Neurotecária

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Sou uma pessoa um tanto neurótica. Calma! Não precisa dar um passo atrás, eu não mordo.Mas sou neurótica, como todos que vivem numa metrópole. Mas minha neurose – pelo menos essa em questão pois tenho muitas outras – é ligada diretamente a minha profissão.

Bibliotecária de formação, tenho verdadeira compulsão para estar informada sobre tudo. É claro que não consigo. É humanamente impossível ler tudo, saber de tudo. E isso cansa! É muita informação para o cérebro processar e daí em pouco tempo, ele funde. O cansaço me abate e esse estado não há sono que reponha. É cansaço mental e dos bravos. Já tentei fazer meditação para dar um repouso a essa santa cabecinha mas quer saber? Saía mais estressada de cada sessão de meditação. Por fora sou calma, passiva mas por dentro sou um vulcão sempre prestes a erupção. Vivi em permanente ansiedade por ler todos os livros que chegam à biblioteca onde trabalho. O dia a dia é ao mesmo tempo o meu céu e o meu inferno. Fico extremamente feliz por ter a liberdade de comprar qualquer livro que deseje para o acervo da biblioteca mas, em contrapartida, cada título que chega eu entro num estado de ansiedade por saber que não terei tempo de ler. Pelo menos de imediato.

Quando aqui ingressei há cerca de quase vinte anos atrás, passeando por entre os corredores de estantes e conhecendo o acervo, fui fazendo uma seleção mental dos livros que um dia iria ler. Preciso confessar que essa lista se excedeu nesses anos todos e hoje até já me sinto perdida. Mas tem alguns autores que guardei de memória e que penso um dia ler: Marguerite Yourcenar, Albert Camus, Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, Jean-Paul Sartre, são alguns dos inúmeros autores que desejo um dia sentar com calma e ler. Quem sabe quando me aposentar!

Mas quer saber? Não era nada disso que tinha em mente escrever! Quer dizer, o início era esse mesmo mas seria apenas para dar um gancho ao que realmente eu queria abordar. Outro problema meu: falta de foco. E falando em foco, lembrei-me de um livro que chegou as minhas mãos ontem e que fiquei bem interessada em ler. Mais um! Foco, de Daniel Goleman. Preciso passar esse na frente de todos e ler o quanto antes para poder focar naquilo que desejo e concretizar caso contrário, disparo para todos os lados.

E falando em disparar…Sobre o que falava mesmo? Nossa! Deu pane!

Mas enfim, o outro tema que tinha em mente avinagrou e vai ficar para outro dia. Sabe como é, sexta-feira, fim de tarde, fim de uma semana exaustiva. Ufa! Cansei! Acho que preciso voltar a meditar. Talvez agora, com mais foco.

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14 comentários sobre “Neurotecária

  1. Roseli, sei bem o que é isso…. Que tal não fazer nada! Ficar no ócio por um tempo bom que vc aguente? Sem pensar em nada, sem focar em nada, apenas comer, beber e respirar? Consegue? É como uma meditação, só que vc fica onde quer, relaxada, largadona… Bom, né?
    Beijos

  2. Kkkkk ai, Roseli… Vc pode até ser neurótica, mas que tem um excelente bom humor, ninguém pode negar (deu pane kkkkk).
    Eu tbm sou neurótica. Neurótica por me manter magra, neurótica por ver minha casa limpa, neurótica por estar tudo perfeito. Tenho mania de perfeição, em tudo. Faço e refaço 10 x alguma coisa enquanto eu não me convencer que está do meu jeito (perfeito). Acho que todo mundo é compulsivo em algo. Até os preguiçosos, são compulsivos pelo ócio.
    Vc não está sozinha nessa kkkkk.
    Bjssss

    • Tem razão Sol, todos somos neuróticos. Cada um num grau mas todos somos um pouco. Olha, meu humor fica melhor ainda quando estou de mal humor, rsrs Fico ácida feito laranja azeda, as vezes nem eu me aguento! Que bom que não estamos sozinhos! Beijos

      • Que nada Roseli… todo mundo é um pouco ácido de vez em quando… eu tenho uma língua venenosa principalmente quando estou na TPM… e Não se preocupe… quando estiver se sentindo azeda, sáia pra dançar… dá uma rebolada… ás vezes o açúcar tá no fundo… kkkk
        Bjs e boa semana!
        Sol

  3. Roseli, espetacular essa sua postagem. Percebe bem o sentido da crônica que viveu e andou em São Paulo e acabou pegando a doença teórica do dinamismo com o efeito colateral da ansiedade. Todo e qualquer trabalho nosso em Sampa, a gente sempre QUER fazer tudo e só depois que se muda para o interior é que percebemos que teríamos que viver uns 500 anos para executar um mínimo de coisas a que nos propúnhamos.
    Com o desdobramento desse conceito eu pergunto:
    – Dá para não ficar neurótico???!!!
    Um beijo,
    Manoel

  4. Eu também sou assim: sinto vontade de fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, principalmente ler, estudar sobre um monte de assuntos e pesquisar, mas acabo me sentindo culpada por não conseguir dar conta de tudo. Acho que o segredo é isso: ter foco, definir metas e fazer um planejamento, distribuindo as tarefas de acordo com o tempo disponível( que é quase sempre pouco). Administrar melhor o nosso tempo e sermos organizados é fundamental. Vamos tentar, quem sabe? Desistir? Jamais! Beijo.

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