Uma aventura pra lá de doida

Por acaso existe o transtorno mental psicogástrico suicida? Não? Então acabei de inventar.
A criatura já sofre de gastrite nervosa, come fora de casa qualquer merda que lhe vendam. Aí, chega à noite em casa já sofrendo de cólicas intensas e, antes mesmo de ir ao banheiro, resolve fazer uma boquinha na cozinha.
A criatura em questão avalia tudo o que vê na geladeira. Passa rapidamente seus olhos pelas verduras, legumes e, cai de boca nos ovos.
– Já sei! Estou louca para comer uns zoiudos com gema mole, kkkkkk. Ah! Mas estou com uma baita fome, pois fiz minha série de musculação na academia e saí faminta de lá. Preciso repor as energias.
Resolve comer um prato bem suculento:
Cardápio da noite
Uma porção de arroz, uma porção de feijão, dois ovos estrelados e com gema mole, uma salada de tomate com azeite de oliva extra-virgem (é saudável!) e… Ahhhhhhhhh!!! Vários pedaços de torresmo. Bemmmmmmmmm torradinhos! Hummm!!!
Agora, voltando aqui para a real: gente, quem em sã consciência e saúde mental vai comer um prato desses as 22h sendo que já está sofrendo de cólicas gastrointestinais?
Pois é, eu conheço uma criatura que faz exatamente isso. E você também a conhece. Não adivinhou ainda?
Eu!
Fala sério! Depois dessa noite insana onde botei literalmente os bofes pra fora jorrando por cima e por baixo, Senhor!!! Me ilumina o espírito porque o corpo já era!
E para vir trabalhar hoje cedo então? Encarar transporte público, trânsito e as cólicas a me atormentar. Desci na Avenida Paulista aos trancos e barrancos desesperada por um banheiro ou, em último caso, uma moitinha servia.
Daí, a desestruturada mental que aqui vos fala, ao invés de ir direto para a empresa para usufruir da privacidade de um vaso sanitário o que faz? Heim? O que faz?
Lembra que precisa sacar dinheiro para o almoço e, mudando a rota, atravessa a avenida e segue para o caixa eletrônico.
Caaaaaaaraaaa! Cê num tem noção! A infeliz que vos reporta por hora, iniciou uma dança nova se retorcendo toda em frente ao caixa eletrônico enquanto fazia os passo a passo para sacar dinheiro. Teve uma hora em que até tive a impressão que um dos seguranças do banco que se encontrava do lado de dentro da agência me olhava com um ar estranho, no mínimo estupefado!
Também, quem seria essa louca que as 7h30 da manhã adentra a agência numa dança pra lá de esquisita enquanto tenta sacar dinheiro?
E assim, o dia se arrastou entre idas e vindas ao banheiro. À tarde, não aguentando mais, decidi ir ao departamento médico ver o que as profissionais da saúde poderiam fazer pelo que restou de mim. Graças à medicina moderna, tomei soro para me reidratar, tomei um buscopan para aliviar minhas cólicas e água. Muita água para combater essa minha ressaca gástrica.
Fala sério! Bem que minha santa avó Maria já falava que o homem morre pela boca. E eu diria mais: morre pela boca, pelos olhos que vêm essas guloseimas e não resiste a elas e pelo olfato que, sentindo o aroma dessas “armas letais” para nossa saúde, não resistimos e caímos esparramados nelas.
No meu caso, sei exatamente o que faz mal e o que não faz. No entanto, de tempos em tempos cometo essas insanidades. Sou ou não sou uma suicida em potencial?
E agora estou cá, dividindo com vocês meu sofrimento, minhas insanidades, minha veia suicida. E então vem uma perguntinha:
Você é assim também?

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11 comentários sobre “Uma aventura pra lá de doida

  1. Já fui mais “violenta”, mas não posso negar que de vez enquando ainda cometo umas atrapalhadas.
    Ótimo texto. Ri muito e relembrei de umas coisinhas também.
    Beijinhos (e talvez alguns brigadeiros…)

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