Difícil regresso

Dormi e acordei no país dos absurdos. Nada tem lógica, ética, nada com nada e eu, perdidinha por entre as alamedas do nonsense.

Circulo por entre vias que desconheço. Adentro corredores obscuros onde seres zumbizados repartem comissões duvidosas. Gargalham sentindo-se espertos. Afogam-se na própria ganância e fedem. Deus como fedem!

Enxofre é perfume refinado diante do odor que exalam. Tapo minhas narinas e passo correndo pulando seus restos mortais.

Tristeza…Procriam mais que coelhos. Morrem cem, nascem mil e assim, continuo caminhando tentando achar a saída desse mundo ao qual não me encaixo e vou cruzando com doutos da lei agindo fora da lei, religiosos pregando o amor e enaltecendo a família e pelas costas, em suas vidas dúbias, matando, roubando e se esbaldando em orgias e pedofilia.

É de ficar com dó do criador que teve, numa tarde de puro tédio no paraíso, a infeliz ideia de criar o homem. Ser racional para dar sentido a esse mundão que havia feito. Deve estar batendo a cabeça na parede até agora maldizendo a hora em que obedeceu seu instinto sem antes parar e analisar a situação. Tarde demais e a bosta se esparramou no universo.

Logo mais a frente, cruzo uma avenida tomada por matagal e visualizo um prédio que já deve ter tido seus dias de glória. Hoje não passa de uma mistura de concreto, vidro, ferrugem e mato. Com muita atenção identifico um antigo teatro que hoje abriga atores esfomeados, dividindo migalhas entre si e forjam uma apresentação relembrando seus áureos tempos em que a cultura era respeitada e enaltecida. Alguns caem em pranto gritando que não aguentam mais tamanha miséria e desrespeito. Ao fundo, adidos culturais asquerosos contabilizam seus ganhos ilícitos da Lei Rouanet . Estão pouco se lixando com os miseráveis artistas.

Por toda parte que passo, presencio atitudes mesquinhas, falta de caráter coletivo, miséria de todos os tipos. Subo morros, percorro vielas, desço ladeiras e nada de encontrar algo belo. Tudo muito viscoso, duvidoso.

Paro diante daquela visão imoral e choro. Choro por esse povo tão despreparado, indefeso, desinformado. Choro por mim que não consigo retornar ao lar, ao meu paraíso particular onde era aquecida, amada, alimentada.

Sinto saudade de meu mundo perfeito, organizado, limpo. Quero muito regressar mas tenho consciência de que isso é impossível. Uma vez que saí, não tem mais volta. Contudo, mesmo ciente das regras que imperam nesse universo que escolhi viver, desejo quebrar tais regras. Tornar-me reacionária, pegar em armas se preciso for, para fazer valer minha vontade que sei, é a vontade de todos que passam pelas mesmas dificuldades por aqui.

Achar o caminho de volta a terra mater que nos acolheu em sua quentura branda: o útero de minha mãe!

 

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2 comentários sobre “Difícil regresso

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