Capítulo II – O reencontro

Duas semanas se passaram desde aquele episódio. Ela, após muito pensar, até sonhou com aquele “brucutu” como o apelidou.  Acordou toda molhada na manhã seguinte. Decidiu pôr uma pedra em cima daquela situação e retornou as suas atividades cotidianas.
Ele, ao regressar para casa, ainda ficou um bom tempo perturbado. A toda hora vinha à mente a imagem daquela mulher. Só que agora, ela lhe aparecia sensual, num traje transparente, mostrando os bicos intumescidos de seus seios e a leve e pequena montanha formada por seus pelos púbios indicando a entrada para o prazer eterno. O desejo de explorá-la aumentava.
Com essa imagem obsessiva, se masturbou na banheira e gozou como há muito não acontecia.
Na manhã seguinte, ao acordar molhado não somente de suor, tomou uma ducha e saiu para sua corrida diária. Retornou, tomou mais uma ducha, se vestiu e foi trabalhar. Quarta-feira, final de tarde, ele está na biblioteca novamente. Decidiu retomar suas pesquisas para seu futuro livro. Sentou-se na mesa em que sentara noutro dia, parou, deu uma panorâmica em toda a sala. Não a encontrando, riu achando-se um louco por imaginar que fosse encontrá-la novamente. Decidiu sentar no extremo da sala. Num local mais afastado e fora da vista dos demais. Queria sossego para trabalhar.
Acomodou-se, analisou todos os livros que havia pego com a bibliotecária e escolheu um primeiro a ser lido.
Passado vinte minutos de proveitoso deleite nas leituras, um perfume lhe tirou a atenção do livro. Um misto de rosas com um toque amadeirado lhe penetrou as narinas fazendo-o levantar os olhos. Era ela. Sentada bem a sua frente.
Mergulhada na leitura, rodeada por pilhas de livros, sua beleza sobressaía daquela montanha livresca e sua total falta de percepção do quanto chamava a atenção não somente dele, mas de outros homens que ali se encontravam, dava a ela uma luz toda especial que a diferenciava das demais mulheres presentes.
Ele perdeu toda sua concentração. Seus batimentos cardíacos estavam alterados, sua saliva secado, seus olhos dilatados. Estava excitado. Isso não estava certo pensou enquanto tentava de todas as formas deixar de admirá-la. Cada movimento que ela fazia, era o suficiente para abalar seu espírito. Vendo que não conseguiria se controlar por mais tempo, levantou e rumou para o banheiro mais próximo. Lá chegando, lavou o rosto e tentou pensar em outra coisa para perder o estado de excitação em que se encontrava. Começou a pensar no pagamento da pensão de seu filho, imaginou a viagem que faria nas próximas férias, pensou no jogo de seu time favorito que seria na quarta-feira. Aos poucos foi voltando ao normal e pôde retornar para suas pesquisas. Mas, como ela ainda continuava por lá, decidiu mudar de lugar para ter um pouco mais de tranqüilidade em seu trabalho. Por culpa da pressa em sair dali, seus livros caíram fazendo um eco imenso pela biblioteca. Não teve quem não levantou os olhos na sua direção. Inclusive ela. Roxo de vergonha pelo mico que pagava parecendo mais um adolescente pego num ato ilícito, xingou-se em pensamento pela atitude infantil que teve mas, principalmente por ela presenciar. Caramba! O que ela vai pensar de mim? – por uns instantes esse pensamento se formou e logo foi rebatido por outro rancoroso: Dane-se! Foi por culpa dela que estou nessa situação embaraçosa. Que diabo de mulher é essa? O que ela tem que me causa esse furor todo? Seu nervosismo levou-o a derrubar novamente os livros deixando-o numa fúria sem fim. Um auxiliar veio ao seu encontro e perguntou se precisava de ajuda no que ele de pronto respondeu: Desculpe-me, não me sinto bem. Vou embora e volto outro dia para fazer minhas pesquisas. Pode guardar os livros? E agradecendo o auxiliar, saiu feito um corisco dali.
Não sem antes espichar os olhos até ela.
Ela após ser interrompida por aquele barulho não conseguiu mais se concentrar. Reconhecendo quem havia derrubado aqueles livros, ficou inquieta. Um calor subiu ao rosto e suas mãos começaram a suar frio. Credo! – pensou – Será que estou refém de alguma virose?
Mesmo se esforçando para retornar à leitura, toda a sua pesquisa havia deixado de ter importância. Sua atenção se voltava para aquele estranho homem. Lembro-me muito bem dele. Noutro dia achei-o tão relaxado naquelas roupas esportivas e gastas. Hoje até que ele está mais bem vestido – pensou observando rapidamente que ele trajava uma calça de sarja crua com uma camiseta pólo vinho e uma jaqueta. Ah! Hoje ele também está de barba feita. O que melhorou bastante sua aparência. Quando reparou que ele, tentando infrutiferamente juntar os livros caídos havia levantado seus olhos e a mirava de forma inquietante, sentiu-se envergonhada e apanhada em flagrante por estar admirando aquele homem.
Nossa! Sua louca! O que ele vai pensar que você é olhando-o assim de forma tão intensa ? Vai imaginar que vem aqui não para pesquisar e ler, mas sim, para caçar um homem. – Pensando assim, desviou seus olhos para o livro a sua frente. Observou que suas mãos tremiam. Após trocarem olhares mais uma vez antes dele sair quase correndo, ficou num desconcertamento sem explicação. Durante mais uma hora tentou retomar sua pesquisa mas, vendo que não estava conseguindo evoluir muito menos se concentrar, foi embora. Não sem antes olhar na direção em que ele estava sentado antes. Ao passar pela mesa em que ele estivera, ainda pôde sentir a energia que emanava daquela cadeira. Uma energia tão forte que quase podia vê-lo ali, materializado. Irritada, saiu da biblioteca.
Não sem antes voltar, olhar para trás na vã esperança de ainda vê-lo por lá.

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