Quando a loucura é um dom

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Louca!!! Surtada!!! Demente!!!

Desde pequena ouvia tais adjetivos. Era da mãe, das tias, do pai, dos vizinhos. E ao contrário da maioria das pessoas, para seus ouvidos eram puros elogios!

Com sua mente infantil, achava que a loucura era natural. Via seres alados, bichos que dialogavam, fadinhas que a acompanhava em suas aventuras pelo bairro.

Seus inúmeros amiguinhos invisíveis eram muito queridos. Livres de qualquer preconceito aceitavam aquela menina exatamente como ela era.

Certa noite, sentada no fundo de seu quintal, olhando as estrelas, a fada Piradinha Celestial observando seu ar perdido no céu confidenciou:

– Magali, você é uma menina muito, muito especial. Por isso consegue nos ver. Diferente dos adultos e demais crianças, você manteve o poder de sonhar. E os sonhadores são considerados loucos, visionários. Mas graças a vocês, continuamos vivos, ativos e trazendo um pouco de beleza a esse mundo tão endurecido por guerras e interesses materiais.

Mantenha-se assim! Mesmo que amadureça não perca esse dom de fantasiar, sonhar. O mundo precisa disso.
Os anos passaram, a menina cresceu.
Sempre incompreendida. A família já dava como caso perdido.
Essa? Coitada! Não será nada na vida. Vive no mundo da Lua! Jamais será alguém.

Na faculdade a chamavam de Meg Squizy. As garotas adoravam reparar em sua forma peculiar de se vestir e os rapazes a viam como um E.T.
Somente o Gustavo, outro Squizy se aproximou e demonstrou um certo interesse sexual na jovem. Saíram algumas vezes e, juntos, perderam a virgindade. Depois dessa noite que tornou-se um divisor de águas na vida de ambos, nunca mais se encontraram.
Magali sentiu por um tempo mas depois mergulhou em suas fantasias e logo esse episódio já era página virada.
Gustavo, após essa experiência, tornou-se o galinha da faculdade e passou o rodo em muitas outras calouras que chegavam no centro acadêmico.
Adulta, Magali conheceu mais alguns homens que só tiveram com ela a intenção clara de levá-la para a cama. No que ela ia de boa. Afinal, que mal pode haver? E sempre ao término, ficava sabendo por terceiros que eles a achavam esquisita demais. Louca demais. Surtada demais. Enluarada demais. Sempre esboçando um sorriso Monalisa dizia em pensamento: E sou mesmo!

Leitora voraz, leu de um tudo na vida. De Shakespeare a Bukowsky. De Alencar a Montello. De Camões a Miguel  Sousa Tavares.

Com o passar dos anos conseguiu o cargo de roteirista e hoje, após tantas gozações, descrenças e falta de estímulo por toda parte, sobe ao palco de um importante prêmio internacional para receber a estatueta de melhor roteirista. O brilho intenso de seus olhos perpassa toda a plateia presente. Agradece a todos que reconheceram seu talento e profissionalismo. Inúmeros flashes recaem sobre a vencedora que após uns minutos em total silêncio, vira-se para outra câmera e diz:

– E pra vocês que a vida inteira se divertiram às minhas custas, me achando uma louca desvairada, pra vocês que sempre tiveram uma palavra de derrota para mim, pra vocês que sempre falavam às minhas costas que era uma coitada que jamais seria alguém na vida, agradeço de forma especial. Sua descrença foi meu maior alimento e alavanca para o sucesso. CHUPA ESSA CAMBADA!!

E fazendo uma careta e um gesto obsceno com a mão, desce debaixo de uma plateia que se levanta para aplaudir não só a roteirista talentosa que se tornara mas também a mulher corajosa e resiliente que superou a tudo e todos.

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MISSIVA A UM AMOR QUE JÁ NÃO EXISTE

A cidade se mostra bela e mágica através de minha janela no décimo quinto andar.

É noite. Meu relógio digital informa que são 24h45. Cansei de rolar na cama e não conseguir pregar os olhos. Sinto-me inquieta. Peguei o livro do Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados – um de meus preferidos, mas não rolou leitura. Meus olhos insistem em deslizar pelas inúmeras palavras e frases sem fixar em nenhuma. Fecho e pego o de Luís Fernando Veríssimo. Orgias. Quem sabe esse, sendo uma leitura mais leve me prenda a atenção.

Nada.

Deixo esse também de lado e ligo a TV. Zapeio por todos os canais e acho tudo banal.

Desligo.

Pego meu note e resolvo navegar um pouco no Face, ver o que a galera anda postando…

Eca! Quanta futilidade! Quanta asneira!

Desligo também.

É onde decido levantar e perambular pelo apartamento. Vou à cozinha, abro a geladeira rastreio o que ela contém. Tomo um copo de suco de maracujá. Quem sabe ele me dê sono.

Pego um cacho de uvas e sigo para a sala. Saboreando uva por uva, deixo meus pensamentos soltos seguirem seu rumo.

…E eles sempre retornam a você. Meu Deus! Por quê?

Já se passaram três anos desde nossa separação e ainda sinto-me presa, refém de seu amor, de seu tesão, de sua tensão…de sua atenção!

Nesses três anos, te busquei em muitos corpos. Alguns mais velhos outros mais jovens e sarados, outros disformes. Procurei-te até mesmo em corpos femininos tentando reencontrar aquela paixão que um dia recebi de você. Não posso reclamar. Encontrei muito carinho de mulheres até bem interessantes. Dos homens recebi noites calientes, presentes preciosos, declarações e até mesmo um pedido de casamento. Não vou negar que tudo isso me deixou lisonjeada!

Mas não vinha de você. Não era você.

O tempo passou, segui minha vida sem sua presença, mas sempre com ela presente. Mudei de emprego. Lembra que vivia reclamando e você sempre dizendo: toma coragem e muda! Saia da mesmice busque coisa melhor porque você tem competência para isso. Não se contente com tão pouco! Você é talentosa menina!

Pois então. Segui seus conselhos, criei coragem e mudei radicalmente minha vida. Diariamente agradeço a você em pensamento por ter me dado essa força.

Está vendo só como você tem um peso imenso em minha vida?

Com você fui e me tornei uma mulher plena, realizada, total. Por você me transformei nessa leoa que a tudo enfrenta sem oscilar diante dos fatos nem das situações.

Junto de você aprendi jogos sexuais que nem imaginava existir e o prazer que vem de brinde nisso foi algo que só você acrescentou.

A seu lado minha vida ganhou pinceladas de cores vibrantes, minha trajetória de vida  enriqueceu, minhas experiências se multiplicaram.

Acompanhando-te, ganhei um frescor em minhas faces que já se encontravam envelhecido precocemente. Você foi meu melhor tratamento anti-idade!

Meu corpo, endurecido pela falta de exercício de vida, ganhou agilidade, leveza, curvas que só mesmo você poderia ter me proporcionado. O sexo entre nós era tão intenso que nem precisei de academia. Fiquei em forma e feliz!

Mas, como tudo nessa vida é passageiro, sua presença também teve prazo de validade. Primeiro você foi esfriando pouco a pouco comigo. Pensei: Ah! Deve ser porque a rotina nos leva a assentar e aí o relacionamento entra nessa fase pós-paixão. Depois, você passou a implicar com tudo aquilo que antes era motivo de elogios e mimos. Em pouco tempo, de mulher deliciosa e interessante passei a megera burra, pois não entendia seu raciocínio de macho Alfa.

Então vieram as outras. Casos esporádicos, relacionamentos fast que te saciavam de início, mas logo voltava a cair na eterna insatisfação. E eu, calada sempre recolhendo seus cacos.

Curando-te e fortalecendo com meu infinito amor.

Até que algo acima de minhas forças te levou de vez! Por mais que tenha lutado para te manter a meu lado, não pude competir com ela que chegou sem mandar aviso e te levou mesmo contra nossa vontade. Eu, de minha parte não podia imaginar minha vida sem você. 

Você por outro lado, antevia sua vida longe de mim, conquistando outras mulheres, outros corpos, outras sensações, mas também não teve como fugir dela. Foi implacável!

Numa manhã ensolarada, exatamente como você gostava, ela te visitou e mansamente te abraçou e o levou para uma viagem sem regresso. Você foi. Calmo, silencioso, resignado.

Em seu enterro, senti-me anestesiada e participando de um sonho. Um horrível sonho! Tinha certeza que ao retornar à minha casa, dormiria e ao acordar, veria que fora somente um pesadelo. Acordei. Não foi um sonho.

E agora, com os olhos embaçados pelas lágrimas saudosas, escrevo essa missiva como forma de canalizar o que vivemos e enviar onde você estiver. Desejo de coração que sua essência se encontre em algum lugar do universo. Receba meu querido o sentimento mais profundo e o pensamento que não se cala em minha alma. E tomando licença poética/literária da escritora portuguesa que tanto lemos e tanto discutimos naquelas noites regadas à vinho, faço das palavras de Inês Pedrosa, as minhas que também levarei para o túmulo:

“…Porque te escolho,  nesse sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que não fui? Morreste-me antes que eu morresse – e não consigo morrer sem ti. Nunca consegui. Todos os dias de minha vida estive com você…

…Enumero as leis termodinâmicas da tua ausência…

 Fazes-me falta! “

 

 

 

 

O errado sou eu?

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Venho de uma geração que não vê motivação alguma para se fazer algo. Minha mãe vive me dizendo que sou um fracasso. Não estudo o suficiente, não a ajudo nos deveres de casa, não arrumo nem mesmo meu quarto, não faço amigos, não namoro. Diz que sou uma nulidade!

Meu pai engrossa o cordão dos que se sentem frustrados comigo. Por não torcer pro mesmo time dele, por nem gostar de futebol e sim de esportes mais “delicados” como costuma dizer. Pôxa! Só porque gosto de natação, esqui aquático, ginástica rítmica ele acha que sou viado!
Vive implicando também com meus gostos musicais: ele é roqueiro da turma das antigas. Curte demais o velho rock’n’roll como os dinossauros Beatles, Rollings Stones, Jeff Back, Led Zepellin e Cia. Eu, por meu lado, já curto mais o som de Greenday, Pearl Jam, Alice in Chain, Nirvana. Ele diz que esses moleques são muito deprês e que eu devia ouvir coisa melhor. Eu, sempre rebato que cada um, cada um, mas ele não me ouve. Acha que só seu gosto musical é bom e que todo o resto é lixo. Nem me dou ao luxo de replicar. Dá uma preguiça!

E falando em preguiça, essa é uma palavra que mais ouço quando estou na sua casa. Se ainda não falei pra vocês, falo agora: sou cria de uma família desfeita. Coisa mais comum na minha geração. No início da separação deles até que senti bastante, mas aos poucos fui me adaptando afinal, era melhor ter duas casas para ficar do que aguentar os velhos brigando e implicando um com o outro o tempo integral. Era um saco! Esqueciam que sempre estava presente e falavam cada coisa um para o outro! Melhor nem lembrar!

Hoje acho legal ter duas casas, pois tenho dois quartos totalmente equipados para mim e assim, fico sempre de boa. Aliás, é justamente esse “ficar de boa” é que tem incomodado meus pais. Mas o que posso fazer se a vida inteira Eles me criaram assim? E agora vem com essa cobrança sem graça!
Minha mãe vive dizendo pra mim que sou muito apático, sem iniciativa, que estou sempre cansado para tudo. O pior é que ela tem certa razão!
A vida em si é um cansaço só para mim. Não sei explicar mas não consigo achar graça nas coisas que a maioria acha. Prefiro ficar na minha, sozinho, de boa.

Meu pai vive me dizendo que já está na hora de pensar no futuro. E eu penso comigo: Futuro? Que futuro?
Sou tudo isso, mas uma coisa tem de bom. Pelo menos acho isso bom. Ou talvez nem seja tão bom. Sei lá.
Mas sou um cara muito antenado com o mundo através da telinha da net. Leio de um tudo. Notícias, resenhas de filmes, artigos sobre economia, conflitos, política…

E aí pergunto: do jeito que o mundo caminha com tantas guerras, desemprego, corrupção, dá pra se imaginar um futuro promissor? Acho que não. Pra mim nem vale a pena tentar. É pura perda de tempo e energia. Pra que se matar de estudar, fazer faculdade, batalhar por um emprego merreca com um salário de merda, acordar cedo todo dia, aguentar chefe medíocre e colegas idem? Pra que me matar para provar que sou melhor que os outros quando na realidade, estou no mesmo barco furado que toda a raça humana está?

Outro dia, na casa de meu tio Zeca, fuçando sua discografia descobri um grupo que já tinha ouvido falar, mas nunca tinha prestado atenção. Botei o bolachão pra rodar e comecei a ouvir o som. Primeiro o que me chamou a atenção e gostei, foi o instrumental. Forte, raivoso, irado! Bateria, guitarras, baixo. Mó som! Depois, aos poucos fui prestando atenção na letra da música e aí…Cara! parei! Fiquei ouvindo até o fim do disco e paralisei! As letras das músicas tem tudo a ver com meu estado de espírito!
A canção do senhor da guerra, Pais e filhos, Teatro dos vampiros, Que país é esse?, Geração Coca-Cola,…Cara, me identifiquei total!

Agora, ouvindo essas mesmas músicas e relembrando minha vida numa fita cinematográfica mental, reavalio o que fui na infância, na adolescência e agora, já maior de idade, assumo as rédeas de minha vida e sigo rumo ao meu destino. Se vai dar certo? Não tenho respostas. Vou quebrar a cara e ser mais um desempregado na Europa? Grandes possibilidades. Vou conhecer meu grande amor por lá? Não é má ideia. Voltarei pedindo arrego para meus pais? Qual o problema afinal, eles são minha referência de vida, meu porto seguro e sei que se precisar, é só chamar.

Agora me dão licença que o avião vai partir!

Cozinha: laboratório de lembranças e magia

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Cozinhar…Desde a mais remota lembrança trago a imagem da cozinha entre minhas lembranças mais gostosas. Lembro com nitidez de minha avó materna feliz da vida entre panelas, tigelas, inúmeros potes de temperos transformando pouco a pouco alimentos crus em iguarias de dar água na boca. E a alegria dela entre um fazer e outro! Era contagiante! Lembro-me bem de sua voz cantando ou assoviando uma de suas canções prediletas. E eu, sempre atenta e já me deixando seduzir pela arte de cozinhar. Achava a cozinha um lugar mágico! Achava minha avó uma verdadeira bruxa, no melhor sentido da palavra. Sempre de avental, seu uniforme de vida, com uma colher de pau numa das mãos e as panelas a cozer diversas coisas no fogão: cozidos de legumes, doces de abóbora, banana, preparando o feijão sempre tão cheiroso!

Mas na realidade, quem me ensinou a fazer o primeiro arroz na vida não foi minha avó muito menos minha mãe. Foi uma vizinha muito querida que me iniciou na arte de fazer o trivial.

Dona Renê! Puxa que saudades dessa bela senhora!
Foi cuidando do seu filho Alexandre que tive o prazer da sua companhia e das primeiras aulas de como se preparar uma boa e deliciosa comida. E aos poucos fui me interessando mais e mais pela arte de se cozinhar. Agora uma das lições que aprendi e que assimilei profundamente: Cozinhar não é apenas juntar os alimentos numa panela, botar sal, temperos e pronto. Nãoo!!! Isso chega a ser uma heresia!
Cozinhar além de ser uma arte, é também o aprendizado de todos os temperos e alimentos, suas funções alimentícias e medicinais. Mas acima de tudo cozinhar é uma entrega da alma. É doar-se por completo no momento em que se estabelece essa conexão com os alimentos.
Por isso a comida desanda se você está com raiva, triste ou com mágoas no peito. Experimenta cozinhar com a alma leve, ouvindo música, cantando junto ou simplesmente conversando com alguém que ama e verá que sua receita sairá um espetáculo!
Sou chata quando abro a geladeira e encontro verduras e legumes passados e machucados. Sou exigente com relação a sua qualidade justamente por dar valor, não só proteico,mas valor de vida à eles. Infelizmente a vida moderna não nos deixa com tempo suficiente para se dedicar com mais afinco às gostosuras. Portanto, só tenho os finais de semana para ficar mais tempo nesse laboratório e me dedicar as experiências gastronômicas.
Também não é tudo que posso fazer pois nem todos gostam dos mesmos pratos que eu. Nem todos se permitiram aguçar seu paladar e a arriscar temperos e gostos exóticos e diferenciados daquilo ao qual fomos acostumados. Paciência!

Quando chego à cozinha, coloco meu avental e decido qual prato fazer, é como se uma entidade se apossasse de mim. Torno-me outra pessoa. Adentro um outro universo. Sinto-me poderosa! E de posse de minhas armas de batalha, corto, desfio, raspo, bato e transformo algo   sem vida em preciosos tesouros gastronômicos. Saio sempre vencedora e depois recolho os louros pela bela atuação. Não tem preço!
Sei que muitas mulheres ditas “moderninhas” acharão esse meu texto um monte de bobagens ultrapassadas mas,rebato dizendo: Meninas, aprendam primeiro a cozinhar, sintam-se poderosas e donas de uma ciência que poucos têm. Isso não fará de vocês em absoluto pessoas menores e sem prestígios diante da sociedade. Muito pelo contrário. Isso significa pontos na sua formação. Verá que cozinhar não é um ato que diminui e te torna apenas mais uma mulherzinha do lar. Significa que você é uma deusa poderosa e detém poderes que outros não conseguem ter. É magia mesmo! Da mais pura, antiga e poderosa magia do universo. Transformar simples alimentos crus em iguarias de fazer estalar a boca de prazer!

Apostando na vida mesmo ela desistindo de mim – Ânsia de viver – cap. II

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Estivera afastado de tudo por longos e árduos oito meses em que se submetera a quimioterapia. Não estava sendo fácil! O tratamento agressivo lhe tirava até mesmo o gosto de escrever. Sentia-se deprimido! Cada vez que retornava de uma sessão de quimio, voltava um trapo humano. Eram praticamente dois dias vomitando sem parar e sem forças para nada. Não estava aguentando mais. Depois, era como se renascesse e sentia-se com toda energia do mundo envolvida por seu esquelético corpo. Era aí que aproveitava e se entregava de forma desesperada à sua escrita. Sabia que não teria muito tempo e ansiava por deixar muita coisa para publicar postumamente. Já fazia seu inventário mentalmente e visualizava sua obra toda publicada e bombando entre as mais-mais do ranking literário. E ainda ousava sonhar: ranking nacional e internacional. Vislumbrava seu nome em letras garrafais se sobressaindo nas inúmeras estantes e stands das megalivrarias. Já sabendo que sua doença não tinha cura, jogou para o alto toda sensatez e mandou médicos pro inferno. Queria gozar o máximo do pouco tempo que lhe restava. E aproveitaria fazendo o que sempre lhe dera prazer na vida: escrever (em primeiro lugar), fumar, bebericar seu café forte e saborear seu uísque escocês. Humm!!!

“Isso ainda vai te matar homem de Deus!” – ouvia isso direto de sua única filha Rosana.

“Foda-se! O que vai me matar não é o que me dá prazer nessa miserável vida. O que está me matando é a porra dessa doença que trouxe em meu DNA, herança de merda do bosta de meu pai!” –  Dizia enchendo sua boca de indignação e fumaça.
“Me deixa viver. Eu amo essa vida mesmo que ela já tenha desistido de mim!”