Moça de fino trato

meninas-uniforme (16)

Maria Eduarda, Duda para os íntimos, é uma jovem criada em seio familiar exemplar. Estuda num tradicional colégio de São Paulo. Desde pequena, preparada para futuro casamento com um dos mais cobiçados herdeiros quatrocentão.
Mas nada disso a atrai. O que lhe causa comichão entre as pernas, é passar em frente as obras e ser assediada por peões.
Todos os dias, chega do colégio, sobe para seu quarto onde sacia seu desejo com seu cão pastor.
Se joga na cama, tira a calcinha e, de cócoras, se oferece ao animal. Acostumado a essa oferenda, lambe o botão rosado que fica à mostra latejando de prazer. O som da banda Led Zepellin nas alturas, encobre seus gritinhos.
Mas isso já se tornou pouco. Quer mais. Está de olho em um dos peões da obra, próximo do colégio onde estuda.
Mulato sarado, lábios carnudos, genitália avantajada que se pronuncia, cada vez que passa, desfilando com lascívia pela calçada. Olhar faminto que observa a cadência de seu quadril que se movimenta de forma provocante toda vez que por ali passa. A saia curta do uniforme o deixa louco!
Ainda cato essa menina! – pensa Benê enquanto bate uma massa de concreto.

– Acorda hôme! Tem trabalho pela frente. Vá catá aqueles bloco pra gente levantá uma parede aqui. Anda! Oh hôme sonhadô.

-Já vai Tião. Para de implicar comigo. Vê se acha outro pra encher o saco!

-Qué sabê? Tô pelas tampa de aturá esse olhá sonhadô de quem vive em outro planeta. Aqui, quero gente com pé fincado no chão e que não tenha medo de trabalho pesado. Entendeu? E agora chega de papo furado que o engenheiro já pediu rapidez na obra.

Final de tarde, clima abafado prenunciando o forte verão que se aproxima. Maria Eduarda sai pela portaria do colégio acompanhada de um grupo de meninas. Riem de tudo e formam verdadeiro pelotão feminino exalando sensualidade. Já não são mais meninas.São verdadeiras bombas de progesterona e estrógeno em ebulição.

-Final de semana fui a uma festa com o Nivaldo. Lá, fisguei uma figura gostosézima chamado Luís Henrique. Depois de dar uma perdida no Ni, me embrenhei com Luís no armário de dispensa da casa. Entre sacos de farinha, arroz e feijão, transei pra caralho. Saí de lá dolorida mas satisfeita. Depois voltei e fiz a linha certinha para Nivaldo dizendo que tive um desarranjo intestinal por isso sumi. Pedi para ser levada pra casa e ele, gentilmente me levou. Otário! Esse acho que vai ser para casamento mesmo.

-Credo Jussara! Você é sacana demais com o pobre Nivaldo. Ele é amarradão em você desde a sexta série.

-Tá falando o que darling? Mais fdp do que você foi com o Alê ano passado, impossível! Aprendi com a mestra!

-Tem razão. Já havia me esquecido desse episódio Jú! Caramba, o Alê ficou tão furioso comigo que nem sei como não me desceu o braço. Deve ser porque ele foi criado para ser um lord. Coitado, tão maçante, tão sem imaginação, tão certinho!

-E você Duda? Sempre calada, nunca comenta sobre suas paqueras, suas conquistas. Vou acabar pensando que é lésbica amiga!

-Sai fora Jú! A fruta que gosto você já comeu até o talo.

-Uau! Nunca tinha ouvido a Duda falar assim! Conta aí seu segredo. Começa já!

-Até conto mas…Meninas, prometem não rir de mim? Caso contrário, nunca mais olho na cara de vocês.

-Fala aí Duda. Solta a língua que somos pura curiosidade.

-Está bem Paloma. Eu conto mas, espera um pouco. Vamos naquele bar que quero comprar um sorvete. Está muito quente hoje.

-Logo esse boteco? Só tem peão aí. Credo! Devem feder até!

-Cala a boca. Entra que vai entender.

Sem entenderem nada, as meninas concordam e, juntas, entram naquele recinto repleto de ogros.

Ambiente com luminosidade precária, sujo, mesas e cadeiras engorduradas e mal cheirosas. O rádio tocando Reginaldo Rossi. Ao fundo, um grupo de homens suados e sujos tomam cerveja e aguardente. Interrompem a conversa ao perceberem a presença das moças. Um silêncio anormal toma conta do bar, sempre tão barulhento. Duda olha atenciosamente para todos e pára ao reconhecer o “príncipe” mulato. Alguém mais observador veria que seus olhos ganham um brilho diferente e os bicos de seus pequenos seios entumescem. A camiseta branca do colégio não consegue esconder sua excitação. Suas mãos suam frio e um pequeno fenômeno nas partes baixas acontece deixando-a alterada.

As amigas olham-se sem entender o que está acontecendo e o porque de Duda ter escolhido entrar naquele lugar nada comum à elas.

Com esforço, Duda vai até a geladeira dos sorvetes Kibon e pega um picolé de morango com chocolate. Abre o envólucro com mãos trêmulas e dá uma lambida provocativa no sorvete. Olha para o peão que, de boca aberta pingando um pouco de cerveja, se paralisa diante de tamanha provocação.

Ainda cato essa menina. Tô ficando de pau duro só de ver ela lambendo esse sorvete. Ela tá me provocando e eu vou dar o que ela quer.

-Vocês não vão pegar um sorvete também? – Duda pergunta às amigas tentando disfarçar seu nervosismo.

-Não estamos com tanto calor assim Duda. Paga logo o sorvete que a gente te espera lá fora.

Assentindo, Duda se dirige ao caixa no final do bar. Paga e ao voltar-se, tropeça bem de frente ao mulato que, segurando-a pela fina cintura , vê seu rosto quase colado ao da branquinha cheirosa. Assusta-se ao ouvir sua voz rouca e baixa sussurrar em seu ouvido:

-Te quero moreno. Tô louca pra dar pra você.

Não acreditando no que tinha acabado de ouvir, vê a moça sair do bar rebolando na minúscula saia xadrez do uniforme. Chega a sentir dor de tanto tesão. Vira e vai para o banheiro bater uma punheta pensando na menina rica.

Que loucura, ela tá me dando bola!

Na calçada, caminham uns minutos em silêncio.

-Duda, é impressão minha ou você quis entrar naquele boteco por conta do peão de obra sarado que não tirava os olhos de você?

– É isso mesmo Duda? A Paloma está certa? Você ficou toda corada ao olhar para ele. E ele também ficou babando por você. Cara! Tá maluca? Um peão? Com tantos carinhas bonitos a nos paquerar e que são de nosso meio.

-Vocês não queriam saber meu segredo? Então, estou contando em primeira mão: quero perder minha virgindade com esse cara. Não aguento mais pensar nele e fantasiar que transo com ele até perder os sentidos. Vocês observaram o tamanho do pau dele? Está decidido. Já comuniquei à ele meu desejo e vou ficar na espera da sua decisão. Tenho certeza que ele também me quer.

-Natural que ele vai te querer Duda. Para um cara como ele, você será uma iguaria refinada para comer até se lambuzar. Talvez nem saiba como pegar em você.

-Tenho certeza que ele vai saber. Aliás, quero mais é que ele me trate feito putinha e não como uma princesa delicada e refinada. Quero me sentir o lixo, a escória. Puta de quinta. Entenderam minha fantasia?

Caminharam mais alguns metros em total silêncio. Cada uma imersa nos próprios pensamentos sobre a revelação de Duda. Esperavam tudo, menos isso.

-E eu me achando a mais louca da turma. Duda, Parabéns, me superou! Não esqueça de contar tudo depois. Nos mínimos detalhes.

 

Imagem: IMGMOB

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3 comentários sobre “Moça de fino trato

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