Despedaçadas

mesa posta( Google Imagem)

Tensão no ar.

À mesa, quatro vidas que se entrelaçam mescladas por rivalidades, amor, competição, admiração, inveja, paralisia!

A movimentação de olhares e frases não ditas é grande. O silêncio das emoções que margeiam suas almas é tortura que perdura há anos.

Décadas de mágoas, de sonhos desfeitos, de insatisfação. Tudo temperado com pitadas de rancor e medo.

Medo de viver, medo de morrer, medo de sofrer.

E sofrem!

Por verem suas vidas passar à margem da verdadeira vida. Por continuarem atadas a uma ideia pré-concebida do que deve ser essa vida, por verem os outros conquistarem suas vidas e serem felizes. Mas… O que é felicidade?

Essa preciosidade que muitos almejam e bem poucos conquistam e mesmo esses que se dizem felizes, muitas vezes dão cabo dessas belas vidas achando-as vazias.

O silêncio pesa à mesa. E diante de tanta densidade, uma delas grita: Ahhhhhhh!!!

Todas param e a olham com censura. Falta nesse meio uma certa dose de ternura.

Solo árido de vivência, amor e calor.

Matrona empedernida pelas experiências da vida

Por não terem peito para encarar a vida, fazer suas vidas, dar cabo dessas míseras vidas!

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9 comentários sobre “Despedaçadas

  1. Porque toda vida é importante. E não sendo, é interessante. Ou não sendo, é fascinante. E não sendo é um instante. E não sendo, é urgente. E não sendo, acende à luz da própria vida. Não se sente nessa mesa, mesmo com tudo que você sente.

  2. Oi Roseli, posso dar um fundo musical? http://youtu.be/d_YB1PTPLcc
    Retrato esse de muitos amores, muitas famílias, muitas vidas. Como sempre dizia um inimgo meu: se renovar é preciso…
    Todos os dias junto meus pedaços.
    É bem como disse o sábio amigo e poeta Mariel, faço deles as minhas palavras.
    Aproveito diante de seu texto que puxa a cortina e revela a coxia, para uma breve história que vi num documentário sobre o cineasta Mário Peixoto ao ensinar o filho a ver as horas: Filho, ao olhar o relógio, ele sempre vai te mostrar “mais um, mais um, mais um” e você deve sempre lembrar que é “menos um, menos um, menos um”…
    Um grande abraço Roseli, compartilho de tuas reflexões.

    • Michele adorei essa sua sugestão de trilha sonora. Não conhecia essa canção do Belchior. E cai direitinho com meu texto. Adorei! Será que consigo incluir na postagem? Vou tentar. Obrigada por suas palavras reflexivas. A vida é isso! A literatura é isso e como é bom botar pra fora!
      Bjs

  3. Roselí, putz! Despedaçadas mesmo!
    Gostei disso:

    ” A movimentação de olhares e frases não ditas é grande. O silêncio das emoções que margeiam suas almas é tortura que perdura há anos.”

    Genial!
    Um beijo,
    Manoel

  4. Roseli,
    Primeiro li e fiquei sem palavras…
    Depois reli e veio-me o silêncio…
    Li novamente e aqui venho para nada dizer, se não que gostei muito deste pedaços de vidas.
    Abraço!

    • Dulce querida, é bom demais ver a reação dos leitores ao que escrevo. Escrever é um ato de rebeldia, contestação e provocação. E sua reação foi das mais bonitas! Obrigada!
      Abraço!

  5. Rô,

    Não vou entrar em detalhes pois não há por que, mas você me fez lembrar de pessoas e situações bem específicas na minha vida. O bom foi que enxerguei alguns aspectos sob um novo ângulo. Sempre me levas por caminhos inesperados, 😉 Gr. BJ.!

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