No barulho de meus silêncios

E elas – as pessoas – continuam a falar, falar, falar… E eu, continuo fechada de forma hermética num aquário invisível onde somente eu vejo. Habito nele quando sinto cansaço de vida. Dessa vida.

Suspiro!

Apaixonada benhê? – alguém grita de longe, logo aqui ao meu lado.

Respondo em meu interior: Não. Talvez a falta da paixão é que me deixe assim, desfragmentada, em pedaços nano espalhada por todo espaço que circulo.

No fone de ouvido, ouço “Universo no teu corpo”, Taiguara. Viajo para mais longe ainda. Imagino esse amor que nunca conheci a não ser nas letras musicais e folhetins. Miragem.

Agora ouço “Hoje” e sinto meus olhos se inundarem. Identifico-me com a melancolia dessa canção. Sou toda ela.

Meu eu interior se aperta num corselete antigo. Sou vintage assumida. A modernidade me cansa. Sinto exaustão.

Anseio retornar para meu mundo que ainda não descobri qual é. Com certeza não é esse que em vivo.

Algum desavisado, lendo isso pode julgar que estou depressiva, prestes a cortar os pulsos ou pular do alto de um prédio. Não seria corajosa a esse ponto!

Encolhida em minha pequenez, percorro os dias, catando migalhas de alegrias, colecionando sorrisos congelados num fash de instagran, interpretando e convencendo a todos que sou feliz. Feliz? Nem sei o que é isso!

No entanto, mantenho a pose de boa menina sendo cortês com todos, cumprindo minhas obrigações, pagando minhas contas, servindo de exemplo a quem procura algo que também não sabe o que, assim como eu.

Isso é viver? Vivo.

E as falas continuam num ritmo febril…

Gralhas… Elas são muitas e afoitas. É o desespero que as força a falar sem parar porque se calarem, ouvirão o mesmo silêncio que ouço e nem todos têm couraça endurecida para aguentar o tranco. O silêncio fere, rasga, sangra e pode até matar quem não está preparado para ele.

Olho o relógio. Quase hora de fechar mais um ciclo dessa modorrenta vida. Chego a lembrar dos livros de Clarice Lispector que nunca cheguei a ler. Alguém certa vez me disse que pareço personagem dela. Na época não entendi mas acho que posso tomar como elogio. Nem sei porque isso me veio à lembrança.

Talvez um dia me empolgue a ler algo dela. Quem sabe…

E elas continuam a falar, e a falar e a falar…

Mergulho no oceano escuro que se forma em minha mente. Aqui, é escuro, silencioso, suas águas são paradas e mornas.

Tenho paz.

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6 comentários sobre “No barulho de meus silêncios

  1. Roseli,
    Nasceu em mim algo impossível a descrever: uma emoção, um pensamento, uma mistura de ambos, mas certamente um pulsar muito especial.
    Adoro o seu estilo, a forma como envolve o leitor no sentimento profundo que vem aqui oferecer-nos… ou roubar-nos…
    Parabéns!
    Abraço!

    • Pòxa Dulce, suas palavras me balançaram e me fizeram desenhos de um sorriso no rosto.O lance é justamente esse: oferecer, roubar, devolver, pegar de volta numa ciranda deliciosa de textos e emoções. Grata!

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