Entojo

Hoje, diante de todos os acontecimentos recentes, lembrei-me do livro “Quem mexeu no meu queijo” e de outras fábulas existentes. Por algum momento não enxerguei seres humanos. Visualizei ratazanas, baratas e demais seres menores a correr um atrás do outro, a farejar cheiro de podridão, de esgoto, de lixo, de carniça.

É impressionante como o brilho nos olhos se intensifica quando anuncia-se uma tragédia! A vida de muitas pessoas parece ganhar matiz de um colorido diferente.

Lembrei-me também da canção de João Bosco:

“Tá lá o corpo estendido no chão…”

Diante de situações assim, sinto-me fora do contexto, fora da gaiolinha, fora da ordem mundial.

Isso me faz lembrar de Caetano…

O mundo nunca foi um palco onde se encena finais felizes. Está muito mais pra tragédia grega, BBBs da vida e ópera bufona. Mas de tempos em tempos havia aquela estiagem para dar tempo da gente respirar um pouco e achar que a vida é bela.

Mas ultimamente…

Ultimamente tenho lembrado muito de outra canção:

“Eu desisto! Não existe essa manhã que eu perseguia/Um lugar que me dê trégua ou me sorria/E uma gente que não viva só pra si/Só encontro/Gente amarga mergulhada no passado/Procurando repartir seu mundo errado/Nessa vida sem amor que eu aprendi/Por uns velhos vãos motivos/Somos cegos e cativos/No deserto do universo sem amor”…

Nossa, como essa canção é atual, atemporal. Vocês conseguem reconhecê-la? Alguns com certeza, outros nunca ouviram falar dela nem de seu compositor: Taiguara. Um de meus preferidos.

Mas não era sobre ele que queria falar no entanto, sua canção traduz perfeitamente o que sinto no  momento.

O que desejo escarrar na realidade (perdoem-me os mais sensíveis), é a minha in dignação com a raça humana. Não sou nenhuma perfeição da natureza mas procuro na medida do possível, ser uma criatura ética, respeitadora, compreensiva. Às vezes consigo ser nota dez, outras tantas sou abaixo de zero e na média consigo conviver com as pessoas numa boa. Sigo os conselhos e ensinamentos do mano véio que deu sua vida para nos ensinar algo de bom. Não sou de bater no peito que sou isso ou aquilo mas me contento em fazer ao meu próximo o que gostaria que fizessem por mim. Simples assim!

No entanto, parece que o mundo (digo a humanidade) despirocou de vez! Perde-se a compostura, perde-se a vergonha na cara, perde-se a decência, perde-se a capacidade de amar verdadeiramente.

Ama-se no formato Global, de forma plastificada, botocada, falsa. Ama-se de forma facebukiana, twiterada, watsapada… falsificada.

E eu, cá agachada em meu cercadinho só observo e sinto-me enojada. Gostaria de retornar para a placenta quentinha de minha mãe!

Sei!Sei! Sei que é impossível! Não precisa repetir isso que já sei. Mas a vontade permanece aqui latente em meu ser.

Vivendo numa sociedade mais falsa que nota de mil, gostaria de ter nascido uma ameba, uma bactéria ou simplesmente uma planta que segue seu destino cumprindo seu nascimento, desenvolvimento e morte de forma tranquila sem se preocupar com o vizinho se faz assim ou assado para viver. Simplesmente existe.

Por algum instante gostaria que a humanidade fosse assim também

No entanto, tenho consciência de que estamos longe disso e que talvez nunca alcancemos tal evolução. Viemos mesmo pra chafurdar na lama da corrupção, da malandragem, da facilitação das coisas, do jeitinho “brasileiro” e continuaremos a nascer, viver, morrer e feder da mesma maneira com uma única diferença entre os demais seres vivos: carregaremos sempre o pesado fardo da consciência (ou falta dela) a nos lembrar sempre que nada somos apesar da arrogância, da soberba, da cegueira da alma de todos.

E encerro por aqui porque amanhã com certeza teremos mais. Sempre temos mais.

Demais!

 

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4 comentários sobre “Entojo

    • rsrs você que é um cronista de primeira sabe o quanto a gente pincela histórias no cotidiano. Mas tem hora que seca a fonte talvez até por excesso de histórias mais mirabolantes que nossa criatividade possa inventar.

  1. Faço coro à sua indignação. Tenho um conto sobre isso. Ano passado eu estava numa fase “quero uma ilha deserta por dois meses sem contato com gente” depois melhorei um pouco, daí voltei a almejar a ilha…tô no processo io-io, mas a ilha não se cala… quanto mais conheço as pessoas…mmm…você me inspirou de novo! Vou ali aprisionar umas angústias no “papel”… rs. Até! bjs.

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