Reengenharia

reengenharia

Faço/refaço/faço/refaço

Faço/refaço/faço/refaço

Faço/refaço/faço/refaço

Faço/refaço/faço/refaço

Faço/refaço/faço/refaço

Faço/refaço/faço/refaço

Disfarço…

Não faço!

Chega, não sou palhaço!

Imagem: Google

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Lembranças…

Para quem ainda não sabe, tenho participado com alguns contos na revista literária Plural que está sob o comando de Lunna Guedes. Na última edição, o tema foi Lembranças e eu mergulhei com tudo nas minhas e transformei-a num belo conto. Convido a todos para conhecer a revista e os demais autores que nela se encontram. A revista está ótima pessoal!

Para ler

rubem plural

Em seu altar

love

Pulso.

De segundo em segundo, latejo

Por entre as pernas, o desejo fala alto

Falo.

Tesão elevado a potência mil

Reviro os olhos, bicos entumecem

Almejo seu membro viril

Umedeço.

Passo a língua nos lábios, sugo seu lóbulo

Finco as mãos em seus cabelos

Arquejo.

Respiração alterada, pulsação descompassada

Em arcos fico, em arcos permaneço

De joelhos.

Louvando em seu altar, me perco

Sacerdotisa do amor, em suas mãos

sussurro línguas desconhecidas

Adormeço.

amanheço santa ensandecida

e murmuro agradecida:

Quero mais!

Imagem: Yooying.com

Alma viajante

Mariana fotografada por Ninil

Sentada num galho de árvore, com um livro aberto, Fernanda divaga…

Cena digna de uma pintura. A imagem da jovem, pura fantasia. Uma Amelie Polin em terras tupiniquins. Sua mente anseia por libertar-se dos grilhões que a realidade lhe impõe.

Vida difícil ao lado de pessoas moldadas por mágoas e ódios arraigados desde a geração de seu bisavô.

Fernanda não compreende como eles podem carregar esse peso por tanto tempo. Ela, ao contrário, traz a leveza de uma bailarina russa na alma. E isso se reflete em seu corpo esguio, seus gestos naturalmente refinados, em seu sorriso fácil. Mesmo quando por dentro sangra dores alheias.

Sonha ganhar o mundo, fazer arte. Tem várias aptidões artísticas. Sua leveza facilita a dança, é dona de um timbre de voz suave, melódico. Escreve muito, com sensibilidade de uma alma velha, porém sonhadora. Sabe fazer belas peças em macramê e vende para suas amigas de escola, conseguindo assim, uma renda própria que investe em…

Ao contrário das outras jovens da sua idade, Fernanda tem uma alma antiga e adora comprar em brechó e customizar ela mesma, dando personalidade às suas vestimentas. Isso a torna ainda mais especial.

Seu dinheiro investe numa poupança desconhecida de sua família.

Secretamente planeja viajar para fora do país. Cada centavo que ganha, guarda e faz um álbum com recortes de viagem. Outro tanto que consegue com seus trabalhos, compra livros. Outra de suas paixões.

Seu sofrimento é a incompreensão da família com esse seu lado lúdico e artístico. Sua mãe acha que ela perde tempo demais lendo livros inúteis. Seu pai, trabalhador braçal, acha que ela deve começar a trabalhar como doméstica ou babá e parar de vez com essa “papagaiada” toda. Trazer dinheiro pra casa, para sustento de todos. Seu irmão mais velho, um trabalhador mecânico, há tempos perdeu o pouco de sonhos que acalentava. Hoje trabalha numa mecânica do bairro durante a semana e aos finais de semana se enterra de corpo e alma na bebida para afogar seus dissabores.

Volta para casa e irritado, desconta nas irmãs, na mãe e só não encara o pai porque ele é muito mais truculento e ignorante que ele. Não dá pra competir!

Com sua sensibilidade, Fernanda sente-se sufocar diante de tanta matéria bruta no lar.

A única a entender Fernanda é Fabiana, sua irmã de dez anos. Uma menina retraída, tímida, mas de um coração sem fronteiras nem limites.

Elas compartilham seus sonhos à noite na cama que dividem. Na realidade, Fernanda tenta motivar e ensinar Fabiana a sonhar. Não deseja para sua irmã caçula o mesmo destino dos outros. E enquanto sonham acordadas, olhando para o teto escuro, compartilham o fone de ouvido ouvindo Serenade for strings in E, Dvorák.

Esse é mais um gosto peculiar de Fernanda que os demais não compreendem. Segundo eles, música pra boi dormir. Para ela, alimento para a alma…

De volta à realidade, Fernanda pisca algumas vezes, olha em volta, observa as árvores, o gramado, o vento a lhe acariciar os cabelos lisos, as pessoas se divertindo.

Fecha o livro, observa e acaricia a bonita capa. “Mais de 100 histórias maravilhosas”, Marina Colasanti. Pensa consigo que um dia verá outra jovem com um livro aberto e esse livro será seu.

Abre o livro novamente e lê a frase solta numa página:

“Entre uma curva e outra, entre um jogo de dados e uma disputa de arco e flecha, os contos escorriam para dentro da viagem…”

Foto: Ninil Gonçalves

Modelo: Mariana Teixeira

Família…

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Administrar conflitos não é das tarefas mais fáceis nem das mais gostosas de se executar. No seio familiar então, quando todos têm uma intimidade maior, aí sim se dá embates homéricos. Certa vez alguém teve a seguinte sacada, não me recordo quem mas tornou-se verdade absoluta: Família só muda de endereço. Santa verdade Batman!!

Tenho observado o comportamento das pessoas mais próximas – mais especificamente, família, e tenho visto as atitudes que cada uma toma diante dos problemas enfrentados.

A tensão tornou-se uma constante na postura, nos gestos, nas feições endurecidas, no olhar desprovido de alegria e embaçado por lágrimas. Ataques verbais cada dia mais presentes, fúria contida pela dita “civilidade”.

Eu que sempre me achei ponderada, tranquila, otimista, tenho apresentado comportamento agressivo com determinadas pessoas que têm me irritado muito. Pessoas que tenho plena consciência, amo, no entanto, diante de suas fraquezas na qual enxergo a minha própria, desperta-me raiva.

Quero gritar minha ira, minha revolta, meu descontentamento porém, nem mesmo o hálito quente da garganta sai. E o sentimento inquieto, incômodo, indesejado cresce feito fermento biológico em descanso. Sinto que vai transbordar.

Tenho preso às pernas grilhões invisíveis que as teias familiares formam. Em alguns momentos, gostaria de me ver livre de todos, sair sozinha pelo mundo. Deixar para trás passado e presente. Arrancar a carcaça que vesti até agora e trocar por outra mais leve, menos embrutecida. Zerar.

Sair pelo mundo aprendendo coisas novas, língua nova, hábitos novos. Desvendar outras culturas.Degustar outros sabores.

Então, caio na real e vejo que a única lição a ser aprendida é Aceitação. Da vida como ela é e não como gostaríamos que fosse, das pessoas com o que elas têm a nos oferecer e não como réplicas de nós mesmo. Dos problemas que na realidade, são fases a serem superadas com sabedoria e não com chororô de criança mimada.

Diante desse insight, curvo-me envergonhada por tudo o que venho sentindo. Sei o que devo fazer mas ainda assim, emperro meus passos atrasando minha evolução

Filosofia de buço

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Sabe aquele momento em que você se pega num tique nervoso querendo arrancar de toda forma um maldito pelo no buço?

Pois é… Através dessa luta insana começo a filosofar sobre os porquês da vida.

Começo a questionar o porque de nós mulheres, sofrer tanto. Da hora em que nasce a hora em que estica o esqueleto de vez batendo continência pro altíssimo.

Lembro do sofrimento de minha mãe prestes a dar à luz minha irmã caçula. Coitada das duas.  Minha irmã estava sentada e minha mãe sofria dores horríveis. Por conta disso, minha irmã nasceu com as perninhas moles. Buscando lá atrás nas minhas mais longínquas lembranças, recordo de meu sofrimento com uma panela enorme no fundo de minha boca, tomada pela cárie e inflamada. Pensei que iria morrer tamanha era a dor. Mais tarde, ao entrar na puberdade, a dor mensal tirava meu humor. Coisa mais chata!!! Sempre dizia isso pra minha mãe e ela, meio que para me consolar e também acabar comigo dizia: Vá se acostumando que isso é só o começo. Vai ver só quando tiver seus filhos.

Não os tive. Deus achou por bem me poupar desse sofrimento. Em compensação, numa atitude sacana, acariciou com uma mão e me estapeou com a outra. Sofri dores das mais variadas intensidades e graus. Uma das piores foi sem dúvida, a dor de (des) amor. A ilusão da juventude colocou uma lente de aumento em meus olhos e em meu peito fazendo meu sofrimento ampliar de forma descomunal. Hoje, aos cinquenta e dois anos tenho certeza de que meu coração é super saudável caso contrário, já teria regressado à pátria eterna faz é tempo. Resisti, sobrevivi. Nesse ínterim, senti dores de barriga, cólicas, enxaqueca. Coluna então, já virou crônica.

E o sofrimento, esse companheiro imposto, acompanhou-me em diversas situações, idades, momentos. Apesar de tudo que já passei pela vida, mantive meu bom humor e o mau também pois é característica minha. Aliás, adoro ser mau humorada. É nesses rompantes de mau humor que tenho as tiradas mais inteligentes e divertidas. Acreditem!

Sofri por ansiedade em alcançar algo, por desejar alguém, por ansiar por realizar projetos, por, por, por…

Cheguei a seguinte conclusão: tanto se fala em ansiedade nos dias atuais que isso acaba por se materializar em nosso cérebro que por sua vez, descarrega em nosso corpo fazendo-nos sofrer. É isso! Mas também se não for, poderia dar uma boa história não?

Nossa! Mas porque mesmo comecei a falar tudo isso? Já me perdi…

Cáspita! Tudo começou por conta desse maldito pelo no buço. Viajei legal hein? Mas falando sério agora: Não é irritante esses pelos surgirem da noite para o dia em sua cara? Ninguém merece!

Imagem: Thinkstock