Fuga ao entardecer

trianon banco

Em meio a tantas conversas paralelas que se cruzam e me transpassam, encontro-me isolada num mutismo.

Não consigo fazer parte dessa massa que fala incessantemente. Verborrageiam assuntos pueris, desnecessários – pelo menos para mim e assim, vou ficando pelas beiras fugindo através de minha mente poética.

Aspirando novos ares, novas paisagens, renovando meus sonhos, imaginando novos mundos e personagens.

A realidade me nauseia.

Procuro a cura através da ficção, da quimera, da palavra trabalhada.

Talhada na madeira macia e maciça da ideia.

Paideia, nova roupagem, já imagino uma nova imagem.

De um mundo mais redondo, de arestas aparadas, seres humanos mais centrados, iluminados.

Natureza em equilíbrio com monumentos erguidos. O homem, fazendo parte mínima num mundo mais justo.

Um luxo! Sem paetês, nem pedrarias falsas, sem dinheiro fácil para poucos.

Os porcos? Longe. Bem longe chafurdando na lama merecida de suas bostas expostas.

Cenário idílico no qual desconhece-se a fome, a miséria,a falta de oportunidades.

Haverá chances para todas as idades. Crianças terão a alegria de vivenciarem sua infância em sua plenitude, os jovens iniciarão suas vidas sem pressa de ingressarem ávidamente nas universidades correndo atrás de nada, sentando-se em bancos escolares assimilando o nada.

Para que pressa em ser infeliz? Visualizo seres mais leves, de gestos não ensaiados, sem serem programados. Sorrisos fáceis, olhares diretos, discretos.

Livres de qualquer tirania seja da moda, conduta, escolhas.

Amores verdadeiros, presenciais – nunca mais virtuais, banais. Retorno ao olho no olho. Cortejos verdadeiros, suspiros profundos, acasalam___________________

ROSELIIIIIIII

Aii!!!

Volta de Nárnia Roseli, o povo tá perguntando o que vai querer pro lanche da tarde!

Risada geral, retorno brusco à realidade e as conversas paralelas permanecem deixando-me com um gosto ácido da bile por algo mal digerido: alimentos, pensamentos, movimentos soporíferos que me inundam o interior.

Levanto-me numa atitude de afastar toda essa agitação que me rodeia fora e me aprisiona dentro e sigo rumo a ampla janela que dá para o Parque Trianon. Apreciar a vegetação em seus movimentos peculiares me amansa a alma embriagada de sonhos e carente de doces realidades.

E então Roseli? Roseliê!!!! Acorda mulher! O que vai querer pro lanche? Tô indo na padoca da rua de baixo.

Após um minuto respondo de pronto:

Sonho!

 

Imagem: Google

 

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8 comentários sobre “Fuga ao entardecer

      • Ah! Sempre que sobra um tempo eu dou uma espiadinha pra ver o que rola por aqui. Só não estou publicando porque estou acessando pelo celular. Meu pc está amontoado no escritório aqui em casa porque tive que acampar neste cômodo pra evitar a escada. Fiz cesárea! Então já viu, né?
        Mais uns 15 dias e já terei meu escritório livre novamente. Daí estarei mais perto de vcs.
        Saudades!
        Bjs

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