Braveza

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Me falaram que seria feliz. Bobo que fui em acreditar!

Aqui cheguei. Pra começar a gente já chega miserável nascendo nu e não trazendo bagagem alguma.

Depois, é uma trabalheira pra conseguir algo! A começar por aprender o principal que é se comunicar. Nunca pensei que falar as primeiras palavras fosse tão difícil! Demorou um tempo precioso para aprender a falar e ser compreendida.

E o que falar das regras?

São tantas, são chatas, são desnecessárias mas todo mundo diz que são imprescindíveis para se viver numa sociedade.

Báh! Acho tudo isso uma nulidade. Mas enfim, já que estamos por aqui, como já diziam os antigos: “estando em Roma, haja como os romanos”.

E assim fui levando a vida. Às vezes num ritmo de salsa, noutras dançando um bolero, outras tantas arriscando uns passos de tango. E acreditem: até mesmo a dancinha da garrafa fui obrigada a aprender. Não ria não! Foi necessário.

Ai como odeio essa palavra!

E o que falar da arte de ser “social”, “civilizada”, não poder expressar o que se pensa de fato mas sim, o que esperam ouvir de você.

Se soubesse disso tudo antes, não havia assinado o tal contrato. Rasgaria em mil pedacinhos e continuaria minha leve vida por entre as nuvens. Só na flauta!

Há momentos por aqui que paro e penso – muitas vezes esbravejando em bom som – Puta que o pariu! Quem foi o imbecil que inventou essa de retornar e começar tudo de novo! Deve ter sido um espírito de porco do mais filho da puta que existiu por todo o universo. E ainda com um espírito muito, mas muito gozador pra continuar até hoje tirando essa onda com a cara da gente.

Ah mas ele que me aguarde pois assim que retornar, vou vasculhar nuvem por nuvem, buraco negro por buraco negro (Ah! Já inventaram que esse tal buraco negro não existe. Pois eu te falo: existe. Brinquei muito de esconde-esconde neles).

Fuçarei todas as estrelas espalhadas por esse vasto mundão de Deus até encontrar e, tête-à-tête, falarei poucas e boas. Ah se vou!

Onde já se viu confinar a gente nesse imenso BBB e fazer a gente passar por tudo isso?

É inflação, é mensalão, é corrupção, é programação ruim na TV aberta, é feriado caindo no sábado…

É a fome assolando a população, é uma nação inteira feita por crianças órfãs em meio a bombardeios, escavando túmulos para negociar ossos, comendo alimento azedo, bebendo água insalubre, dormindo com os olhos abertos para não serem alvos do inimigo…

São inúmeras mulheres sendo barbarizadas, sodomizadas por soldados e civis que se acham no direito de fazer o que bem entendem com o corpo feminino. “Foram feitos para nos servir”

E pouco se importam se as que pegam tem idade de três anos, onze, quinze, vinte ou sessenta. “Tendo um buraco pra gente se aquecer e descontar a ira que sentimos da vida, vale”.

E as pobres mulheres na Índia que além de sofrerem estupros coletivos, ainda recebem o olhar cúmplice da sociedade, inclusive das mulheres mais velhas, dando a desculpa: “Sempre foi assim. Vocês é que estão querendo ser moderninhas e ocidentais buscando mudar um comportamento que sempre imperou”.

Como já desabafei outro dia: Tô garrando um ódio disso tudo aqui!

Oh chefia! É, você mesmo! Nem adianta fingir que não está me ouvindo. Vamos parar com essa palhaçada toda e botar ordem nessa sua invenção que, segundo você mesmo se gabou: A minha perfeição!

Cai na real Todo Poderoso! Não nego que fez muitas maravilhas mas essa aqui óh!

Cagou legal hein?

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Querença

nu artistico

Quero que me toque

não apenas a pele.

Quero que me rele,  role comigo.

Quero que me toque.

Percorra minha geografia,

Explora-me, finque sua bandeira,

determine ser sua propriedade,

seu território conquistado.

Quero que me toque.

Ouse.

Atravesse minha carne,

navegue meu cerne.

Percorra minhas rodovias,

Me rodopia!

Me faça sua escrava, me enverga diante de seu poder.

Mata minha sede de ti, afoga-me em teus fluídos.

Faça ruídos ao me amar.

Quero seus uivos ao me cansar.

Mas não quero apenas isso, quero mais!

Que depois disso tudo, me toque

A alma!

Manhã diferente

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A cidade amanhece quente trazendo no céu pinceladas de aquarela com nuances alaranjadas anunciando mais um dia.

Na metrópole que nunca dorme, a movimentação de transeuntes e carros já é grande. Buzinas, gritos, palavrões.

Esquina da rua da Consolação com a Avenida Paulista.

Diariamente passo por esse local. Faz parte de meu itinerário. Desço, atravesso e entro na Paulista andando alguns quarteirões. É uma forma de me manter em forma e despertar até chegar a empresa. Tudo parece dentro da normalidade. Mas, hoje, ao descer do ônibus e esperar o semáforo abrir observo que algo anormal acontece do outro lado da rua.

Uma movimentação atípica com muitas pessoas olhando e alguns policiais de guarda. Uma certa tensão no ar. A curiosidade fala alto em meu interior. Não sou a única. Todos que se encontram desse lado da rua espicham os pescoços para tentar entender o que se passa do outro lado. Uma senhora pergunta ao meu lado: Será que algum motoqueiro caiu? Será alguém atropelado?

O sinal abre e começo a atravessar. Confesso que não me encontrava preparada para o que vi do outro lado…

Amo São Paulo e seu caos reinante. Sempre cantei aos quatro cantos minha paixão principalmente por essa região da Paulista que, menina ainda conheci.  Avenida larga com seus casarões imensos e belos que me remetiam a uma outra época. Avenida que anos mais tarde, em minha adolescência, vinha quase que todos os domingos aos cinemas: Astor, Belas Artes, Gemini. Ah! Quantas boas lembranças! A primeira vez que assisti ao filme Saturday Night Fiver,  Meu Deus que fila imensa peguei! Mas na época tudo era festa, alegria. Após o cinema, tomar um milkeshake ou uma banana split. Oh delícia! Paquerar na escadaria do edifício Gazeta. Quem não?

Tempo de descobertas e uma certa ingenuidade. Tempo de amizades puras e risos abertos. Nada de redes sociais. Apenas olho no olho. Quantas histórias que guardarei no meu balaio de memórias até o fim.

Uns vinte anos depois, realizei meu sonho em trabalhar nas proximidades. E me encontro até hoje. Apesar de todo caos, não me canso de viver por aqui. Gosto dessa diversidade, observar as várias tribos que convivem numa boa. Vira e mexe, fico sabendo de tentativas de assalto, alguém que surta e tenta esfaquear alguém no ponto de ônibus, casais que brigam…

Mas confesso que não estava preparada para o que iria ver. E isso me chocou por demais. Quando me deparei com a cena foi como se um choque de 1000 Wats tivesse me percorrido de cima a baixo. Desviei meus olhos, senti uma náusea sem fim, perdi o rumo. Parei e não sabia mais para onde me dirigia. Esqueci que estava indo trabalhar. Parei e uma vontade imensa de chorar brotou mas por algum motivo, as lágrimas não saltavam para fora.  Sentia-me asfixiada.  Não conseguindo me mover do local onde estava, sentei-me na calçada próximo a um ponto de táxi onde alguns motoristas falavam baixo como se estivessem num velório.

Captei algumas frases desconexas das várias conversas paralelas mas nenhuma me chamou mais atenção do que a imagem de um dos policiais ali a postos: um homem de seus possíveis quarenta anos não estava aguentando segurar a pinta de durão. Sua face pouco a pouco se transformava numa máscara de dor. Até esse dia, nunca havia me deparado com uma expressão de dor mais dolorosa do que a feição do policial que aos poucos foi deixando vir a tona um manancial de lágrimas. Me encantou tal cena! Ao mesmo tempo que me deliciava ao ver um homem chorar daquela forma vestido em seu uniforme e com as mãos em riste em sua arma, senti-me autorizada a também fazer-lhe companhia nessa ação. Levantei, aproximei-me dele, coloquei minhã mão em seu braço e olhando um no olho do outro, deixamos a emoção do momento tomar conta de nossos corações tão entristecidos.

Choramos. Muito. Aquilo que começou como algo tímido transformou-se numa crise sem fim como se nós dois chorássemos por todo o sofrimento da humanidade desde que essa portou aqui no planeta Terra. Deus!! Quanto sofrimento! Por que? Por quê?…

Por quê?  – Foi a pergunta que fiz ao policial que me abraçava e soluçava feito um menino desamparado.

Não sei… Não temos ainda nenhuma pista ou informação sobre o ocorrido. Olhei para os lados e vi que mais pessoas choravam também. Uma tristeza coletiva tomou conta da esquina mais charmosa de São Paulo.

O policial, ainda com lágrimas no rosto, voltou a sua postura profissional e pediu para que as pessoas se afastassem do local. Juntamente as demais pessoas, fui me afastando até mesmo porque, duas viaturas estacionavam e um carro do IML também se aproximava. Ao descerem dos carros, os outros policiais mais o motorista e os médicos legistas também demonstraram o mesmo choque que todos nós ali presentes sentimos. Uma médica loura, de seus trinta anos virou seu rosto desfigurado pela dor mas em dois minutos se recompôs e se aproximou. Colocando suas luvas de látex, agachou e começou a analisar. Balançou a cabeça numa negativa e mandou o rabecão trazer as macas para levar.

A cena em si parecia um quadro ultra realista e de certa forma me lembrava uma imagem de presépio: duas crianças deitadas uma de frente para a outra, nuas, cabecinhas raspadas, pés sujos, olhos vítreos que conservavam ainda algumas lágrimas quase secas escorridas pelo rosto. Aparentemente não havia marcas de sangue denunciando suas mortes por tiro ou facadas. Parecia cena montada de um grande teatro. Cheguei até a lembrar da canção do Legião “Teatro dos Vampiros”. A cena nada tem a ver com a letra dessa canção mas o título se encaixava com o que via. Ao mesmo tempo em que era chocante, nunca tinha visto cena mais bela em minha vida! Dois bonequinhos humanos deitados de forma a remeter os demais a alguma pegadinha infame do destino. E mais uma vez me peguei pensando em outra frase, do famoso escritor alemão J. M. Simmel “Por quantos ainda vamos chorar” e…

Abro os olhos na escuridão de meu quarto e me sento com o coração a mil. A cena ainda está nítida em minhas retinas.

Graças a Deus foi só um sonho!!

Desencontros, desencantos e descrenças

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O crente crê sem ver,

O cientista só crê se ver,

O poeta sente o que não vê,

Eu te sinto o tempo todo mas,

não te creio.

A vida tem desses desencontros, desencantos

e descrenças.

Não desisto.

Um dia ainda verei o crente crendo no que é real,

o cientista crendo naquilo que a matéria não mostra,

o poeta não só sentindo o que não vê

mas vivenciando toda sua fantasia e eu,

sentindo você pleno ao meu lado e crendo em seu amor

tão falado mas vagamente sentido.

E falando em sentido, isso tudo que divaguei

Faz à você algum sentido?

Não importa! O que vale é que isso tudo

coube bonito aqui,

no poema.

Música, aventuras cotidianas, histórias..Era uma vez

Praticamente duas noites sem dormir, anestesiada pelas situações e falta de sono que me é tão necessário. Apesar de tudo, a vontade de escrever é grande e por isso aqui estou. Serva das palavras, pontuações e eterna vontade de contar histórias, aqui me encontro sentada, pronta pra contar mais uma. Preparados? Muito bem!

Era uma vez um show…

Quem me conhece sabe da minha paixão por música e sempre que posso vou a shows de meus cantores e bandas favoritas. Alguns fumam, outros injetam, outros tantos cheiram. Eu absorvo por todos os poros e sentidos a voz, o som dos instrumentos, assimilo a energia desprendida nesses momentos únicos quando acontece a simbiose entre cantor e platéia. E sempre saio anestesiada, embriagada, em paz! É quase que a mesma letargia de quando fazemos um bom sexo. Ahhhh!!!

E pude me inundar mais uma vez da bela voz, bela estampa e som de Filipe Catto. Um jato de talento e criatividade em meio a tanta mediocridade que impera no meio musical. Tão jovem e já com uma bagagem imensa de mergulho  na boa música popular brasileira. Para quem ainda não conhece o trabalho dele, vale dizer que ele canta de Luís Gonzaga, passando por Zé Ramalho, Nelson Cavaquinho, Eduardo Dusek, Fábio Júnior e até Reginaldo Rossi. Além de também ser compositor. Enfim ,vale muito a pena conhecer seu trabalho. Tive uma noite de glória, voltei tarde para casa, quase não dormi nada.

 

Era uma vez, em casa…

Em contraponto, na noite de sábado, tive de levar minha irmã ao pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo pois ela estava sentindo dores horríveis. A aventura já começou quando liguei chamando um táxi para nos levar. Alguns aqui podem se perguntar: mas porque chamar táxi e não uma ambulância? Te respondo: já tive duas experiências nada agradáveis andando numa ambulância do serviço público. Não recomendo a ninguém. Nem ao meu pior inimigo mas, isso falarei numa outra ocasião.

Voltando ao táxi, a moça me avisou que levaria uns dez minutos para o táxi vir em minha casa. Levou uns vinte minutos. Já passava das 23h.

Quando chegou, logo de cara vi que teríamos uma longa viagem pela frente. Um jovem com um sotaque bem mineirim perguntou para onde queríamos ir. Falei: segue direto para a Santa Casa.

– Ah, tá…onde é isso?

– Como assim? Santa Casa de Misericórdia de São Paulo meu jovem!

– Desculpa senhora, não conheço. Qual o endereço, é aqui perto?

– É no bairro de Santa Cecília, na rua Doutor Cesário Motta Jr.

– Vixi! Conheço não! Mas a gente descobre pelo GPS.

Resumo da ópera: o rapaz não conseguia escrever no GPS, logo não encontrava como se chegar lá. Isso levou uns quinze minutos em frente de casa mesmo. Até que minha quase inexistente paciência se escoou e falei:

– Esquece essa geringonça e vamos em frente que eu te ensino como chegar lá. E assim fomos.

Ao fazermos o caminho para pegar a via de acesso a essa rua do hospital, falei para ele entrar pela Augusta. Por que fui dizer isso a ele! A rua estava fervendo de gente de todas as tribos: de góticos a sambistas, de metaleiros a curtidores do som jamaicano, tinha de um tudo! E isso foi novidade para meu jovem motorista. Ele ficou de boca aberta e pasmo com toda essa fauna urbana! E claro, não acelerava o carro vislumbrando toda essa paisagem.

– Meu jovem, não querendo ser chata mas já sendo, dá pra acelerar pois estou levando minha irmã para um pronto-socorro e não para uma balada? Ela está com fortes dores. Acelera!!

-Ah, sim dona…já vou acelerar…nossa! quanta gente na rua!!!

-ACELERA!!! – pronto! perdi meu rebolado de moça refinada mas surtiu efeito pois em dois tempos chegamos ao hospital. E ali iniciou-se uma outra história…

Era uma vez num pronto-socorro…

Frente do pronto-socorro lotada de jovens sentados no chão. Parecia uma outra balada. Na recepção, um grupo que parecia familiares de alguém também faziam uma “social” bem em frente ao guichê de atendimento. Eu estacionei a cadeira de rodas de minha irmã e falsamente paciente, esperei eles saírem dali.

É claro que não aconteceu. Continuavam numa roda animada conversando, rindo e eu ali, desesperada com minha irmã chorando de dor. Iniciei meu mantra favorito para essas horas duras da vida: PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!PUTAQUEOPARIU!…

Até que me cansei de ser budista e mandei ver um strike com a cadeira de rodas de minha irmã em cima de todos eles.

-Aiiiiiiiiiii!!!!

Abrindo um sorriso dos mais meigos e fazendo expressão de Pollyana falei:

-Óhhh! Desculpem-me não os vi aí. Machuquei? – e dizendo isso com a voz mais mansa que pude, abri um sorriso imenso e pisquei três vezes.

Saíram dali. Fiz a papelada toda e entrei com ela. Outra história se inicia.

santa casa

Era uma vez dentro do saguão do pronto-socorro…

Fiz uma panorâmica do salão. Ao meu lado um casal aguardava calados. Do outro lado um filho com seu pai idoso que pela expressão, também estava com dores. Mais a frente, uma jovem obesa chorava baixinho de dor, espirrava muito e a cada espirro, gritava de dor. Logo mais a frente, uma senhora negra cochilava quase caindo do banco e a seu lado, um outro senhor dormia a sono solto. Até roncava um pouco. Bem a minha frente, um jovem nóia com uma calça velha amarrada com um cordão na cintura, sujo, desdentado, com as pernas arrebentadas e sangrando muito não falava coisa com coisa. O policial que o acompanhava, ignorava tudo o que ele falava e mantinha um olhar distante. Estava ali só de corpo presente.

– Seu policial tô com dor,muita dor! Tô com fome também! Tô malucão porque hoje fumei maconha e crack. Queria morrer! Me joguei em frente um carro. Queria morrer…Alguém me atende aquiiiii!!!

Silêncio absoluto. O policial mais parece um boneco disposto no saguão. Não move um músculo do rosto. Seu celular toca, ele atende e vira-se para conversar possivelmente com a namorada ou mulher. Percebi pelo teor carinhoso que dirigiu e pelos rápidos sorrisos que esboçou. Ficou alguns minutos in love telefônico e enquanto isso, percebi o olhar insano do rapaz na cadeira de rodas.

Mirava sem piscar o revólver do policial. Silêncio total quebrado uma hora ou outra por gritos de dor vindos lá de dentro. O jovem continuava fascinado pela pistola do policial e o mesmo continuava in love telefônico.

Nisso já me passou um triller inteiro de “Um dia de fúria” em minha cabeça: o nóia pegando a pistola do policial atirando em sua cabeça e depois atirando e m todos ali presentes e a seguir dano um tiro nos próprios miolos. A cena se mostrou nítida: um saguão inteiro tomado de sangue e corpos caídos por todos os lados. Uau!!!!!!!!!!!!!!

Levantei-me e num suposto espreguiçar falei em voz baixa para o policial:

– Se liga man. O nóia está de olho em seu revólver! Fique alerta! Uahhhhh! Ai que sono! E voltei para meu banco. O policial desligou seu celular e voltou a ficar atento. Ufa!!! Essa foi por pouco! É travesti que chegou toda estourada mas que não se cansava de alisar suas enormes madeixas, é uma senhora bem idosa que teimava em não ficar quieta em sua cadeira de rodas,  era uma senhora negra bem obesa que chegou toda descabelada acompanhada de outro policial e gritando que tinham roubado sua carteira com tudo e como faria para voltar para sua casa lá em São Matheus. E o policial perguntando sem parar: Dona o que a senhora estava fazendo naquele lugar? Me diga! Lá só tem loucos e trombadinhas. A senhora é maluca?

E assim as horas foram passando. Lentamente…

Médico que é bom, nada de aparecer e atender a todo esse povo com dor. Mas isso minha gente, é outra história que um dia talvez fale por aqui. E as horas se escoaram lentamente…

E agora, com os olhos quase fechando de sono, termino por aqui essa minha longa aventura de final de semana. Desculpem-me se estendi demais. Não sei fazer resumo. Meu negócio é contar histórias. Ahhh… e como tenho histórias!!

Mas continuo numa outra ocasião.

Minha mente quer. Somente…

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(Imagem Freepik)

Tem coisa mais desagradável do que você ter uma questão a resolver, precisar ter o máximo de concentração e sua mente teimar em divagar?
Estou assim hoje. Logo hoje que preciso fechar algumas estatísticas importantes para a empresa em que trabalho. Fixo meus olhos nos números que dançam à minha frente, olho para as fórmulas que preciso empregar e sem minha permissão, a mente voa para longe.
Ela quer sonhar, ela quer ouvir uma boa música, ela pensa no amor não correspondido e a saudade bate fundo, ela se questiona se vale mesmo a pena continuar investindo naquilo que já se mostrou perdido, ela quer saborear um belo sorvete e aplacar esse calor infernal, ela quer sair e ir ao cinema anestesiar-se com um belo drama ou comédia, os dois surtem o mesmo efeito, ela quer chegar em casa e tomar um banho repousante, ela quer pegar a estrada e ganhar o mundo.

Ela quer tudo!

Menos ser racional.

Não hoje.

Choramingos da aprendiz

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Quis brincar de ser poeta.

Brinquei com palavras.

Desajeitada, sem intimidade com elas

Procurei fazer rimas de amor para presentear meu escritor.

Tristeza!! Não agradei meu amor!

Na ânsia de escrever e criar, deslizei feio na métrica,

Errei desgraçadamente na rima

Não desanimei.

Iniciei a escrita de um soneto.

Busquei inspiração em Shakespeare, Camões e até mesmo

em Glauco Mattoso.

Foi desastroso!

Novamente me enganei.

O poeta olhou feio e balançando a cabeça,

jogou meus versos na mesa e gritou:

Esquece! Você não tem o dom da escrita!

Por dentro gritava desesperada: Sou mesmo uma maldita!

Ainda na esperança tosca de uma criança,

Comecei um haicai:

Uma flor de lótus passeia no lago escuro

Novamente em desagrado, o poeta bravejou:

Não menina! Essa frase está dura feito um muro!

Socorro! Quero ar puro!

Chega de palavras, rimas, métrica e o escambau.

Cansei! Não te amo mais poeta!