Sem norte

trem de alta velocidade

A plataforma mais uma vez ficou vazia com exceção de minha pessoa que ali permanece. Perdi as contas de quantos trens já passou por aqui desde que cheguei.
Centenas de rostos, expressões, risos, passaram por mim.
Sentada nesse banco gélido, sinto que já faço parte de sua estrutura: rígida, fria, imóvel.
O céu, vagarosamente se tinge de nuances alaranjados prenunciando fim de mais um dia. Não consigo pensar linearmente. Não consigo mover meus músculos que, tensionados feito corda de violino, toca notas silenciosas. Vibro por dentro.
– Por favor, senhora, quer dizer senhorita. O trem para _________________ é nessa plataforma?
Sinto-me num aquário onde sua fala não se decodifica. Apenas levanto os olhos em sua direção. Nada digo.
O homem me olha com expressão confusa como se estivesse diante de uma espécie rara da natureza. Senta-se ao meu lado, respira fundo, pausado, volta a me olhar e novamente pergunta:
– Senhora, está se sentindo ________________?
Permaneço em meu mutismo, olhando para o nada.
Ele suspira, coça sua barba, ajeita o chapéu Panamá, esboça algum comentário por entre os dentes, se levanta e segue para o extremo da plataforma onde pergunta a um senhor, aquilo que perguntara a mim.
Mais um trem adentra a plataforma. Uma multidão desembarca e algumas poucas pessoas entram, com certeza, ansiosas pela chegada a seus destinos.
O silêncio é quebrado apenas pela cantoria dos grilos. Isso me conforta a alma, se é que ainda tenho uma. Mais uma vez sozinha. Nem mesmo um simples funcionário da estação se encontra por aqui.
Ao longe ouço vozes cantando, ouço também som de instrumentos: flauta, violão… Não consigo identificar que cantiga é aquela, mas me faz bem ouvi-la.
Mantenho-me estátua viva.
A cantiga silenciou, as vozes se calaram. Nenhum som se propaga há léguas daqui de onde me encontro.
Agora a pouco, apenas uma locomotiva transportando carvão passou direto e seguiu seu destino.
Parece que todos têm destinos. Menos eu.
Ou será que tenho e não desejo voltar? Ou seguir?
Aliás, quem sou mesmo? Não consigo lembrar meu nome. Também não me esforço. Sinto-me confortável assim, sem presente, sem passado, sem futuro.
Apenas sou.
Uma coruja pousa no banco em que me encontro e perscruta com seus olhinhos vivazes minha figura. Mexe a cabecinha para o lado como se me analisasse. Gira a cabeça, pisca rapidamente os olhos, pia agourentamente e alça voo deixando-me novamente a sós.
Permaneço…
Amanhece o dia. Pouco a pouco pessoas movimentam a plataforma rumo ao seus destinos: trabalho, escola, compras.
Passam apressadas não me enxergando em seus caminhos.
Observo um grupo de jovens caminhando alegres com suas enormes mochilas às costas. Riem de tudo, falam todos ao mesmo tempo, trazem em suas faces o colorido da vida que outrora também carreguei.
Surge em meu campo de visão um jovem pai com seu rebento. Que cena tocante! Um belo pai que tem olhos apenas para sua cria que retribui com gestos e sons guturais.
Essa visão me fez esquecer por instantes minha dor e acreditar que ainda há coisas belas na vida pelas quais vale a pena viver.
Como tudo que é bom dura pouco… Somem por entre a multidão e volto ao meu estado de não pertencimento.
Estou tão perdida em mim mesma que nem percebo quando alguém senta ao meu lado e diz:
– Sei bem como se sente. Passei por experiência semelhante.
– Como pode saber como me sinto?
– Uma alma atormentada conhece seu semelhante. E seu semblante diz tudo o que vai aí dentro desse peito. Não quero ser intrometido, mas você me chamou. E aqui estou. Só que, cavalheiro que sou, costumo perguntar se é isso mesmo que deseja. Tem o poder de mudar de ideia e, caso mude, respeito. Mesmo que perca a viagem.
– Do que fala? Não compreendo. Diz coisas como se soubesse o que se passa dentro de mim.
– E sei! Acredite. Sei de cada minúsculo pensamento que surge aí dentro de si. E, justamente por saber, é que dou a chance de repensar antes de agir.
– Não sei se devo confiar em você. Nem te conheço.
– Diria minha cara, que não deve mesmo confiar em mim. Contudo, diante de seu desejo, coloco-me a sua disposição como confidente e fiel escudeiro. Se estiver realmente disposta a ir até o fim, conte comigo. Serei seu parceiro por toda a eternidade.
– Credo senhor! Causa-me arrepios falando assim!
– Costumo mesmo causar esse frisson em todos quando me aproximo. É de minha natureza provocar frio na espinha. Mas deixemos as divagações de lado porque hoje minha agenda está apertadíssima. E então, vai querer dar cabo de sua vida se jogando na linha do trem ou não? Decida logo. Não tenho a eternidade para te esperar meu bem.
– Por Deus! Quem é o senhor?
– Vocês mortais são muito engraçados mesmo. Chamam-nos e depois se fingem de desentendidos. Oras vejam só! Querida, sou mensageiro da morte. Meu trabalho é árduo perto do que vocês fazem por aqui. Meu cotidiano é de muita tristeza, de muito sofrimento alheio que passam a ser meu também, pois tudo o que sentem, eu sinto. Já vi de um tudo nessas minhas andanças capturando e recolhendo almas perdidas. E aviso: Doce ( ou devo dizer amarga) ilusão achar que dando cabo de suas vidas vão sanar suas dores. Para onde os levo, é um sofrer eterno. Eu mesmo procuro ficar bem pouco por lá. Por isso te pergunto mais uma vez: Tem certeza de que é isso mesmo que deseja? Se sim, te darei todo apoio e te acompanharei em cada passo que der rumo à linha do trem. Serei rápido para que não sofra tanto com o impacto da locomotiva e te levarei ainda sob efeito anestesiante para seu destino final.
– E para onde é esse destino final?
– Lá, a sul de nenhum norte. Onde ninguém em sã consciência pensaria em passar um segundo sequer. Lá, onde nenhuma bússola acusa vida porque ali, somente um conglomerado de existência atormentada se bate o tempo todo.
Lá, onde gritos e gemidos se mesclam com gargalhadas insanas. Lá onde o cheiro de enxofre é o perfume da m…
– Falando sozinho de novo? Já está virando mania. Assim acabará por perder seu precioso emprego nobre colega.
– Ué… Ela se foi?!
– Se ela é aquela jovem senhora que estava sentada a seu lado, sim. Saiu correndo e entrou no primeiro táxi parado em frente a estação.
– Então minha missão por aqui está cumprida. Mais uma alma salva!
– Juro que não te entendo! O anjo da história sou eu e não você. O seu papel é resgatar as almas que se matam e levá-las para o inferno. Está mudando de time?
– Quem sabe! Quem sabe!… Ainda tenho algum tempinho, um naco de eternidade. Aceita um drink a meu lado ou não serei companhia digna de sua angelical figura?
– Deixa de bobagem que no fundo somos todos irmãos. Vamos embora que não temos mais nada a fazer por aqui. Pelo menos por hora.

Imagem: Eurail.com

Anúncios

Olhar de Lauren Bacall

femme-fatale-lauren-bacall-gif-hot-math-tumblr

No passado, perdido no vácuo de minha adolescência, tinha o desejo de crescer logo e poder fazer tudo o que imaginasse. Um desses desejos era fumar.

Achava tão bonito sacar um cigarro, posicionar entre os dedos, pegar sutil e elegantemente um isqueiro – de preferência dourado – e clic! Acender dando uma profunda tragada e pousar um olhar no horizonte esmaecido feito o olhar de Lauren Bacall, uma de minhas divas do cinema.

Como sonhava acordada naqueles tempos singelos e inocentes!

Quisera ter carregado comigo vida afora esse espírito sonhador e mantido o cigarro aceso entre meus dedos.

Com o ingresso definitivo na vida adulta, amontoei meus sonhos e espírito aventureiro no fundo do armário chamado inconsciente e segui em frente batendo no peito e me dizendo madura encarando a tudo e todos.

Frequentei faculdade, fiz pós-graduação, coloquei-me no mercado de trabalho e conquistei um posto de respeito. “Fiz a vida” conforme os antigos gostavam de falar. Cresci na empresa. Hoje sou temida pelos mais humildes, invejada pelos colegas de trabalho e de minha área, orgulho da família e sempre apontada como exemplo a ser seguido.

Viajei muito, virei cidadã do mundo, tornei-me poliglota falando fluentemente inclusive o mandarim.

Chic eu não?

Algumas décadas fluíram arrastando junto lembranças que não se fixaram em meu íntimo. Foram muitas, foram banais, foram… Sei lá nem sei expressar. Conquistei coisas que a maioria luta na vida sem conseguir alcançar. Sei que deveria sentir orgulho dessas conquistas, mas não consigo sentir nada.

Com o passar dos anos, a vida me amorteceu, perdi a sensibilidade, tudo acontece para mim no automático.

Não vivo mais, apenas executo, tornei-me uma executiva produtiva. Made in Harvard pois meu MBA fiz lá, financiado pela empresa que represento. Estou na lista dos 100 mais jovens executivos do mundo. Tenho inclusive, arquivado uma revista que publicou um artigo sobre esses tais jovens milionários que conquistaram um lugar ao sol.

Por alguns anos reli esse artigo como forma de me motivar a seguir com o mesmo espírito empreendedor e líder.

Hoje, atrelada a mil noções politicamente corretas, sinto-me acorrentada a tantas obrigações sociais, convivendo com falsos amigos, numa falsa sociedade em tudo é belo e perfeito. E ainda tenho a obrigação de fazer pose e cara de feliz o tempo todo afinal, sou exemplo de vencedora!

Olhando para a tela de meu note, diante de mais um prêmio ganho no exterior, vem a necessidade absurda de ter entre meus dedos um cigarro imaginário…Ah!…Que gostoso poder encher os pulmões de fumaça, sentir o gosto um tanto ácido da nicotina, percebê-la percorrendo minha corrente sanguínea inundando meus órgãos e amortecendo a mente ajudando-a a esvaziar de toda essa besteira que a vida me inundou.

Sonhar que em breve, meu Humprey Bogart irá adentrar por essa porta, portando ele também um cigarro em seus lábios, e por entre os dentes dizer:

-Venha comigo pequena! Vim te buscar para um fim de semana de amor. Quero te inundar de beijos, carícias e trocar muitas, mas muitas fumaças com você.

…..

…..

Dona Hercília, desce até o boteco da esquina e me compre um maço de cigarros. O mais forte que tiver!

Imagem: Becuo

Condutor de lembranças

cabelo branco

O fio de seu cabelo

Prata,

Tesouro que guardo a sete chaves

Me mata

A saudade que por ti alimento

Tormento que não cessa

Brilha na palma de minha mão

trazendo à tona,

Momentos vividos na alegria,

no gozo, na tragédia do dia-a-dia

Paixão infinita que não vingou

Derrapou,

escapou por entre nossos dedos

Cansados de apontar acusatórios

Dando fim ao nosso casório


O fio de seu cabelo

Prata,

Chibata no coração cansado

de tanta dor,

Condutor.

Imagem: Hemera Technologies/AbleStock.com/Getty Images

Necessidade básica

Fome…

De comida, sempre.

De conquistas, reconhecimento, deslumbramento

Algumas vezes de esquecimento.

Sede…

De água – hoje, quase escassa.

De destilados, para brindar alegrias, abrandar porcarias,

aplacar dissabores, desamores.

Desejo…

Sempre no plural afinal, ninguém vive de um só.

Desejo carnal, visceral, anal, frontal…

O que vier que complete esse vazio

abismo cavernoso, falta de beliscos

de beijos sugadores, de sentir a pele

encrespada, viciada

Em você.

E por não ter você, sinto

Fome,

Sede,

Desejos…

Lucubrações numa tarde chuvosa

A tarde úmida e fria me saúda. Olho pela janela e a vejo tingindo a cidade de cinza. Gosto disso. Cá dentro, no conforto de minha sala, saboreio um chá de rosa silvestre, hibisco e amora. Admiro sua tonalidade carmim, seu aroma adocicado, sua fumaça suave que sobe e se perde no ar. Assim como meus pensamentos. Gosto desse horário em que me perco em linhas de rimas, de ritmo e, falando em ritmo, minha trilha sonora é Brahms. Sua sonoridade me remete a um passado que possivelmente não vivi mas que me soa tão familiar. Chego a me ver rodopiando por aqueles imensos salões do século XIX. Lembro que ele – Brahms, representou brilhantemente o romantismo musical.

Também sou ultrarromântica e totalmente musical. Sorrio diante dessa constatação. Meu caro Brahms, temos coisas em comum!

O chá, delicioso aquece meu interior assim como as notas musicais que penetram muito mais que meus ouvidos. Inundam minha alma de uma paz temporária e boa demais. Sei que em breve irá embora mas por hora, me deleito.

Olho novamente pela janela e vejo que a garoa aperta, transformando a paisagem urbana numa pintura de Edward Hopper. Lá fora, diante do boteco, uma figura folclórica que tira seu cochilo habitual quase caindo de sua cadeira. Acho graça em seu perfeito equilíbrio sonambúlico.

Volto para a sala e constato inúmeras vidas solitárias agregadas em pseudos grupos. Cada alma encarcerada em seu universo particular não abrindo mão de seus celulares de grife. Dourados, negros, brancos, azuis. Telinhas brilhantes inundando a biblioteca de uma suposta vida virtual.

Incapazes de um “olho no olho”, desviam de meus olhos perscrutadores e curiosos. Gostaria tanto de receber um olhar de volta!

Agora é Bach quem me faz companhia. Isso me lembra o quanto ando afastada de qualquer religiosidade. Quanto tempo não adentro uma igreja a não ser para apreciar a arquitetura. Esse passatempo adquiri com um amigo que ama visitar igrejas e foi através dele, que perdi minha virgindade eclesiástica. Pode parecer engraçado para quem não me conhece mas, fui criada em outra religião apesar de ter feito primeira comunhão como manda o figurino. Imposição de papai que fazia questão que todos os seus filhos comungassem.

Outro dia, saindo do trabalho, caminhando sem rumo pela avenida Paulista, passei pela paróquia São Luis Gonzaga. Em mais de vinte anos passando em frente, nunca havia entrado! Minhas pernas ganharam independência e me levaram para seu interior.

Fiquei maravilhada com a paz que encontrei por lá. Em pleno coração financeiro e cultural de São Paulo, envolta por tanta poluição sonora, encontrei um mundo totalmente silencioso do qual tive que fazer um esforço absurdo para sair.

Aproveitei para pensar na vida. Ou melhor, aproveitei para limpar minha mente de qualquer pensamento ou preocupação cotidiana. Simplesmente fiquei!

Fechei os olhos e assimilei toda aquela energia que volitava por entre aquelas paredes. Que sensação maravilhosa. Recomendo a todos que façam ao menos um dia tal experiência. A única oração que fiz foi abrir meu coração e mente para toda aquela beleza invisível aos olhos humanos.

E falando em olhos humanos… O que vejo daqui de minha mesa! Oh dura realidade que nos força a retornar e deixar de lado as divagações.

Um doce de aluna recortando uma         peraí, uma     Vou disfarçar e chegar mais perto como quem não quer nada.

Uma revista DA BIBLIOTECAAAAAAA!!!!!!!!!!

“VALENTINAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!”

Nascimento de uma estrela

cartao_elifas620
Desde que passei a ter certa consciência da vida, trago um bicho carpinteiro roendo o tempo todo bem aqui ó!

Sou inquieta, minha mente trabalha ininterruptamente deixando as pessoas ao meu redor, loucas. Na escola, arranjava sempre encrenca por impor minhas ideias ao demais. Mas posso ser bem sincera? Aliás, isso eu tenho de sobra e também tornou-se outro problema. Sempre minhas ideias eram as melhores. Sempre minha opinião era a mais clara e correta. Sempre…

Ou quase né, afinal, sou humana e também erro. Bem poucas vezes diga-se de passagem.

Nasci feia, baixinha, vesga. Tinha tudo para ser uma pessoa desprezível que passaria uma vida inteira invisível.

Qual quê de eu ser invisível hein? Não nasci para isso não! Mas desde cedo carreguei comigo um trunfo que bem poucos têm: minha voz.

Porra meo! Alguma coisa boa eu tinha de ter herdado do pai lá de cima né? Caso contrário bicho, seria muita covardia e sei que ele de covarde não tem nada.

Saquei desde cedo que era por aí que deveria seguir minha vida e tentar ser feliz.

Minha voz abriu portas nunca imaginadas e lançou-me pro espaço tornando-me em pouco tempo, uma estrela.

Fiz meu nome, ganhei respeito, dinheiro, prestígio, fãs…

Mas também fiz uma legião de inimigos que nunca conseguiram me compreender. E vamos combinar: também não me preocupei em me fazer entendida. Cara, nunca tive paciência para a mediocridade! Comigo esse negócio de meio-termo não rola. Ah não mesmo!

Sempre fui fiel aos amigos. E aos inimigos também. Uma vez que despertasse minha ira, bicho, seria por toda a vida. Mas aos amigos dava tudo.

Incondicionalmente.

E com a mesma intensidade amei. E intensamente sofri e fiz sofrer. Sempre me aconselhavam: Não se entregue assim, totalmente. Não vale a pena. Pois eu digo: vale!

Vale tudo se houver emoção, tesão, comichão.

E com a mesma paixão e intensidade, tive meus filhos e amei cada um deles como se fosse único. E foram. Como amei ser mãe. Foi a coisa mais gostosa depois de ter experimentado o tesão do palco.

Bicho, vocês devem estar pensando: essa mulher só fala em tesão!

Natural! A vida sem tesão não é vida. É estágio. Eu pulei essa etapa e cai no mundo com tudo. Já que tenho passagem para ida sem volta e com data marcada para retorno, não podia perder um segundo sequer. Amo a vida e  nesse vagão quero ir na janelinha. Fiz tudo o que sonhei e até o que jamais imaginei, conquistei.

Mesmo assim, sempre fui assolada por uma sombra que me tirava o sossego. E quando minha alma ficava no breu, ninguém me aguentava. Nem meus terapeutas – que achei por bem dar alta caso contrário, enlouqueceriam junto.

Tá achando graça nisso é? Não é pra rir não, é pra chorar. E eu choro muito. Principalmente quando me acho sozinha comigo mesma. Carrego um fardo pesado de emoções que desconheço, ainda não decifradas que ferem, machucam, incomodam.

Outro dia, quando achava que estava tudo indo às mil maravilhas em minha vida, essa sombra surgiu com força total. Fiquei agoniada feito bicho enjaulado.

Voltou a bater aquela velha conhecida: Insegurança. Porra! Não consigo me livrar disso! É um maldito fantasma que vira e mexe ressurge para me assombrar a vida. Sempre quando me encontro feliz. Que merda! Que merda!…

Hoje a coisa estava tão brava, passei o dia inteiro lutando contra ela. Pra aguentar o tranco, resolvi relaxar e tomar algumas doses de Whisky. Aprendi no decorrer de minha vida a apreciar essa bebida. Ela costuma me calmar nos momentos de muita tensão. De tesão também, olha só ele de novo em minha boca! rs

…Está passando, passando. Tudo se acalma e parece ficar distante de mim.

O telefone… Alguém fala comigo mas não consigo responder. Estou bem

…Letargia braba…Gostosa…Sinto uma leveza

Quê? Amor, te ouço mas não consigo entender o que você diz

Acho que bebi demais        demais

dem          ais…

Tu!Tu!Tu!Tu

Imagem: Elifas Andreato

Escrevi esse texto no dia em que nossa “Pimentinha” faria 70 anos se ainda estivesse aqui entre nós. Não é a primeira vez que escrevo sobre ela e para ela. Sou fã ardorosa dessa mulher guerreira, dessa cantora ímpar que nos deixou um legado riquíssimo. Pronto minha querida, agora você é uma estrela. E das mais brilhantes no universo!