Choramingos da aprendiz

mulher-escrevendo-v-rojas

Quis brincar de ser poeta.

Brinquei com palavras.

Desajeitada, sem intimidade com elas

Procurei fazer rimas de amor para presentear meu escritor.

Tristeza!! Não agradei meu amor!

Na ânsia de escrever e criar, deslizei feio na métrica,

Errei desgraçadamente na rima

Não desanimei.

Iniciei a escrita de um soneto.

Busquei inspiração em Shakespeare, Camões e até mesmo

em Glauco Mattoso.

Foi desastroso!

Novamente me enganei.

O poeta olhou feio e balançando a cabeça,

jogou meus versos na mesa e gritou:

Esquece! Você não tem o dom da escrita!

Por dentro gritava desesperada: Sou mesmo uma maldita!

Ainda na esperança tosca de uma criança,

Comecei um haicai:

Uma flor de lótus passeia no lago escuro

Novamente em desagrado, o poeta bravejou:

Não menina! Essa frase está dura feito um muro!

Socorro! Quero ar puro!

Chega de palavras, rimas, métrica e o escambau.

Cansei! Não te amo mais poeta!

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2 comentários sobre “Choramingos da aprendiz

  1. Roseli, kkk! É uma delícia ler o que você escreve. Diz-se que toda palavra tem vida, mas as suas se movimentam. Tem vida de verdade! Gostei desse trechinho:

    “Socorro! Quero ar puro!

    Chega de palavras, rimas, métrica e o escambau.

    Cansei! Não te amo mais poeta!”

    Muito bacana, não é mesmo?
    Um beijo,
    Manoel

    • Que bom que minhas criações causem essas sensações boas em você Manoel! A arte literária tem que causar algo no leitor sempre mas, quando desperta sensações de alegria, é bom demais!
      Beijos

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