Saindo de cena

Não costumo bater a mão no peito e vociferar que sei tudo da vida. Não!!

Na realidade não sei nada.

No entanto, na minha pouca ou quase nada experiência de vida, aprendi alguns… como direi…macetes para driblar as dificuldades, as perdas, as rasteiras que a vida nos dá.

Apanhando um pouco, aprendi a me erguer cada vez que vou ao solo após tais rasteiras. Aprendi a chacoalhar a poeira da roupa, assoprar os machucados adquiridos e seguir em frente. Sempre em frente.

E me dói n’alma quando vejo pessoas frágeis diante da vida que não conseguem se erguer a cada queda que levam. E quando levantam, começam a andar trôpegas pro resto de suas parcas vidas.

Dói quando vejo pessoas sofrerem decepções – sejam elas de ordem amorosa, profissional, pessoal – e não conseguirem superar esses momentos difíceis. Ficam presas até suas mortes naquilo que já passou, não volta mais, tornou-se pretérito.

Hoje, uma dessas inúmeras pessoas que conheci ao longo de minha vida se foi.

Finalmente foi arrebatada da vida de uma das formas mais tristes: simplesmente deixou de respirar. Viver, já tinha deixado faz tempo. Só mantinha-se preso à matéria por não ter nem forças e coragem para dar cabo dela.

Muito triste ver uma pessoa perder o brilho da vida, do vigor sem poder fazer nada por ela simplesmente porque ela não deseja ser ajudada.

Alma de artista que não aguentou a rispidez da vida, da realidade que o cercava. Tudo isso aqui era demais para sua sensibilidade.

Fica esse gosto ácido da partida, fica a secura na garganta de palavras não ditas, fica a mão no ar que não pôde afagar em seu último suspiro. Fica a lágrima quente escorrendo pela face numa tentativa de dizer:

Adeus!

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11 comentários sobre “Saindo de cena

  1. tudo, absolutamente tudo, é tão, mas tão relativo, que eu suspeito, à vezes, que o que parece tristeza, melancolia, pode ser simplesmente um modo particular de estar no mundo (comentei ontem mesmo com uma amiga: ninguém suspeitaria, mas, do meu jeito, sou extremamente feliz! e, no entanto, quando eu sair de cena, é possível que alguém sinta na boca este gosto amargo, por mim).

    • Tem razão comadre, acredito mesmo que seja uma sintonia diferente dos demais. A sensibilidade muitas vezes é mal interpretada. Eu mesma costumo ter meus muitos momentos de melancolia e no entanto, também me considero feliz.

  2. Fiquei pensando um tempão na tua raiva subterrânea. Na conclusão apressada e breve de que artistas não aguentam o tranco. Na pressa em se desfazer do que estás sentindo, ou pelo menos dar sentido a isso. Fiquei pensando e adormeci. Deixe que adormeça.

    • Dormi amigo Mariel e acordei hoje me sentindo leve, aceitando a partida pois ela é a coisa mais certa dessa nossa veloz passagem por aqui. E ficaram apenas as boas lembranças dessa alma de artista. Nada como um dia após o outro.

  3. “Alma de artista que não aguentou a rispidez da vida, da realidade que o cercava. Tudo isso aqui era demais para sua sensibilidade.”

    Quando as cortinas foram fechadas, eu estava com lágrimas agridoces nos olhos.

    Que sensibilidade em letras!!

    Abraços

    • Suzana fico contente demais em ver que meus escritos estão chegando bem aí onde quero: no coração de meus leitores. É sinal de que estou no caminho certo. Apareça sempre!
      Abraço!

  4. Com toda essa melancolia, que vem junto no pacote sensibilidade, ainda encontramos momentos de extrema felicidade. Difícil explicar para quem não sofre de empatia, não é mesmo? Até na despedida as almas artistas viram inspiração. Até.

  5. Querida Roseli, vou admitir que não sei deixar partir. É dor que não dou conta. Ainda. Mas, dizem que a vida ensina tudo. Então, se esse é o assunto, não tenho pressa nenhuma em aprender. Saudades eternas dos amigos que perdemos…Abraços,

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