Incubadora de ideias

Extremily bizarre surrealDesmaio por dentro em imensas correntezas de preguiça. Pode parecer exagero de minha parte mas é exatamente assim que me sinto. O pouco oxigênio que compartilho nessa sala com outras pessoas torna-me quase um zumbi. Assonada, engulo moscas, poeira invisível, ânimo alheio e os poucos sonhos que ainda acalento. Luto para sair desse estado mas tanto o espírito quanto a matéria sentem-se vencidos. Entrego os pontos.

Embarco na leitura de um livro de Lewis Carroll. Deixo-me seduzir pela fantasia que ainda é o porto seguro para os mais sensíveis e desgarrados dessa vida material e miserável. Só isso não me basta. Preciso e quero sonhar com algo melhor. Assumo a persona de Alice e saio correndo pelos labirintos tracejados em minha mente obscura. Procuro algo que ainda não tenho certeza do que seja. O que não tem tanta importância mas sim, o ato em si de procurar. Isso significa viver. Mobilizar-se para algo mais grandioso do que essa rotina de olhar o vazio de outras almas plasmado numa foto registrando um pretenso momento feliz que nunca existiu. De passar os olhos embaçados e curtir o que nem lemos ou assimilamos direito.De  compartilhar ideias que surgem do nada e voltam para o nada. Nada. Nada. Nada…

Aqui, nessa ilha da fantasia chamada ficção, reencontro personagens que nutrem essa minha eterna carência de vida. Homens e mulheres, bichos, seres alados, magia por todos os lados fazem minha alma mais feliz. Mirando o redor e enxergando centenas de livros dos mais variados tamanhos, estilos, autores que compõe uma biblioteca, imagino-me uma rainha e sua corte. A tarde outonal vai cedendo a chegada da noite de forma mansa e solícita.Do lado de fora, numa tela de cinema mudo, percebo os carros num desfile sem sons. Um colorido esmaecido pela fuligem dos motores. As parcas árvores que ainda restam balançam diante da doce carícia do vento. Aqui, no parapeito, acolá nos fios de alta tensão, pássaros encardidos cumprem com sua sina trazendo-nos um pouco da vida natural nessa selva de concreto.
Um senhor a minha frente se perde em sua leitura do jornal. Ao lado, uma criança se entrega a sua tarefa de casa. Ao longe, sons abafados de crianças brincando no parque me lembram que ainda pertenço a esse mundo. Da mesma forma que o mundo das fábulas, ainda temos nuances de alegria e encantamento. Nem tudo está perdido para essa autora cética da humanidade. Ainda tenho muito a escrever!

Imagem: Tfich

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