Escrita embolada, crise de idéias, preguiça mental. Ou tudo isso junto!

escrita

Sobre o que mesmo desejo falar?

Não sei…

Já quis sentar e escrever por horas a fio sobre amor, desamor, partidas, chegadas, vida, morte, gozo e tantos outros temas que dão boas histórias.

Mas agora? Não sei sobre o que escrever. Só sinto a necessidade absurda de preencher linhas vazias e invisíveis com palavras, pensamentos, histórias. Só não sei ainda sobre o que definir como história ou tema para desenvolver.

Estou cansada! Um cansaço bravo que chega a doer nos ossos. Ardem meus olhos também e sinto que esse cansaço aliado a essa dor vem da alma. Será que isso é envelhecer?

Volto-me para dentro e procuro abrigo entre as colchas remendadas de memória. Elas sempre me aquecem quando sinto esse frio que vem de meu interior percorrendo minha espinha dorsal chegando ao âmago cerebral disparando o alarme de que sinto-me só e infeliz.

Ganhei essas colchas de minha avó. Um dia ela me chamou, pediu para sentar a seu lado. Enquanto descascava os pinhões, entre uma mordida gostosa e outra que dava, olhava para mim, me analisava, pensava como iria abordar uma questão tão séria a uma menina de onze anos.

Com toda sua sabedoria de vida, ela conseguiu me transmitir uma história bonita que só e ainda me presenteou com essas colchas de memória.

– Marina, essas colchas recebi de minha avó também e repasso a você porque vejo que é uma menina especial, dotada de certos talentos e dons que poucos têm. Lá na frente já adulta você entenderá por completo essa minha conversa. Será a detentora dessas memórias que te passo. Tenha cuidado com elas, são frágeis e necessitam de constante atenção caso contrário, apagam-se feito foto polaroid.

Detenho toda a memória da família. Uma farta bagagem e arquivos sem fim de sentimentos, perdas, ganhos, decepções, alegrias de tantas e tantas gerações. Meu armário interno já se encontra abarrotado dessas colchas. Desejava imensamente ter descendentes para repassar essa bela e árdua missão. Mas parece que ela terminará comigo! Já passei da idade de procriar. Não vejo a quem possa repassar essa linda tarefa. As vezes me pego com um sentimento forte de fracasso. Fracassei como mulher e acho que também como mantenedora de memórias.

Desculpa vó! Não vou conseguir dar conta direito disso.

Está vendo só? Não consigo nem mesmo dar uma continuidade a essa bela e promissora história! Perco pouco a pouco o talento para a escrita. Se é que algum dia já tive. Tenho minhas dúvidas.

Por hora, fico por aqui antes que escreva mais bobagens deixando meu leitor de saco cheio comigo. Vou lá mas volto e você caro leitor, não desista de mim não. Uma hora retomo a escrita com gosto.

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Um comentário sobre “Escrita embolada, crise de idéias, preguiça mental. Ou tudo isso junto!

  1. Linda história,as colchas delicadas e deliciosas que tecemos e carregamos ao longo da vida,mesmo sem procriar de alguma maneira sempre dividimos nossa experiência com nossos amigos e demais pessoas.Belo texto,parabéns

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