Santa aventura Batman!


– Santa tragédia Batman! Por que aconteceu isso com ela? – disse um estupefato menino prodígio
– Não tenho respostas para isso Robin – comentou de olhos baixos um Homem Morcego que parecia trazer todo o peso e sofrimento da Terra sobre si.
Olhavam tristemente o corpo de uma jovem que jazia inerte na rodovia mais movimentada da cidade de Gotham City. Aos poucos, foram se reunindo aos nossos super herois pessoas que paravam levados pela curiosidade em vê-los ali, no meio da rua e ao perceberem o ocorrido, se lamentavam.
– Pobre mocinha! Tão jovem!
– Pois é meu senhor. E sua família quando souber! Que tragédia meu Deus!
– Agh! Que horror!
– Tsc! Tsc! Jesus amado que cena horrível!
…mas que tanto esse povo fala, e fala, e fala! Não se pode mais nem dormir em paz? Ei! Que tumulto é esse em volta da minha cama?
…o que ac…aconteceu? Morreu? Quem morreu? O que dona? Ah! Olhar para o chão?
…nossa! É mesmo! Pobre garot…garot…Ei! Eu conheço essa garota! Sou eu!!? Mas…espera aí! Espera A-Í! Gente não pode ser! Eu tô aqui! Como posso estar aí no chão estatelada? Alguém pode me explicar isso? Batman? Robin? Alguém me explicaaaaaaaaaaaa?
– Venha Robin, vamos sair daqui. Não temos mais nada a fazer por essa pobre menina a não ser orar por ela. Vamos embora que o mundo do crime nos espera. As coisas não param por conta disso.
– Tem razão Batman! Santa tragédia! – e assim, nossos super herois se retiram de cena, entrando no batmóvel e sumindo na rodovia deixando para trás, uma garota confusa.
Plaft!!!!!
– Puta merda Ludy! Não sabe entrar no quarto dos outros sem bater a porra da porta? Não viu que estava dormindo?
– Credo Juliana! Que boca suja você tem logo cedo heim? Coisa feia menina falando palavrão. Se o papai ouve, você leva um tapa na boca! Desculpa, não fiz por mal. A porta escapou.
– Lu, só te desculpo porque você me arrancou de um baita pesadelo. Que sonho horrível eu tive! Sonhei que estava mortinha da Silva numa rodovia e que o Batman e o Robin estavam lá.
– Batman? Robin? Ai Ju você não tem jeito mesmo! Até em sonho é piradinha, piradinha! Vai! Levanta logo dessa cama e vem tomar o café da manhã. Vamos aproveitar esse dia lindo de sol e pegar um bronze. Vem! Tô te esperando!
Batman, Robin! Santo sonho senhor! – e rindo saiu do quarto deixando uma Juliana assonada entre o riso fácil e a estranheza de se lembrar morta no chão de uma rodovia de Gotham City.

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Uma aventura pra lá de doida

Por acaso existe o transtorno mental psicogástrico suicida? Não? Então acabei de inventar.
A criatura já sofre de gastrite nervosa, come fora de casa qualquer merda que lhe vendam. Aí, chega à noite em casa já sofrendo de cólicas intensas e, antes mesmo de ir ao banheiro, resolve fazer uma boquinha na cozinha.
A criatura em questão avalia tudo o que vê na geladeira. Passa rapidamente seus olhos pelas verduras, legumes e, cai de boca nos ovos.
– Já sei! Estou louca para comer uns zoiudos com gema mole, kkkkkk. Ah! Mas estou com uma baita fome, pois fiz minha série de musculação na academia e saí faminta de lá. Preciso repor as energias.
Resolve comer um prato bem suculento:
Cardápio da noite
Uma porção de arroz, uma porção de feijão, dois ovos estrelados e com gema mole, uma salada de tomate com azeite de oliva extra-virgem (é saudável!) e… Ahhhhhhhhh!!! Vários pedaços de torresmo. Bemmmmmmmmm torradinhos! Hummm!!!
Agora, voltando aqui para a real: gente, quem em sã consciência e saúde mental vai comer um prato desses as 22h sendo que já está sofrendo de cólicas gastrointestinais?
Pois é, eu conheço uma criatura que faz exatamente isso. E você também a conhece. Não adivinhou ainda?
Eu!
Fala sério! Depois dessa noite insana onde botei literalmente os bofes pra fora jorrando por cima e por baixo, Senhor!!! Me ilumina o espírito porque o corpo já era!
E para vir trabalhar hoje cedo então? Encarar transporte público, trânsito e as cólicas a me atormentar. Desci na Avenida Paulista aos trancos e barrancos desesperada por um banheiro ou, em último caso, uma moitinha servia.
Daí, a desestruturada mental que aqui vos fala, ao invés de ir direto para a empresa para usufruir da privacidade de um vaso sanitário o que faz? Heim? O que faz?
Lembra que precisa sacar dinheiro para o almoço e, mudando a rota, atravessa a avenida e segue para o caixa eletrônico.
Caaaaaaaraaaa! Cê num tem noção! A infeliz que vos reporta por hora, iniciou uma dança nova se retorcendo toda em frente ao caixa eletrônico enquanto fazia os passo a passo para sacar dinheiro. Teve uma hora em que até tive a impressão que um dos seguranças do banco que se encontrava do lado de dentro da agência me olhava com um ar estranho, no mínimo estupefado!
Também, quem seria essa louca que as 7h30 da manhã adentra a agência numa dança pra lá de esquisita enquanto tenta sacar dinheiro?
E assim, o dia se arrastou entre idas e vindas ao banheiro. À tarde, não aguentando mais, decidi ir ao departamento médico ver o que as profissionais da saúde poderiam fazer pelo que restou de mim. Graças à medicina moderna, tomei soro para me reidratar, tomei um buscopan para aliviar minhas cólicas e água. Muita água para combater essa minha ressaca gástrica.
Fala sério! Bem que minha santa avó Maria já falava que o homem morre pela boca. E eu diria mais: morre pela boca, pelos olhos que vêm essas guloseimas e não resiste a elas e pelo olfato que, sentindo o aroma dessas “armas letais” para nossa saúde, não resistimos e caímos esparramados nelas.
No meu caso, sei exatamente o que faz mal e o que não faz. No entanto, de tempos em tempos cometo essas insanidades. Sou ou não sou uma suicida em potencial?
E agora estou cá, dividindo com vocês meu sofrimento, minhas insanidades, minha veia suicida. E então vem uma perguntinha:
Você é assim também?