Nocaute

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Sua vida corria tranquila. Até que PUM!!!!!!!  Nunca mais seria a mesma!

Cereja. Tudo repentinamente tornou-se cereja.

O doce que por hora comia tinha cobertura de cereja. A jaqueta do rapaz da mesa ao lado era da cor…cereja. O sangue que escorria de seu nariz era…cereja.

Ele (o nariz) já começava a latejar e apresentar um certo inchaço.

PUM!! – as pernas do pequeno bebê no colo da mãe bateu com força na cabeça de Matilde.

– Queira me desculpar – disse a mãe toda atrapalhada com seu bebê e sua imensa sacola que tentava passar pelo minúsculo corredor entre a mesa de Matilde e outra vazia.

–         Que ódio!!! – pensava enquanto engolia seu cheasecacke.

O que acontece? Porque TODOS decidiram me agredir?

Assim pensava Matilde enquanto terminava de engolir seu doce e tomava seu expresso. Engolindo junto sua indignação com a raça humana. Lembrou-se do episódio que mudou toda sua vida…

Havia saído mais cedo para sua terapia. Estava em férias e já tinha grandes planos. Traçou ida aos museus, ao teatro, a shows de seus cantores preferidos, daria uma chegada até a feirinha da praça Benedito Calixto. Fazia tanto tempo que não tinha uns programas lights em sua vida! Não perderia tempo.

Havia tomado o trem Osasco/Grajaú e desceria na estação Pinheiros para fazer a transferência para a linha amarela do metrô. Tinha horário com sua psicanalista e depois pretendia pegar um cinema na av. Paulista. Mas tudo mudou!!!

Ouvindo Legião Urbana e distraída com a música, já se encontrava prestes a descer na estação Pinheiros quando a porta se abriu e tudo aconteceu muito, mas muito rápido.

Aquele animal de duas patas abriu espaço para entrar lhe tacando a mochila imensa e pesada. Não deu tempo de desviar e em poucos segundos ela foi a nocaute. Se não fosse aquele outro rapaz a lhe segurar pela cintura, teria ido ao chão.

–         Imbecil!! Não olha por onde passa? Não viu o que fez com a moça? – gritou o rapaz ajudando Matilde a se erguer.

–         Meu nariz!!! Meu nariz!!! – gemeu a garota com as mãos no rosto já anestesiado pelo baque da mochila.

–         Meus óculos novinhos quebraram!!!! E só paguei duas parcelas!! Filho da putaaaaaaaaaaa!!!

Gritando esse impropério de guerra, Matilde, cega de ódio avançou para cima de seu agressor.

Garota mignon que era transformou-se em gigante diante daquele homem de cerca de um metro e oitenta e cinco. Apesar do vagão estar lotado, o povo abriu espaço para apreciar esse luta que prometia.

–         E aí? Brutamontes! Não vai pedir perdão pela sua estupidez e falta de educação? Vai ter de pagar meus óculos. Ah se vai!!! – e dizendo isso Matilde tascou um tapa no braço do homem.

–         Sai fora moça! Vai te catar em outra freguesia! O mundo é dos espertos e se você marcou bobeira, azar o seu. Pela sua estampa deve ser burguesinha que não está acostumada a andar de trem. Vê se aprende com quem sabe e da próxima, não fica na frente. – dizendo isso cuspiu de lado com expressão de desdém para a jovem que não acreditava no que ouvia.

–         Ah.. Não vai pedir desculpas não e nem vai pagar meu óculos? E ainda tira onda com minha cara. É isso mesmo seu bosta?

–         Garota cai fora antes que te esquente a cara de novo. Só que dessa vez é pra valer e não por acaso. Desce e vai refrescar sua cabecinha oca no shopping Eldorado e vê se me esquece.

–         Filho da puta, miserável, rascunho de gente!!! Você vai ver agora quem tem o que oco! – e dizendo isso, ao mesmo tempo enfiou seus dedos com unhas vermelhas e arrancou os dois globos oculares do homem que gemendo e gritando feito criança, caiu ao chão levando suas mãos aos olhos que já não mais existiam.

–         Isso é para você nunca mais esquecer de ser educado com as pessoas. Isso vai te fazer lembrar pro resto de sua medíocre vida que jamais deve subestimar a força de uma mulher. Principalmente se ela for insultada. Principalmente se ela for surtada feito eu. Não menospreze as burguesas! Elas também têm sangue quente rolando nas veias.

Dizendo isso, Matilde enfiou os globos oculares do infeliz agressor na sua bolsa e desceu na estação Hebraica Rebouças deixando para trás, um vagão inteiro atônito com sua reação.

Decidiu seguir o conselho de sua agora vítima e rumou para o shopping Eldorado onde agora, tentava saborear seu café expresso. Sabia que seria questão de tempo para ser reconhecida pelas câmeras da linha de trem e procurada pela polícia.

Ou talvez não!! Uma idéia imediata tomou conta de sua mente que ainda tomada de adrenalina, se deleitava com o ocorrido.

Matilde gostou da sensação viscosa e quente nas mãos. Já sei! Vou ganhar o mundo e fazer justiça com minhas próprias mãos. Miseráveis feito esse que ceguei tem aos montes espalhados pelo mundo. E quer saber? Não merecem dividir o espaço terreno com demais seres humanos dignos e civilizados. Higienização já!!

Iniciou aí uma coleção um tanto bizarra de Matilde que passou a se chamar Dorothéa, depois Margô, depois Cinira, depois…

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4 comentários sobre “Nocaute

    • Oi Giu! Que prazer ter você aqui me prestigiando. Fico feliz que tenha gostado do texto. Adoro personagens incomuns. Assim como essa surtada, kkkkkkkk Toda mulher tem um pouco disso. Eu que o diga!! Obrigada pela visita e comentário. Bjs

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