. Atravessei a semana tranquila, peguei bastante sol que me aqueceu a pele tostada pela luz do ambiente de trabalho. Senti que meu interior também aqueceu. Meu pensamento planava passando por todas as raras notícias que peguei de relance. Todas, infelizmente ruins. Se fosse uma pessoa de índole pessimista, acredito que teria terminado minha existência antes mesmo da virada do Ano Novo. Mas não sou assim. Apesar de tudo, mantenho minha alma serena. Trabalho para não entrar nessa sintonia negativa em que a maioria se atira de cabeça esbravejando nas redes sociais que o ano de 2016 foi uma merda, foi horrível, foi tenebroso.

Perdoem minha posição diante disso tudo. Não consigo pensar nem sentir assim. Tive tanto a agradecer por esse ano. Sou pura gratidão. Mas não se enganem achando que faço aqui um tratado autoajuda. Sou grata no entanto, sou consciente de que tudo o que conquistei nesse ano, não foi obra do acaso. Tudo o que conquistei foi fruto de muitos anos de trabalho externo e interno. Mergulhei fundo na minha essência e malhei o conformismo em matéria de transformação pessoal. Deixei de lado a zona de conforto e me mexi. O resultado foi apenas consequência de meus passos. Provei a mim mesma que é possível alcançar um sonho. Basta sair da postura dormente e trabalhar para realizar. Passo a passo, etapa por etapa. E claro, acreditar naquilo que se deseja almejar.

Calma. Não precisa achar que estou aqui num blábláblá de autoajuda. Longe de mim! Cada um, cada um.

E o ano de 2017 inicia mansamente mas, já apresentando suas cartas sobre como será.

Desejo apenas que você, assim como eu, lute contra esse pessimismo coletivo que assola a grande maioria. Não queira ser “Maria vai com as outras”. Ouse, arrisque-se, mostre seu potencial. Não tenha medo de sair de sua zona de conforto. Lembre-se: ela é conforto somente no nome. Entrar nessa zona é altamente maligno. Causa mal estar e transforma-nos em estátuas de sal. Não tenha medo. Ou, por outro lado, tenha sim mas não permita que ele te paralise diante das situações que se apresente. Que sirva apenas de norteio para seu caminhar e te proteja de ataques. Independente da crença que se tenha, deixo aqui, um lema que norteia meu caminhar que foi dito por Chico Xavier que seu mentor espiritual, Emmanuel, sempre disse e eu acho o máximo da boa vivência:

Confia e segue!

É com essa máxima que termino meu texto e convido a todos para seguir o ano de 2017 lembrando-se dela e transformando esse simples frase num coquetel vitamínico que te impulsione para frente. Feliz e consciente 2017 para toda a humanidade!

P.S: Em tempo, falei acima do George Michael e deixei de finalizar. Hoje, após uma semana de seu desaparecimento entre nós, tomei a iniciativa de ouvir toda a sua discografia. E tive a confirmação daquilo que já sabia: Que cantor maravilhoso ele foi. Não me interessa sua vida pessoal, seus erros e acertos. O que ele deixou para a posteridade através de sua bela voz, pra mim é suficiente. Descanse meu querido.