Dores de Açores

(Imagem retirada do blogue O Filósofo e o Fanfarrão)

Mar que respinga suas águas salgadas em meu rosto

Misturando-se ao sal das próprias lágrimas

Que rolam por ti

Que foste um dia e não mais regressou.

Mar que leva e traz a saudade d’um amor

Que nunca acabou.

Mar que com sua revolta traduz

Minha ânsia em te ver regressar

De terras desconhecidas que desbravou

Retornando cansado, faminto,

Surrado pela bravata

Desejando apenas meu amor.

No entanto, as águas trazem apenas restos

de embarcação

Pedaços de madeiras apodrecidas

Algas abraçadas às garrafas enegrecidas

E nós, mulheres solitárias enroladas em mantos negros

Suspensas viúvas  que dia após dia

Choram seus amores

Na ilha dos Açores

Encerramento do primeiro e único ato

Foto: Anderson Orsi

Pode uma vida murchar como rosas envelhecidas esquecidas num vaso?
Pode.
Uma vida que provavelmente teve uma infância como tantas outras. Uma adolescência cheia de planos, desejos, paixões.
Uma vida adulta com algumas realizações, decepções, outras tantas frustrações. Acontecimentos que podemos até classificar como corriqueiros na vida de todo ser humano em qualquer parte do planeta.
Então porque algumas pessoas não conseguem seguir adiante? O que leva uma pessoa a se afastar da família, amigos, vida social e cultural?
O que leva uma pessoa a se apegar ao carinho de um cão ao invés de investir pra valer num relacionamento verdadeiro, profundo, que traga compensações reais?  Não desmerecendo o afeto canino. Não. Muito pelo contrário. Sei bem o quanto a relação homem/animal pode ser prazerosa. Mas apostar tudo somente nesse relacionamento é árido demais.
Por que será que determinadas pessoas no decorrer de suas vidas tomam rumos tão equivocados e isolam-se em seus mundos tão particulares e se negam a sair deles?
Tantas perguntas e nenhuma resposta que me convença. A tristeza desce sobre mim feito um véu negro que me embaça a visão diante do fato:

Ela deu fim a sua vida.